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Felicidade no trabalho: Harvard quer que seus alunos de MBA aprendam a ser felizes


Felicidade no trabalho

Um novo curso que está muito em alta na aclamada faculdade de Harvard promete ensinar aos novos líderes uma habilidade um tanto complicada: “gerenciamento de felicidade”, com o intuito de formar profissionais capacitados não só tecnicamente, mas também capazes de entender os níveis de felicidade no trabalho e como manter um bom work-life balance.

Desde sua criação, as escolas de negócios, especialmente as mais renovadas que construíram sua reputação ao longo dos anos, são as grandes responsáveis pela formação dos líderes do futuro. Dito isso, certas habilidades vem ganhando cada vez mais protagonismo e relevância dentro do currículo desses programas: consciência emocional e bem-estar. 

Cursos sobre felicidade, relacionamentos e balance são alguns dos mais requisitados dentre os principais MBAs, e sua popularidade reflete tanto na demanda por soft skills como pelo desejo dos estudantes por vidas mais balanceadas. 

Falando especificamente sobre Harvard, as 180 vagas da aula “Leadership & Happiness” (em português, “Liderança e Felicidade”) foram preenchidas rapidamente, e alguns dos estudantes que ficaram de fora assistem as aulas virtualmente ou pedem as anotações a seus colegas. 

Dentro da matéria, os participantes são ensinados sobre como cultivar, como líderes, tanto sua felicidade como a de suas equipes, seguindo o princípio central de que a felicidade é a chave para se converter em um líder eficiente. 

A felicidade, segundo o professor da matéria, Dr. Arthur Brooks, não é apenas o produto de oportunidade, genes ou circunstâncias da vida, mas uma tendência habitual a quatro áreas/aspectos fundamentais: família, amigos, trabalho significativo e fé e/ou filosofia de vida.

De acordo com o currículo do aula, “os alunos terminarão o curso com ferramentas para melhor competir no mercado de trabalho, além de aproveitar suas funções em suas próprias vidas”.

Liderança + felicidade no trabalho: A origem da ideia

O curso foi oferecido pela primeira vez durante o primeiro semestre de 2020, ou seja, involuntariamente antecipando um sentimento que viria a se amplificar nos próximos anos e que consequentemente passou a ganhar maior destaque, sobretudo quando falamos sobre saúde mental. 

Segundo o Wall Street Journal, a felicidade no trabalho assumiu uma nova urgência para funcionários e gestores à medida que trabalhadores deixam seus empregos em taxas recorde e repensam seus objetivos. 

Hoje, mesmo após 2 anos de pandemia e enfrentando uma situação laboral um pouco mais favorável e estabilizada, muitas empresas seguem lutando para a elevar a moral, reduzir a rotatividade e experimentar novas formas de trabalhar – certas organizações até estão oferecendo retiros de bem-estar para seus funcionários.

No entanto, por mais que possa se dizer que a pandemia tenha estimulado e catapultado o interesse dos estudantes nesta disciplina, a implementação deste curso segue uma tendência que vem crescendo desde antes de 2010, segundo dados reportados pela Gallup no estudo “State of the Global Workplace 2021 Report”, conduzido em 116 países. 

Aumento exponencial (desde antes de 2010 até 2020) no estresse diário de funcionários em seus respectivos ambientes de trabalho
(Na imagem: aumento exponencial no estresse diário de funcionários em seus respectivos ambientes de trabalho)
(Crédito: Gallup / Statista)

Nele, 43% dos entrevistados em mais de 100 países afirmaram ter experimentado estresse durante grande parte do dia anterior, enquanto esse percentual foi de 38% em 2019. Esses dados correspondem às taxas de estresse diário. 

Dito isso, embora o estresse tenha atingido níveis recordes a nível global em 2020, nem todas as regiões do mundo experimentaram os mesmos níveis. Trabalhadores nos Estados Unidos e Canadá registraram os maiores níveis de estresse diário globalmente (57%), enquanto na Europa Ocidental, o estresse diminuiu para 39%, comparado a 46% em 2019.

De volta a Harvard, “Leadership & Happiness” começou com apenas 72 alunos aprendendo a juntar liderança com felicidade no trabalho e, durante os últimos 2 anos, as matrículas mais do que dobraram. Contudo, assim como visto, a Harvard disse que ainda não consegue encaixar a todos que tentam se matricular.

De acordo com Dr. Brooks, cientista social americano e ex-presidente do American Enterprise Institute, ele mesmo se sentia muitas vezes solitário quando atuou em posições de liderança/gestão. Logo, disse que foi inspirado a apresentar a ideia para Harvard após observar o mesmo comportamento em outros líderes.

O que é ensinado na aula + prova social de alunos 

De forma generalizada, segundo reportado pelo Wall Street Journal, informações dentro do curso podem misturar versículos bíblicos e ensinamentos budistas com pesquisas psicológicas sobre bem-estar e/ou romance. Além disso, alunos fazem avaliações de seus relacionamentos, valores materialistas e outras métricas emocionais.

Dr. Brooks, de fato, vem projetando certas pontuações dos alunos de forma anônima em uma tela na frente da sala de aula. 

“Os alunos de alta performance possuem uma alta classificação no quesito encontrar significado e realizações, porém pontuam mais baixo em relação a emoções positivas. Logo, esses estão adiando sua gratificação constantemente, podendo-os levar ao burnout (esgotamento)”

Dr. Arthur Brooks
Ex-presidente da America Enterprise Institute e instrutor do curso “Leadership & Happiness” de Harvard
Dr. Brooks ensinando sobre liderança no trabalho em sua aula de Harvard: "Leadership & Happiness"
(Na imagem: Dr. Brooks ensinando sobre liderança no trabalho em Harvard)
(Crédito: Reece Brown / Wall Street Journal)

Um dos formandos do programa de negócios de Harvard, Mark Giragosian, disse que guarda diferentes lembretes dos múltiplos aprendizados que obteve durante sua jornada universitária, sendo um deles sobre felicidade no trabalho extraído da aula com Dr. Brooks: “fique ciente dos objetivos futuros, mas viva no presente”.

Esse lembrete, segundo Giragosian, não só o ajuda a gerenciar momentos de estresse durante situações adversas, como também a aconselhar seus companheiros na hora de solucionar problemas, evitando que eles se fechem e/ou não se sintam sufocados por aspectos que não podem mudar. O curso também o ajudou a entender seu próprio medo ao fracasso.

Soft skills: as habilidades mais demandadas

Assim como Bartosz Garbaczewski, um dos alunos de “Leadership & Happiness” que se matriculou no curso para aprender melhor sobre o equilíbrio entre vida profissional e pessoal, pode-se dizer que outros alunos compartilham da mesma motivação para absorver os ensinamentos de Dr. Brooks.

Segundo a Business Wire, um novo estudo da Paro divulgou que tanto trabalhadores em período integral como autônomos dizem que, em 2022, o equilíbrio entre vida profissional e pessoal é mais importante para eles do que remuneração.

Entre alguns dos dados mais notórios, estresse (35%), sensação de desvalorização (28%) e burocracia em excesso (22%) são os 3 principais aspectos que incomodam os trabalhadores em seus empregos atuais. Além disso, 26% dos respondentes entre 18 e 34 anos sentem-se entediados de realizar as mesmas tarefas dia após dia. 

Logo, o estudo constatou que esses mesmos trabalhadores, sejam eles parte ou não de equipes de alta performance, irão priorizar funções/posições que ofereçam tanto flexibilidade como autonomia – esse tipo de posicionamento pode beneficiar empresas de gestão libertária, justamente por conta dessa liberdade de decisão. 

Contudo, vale sempre ressaltar que esse tipo de empresas tendem a procurar por profissionais altamente capacitados, que entendem que ao ter mais liberdade passarão a ter uma maior responsabilidade (tanto em acertos como em erros) e que se adequem à cultura organizacional e aos valores da empresa

Por outro lado, a procura por esse tipo de cursos também pode ser um reflexo de uma outra grande demanda da atualidade, as soft skills, também conhecidas como habilidades interpessoais, segundo informação publicada pela CNBC referente ao reporte global “Future of Work”, da Monster, sobre o futuro do trabalho.

“Gerentes de contratação estão priorizando as soft skills de uma maneira nunca antes vista. Eles estão reconhecendo que este novo ecossistema de trabalho, seja ele 100% remoto ou híbrido, requer pessoas que possam se adaptar e desejem aprender constantemente”

Andrew McCaskill
Especialista em carreiras e Global Communication no LinkedIn
Andrew McCaskill, especialista em carreiras e Global Communication no LinkedIn
(Na imagem: Andrew McCaskill, especialista em carreiras e Global Communication no LinkedIn)
(Crédito: LinkedIn)

Além do fato que 58% dos contratantes disseram que encontrar candidatos com a habilidades corretas –incluindo soft skills – tem sido seu maior desafio durante a pandemia, outros 63% afirmaram que contratariam candidatos com habilidades “transferíveis” (trabalho em equipe, gestão de tempo e/ou liderança) e, caso necessário, os treinariam em aspectos mais técnicos para a função em questão. 

Em suma, a procura pela felicidade no trabalho (não só pelo curso de Harvard, mas no geral) também pode ser atribuída ao tão almejado work-life balance, equilibrando a vida pessoa e a profissional, e a crescente demanda por profissionais qualificados em habilidades interpessoais.

Esses profissionais não só se destacam individualmente em questões como comprometimento, adaptabilidade e comunicação, mas também demonstram uma maior compreensão e empatia sobre temas relacionados a felicidade e a saúde mental de seus funcionários e companheiros de equipe.

Felicidade no trabalho: uma nova tendência que possa vir a ser mais adotada no âmbito universitário para uma capacitação mais completa de novos profissionais 

Assim como a Harvard, outras instituições renomadas já estão oferecendo cursos (e até formações) focados em soft skills e felicidade no trabalho. 

A Stanford University School of Business tem a “Organizational Behavior 374: Interpersonal Dynamics” disponível aos estudantes de pós-graduação, onde ensina sobre autoconsciência para melhorar a comunicação e os relacionamentos.

A prestigiada Yale University possui o curso “Mastering Influence and Persuasion”, capacitando os participantes a persuadir e motivar os outros de forma mais autêntica.

Em suma, para definir o que é felicidade no trabalho, precisamos definir o que é felicidade no geral, uma vez que todos temos diferentes origens, personalidades únicas e distintas expectativas. O que trará felicidade para uma pessoa feliz pode não fazer outro individuo feliz.

Quando se trata de melhorar a felicidade no trabalho, é mais importante considerar o bem-estar e a saúde mental de seus funcionários.

O trabalho certamente desempenha um papel importante em nossas vidas, mas há também a dimensão de nossas finanças, relacionamentos, saúde e contribuição para a sociedade, e os dois lados da moeda devem estar equilibrados para que haja um melhor desempenho diário do individuo.

As organizações e os líderes que se destacarão no futuro serão aqueles que se disponham a ajudar seus colaboradores a integrar, de forma otimizada, todas essas dimensões em suas vidas, ajudando-os a prosperar em todos os níveis, além de trazer um maior grau de humanidade ao local de trabalho.

Se você deseja saber e adquirir mais conhecimento sobre a importância das competências técnicas e interpessoais (hard e soft skills) para eventualmente aumentar não só a sua felicidade no trabalho, mas também de seus funcionários, conheça o Gestão 4.0 Imersão e Mentoria, do G4 Educação, e aprenda com as práticas e metodologias das maiores empresas do mundo. 

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