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Open Finance: como a medida do Banco Central evolui o sistema financeiro no Brasil


Open Finance: como a medida do Banco Central evolui o sistema financeiro no Brasil

Open Finance libera o potencial da concorrência no sistema financeiro brasileiro, oferecendo diversidade de serviços e melhores condições de acesso

A Transformação Digital chegou ao ecossistema financeiro. Na era da experiência, a implementação do Open Finance é a dinâmica que os consumidores e os negócios precisavam para ter acesso a serviços mais diversificados, com maior conveniência, facilidade e baixa fricção de adesão.

Em um país cujos 38 pontos percentuais da população correspondem a desbancarizados, segundo levantamento feito entre a Brink’s e a Fundação Dom Cabral, a concorrência e a dinamização de players no sistema financeiro do Brasil sinaliza mais oportunidades para democratizar o acesso, principalmente, aos meios digitais do segmento. 

Uma evolução, tal qual acontecera no varejo anos atrás, está em curso – e há espaço para todo mundo crescer: bancos tradicionais, bancos digitais, fintechs e quaisquer empresas que desejam oferecer serviços financeiros personalizados para seus clientes.

Um vislumbre de tal carência é o crescimento meteórico do PIX, registrado, sobretudo, de 2021 para 2022. Segundo dados divulgados pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), a base de usuários aderentes aos pagamentos instantâneos aumentou em 72% no país. Um serviço tão básico como esse.

Nesse novo acordo do sistema financeiro, quem irá dar as cartas do jogo é o consumidor, que passará a cobrar por agilidade e eficiência. Mais do que isso, irá cobrar por eficiência e transparência.

Uma entrega que exigirá uma cultura organizacional que tenha enraizada em seus processos uma mentalidade de Customer Experience, Customer Care, Customer Success e metodologias ágeis para engatilhar as alavancas de Growth Hacking.

Não são termos tão familiares ao segmento, mas que precisarão se tornar rotina.  

BC regulamenta Open Banking em 2020, mas em 2023 é que Open Finance entra em cena

Em 2020, o Banco Central regulamentou o ambiente de Open Banking no Brasil. O conceito propunha uma plataforma aberta, regida pelo BC, pela qual o consumidor seria capaz de compartilhar seus dados entre instituições financeiras.

Imagine que você estivesse insatisfeito com seu banco e decidisse abrir conta em um novo. Um possui todo seu histórico financeiro, enquanto o outro está te conhecendo agora. Ao efeito do exemplo, também imagine que, durante essa transição, você estivesse à procura de crédito para dar o pontapé inicial naquele projeto de começo de ano.

Os critérios de avaliação para aprovação de ambas as instituições serão diferentes, porque cada uma terá uma perspectiva distinta do seu compromisso de pagamento. Com o ambiente do Open Banking, ao consentir, ambos os bancos seriam capazes de trocar suas informações. 

A proposta era uma forma de garantir, em comunicação aberta aos sistemas financeiros, o quanto um cidadão gerava de dinheiro e sua capacidade de honrar com seus compromissos. Isso iria desburocratizar metade do processo, dinamizar a oferta de crédito e a concorrência no setor.  

Escrevi até agora no tempo verbal do passado, porque a implementação do Open Banking estava prevista para ser executada em fases. Ao longo dessas fases, que perduraram pelo recorte de novembro de 2020 até dezembro de 2021, o termo caiu em desuso, para abrir alas a uma ideia ainda mais abrangente: o Open Finance

Visto pelo Banco Central como uma evolução do Open Banking, o sistema – além de todas as promessas supracitadas – agora inclui o compartilhamento de dados para ainda mais players do setor financeiro. 

Antes direcionado majoritariamente aos bancos, agora fintechs, corretoras, companhias de câmbio e fundos de previdência também deverão servir de exemplo de caso notórios para setores adjacentes incluídos no ambiente de compartilhamento de dados aberto.

De acordo com dados do próprio Banco Central, em julho de 2022, 5 milhões de clientes já haviam autorizado o compartilhamento de seus dados. O número de APIs (Application Programming Interface) entre instituições financeiras já estavam na casa das 360,7 milhões. APIs são as malhas tecnológicas que permitem que diferentes plataformas se comuniquem entre si.

O PicPay, a efeito de tangibilização, usa dados do Open Finance para liberar empréstimos, assim como o Banco BV, que considera as informações compartilhadas entre instituições para aumentar limites de cartão de crédito. 

O cenário idílico pintado pela plataforma ainda está longe de ser concretizado, mas 2023 marca a entrada definitiva da tendência em cena. Na avaliação de bancos e fintechs, o desenvolvimento é mesmo de longo prazo. 

Segundo artigo veiculado pela Forbes, a projeção é de que:

  1. R$ 760 bilhões sejam injetados no mercado de crédito nos próximos anos; 
  2. 4,6 milhões de pessoas sejam incluídas na plataforma de Open Finance no Brasil;
  3. 10 milhões de cidadãos se tornem bancarizados.

Potencial esse que deve ser catapultado com a chegada do 5G. A criação de redes mais responsivas aperfeiçoará a experiência que os clientes têm na comunicação e compartilhamento de dados com as instituições financeiras. 

Além disso, devemos observar a ascensão de novos modelos de negócios, tal qual o Banking as a Service (BaaS). Esse mercado já deve movimentar cerca de US$ 12,2 bilhões até 2031, segundo estimativas do Future Market Insights.

Há uma grande complexidade no desenvolvimento de novos produtos, mas o principal desafio gira em torno da consistência das informações trocadas entre instituições. 

Open Finance precisa, antes de tudo, fornecer um ambiente seguro

A Universidade Carnegie Mellon construiu a “Timeline of Cyber Incidents Involving Financial Institutions”, plataforma que monitora os países com maior incidência de ciberataques envolvendo o setor financeiro. 

Bem… O Brasil figura entre eles.

Entre as principais ameaças: vazamentos de dados em ambientes corporativos e sequestro de dados através da propagação de ransomwares. Frente a proposta de um ambiente aberto de compartilhamento de dados, essas são afirmações bem alarmantes para a perenidade consistente do conceito de Open Finance.

A ideia em si é um lago cheio de peixe, que basta jogar a isca.

“O tema da cibersegurança já vem evoluindo no Brasil e no mundo na última década. Hoje, isso não tem apenas relação com a segurança dos dados, mas de infraestrutura. Quando o ataque ocorre na infraestrutura, a empresa deixa de operar e tem prejuízos. O custo disso é gigante”

Marcus Ayres, sócio-diretor e especialista em Inovação da consultoria Roland Berger

Mas aqui é jogo de matemática simples: a ideia não seria concebida se não fosse suficientemente segura.

Todas as operações e compartilhamento de dados ocorrem em um ambiente com múltiplas camadas de segurança, que somente instituições autorizadas pelo Banco Central do Brasil podem participar. Estão previstas regras rígidas para responsabilização das instituições que infringirem qualquer uma das diretrizes.

A proteção das informações do consumidor é o ponto de partida para o funcionamento do ambiente Open Finance. A capacidade de analisar o comportamento dos usuários será fundamental, para identificar condutas anormais e responder de forma preditiva a quaisquer ciberataques antes que eles se espalhem e causem danos ainda maiores.

O uso da Inteligência Artificial será um drive tão importante quanto para essa indústria, capaz de construir modelos automatizados para detectar padrões incomuns de ataques e de comportamento. 

É um processo iterativo, que deve continuamente vasculhar por ameaças e pontos fracos, identificando vulnerabilidades e respondendo de forma rápida aos alertas de segurança. 

Na Resolução Conjunta nº 1, de 4 de maio de 2020, o Banco Central e o Ministério da Economia afirmam que:

“As instituições participantes do Open Finance são responsáveis pela confiabilidade, pela integridade, pela disponibilidade, pela segurança e pelo sigilo em relação ao compartilhamento de dados e serviços em que esteja envolvida, bem como pelo cumprimento da legislação e da regulamentação em vigor”

Na prática, a plataforma Open Finance apenas padroniza o ambiente para o compartilhamento de informações, sem interferir no tratamento do que é aplicado aos dados depois que o cliente autoriza o acesso. É o ambiente, não um fim transacional.

As APIs funcionam como uma malha que conecta sistemas diferentes e permitem a troca de dados entre eles. Para garantir conformidade, essas interfaces precisam ser desenvolvidas com todos os recursos de identificação, autenticação e controle de acesso exigidos pelo Banco Central.

Além disso, as transações no ambiente Open Finance são todas criptografadas, ou seja, ilegíveis e ininterpretáveis para possíveis invasores.

O poder dos dados abertos: mais concorrência, melhores produtos

A essência da diversificação de oferta e maior acessibilidade a bons produtos financeiros está nos modelos avançados de análise.

Existe aquele velho ditado que diz: ouça bem o seu cliente. À medida que o mercado evolui, o comportamento de consumo se expressa de diversas maneiras, mas continua sob o imperativo desse ditado: ouça bem o seu cliente.

Experiência do cliente e tendências de consumo passaram a ser disciplinas ainda mais vitais para o setor financeiro brasileiro. Àqueles que detêm as análises mais sofisticadas do comportamento do consumidor, os dados de Open Finance impactarão significativamente seus modelos de negócios. 

Inteligência Artificial será a tecnologia responsável por trazer uma compreensão inimaginável das minúcias por trás das operações financeiras de um usuário. Imagine aos assessores de investimento, por exemplo, que poderão prestar um serviço muito mais assertivo para sua carteira de clientes. 

Tal dimensão dos modelos avançados de análise, para compreender os detalhes do comportamento de consumo de uma base de usuários, permitirá que cada vez mais players apareçam e se destaquem para solucionar dores específicas.

Com a desburocratização do processo de comunicação entre instituições financeiras, para além da compreensão de que o ambiente de Open Finance dinamiza e gera competitividade, não surpreende observar, em um futuro próximo, ofertas ainda mais personalizadas e sob medida.

Hiperconveniência e hipersegmentação, para os consumidores, são de um cabresto de saltar os olhos; para as empresas, uma oportunidade de ouro para estar no momento certo, com a oferta certa.

Trabalhar com Customer Experience tornou-se parte crucial do processo de Transformação Digital. 

Isso é endossado pela pesquisa “Experience is everything: Here’s how to get it right”, da PwC. De acordo com ela, 89% dos consumidores brasileiros consideram a experiência do cliente como fator decisivo no momento de tomar uma decisão de compra.

Inclusive, cabe destacar que o Brasil foi o país cujos respondentes deram maior importância à experiência do cliente, frente ao México (88%), China (87%), Colômbia (84%), Argentina (77%), Singapura (76%) e Estados Unidos (75%).

Além: segundo o relatório “State of the Connected Customer”, divulgado pela Salesforce, para 95% dos brasileiros, a experiência oferecida por uma marca é tão importante quanto os produtos e serviços.

Para agregar na melhoria da experiência do cliente, entender e analisar as mudanças do perfil de quem você atende é crucial. Rodney Zemmel, líder global da McKinsey Digital, diz que no lado do consumidor, “o digital está se acelerando em quase todas as categorias”.

2023 entra com a promessa de esquecer uma realidade de escassez de produtos e altas taxas embutidas em serviços financeiros. Entra com a promessa de um presente respaldado por todos esses números. 

Teremos mais acesso – e empresas e reguladores devem aproveitar esse momento para ajudar as pessoas a construir uma mentalidade de transparência e responsabilidade, principalmente em um ambiente que precisa ganhar o elemento da segurança à nível democrático. 

Open Finance é medida evolucionária do sistema financeiro brasileiro

Open Finance é um movimento da Transformação Digital. De acordo com a International Data Corporation (IDC), os gastos globais com novas tecnologias e serviços relacionados à Transformação Digital devem avançar a uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 15,5%, entre 2020 e 2023, estimando um valor total de colossais US$ 6,8 trilhões gastos para o fim do período.

Outros números também chamam a atenção. De acordo com a pesquisa “Keeping Score: Why Digital Transformation Matters”, patrocinada pela CA Technologies e pela Coleman Parkes Research, a Transformação Digital tem impulsionado, em média, 37% do crescimento de receita advinda de novos negócios. Além disso, 76% das empresas informaram ter melhorado a capacidade de atingir seus clientes por meios digitais e 69% relataram melhoria na diferenciação competitiva. 

As diretrizes de negócio por trás da Transformação Digital instigam a repensar antigos modelos operacionais, experimentar além e se tornar mais ágil frente às novas necessidades, expectativas e ações dos clientes e, também, dos concorrentes.

É um processo evolucionário, que chegou ao sistema financeiro no Brasil. Não revolucionário, porque as engrenagens do segmento clamavam por integração, segurança e conectividade. Premissas dessa nova era, que chega inclusive com notícias da CBDC (Central Bank Digital Currency), projeto piloto do Real Digital, a moeda digital do Banco Central – falamos sobre ele em nosso conteúdo sobre digitalização da economia.

Sob o novo regimento, que estreia em 2023, bancos serão os responsáveis pela emissão das stable coins brasileiras, ou seja, o valor dessas criptomoedas é atrelado a outro ativo, no caso, o real, e não flutua, como os bitcoins.

A cripto tem o objetivo de facilitar as transações financeiras, principalmente sob o contexto de Open Finance. Estamos vislumbrando apenas o começo.

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