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O fim do Internet Explorer: confira uma linha do tempo do navegador que entrou para a história


logo do navegador internet explorer se pondo, como se fosse o sol, no fundo luna do windows xp

O desenvolvimento da tecnologia vem acompanhado de muitas chegadas e partidas. Há 27 anos, a Microsoft lançava o icônico navegador que chegou a dominar o mercado. Embora tenha se tornado obsoleto com o surgimento de outros players, seu legado é indiscutível, e o fim do Internet Explorer determina também, o desfecho de uma era.

Se você começou utilizando o Chrome e alguma vez sem pretensão “esbarrou” no “E azul”, é difícil acreditar que em 2003, ele possuía impressionantes 92% de market share, tornando a ideia do Internet Explorer acabar quase inimaginável.

Contudo, com o passar do tempo, uma série de fatores fizeram com que seu reinado virasse história, inclusive  sua capacidade de resposta considerada “lenta demais.”

Desse modo, com um mercado cada vez mais dinâmico, em que agilidade e rapidez passaram a fazer parte da rotina, os anos explorando a internet pareciam contados: o market share de mais de 90% nos anos 2000, caiu para 7% em 2015, enquanto no mesmo ano, o popular Google Chrome possuía uma fatia de mais de 60%, como podemos acompanhar no vídeo abaixo:

(História dos navegadores ao longo de 28 anos)
(Créditos: James Eagle)

O fim se mostrou inevitável e ainda em 2021, a Microsoft informou oficialmente que o suporte para Internet Explorer não estaria mais disponível em alguns sistemas operacionais a partir do dia 15 de junho de 2022, direcionando os usuários para o Microsoft Edge, que segundo a mesma, oferecia “suporte para sites e aplicativos herdados e modernos”  e que por enquanto, contará com assistência até 2029.

O que parecia ganho nos anos 2000 não se sustentou a longo prazo, e dado um momento o IE ficou conhecido ironicamente, como o navegador utilizado para baixar outros navegadores, o que culminou em um Internet Explorer descontinuado.

“O Internet Explorer acabou se tornando conhecido como o instalador do Google Chrome, porque quando você configurava um novo PC, a primeira coisa que fazia era abrir o IE, instalar o Chrome e nunca mais tocar naquele E azul.”

Rich Woods – Editor Gerente na XDA Computing

Ao longo de sua história, o navegador reuniu admiradores e detratores, e apesar dos altos e baixos todos podem concordar com sua influência e relevância. Sendo assim, em um artigo com um misto de homenagem e nostalgia, reunimos momentos marcantes de um dos navegadores mais famosos do mundo tecnológico.

Linha do tempo do Internet Explorer

histórico de logos do navegador internet explorer
(Na imagem: logos do Internet Explorer ao longo dos anos, sem mencionar o Edge)
(Créditos: Vision Museum)

Em um momento em que grande parte das pessoas estava começando a entender o que era internet, navegadores não vinham instalados, e apesar de já existirem softwares que possibilitvam downloads, como o Napster, a demora em fazê-los era enorme, os navegadores foram responsáveis por facilitar a forma como o público geral se relacionava com a internet.

Embora muitas iniciativas tenham sido testadas, conseguir de fato um software de busca levou tempo, esforço e muito trabalho.

Um dos maiores sucessos e antecessor do Explorer foi o Netscape, que ficou muito conhecido por travar uma “Guerra dos Navegadores” com a Microsoft em meados dos anos 90, e podemos considerar que pelo menos neste primeiro entrave, o navegador do Windows venceu.

Ao integrar o Internet Explorer ao Sistema Windows, a empresa otimizou tempo e recursos dos consumidores, uma vez que o concorrente era pago ou adquirido através de pacotes, dependendo de onde a compra do computador era efetuada. 

Além de uma estratégia inteligente, a integração foi um grande marco para os navegadores, contribuindo para que o IE revolucionasse o mercado, e assumisse um papel de liderança.

Sendo assim, apesar de parecer pouco inovador atualmente, o Explorer foi lançado em um mundo com tecnologias emergentes, que aos poucos estava começando a ser desbravado e, em muitos sentidos, contribuiu de forma significativa para o que vivenciamos hoje. 

Internet Explorer 1 

página inicial do Internet Explorer 1.0 no MSN
(Na imagem: página inicial do Internet Explorer 1.0 no MSN)

A equipe responsável pelo lançamento do IE era enxuta, cerca de 6 pessoas. Eram liderados por Thomas Reardon que criou o navegador em 1995, lançando-o como um pacote de software chamado Microsoft Plus! e vendido por US$ 49,99 para Windows 95 e Windows NT posterior. 

O software incluía o Internet Jumpstart Kit, com Drive Space 3 e Compression Agent, além disso, contava com o nostálgico jogo Space Cadet Pinball. O Internet Explorer 1.5 foi lançado pouquíssimo tempo depois, adicionando suporte para tabelas.

print do jogo pinball 3D
(Na imagem: print do jogo Space Cadet Pinball)

Internet Explorer 2 

Em 22 de novembro de 1995, o Internet Explorer 2 surgiu com recursos relevantes e familiares até hoje, como suporte para JavaScript, cookies HTTP, SLL e outros. Diferente da primeira versão, para Windows 95 e Windows NT posterior, contava com suporte para o Windows 3.1 (mais antigo),  e o Macintosh System 7.0.1.

pagina inicial do internet explorer 2
(Na imagem: página inicial do Internet Explorer 2)

Além dos recursos já mencionados, o IE 2 passou por uma atualização para suportar HTML3, possibilitando assim, a importação de marcadores do Netscape. Em abril de 1996, a versão 2.1 ficou disponível para MAC, além de disponibilizar suporte para incorporar arquivos AVI, QuickTime, AIFF, MIDI e WAV em páginas da web.

Internet Explorer 3

página do internet explorer 3
(Na imagem: página do Internet Explorer 3)

Lançado em 1996, o Internet Explorer 3 foi o primeiro a ser fornecido com Macs (diferente da versão anterior, que era compatível). Outro highlight importante é que foi o primeiro que a Microsoft utilizou o JScrip, sua própria versão do JavaScript. 

Mesmo que muitas já não existam mais, essa versão contou também com algumas funcionalidades importantes, como:

  • Internet Mail and News
  • Windows Address Book
  • Microsoft Comic Chat
  • RealPlayer
  • NetMeeting
  • Windows Media Player

Foi neste momento que a briga por espaço com o Netscape também se intensificou, e essa versão contou com suporte para CSS, para ActiveX e frames (um jeito de renderizar duas páginas da web em uma).

Internet Explorer 4

Nesta versão de 1997, foi possível adicionar conteúdo HTML à área de trabalho a partir do suporte ao Active Desktop. Essa linguagem foi adicionada ao Microsoft Chat 2.0, Outlook Express, NetMeeting, FrontPage Express 2.0 e RealPlayer.

página do internet explorer 4
(Na imagem: página do Internet Explorer 4)

Vale destacar que embora a empresa quisesse utilizar HTML em praticamente tudo, a linguagem só foi aparecer em aplicativos mais tarde. Foi no IE4 que o mecanismo chamado Trident (motor de renderização) fez seu debut, permanecendo no navegador desde então. 

Internet Explorer 5

Avançando dois anos, em 1999, foi lançado o Internet Explorer 5. Os novos recursos foram considerados relevantes, embora mais amenos do que os anteriores.

Página do internet explorer 5
(Na imagem: página do Internet Explorer 5)

A nova versão contava com AutoCompletar, integração com Hotmail, favoritos offline, a capacidade de salvar páginas como MHTML, uma Barra do Explorador de Histórico e uma Barra do Explorador de Pesquisa.

Internet Explorer 6

O IE6 foi uma versão emblemática do navegador, lançada em 2001. Com o acordo entre Mac e Windows expirado, o navegador não estava mais disponível para a Apple, o que encorajou a empresa fundada por Steve Jobs a desenvolver o próprio navegador interno, o Safari.

Apesar de ter sido a última versão que veríamos até 2006, representou o auge para o Explorer. Com um software redesenhado, a 6ª versão foi lançada um pouco antes do Windows XP, com o famigerado visual chamado “Luna”, a imagem pacífica de campos verdes e céu azul. 

Houve melhorias no HTML e no CSS, e foi neste momento que o navegador conquistou sua alta participação no mercado (cerca de 90%).

página do internet explorer 6, no windows xp
(Na imagem: página do Internet Explorer 6, no Windows XP)

O IE6 foi a última versão a ser oferecida independente de utilizar o sistema operacional Windows. As versões posteriores  seriam integradas somente no sistema desenvolvido pela Microsoft. 

Internet Explorer 7

A 7ª versão do Internet Explorer repetiu a relevância de sua antecessora, apesar de não ser tão popular quanto. Além de introduzir um recurso de suporte para o RSS (o primeiro a instalá-lo foi o Windows Vista), o IE 7 introduziu as famosas  guias.

Página do internet explorer 7
(Na imagem: página do Internet Explorer 7)

Nesta versão, foi adicionado suporte para transparência alfa por pixel em PNG. Foi também um grande passo em direção a um navegador mais seguro: foi adicionado o Filtro de Phishing, que na prática, verificava os sites visitados em relação a uma lista de sites conhecidos pelos ataques. 

Fora isso, os controles ActiveX passaram a solicitar permissão antes de operar, e o JavaScript não operava em páginas em branco.

Internet Explorer 8

Lançado em 2009, essa versão foi a primeira com navegação InPrivate, ou seja, as pesquisas não iam para o histórico. Com uma ideia similar ao Filtro de Phishing, foi introduzido o Filtro SmartScreen, que verificava determinado site com uma lista de outros considerados “maliciosos” para verificar a segurança. Se fosse encontrado algo e o mesmo não estivesse na lista, era enviado para a Microsoft.

Página do Internet Explorer 8
(Na imagem: página do Internet Explorer 8)

Nesta versão as  ferramentas que permitiam que os desenvolvedores depurassem sites (iniciativa de acompanhar a execução de algum trecho do código), de dentro do navegador fossem integradas ao aplicativo IE 8, enquanto nas versões 6 e 7, poderiam ser utilizadas como uma barra de ferramentas.

Internet Explorer 9

Diferente das versões anteriores (6,7 e 8) e das posteriores (10, 11 e Edge Project Spartar), o IE9 não foi lançado com uma nova versão do Windows e também, havia recursos menos relevantes.  Lançado em 2011, contou com blocos de construção para a web moderna, oferecendo suporte para HTML5 e CSS3.

Página do Internet Explorer 9
Na imagem: página do Internet Explorer 9)

Internet Explorer 10

Página do Internet Explorer 10
(Na imagem: página do Internet Explorer 10)

Lançado em 2012 junto com o Windows 8, o IE 10 surgiu com a usabilidade problemática. Primeiramente, o botão “Iniciar” presente desde 95,  foi retirado,  fazendo com que a tela inicial fosse construída em blocos, e um desses blocos era um ícone referente a  área de trabalho.

Além disso, houve a criação do Metro, uma opção de navegador padrão ao IE. Ou seja, haviam duas versões do Internet Explorer no Windows 8, uma com o aplicativo Metro UI e a outra na versão Desktop, que não suportava add-ins ou plug-ins. 

O app Metro era baixado na Windows Store, abria em tela cheia e era gerenciado por gestos, porque não havia o onipresente “X”. Ao invés disso, para fechar um aplicativo com o Metro era preciso arrastar o app para baixo da parte superior da tela. Um dos maiores problemas do IE 10 Metro foi sua funcionalidade.

Internet Explorer 11

Levando em consideração a pouca recepção do Windows 8, foi lançado em 2013 o IE11, que foi incluído no Windows 8.1. Apesar de manter dois navegadores diferentes, foi uma tentativa de corrigir o que desagradou os usuários.

Página do Internet Explorer 11
(Na imagem: página do Internet Explorer 11)

O “X” foi adicionado para fechar os aplicativos Metro, o botão “Iniciar” foi colocado novamente na tela inicial e era possível acessar os apps Metro no ambiente de desktop. Outro ponto relevante e que foi contemplado nesta versão foi o suporte para telas de alto DPI, que possibilitaram melhores resoluções.

Microsoft Edge – Project Spartan

O Windows 10 foi lançado em 2015 e no segundo evento sobre seu anúncio, a Microsoft falou sobre o Project Spartan, seu navegador Web da última geração, que posteriormente, passou a ser chamado de Microsoft Edge.

Além de possuir a assistente de produtividade pessoal do Windows integrada, chamada Cortana, haveria a capacidade de marcar páginas Web e salvá-las. Seria mais rápido e com um novo modo de exibição de leitura.

Teoricamente, o Edge poderia ter sido o IE 12, porém, a essa altura, o Internet Explorer já havia adquirido uma reputação ruim e o novo nome foi muito importante, pois sinalizou o começo do fim para o Internet Explorer, literalmente. Uma nova marca foi desenvolvida, de modo que o familiar “E” continuou reconhecível, mas não ao ponto de remeter ao Explorer.

logos mais recentes do navegador internet explorer, até chegar ao microsoft edge
(Na imagem: logos mais recentes do Internet Explorer, até chegar ao Microsoft Edge)
(Créditos: Divulgação)

Outro ponto importante deste lançamento foi a mudança na distribuição do sistema operacional. Isso se deu porque a Microsoft teve um trabalho razoável para “aposentar” o Windows XP, percebendo que a cada nova atualização, acabava competindo consigo mesma. 

Pensando nisso, o Windows 10 foi disponibilizado de maneira gratuita em todos os dispositivos que funcionavam o Windows 7 e 8.1., o que facilitou a aderência. Portanto, o Microsoft Edge foi a primeira versão do navegador que não possuía compatibilidade com versões mais antigas, sendo assim, exclusivo.

Microsoft Edge – Anaheim

O Edge não foi um sucesso, as pessoas não utilizaram os novos recursos e o Google Chrome seguiu estável. Ao invés de travar outra guerra, como havia feito no passado, a Microsoft se juntou ao Chrome. Em 2018, a empresa anunciou que iria reconstruir o Edge a partir do Chromium de código aberto do Google.

Com o nome Anaheim, o Edge Chromium ficou disponível em 2020 mas com a falta de alguns recursos, como suporte Arm64, sincronização de histórico e de extensão.

Apesar disso, marcou o retorno da Microsoft para um navegador multiplataforma, compatível com Mac, Linux, além de versões mais antigas do Windows, como o 7. Houve também compatibilidade com sites antigos, já que possui o modo IE integrado, capaz de acessar sites baseados no Explorer. Por ser independente, pode ser atualizado com mais frequência. 

O Windows está em sua 11ª versão, a mais recente.

O que podemos aprender com o fim do Internet Explorer? 

O internet explorer construiu um serviço inovador, que se propôs a resolver um problema (que por um tempo conseguiu), e que foi responsável pela forma como nos relacionamos com a internet hoje. 

Contudo, construir um legado é tão importante quanto se manter relevante no presente. O último até pode existir sem o primeiro, mas o contrário, dificilmente se manterá a longo prazo, fato que a história já deixou claro com a queda de outros grandes players, como Blockbuster e Blackberry.

O futuro do Edge, segundo a Microsoft, é moderno, possui melhor compatibilidade, maior produtividade e mais segurança. Embora apresente características de uma solução atrativa, ao longo de sua história, não foi capaz de construir sua usabilidade no dia a dia, o que fez com que sua obsolescência fosse inevitável.

brincadeira com o fim do internet explorer, fã da coreia do sul fez uma lapide em memoria do navegador
(Na imagem: lápide do Internet Explorer encomendada pelo engenheiro de software Jung Ki-Young, na cidade de Gyeongju, na Coreia do Sul, fez sucesso na internet)
(Créditos: Divulgação)

Alguns dizem que a web moderna como conhecemos hoje, foi praticamente moldada para o Chrome, o que de certa forma, pode “naturalizar” o fracasso do IE. Contudo, enquanto empreendedor, é fundamental estar atento ao dinamismo do mercado, e se antecipar ao que pode fazê-lo deixar de existir. 

“Um dos principais papéis do CEO é pensar em maneiras de destruir seu próprio negócio.”

Tallis Gomes fundador da Easy Taxi, Singu e G4 Educação

Neste sentido, é preciso estar atento ao timing do processo inovativo. A proposta de valor do Microsoft Edge, se pensada, estudada e implementada alguns anos antes, poderia ter mudado os rumos do navegador, que dado momento já acompanhava o início do crescimento exponencial do Chrome. 

Em 2022, uma criança de cinco anos pergunta ao pai: o que veio primeiro, o vaso sanitário ou o iPad? A pergunta pode ser considerada inconcebível, e até sem sentido, contudo, ela reflete o comportamento disruptivo e ao mesmo tempo letárgico da inovação: a cada momento que passa, ela está mais próxima do passado e do comum.

Muitas empresas acreditam que  entender sobre os 4 tipos de inovação ou utilizar novas ferramentas e metodologias é inovar o bastante, contudo, para que essa prática realmente funcione, o processo precisa ser estrutural, e principalmente, constante. É preciso desenvolver uma mentalidade de inovação capaz de tirá-lo da zona de conforto frequentemente.

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