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Festas do Peão mostram o potencial econômico do agronegócio no Brasil


Agropecuária no Brasil

Lotação máxima e muita emoção na arena. É assim que as festas do peão se consolidaram como um dos maiores espetáculos do agronegócio do Brasil e do mundo. Apenas na 65ª edição de Barretos, a Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo estima ter movimentado cerca de R$ 1,24 bilhão – valor superior ao impacto econômico do Carnaval de Salvador.

Festa do peão não é coisa só de boiadeiro. Além de valorizar a cultura local, os eventos são capazes de movimentar a economia de suas comunidades e o PIB de um país, considerando-se o seu impacto nos setores de turismo, hotelaria, alimentação, mobilidade, compras e toda a sua cadeia de valor.

Nesse sentido, é imprescindível analisar o papel do agronegócio no Brasil – que torna possível a realização de tais eventos – desde a sua relevância em relação à necessidade básica de alimentação de seu povo ao compromisso ímpar de combate às mudanças climáticas.

“Explicar a importância do agronegócio é como explicar a importância da água”.

Jay Whitehead

Segundo o Banco Mundial, a agricultura sozinha emprega 26,5% da força de trabalho mundial. Além disso, a mentalidade das tradições operacionais em uma indústria tipicamente familiar está mudando rapidamente – um estudo do Research Hub prevê que os millennials (nascidos aproximandamente entre 1981 e 1996) impulsionarão 75% da inovação e da mudança tecnológica no setor.

Além disso, os dados divulgados pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) mostram uma tendência de alta no valor total da balança comercial do agronegócio brasileiro.

Gráfico mostrando o superavit de 43,7 bilhões de dólares no agro brasileiro no acumulado de 2022.
(Na imagem: Superavit do Agro brasileiro em 2022)
(Créditos: Poder 360/IPEA)

Além disso, a população mundial deverá crescer cerca de 25,9% nos próximos 30 anos, atingindo 9,7 bilhões em 2050, segundo a ONU, aumentando a necessidade e a dependência dessa indústria.

Por isso, dada a importância do setor primário na balança comercial brasileira, o ecossistema de agtechs (startups voltadas para o universo agro) segue com um número cada vez maior de empreendedores e iniciativas de desenvolvimento de soluções para a cadeia do agronegócio.

(Na imagem: Agtech Report 2022)
(Créditos: Distrito)

Nesse contexto, as festas do peão têm mesmo muito o que comemorar. Uma pesquisa da PwC evidenciou que o agro foi um dos segmentos menos impactos pela COVID-19, razão pela qual 77% dos executivos do campo estão confiantes com a lucratividade do setor – que representa aproximadamente 27% do PIB do país, conforme levantamento da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária).

Os impressionantes números das festas do peão 🤠

O Brasil deve fechar 2022 com, aproximadamente, 900 festas do peão. Nesses eventos, milhares de pessoas se deslocam para participar das atrações disponíveis, experimentar a gastronomia típica do campo e ouvir muita música sertaneja. Entre os principais rodeios, vaquejadas e exposições do país, podemos citar:

  • Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos;
  • Festa do Peão de Americana;
  • Festa do Peão de Jaguariúna;
  • Festa do Peão de Boiadeiro de Cajamar;
  • Festa do Peão de Itapecerica;
  • Festa do Peão de Piracicaba;
  • Feira Agropecuária, Industrial e Comercial de Indaiatuba;
  • Festa do Peão de Limeira.

À título de exemplo, a Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos movimentou cerca de R$ 900 milhões em 2019, conforme apurado pela Secretaria de Turismo do Estado de São Paulo em 64ª edição. De igual modo, neste mesmo ano, o carnaval oficial de Salvador – última edição antes da pandemia – gerou cerca de R$ 560 milhões a economia da capital baiana. Dito isso, Barretos movimentou uma cifra quase 60% maior do que uma das festas mais populares do país.

Em 2022, a 65ª edição do evento se consolidou como a maior festa do peão da América Latina, com a Setur-SP registrando um impacto econômico de R$ 1,24 bilhão.

Em termos absolutos, a estimativa da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) para o carnaval de 2022 foi de R$ 6,45 bilhões, enquanto as festas do peão, ao todo, devem movimentar R$ 8 bilhões e mobilizar um público maior do que o do próprio Campeonato Brasileiro de futebol.

Como as festas do peão movimentam a economia nacional?

Além das tradicionais competições do mundo agro, tais festas atuam também como vitrines para esse mercado, atraindo muitos holofotes e faturamento. Muitas vezes, é a principal fonte de emprego de uma região. A 65ª edição de Barretos, por exemplo, gerou 10 mil empregos diretos e indiretos em uma área de 2 milhões de metros quadrados.

“Os barretenses que se dedicam a trabalhar neste período ou que têm comércio e serviços que se beneficiam com a Festa, começam o mês de setembro com mais dinheiro no bolso e com possibilidade de investir e quitar dívidas, por exemplo.”

Ricardo Rocha – presidente da Associação “Os Independentes”, promotora da Festa do Peão de Barretos.

De maneira análoga, esses eventos ajudam a forjar o vínculo necessário entre os setores agrícola e o resto da população que, por sua vez, pode catalisar o desenvolvimento dessa indústria, fornecendo mais apoio e credibilidade ao produzir efeitos positivos na redução da pobreza.

A representatividade e a importância conquistadas nessas festas torna possível a presença registrada dos maiores nomes da música, a nível nacional e até internacional, coadunando com o grande volume de dinheiro que circula por tais datas: Gusttavo Lima, Alok, Maiara e Maraísa são alguns dos artistas que já passaram pelas mais diversas arenas.

Assim, as modalidades, os palcos com shows musicais, apresentações culturais, patrocínios, feiras comerciais, áreas de camping e muito mais movimentam os transportes, alimentação e os hotéis da região, funcionando como uma alavanca para o turismo de lazer e geração de renda.

O agro é popular, rentável e muito relevante

O crescimento de uma cultura country reflete grandes mudanças no Brasil das últimas décadas, que emergiu como um dos principais produtores e exportadores de commodities agropecuárias do mundo. Impulsionado pela crescente demanda global por alimentos, o país evoluiu para ser uma potência agrícola, segundo dados do USDA (Departamento de Agricultura dos EUA).

Enquanto a economia nacional está se recuperando dos efeitos danosos da COVID-19 e da guerra entre Rússia x Ucrânia, essa indústria permaneceu, em grande parte, resiliente. Por isso, a expansão do faturamento dos circuito de rodeios no Brasil, com centenas de competições e shows realizados, aponta para a importância da agronegócio como pilar da economia.

Saliente-se que tais movimentações do segmento agro devem servir de exemplo para diversos outros segmentos. Afinal, ainda é importante se olhar para o offline para se conectar com o seu público.

Portanto, tais eventos são uma oportunidade ímpar para se levar marcas, produtos e serviços a um público altamente qualificado. Dada as devidas proporções, é algo similar ao que acontece com feiras e convenções.

Assim, esse setor está sendo cada vez mais representativo da riqueza do país e da cultura que as pessoas consomem. Na música, o “sertanejo universitário” aproveita as aspirações dos jovens para permanecer no topo das canções mais tocadas de todas as rádios. Na política, o grupo que representa os interesses agrícolas exerce considerável influência no Congresso. 

Mas, à medida que a população mundial aumenta e as mudanças climáticas se aproximam, novos desafios se apresentam para esse setor, a FAO (Food and Agriculture Organization of the United Nations) listou alguns, tais como:

  • Melhorar de forma sustentável a produtividade agrícola para atender à crescente demanda;
  • Garantir uma base de recursos naturais sustentável;
  • Abordar as alterações climáticas e a intensificação dos perigos naturais;
  • Erradicar a extrema pobreza e reduzir a desigualdade;
  • Acabar com a fome e todas as formas de desnutrição;
  • Tornar os sistemas alimentares mais eficientes, inclusivos e resilientes;
  • Melhorar as oportunidades de geração de renda nas áreas rurais e abordar as causas profundas da migração;
  • Construir resiliência a crises, desastres e conflitos prolongados;
  • Prevenir ameaças transfronteiriças e emergentes da agricultura e do sistema alimentar;
  • Atender à necessidade de uma governança nacional e internacional coerente e eficaz.

E mais, de acordo com a revista Science, a cadeia de abastecimento alimentar é responsável por aproximadamente 26% das emissões de gases de efeito estufa. Felizmente, o agronegócio brasileiro é líder mundial em produção rural ESG e caminha para um compromisso Net Zero.

Além disso, mais de 60 empresas do agronegócio já passaram pelas imersões presenciais do G4 Educação em busca de melhorar seus resultados e redescobrir maneiras de inovar e alcançar a sua máxima performance.

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