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Desenvolvimento de equipes em um mundo híbrido: como isso acontece?


Trabalho Híbrido

Acordos operacionais neste novo panorama de trabalho híbrido pode ser desanimador/assustador para aqueles que irão ou pretendem adotá-lo e desafiador para organizações que procuram o desenvolvimento de equipes neste ambiente menos “interpessoal”. 

A boa notícia, no entanto, é que estamos apreendendo cada vez mais rápido onde estão os maiores obstáculos e como minimizá-los de forma antecipada, além de gerencia-los à medida que surgem.

Dito isso, vale ressaltar algo importante sobre o futuro do trabalho: observaremos cada vez mais empresas, sejam elas corporações mais tradicionais ou startups, em diferentes indústrias, adotando o modelo de trabalho híbrido. 

Durante esses últimos anos, presenciamos o crescimento na empolgação pela adoção de algo mais flexível, tanto por parte de empresas como de funcionários. De fato, segundo uma pesquisa conduzida pela Edelman Data & Intelligence em 2021, 66% dos funcionários em posições de liderança dizem que suas empresas estão considerando redesenhar o espaço do escritório para o trabalho híbrido. 

Mudanças antecipadas de trabalho híbrido para empregadores e funcionários pós-pandemia [2021], relevantes para o desenvolvimento de equipes neste novo cenário.
(Na imagem: mudanças antecipadas de trabalho híbrido para empregadores e funcionários pós-pandemia [2021])
(Crédito: Edelman Data & Intelligence / Statista)

Ainda assim, por mais que existam diversos casos de sucesso, isso não elimina que também existam razões pelas quais muitos se sentem apreensivos com essa mudança, especialmente quando se trata de desenvolvimento de equipes e cultura organizacional

Por sorte, algumas empresas, gestores e até mesmo funcionários já estão familiarizados com muitos desses desafios –uma vez que eles apenas se intensificaram durante os últimos anos– pois já vem adotando essa abordagem mais voltado ao virtual há um pouco mais de tempo. 

Ainda assim, é sempre importante seguir atualizando-se para um maior entendimento e uma mais rápida adaptação e resoluções dos problemas que podem surgir nesse ecossistema cada vez mais virtual.

Quais são os desafios de desenvolver uma equipe de trabalho híbrida?

Por mais que esse modelo possa ser possivelmente o mais implementado daqui em adiante e que já nos encontremos cada vez mais adaptados a essa “nova realidade”, é importante ter uma maior compreensão sobre esses principais desafios para que empresas tenham uma gestão mais estratégica de seus colaboradores e consigam um melhor desenvolvimento de equipes. 

Comunicação

Algo que ficou mais notório durante o período inicial da pandemia foi, primeiro, que passaríamos a depender muito mais da tecnologia, o quão demorada foi essa adaptação para muitas organizações e quantos desafios básicos de comunicação iriam surgir –e que certamente devem continuar até os dias atuais.

A adoção de serviços de video conferência como Zoom, Google Meets, Microsoft Teams etc. foi extremamente necessária para que empresas continuassem operando. Mas, por outro lado, vimos como o trabalho 100% remoto aumentou o números de silos dentro das organizações

Atualmente, por mais que empresas sigam adotando um modelo de trabalho mais flexível/híbrido, certas perguntas ainda geram dúvidas?

  • Reuniões importantes, sejam elas entre os membros da diretoria ou que envolvam a todos da empresa (all-hands meeting), devem ser conduzidas 100% presencial?
  • Como encorajar a que funcionários abram suas câmeras durante reuniões virtuais para assim poder seguir estimulando a conexão entre funcionários?
  • Como seguir promovendo o feedback entre funcionários que se sentem mais confortáveis fazendo-o virtualmente?

A comunicação é um dos principais desafios para o desenvolvimento de equipes em um ambiente híbrido ou remoto, sobretudo quando ela é feita de forma ineficiente, seja por falta de tempo ou inconsistências tecnológicas, podendo ocasionar uma incompreensão de conceitos e tarefas e, consequentemente, um atraso na entrega de projetos/metas. 

Coordenação

Todo trabalho colaborativo envolve coordenação, mas trabalhar em equipes híbridas apresenta desafios de coordenação significativamente maiores do que as que trabalham presencialmente. 

O risco é que “linhas de falha” (denominadas assim por pesquisadores) surjam mais facilmente entre aqueles que trabalham remotamente. 

Por conta do esforço extra necessário para coordenar com membros de equipe que se encontram remotos, esses podem vir a ficar de fora de pequenas trocas e pequenas decisões tomadas por aqueles que estão trabalhando juntos no escritório –é claro, sempre e quando esses quando não sejam tomadores de decisão. 

Conexão

Assim como mencionado, os desafios de conexão não se limitam somente a problemas tecnológicos e logísticos. Por maior que seja a aceitação do trabalho remoto/híbrido por parte de certas empresas e pessoas, é impossível negar que ele afetou (e talvez até eliminou) a comunicação social no ambiente de trabalho, elemento importante na liderança e desenvolvimento de equipes.

Networks profissionais e relacionamentos com mentores são importantes para avançar no local de trabalho e, ao mesmo tempo, as conexões pessoais são socialmente sustentáveis ​​e importantes para o nosso bem-estar psicológico, mesmo em um ambiente corporativo. 

“O trabalho híbrido corre o risco de criar uma “classe dominante” composta por aqueles que se sentem centrais para a organização e fortemente comprometidos com ela e uma “classe inferior” constituída daqueles que se sentem periféricos e desconectados não apenas do trabalho, mas também da vida social que cria significado e une os funcionários mais intimamente à organização”

Martine Hass
Lauder Chair Professor e Instrutora de Gestão na renomada escola de negócios Wharton School of the University of Pennsylvania
Martine Haas (em pé), primeira mulher em liderar o Lauder Institute, e 3 das principais mulheres da Wharton School
(Na imagem: Martine Haas (em pé), primeira mulher em liderar o Lauder Institute, e 3 das principais mulheres da Wharton School)
(Crédito: Wharton Magazine / Colin Lenton)

Logo, as consequências podem ser funcionários menos comprometidos e menos felizes no trabalho, e mais propensos a buscar oportunidades em outros lugares.

Leia também: “Retenção de talentos: como manter os melhores funcionários em sua empresa em 2022

Criatividade

Dois tipos de criatividade estão ameaçados pelo trabalho híbrido, mas talvez a mais óbvia seja a criatividade coletiva. 

As pessoas podem fazer brainstorming via Zoom, mas tempos e formatos programados para gerar ideias podem não ser tão frutíferos quanto as conversas mais fluidas e inusitadas que podem acontecer quando trocamos ideias ou trabalhamos intensamente na solução de um problema com outras pessoas de forma presencial.

No entanto, a criatividade individual também pode ser ameaçada. Por mais que existam reportes mostrando que o tempo de silêncio sozinho pode ajudar as pessoas a gerar novas ideias e insights (por exemplo, Harvard Business Review), ainda não se chegou a um consenso que trabalhar isolado durante vários dias ou semanas seja produtivo para funcionários focados em criação e inovação

De fato, também pode-se dizer que certas interações sociais e conversas espontâneas e despojadas com colegas de trabalho, além do consumo de conteúdo e/ou mudança de ambientes durante o trajeto casa-trabalho-trabalho-casa, podem ser importantes fontes de criatividade. 

Cultura

Assim como a criatividade, a cultura talvez seja um dos principais obstáculos a ser superado por gestores e líderes neste ambiente híbrido/remoto, especialmente quando se imagina o quanto a cultura organizacional possa ter sido afetada pela falta do presencial, mas também considerando que as perspectivas de trazer todos de volta ao escritório parecem cada vez mais fracas. 

Nos primeiros dias e meses de trabalho remoto, as empresas ficaram, de certa forma, aliviadas com o quão produtivos e engajados seus funcionários ainda pareciam ser –e certamente muitos ainda o são. 

No entanto, isso provavelmente se deve muito ao fato de que todos esses funcionários trabalharam juntos antes da pandemia e sabiam muito sobre como ainda realizar, mesmo remotamente, suas atividades de forma eficaz, além de entender as normas, valores e expectativas da empresa.

Agora, à medida que os funcionários existentes saem e novos entram, um desafio cada vez mais premente no desenvolvimento de equipes é como socializar esses recém-chegados e integrá-los à cultura da empresa, sejam eles estagiários, contratados iniciantes ou executivos experientes.

Segundo a Gallup, “os funcionários que trabalham virtualmente estão ainda mais desconectados dos principais componentes culturais. Funcionários remotos são 7% menos propensos a se sentirem conectados com a missão da empresa”.

Além disso, a cultura corporativa pode ser fundamental para sinalizar a distinção da organização a novos candidatos, especialmente em setores em que as empresas competem fortemente por talentos, como tecnologia, consultoria ou bancos –esses talentos, no entanto, vem exigindo cada vez mais que empresas tenham flexibilidade no modelo de trabalho. 

Dito isso, é importante lembrar que a cultura deve se adaptar ao burnout gerado nos últimos anos, muito por resultado da combinação entre isolamento social e alta demanda de trabalho, e, neste caso, a empresa deve demonstrar que se não só se importa como apoia métodos para sustentar uma boa saúde mental.

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Como desenvolver sua equipe de trabalho híbrido?

Embora a pandemia tenha causado uma explosão –e certamente uma tendência crescente– de funcionários trabalhando remotamente ou de forma híbrida, essa não é uma realidade nova para outros trabalhadores, especialmente os focados em tecnologia.

Dito isso, existem diversas práticas essenciais para permitir uma colaboração eficaz em equipes fisicamente dispersas.

Defina regras claras de engajamento e desenvolva rituais diários

Quando se fala sobre desenvolvimento de equipes, trabalhem eles 100% presencial ou em modelo híbrido, possuir regras claras de engajamento ajuda a que todos os integrantes saibam o que esperar e abre caminho para a produtividade 

Para exemplificar, os membros da equipe precisam saber que tipo de perguntas justificam uma reunião de equipe e quais devem ser direcionadas para uma mensagem ou e-mail.

Especialmente no caso de colaboradores remotos, os gestores precisam ser disciplinados quanto a produtividade desses trabalhadores, especialmente se observarem atrasos recorrentes em entregas. 

Afinal, em diversas empresas, sobretudos as que adotam uma gestão 4.0, o que importa não é necessariamente a quantidade de horas trabalho e o momento no qual é realizado o trabalho, mas sim metas batidas e tarefas feitas e entregadas dentro do prazo.

Dito isso, reuniões diárias são praticamente obrigatórias para a maioria das equipes colaborativas, mas são ainda mais críticas quando não estão localizadas no mesmo local. Seja qual for o método escolhido (Kanban, Scrum, etc.), certifique-se de segui-lo e ser claro e consistente sobre os ritmos diários de sua equipe.

Certifique-se de que os membros da equipe tenham as ferramentas certas

Assim como vimos, o trabalho remoto/híbrido é muitas vezes prejudicado por falhas tecnológicas. Por conta disso, é fundamental investir nas ferramentas e configurações certas para a situação única de cada membro da equipe, além de considerar que cada time possui necessidades únicas. Para trabalhadores remotos, por exemplo, isso pode incluir melhor Wi-Fi, fones de ouvido e webcams.

Equipes altamente colaborativas, como as de desenvolvimento de produtos ou experiência do usuário (UX), precisarão procurar soluções criativas para garantir que todos do time possam se envolver no tipo de conversa fluida e estratégica necessária para o progresso. 

Seja implacável quanto às práticas eficazes de facilitação de reuniões

Reuniões que juntam tanto trabalhadores presenciais como remotos tendem a parecer produtivas e colaborativas para os que estão na sala, mas os que não presentes podem achar quase impossível de acompanhar.

Neste caso, quando se trabalha com equipes híbridas, líderes devem ser meticulosos para lograr reuniões eficazes e que não causem desentendimento e muito menos constrangimento. 

Os facilitadores de reuniões híbridas devem operar com o mínimo denominador comum em mente –geralmente, a(s) pessoa(s) que fazem as reuniões online–, pois eles são naturalmente sobrecarregados pela incapacidade de ver toda a sala e não podem interferir facilmente na conversa.

Bons facilitadores até mesmo certificam-se de resumir e reafirmar certas interações que ocorrem no escritório em ligações conjuntas com colabores remotos (por exemplo, “Para esclarecer para quem está online, o Leonardo está sendo sarcástico. Ela está sorrindo por aqui”) e criar intencionalmente espaço para a equipe remota possam ter uma maior participação nessas conversas.

Lembre-se de resumir os principais insights sempre que possível

Especialmente no desenvolvimento de equipes nas quais os membros estão dispersos, a comunicação é primordial. Além dos check-ins diários, os líderes de grupos híbridos devem garantir que os trabalhadores remotos não percam conversas produtivas que ocorrem no escritório. 

De fato, a Gallup constatou que gestores que aprendem a conduzir as conversas importantes provavelmente melhorarão o engajamento de seus colaboradores. Como curiosidade, os funcionários têm 2,8 vezes mais chances de serem engajados, por exemplo, quando conversam regularmente com seu gestores sobre seus objetivos e sucessos, conversas também conhecidas como one on one

Sem dúvida, um dos benefícios de equipes trabalhando juntas no mesmo escritório é a capacidade de superar os desafios à medida que eles surgem. O estudo “Reimagining Human Experience, da JLL, descobriu que 69% dos funcionários que responderam ​​acreditam que é mais fácil resolver problemas relacionados ao trabalho no escritório do que remotamente.

Gráfico ilustrando que o escritório físico é o local preferido para algumas atividades fundamentais da empresa
(Na imagem: gráfico ilustrando que o escritório físico é o local preferido para algumas atividades fundamentais da empresa)
(Crédito: JLL)

Sessões de brainstorming acontecem naturalmente ao longo do dia e as ideias podem ser compartilhadas simplesmente falando em um ambiente presencial. Infelizmente, os membros da equipe remota perdem essas oportunidades de avaliar, muitas vezes levando a sentimentos de frustração ou isolamento.

A comunicação eficaz não é a norma, mas poderia ser. Durante a pandemia, muitos líderes aprenderam um nível totalmente novo de transparência, pontualidade e empatia, sendo esses grandes traços em um comunicador, e os líderes do futuro devem mantê-los.

Nunca negligencie a cultura

Por fim, liderar equipes híbridas requer atenção especial à cultura da equipe. Embora as atividades remotas de desenvolvimento de equipe –como o happy hour do Zoom– tenham se tornado moda em 2020, é recomendado incorporar a construção da cultura em reuniões de equipe já agendadas ao invés de adicionar novas.

O simples fato de dedicar alguns minutos em uma ligação de equipe na segunda-feira pela manhã para conversar pessoalmente pode ajudar bastante, especialmente para trabalhadores remotos que não podem se envolver nesse tipo de “conversas de corredor”.

Independentemente de sua localização, é recomendável que gestores tenham conversas cara a cara frequentes (por vídeo ou pessoalmente) com cada membro da equipe. Nessas conversas, deve-se perguntar como é possível ajudar na remoção de quaisquer obstáculos que eles estejam enfrentando. 

Pode haver uma grande variação nos níveis de engajamento e satisfação no trabalho dos funcionários, especialmente com trabalhadores remotos. Além disso, é importante não fazer suposições ou deixar passar muito tempo entre essa interação individual com cada colaborador.

Trabalho híbrido: uma nova realidade

Embora muito mais possa ser dito sobre investir nos membros da equipe como indivíduos e promover a colaboração produtiva da equipe, essas etapas práticas devem ajudar a eliminar as barreiras comuns e levar a equipe e a empresa ao sucesso. 

Uma vez que a implementação do modelo de trabalho híbrido ganha cada vez mais aceitação entre organizações e funcionários, é imprescindível fortalecer a comunicação, conexão, coordenação e especialmente a cultura da empresa para que a adaptação de novos colaboradores seja mais rápida e assertiva, ajudando no desenvolvimento de equipes mais flexíveis, produtivas, criativas e inovadoras. 

As equipes híbridas chegaram para ficar; como líderes, seria sensato continuar aprimorando nossa capacidade de gestão, engajamento e construção de uma cultura positiva, independentemente de sua localização física.

Se você deseja aprimorar o desenvolvimento de equipes, independente do modelo de trabalho adotado pela sua empresa, conheça o G4 Skills, do G4 Educação, uma plataforma inteligente de educação para empresas que permite avaliar as lacunas de habilidades de seus funcionários e direcionar as trilhas de aprendizado adequadas para gerar melhores resultados. 

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