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Entrevista com João Adibe Marques, CEO do Grupo Cimed

João Adibe Marques CEO Cimed

João Adibe Marques, CEO da Cimed, compartilha momentos marcantes em sua trajetória, desde quando começou a trabalhar na empresa da família, com 15 anos, até sua sucessão para a liderança da companhia, passando por insights como a percepção de oportunidade nos mercados de genéricos e vitaminas.

João Adibe Marques é um dos maiores empresários do Brasil. Eleito pela Bloomberg Línea como uma das 500 pessoas mais influentes da América Latina em 2021, hoje as metas de faturamento da empresa são bilionárias, mas ele teve que percorrer um longo caminho até então.

Com um amplo aprendizado prático, adquirido trabalhando na empresa da família desde os 15 anos e encontrando sua paixão como vendedor, o crescimento da Cimed veio através de uma análise minuciosa das diferentes realidades de cada região do Brasil, sempre tendo como propósito proporcionar saúde e qualidade de vida.

Conheça mais sobre João Adibe na entrevista concedida à 2ª edição da Revista G4 Club.

Índice:

Você começou a trabalhar na empresa da família com 15 anos. Foi um processo natural e quais foram os maiores desafios? E como começar cedo fez a diferença na sua carreira?

Sim, comecei a atuar na Cimed muito cedo e isso, com certeza, mudou minha vida. Entendi, desde jovem, que o sucesso não aceita preguiça e que tinha que ter atitude para fazer acontecer. Foi começando cedo e sempre sendo tratado como um profissional, nunca como filho dentro da empresa, que me descobri um vendedor nato. 

É difícil listar um único desafio, acompanhei todo o crescimento da Cimed até ela se tornar o que é hoje. Um grande marco, com certeza, foi o momento em que eu e minha irmã, Karla Marques Felmanas, hoje VP da empresa, assumimos oficialmente a Cimed sem a presença diária do meu pai no negócio.

Você não fez faculdade. Foi uma decisão sua? Você foi apoiado por sua família?

Eu fiz um curso técnico de contabilidade porque sempre gostei e tive facilidade com os números. Como comecei muito cedo na Cimed e me descobri como vendedor aqui dentro, minha faculdade e minha formação foram – e seguem sendo – a rua, a experiência, a troca com outras pessoas, a atitude, os erros e os acertos do dia a dia.

Por que você começou a investir no mercado de genéricos? E como esse início lá atrás foi importante para o crescimento da Cimed?

O propósito da Cimed é proporcionar saúde e qualidade de vida para todo o país. Digo que o nosso Brasil é composto por 10 Brasis, cada região com a sua especificidade e naturalidade, mas a necessidade da acessibilidade e da democratização do acesso à saúde é comum a todas elas.

Quando olhamos além do eixo RJ-SP entendemos como isso é ainda mais importante. Foi por meio dessa categoria que expandimos e fortificamos ainda mais nossa atuação, fazendo com que o propósito da Cimed chegasse cada vez mais longe. 

Genérico é um remédio de qualidade, confiabilidade e eficiência, que facilita o acesso dos nossos brasileiros à saúde, proporcionando mais qualidade de vida e bem-estar. 

Em maio deste ano, essa categoria completou 20 anos no Brasil e ficamos felizes em celebrar essa data. Iluminamos o Cristo Redentor no RJ, como uma forma de marcar a importância do acesso à saúde, por meio do Genérico, para todo o nosso país.

Quais são os atributos de um bom vendedor? O que faz uma empresa vender mais?

Persistência, resiliência, coragem e atitude. Sempre digo que vendedor não sabe o que é desistir, vamos até o fim, batemos as metas.

Além da estratégia, qualidade e acessibilidade dos produtos, ter uma equipe engajada, envolvida e que entende sobre o que vende é essencial. Sem um time de qualidade e comprometido, não vamos além das portas da empresa.

Precisamos ter as pessoas certas nos lugares certos para conseguirmos ir cada vez mais longe.



Por exemplo: a Cimed teve um aumento expressivo na venda de vitaminas durante o período da pandemia – houve um crescimento superior a 30% no faturamento, com destaque para esses produtos. Como a empresa transformou esse momento desafiador em oportunidade nesse caso?

Trabalhamos com muitos insumos importados e ao notarmos uma movimentação diferente com o começo do Coronavírus, adiantamos a compra de matéria-prima, o que foi essencial para o nosso negócio. 

Quando começou a quarentena, o consumo do que a gente achou que iria explodir caiu. O distanciamento mudou o hábito das pessoas.

Vimos um interesse muito maior em prevenção e imunidade, então investimos nisso porque sabemos que a cultura do Brasil era vinculada a tomar vitamina quando fica doente e, na verdade, ela serve para não ficar doente.

A gente teve que mudar e bater muito forte nessa questão da prevenção. E os brasileiros começaram a entender o que era vitamina.

Além disso, no começo da pandemia, lançamos o primeiro multivitamínico efervescente do Brasil, que propicia uma absorção mais rápida do produto. Com essa inovação, fechamos o ano passado na liderança do segmento de vitaminas.

Como foi a experiência no Gentlemen Drivers? Conta mais sobre o campeonato que você chegou a ser campeão, inclusive. 

Ser campeão é uma felicidade sem tamanho, é todo o reconhecimento de um esforço empenhado, mas sei que ninguém é campeão sozinho.

O que eu mais levo dessa experiência é o espírito de equipe e a colaboração, todo um time focado no mesmo resultado – e isso eu trouxe para a Cimed, uma gestão à vista, em que todos os times sabem aonde queremos chegar e o que precisamos fazer para alcançar nossos objetivos.

O Grupo Cimed investe em marketing esportivo, patrocinando a seleção brasileira, por exemplo. Quais são as vantagens de investir nesse tipo de marketing?

João Adibe Cimed CBF
(Na imagem: João Adibe Marques com camisa da Cimed, patrocinadora oficial da CBF)
(Divulgação: G4 Club)

A aproximação com o universo esportivo veio antes de vermos isso como Marketing. Sempre fui apaixonado e envolvido por esportes e trouxemos esse sentimento para dentro da Cimed. Já fomos patrocinadores da Stock Car, Vôlei e Basquete antes do Futebol.

A escolha da CBF, além dos quesitos de Marketing e exposição da marca, traz um vínculo muito forte com o nosso público – o futebol é uma paixão nacional, acessível e presente em todos os cantos do Brasil, assim como a Cimed.

Falando em investimentos, recentemente, a Cimed e a prefeitura de Pouso Alegre assinaram a autorização para a revitalização do Cristo, um dos principais pontos turísticos da cidade, que sedia a fábrica e a gráfica da empresa. Qual é a importância dessas iniciativas para as corporações e para a comunidade?

A cidade de Pouso Alegre é parte fundamental da nossa trajetória, muito da história da Cimed aconteceu e acontece nessa cidade, que acolhe toda a nossa estrutura fabril, além do Instituto Claudia Marques.

Nossas ações de responsabilidade social têm como prioridade o entorno e, acima de qualquer vinculação religiosa, a revitalização do Cristo Redentor é uma forma de agradecer a cidade pelo que conquistamos.

Essas ações são essenciais para mostrar como nos preocupamos com a cidade em que estamos inseridos. Esse será um marco muito importante para Pouso Alegre e para a Cimed.

Você possui uma frota de carros (de elétricos a esportivos) e a maioria leva a marca, bem como as cores da sua empresa. De onde veio a ideia de criar essa frota corporativa? E como isso é uma forma de fazer marketing para a Cimed?

Sempre gostei muito de carros, por isso tenho essa frota de elétricos e esportivos. Além de trazer uma assinatura e personalidade, a ideia de usar o amarelo e fazer aplicações relacionadas à marca é literalmente a união de duas paixões: carros e a Cimed!

Sobre o marketing, eu diria que foi secundário. Como falei, comecei a fazer isso unindo duas paixões e, como consequência, com a repercussão, gerou um awareness para a nossa marca. Quando as pessoas vêm os carros de longe já fazem uma associação direta à Cimed.

Existe um ditado conhecido “pai rico, filho nobre, neto pobre”, mas isso não foi o que aconteceu com a sua família. Como aconteceu a sucessão familiar e o que você acha que foi imprescindível para o seu sucesso?

A forma como enxergamos a sucessão é imprescindível para o sucesso. Aqui, não formamos herdeiros e sim sucessores. Nunca fui tratado como filho na Cimed, nem minha irmã, o que nos fez profissionais e executivos de responsabilidade.

Acreditamos muito na liderança pelo exemplo, e é isso o que estamos passando para a terceira geração – eles trabalham desde cedo na empresa, têm responsabilidades, metas, objetivos e prazos, como qualquer profissional que almeja crescer e ter sucesso em seus negócios.

Qual foi o momento mais desafiador da sua carreira? Como lidou e o que aprendeu com ele?

É muito difícil indicar um único desafio. Passamos pela estruturação inicial da Cimed, o falecimento da minha mãe, a responsabilidade total pela Cimed passada para mim e para minha irmã Karla, as metas de faturamento de R$ 1 bi e R$ 2 bi.

Para mim, mais do que elencar um único desafio para usar de exemplo é saber tirar aprendizados de todos eles. Aprendi que temos que estar preparados, porque as rotas mudam no meio do caminho e temos que ter atitude de reconhecer e assumir os nossos erros e os da empresa, para que eles não se repitam.

Como manter uma cultura organizacional forte numa empresa familiar?

João Adibe Marques G4 Club
(Na imagem: João Adibe em evento do G4 Club em Trancoso)
(Divulgação: G4 Club)

Com a liderança pelo exemplo. Quando eu tenho orgulho de vestir a camisa amarela, eu faço com que o meu time também tenha. Nosso objetivo é que todos sintam essa paixão que temos pela Cimed.

Se meus olhos não brilharem pela empresa e minhas atitudes não refletirem a cultura organizacional e os valores da Cimed, eu não posso querer isso dos meus profissionais.

No G4 Educação, nos consideramos uma tropa de elite. Qual seria a melhor definição para o time da Cimed e por quê?

Exército amarelo. É assim que nos chamamos, porque somos um só, em busca dos nossos objetivos. A força que nossos times têm juntos é inexplicável, aqui sabemos que os nossos resultados são fruto do trabalho compartilhado.

Há alguns anos, em setembro, fazemos o nosso super fechamento comercial com metas bem agressivas. Queria que todos tivessem a oportunidade de acompanhar nosso time comercial nesse momento, a cada meta batida é uma celebração compartilhada, uma energia surreal.

Nossa missão é gerar 1 milhão de empregos até 2030. Qual é a missão da Cimed e qual a missão pessoal do João Adibe? 

Na Cimed, temos o propósito de proporcionar saúde e qualidade de vida para todos os brasileiros e é isso que nos move todos os dias.

Como João, eu diria que, hoje, minha missão está vinculada a dois principais pilares: exemplo e oportunidade.

Primeiro, em ser um bom exemplo para os meus filhos, minha família e para a Cimed, porque acredito que o exemplo não só nos forma, como nos transforma.

Em relação à oportunidade, tenho como missão pessoal seguir fazendo o meu trabalho diário, que proporciona diversas oportunidades para cerca de 5 mil profissionais e suas famílias. É uma alegria imensa quando eu recebo de algum colaborador ou vendedor as conquistas que eles tiveram depois que começaram a trabalhar conosco.

Você foi eleito uma das 500 pessoas mais influentes da América Latina. Como lidar com essa posição onde tantas pessoas se espelham em você e se inspiram diariamente para construir suas vidas e carreiras?

Diria que é um misto de oportunidade com responsabilidade, mas é algo que me deixa muito feliz. Sinto que é uma forma de ajudar os outros a traçarem seus próprios caminhos, por meio do exemplo, das trocas de ideias e de experiências – que, na minha opinião, é a melhor fórmula.

Gostaria de acrescentar algo sobre sua vivência nos negócios, esportes ou outro âmbito que pode ser relevante para o leitor?

Sim, para mim há duas premissas essenciais para quem quer crescer e se desenvolver:

– Nada vem fácil, então sucesso não aceita preguiça;

– As coisas não acontecem da noite para o dia, temos que nos dedicar diariamente, é o meu conhecido mantra: ritmo, rotina e ritual, para irmos cada vez mais longe de forma forte e perene.

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