Do desenvolvimento de produtos a relação com o consumidor, a maturidade digital, mostra-se como um elemento chave para potencializar a proposta de valor e encontrar novas oportunidades de crescimento, mantendo o negócio competitivo a médio e longo prazo.
Os avanços tecnológicos não fizeram com que o mundo diminuísse, contudo ele parece estar cada vez “menor” e isso ocorre principalmente, pelo aumento da conectividade e do digital.
O report “consumidor do futuro 2022” realizado pela WGSN, indica que o futuro será conectado e está avançando rápido. Nos próximos anos haverá cerca de 29 bilhões de dispositivos conectados, expansão do 5G e 75% da população mundial acessando a internet - e se os consumidores estão mais digitais, as empresas também.
Esse mundo cada vez mais digital exige que as companhias se movimentem rumo a uma maior maturidade, afinal, aquelas que ignorarem a transformação digital podem perder em média US$ 7 milhões. Embora digitalizar uma empresa esteja relacionado a uma ideia simples - usar tecnologias digitais para aprimorar o modelo de negócios, suas consequências podem ser verdadeiras alavancas de crescimento.
Antes de tudo, o que significa quando nos referimos à maturidade digital das empresas?
De acordo com um artigo da Forbes, priorizar a digitalização de um negócio (aumentando a maturidade digital), é potencializar seu valor - visualizar outras avenidas de crescimento (gerando novas receitas), e melhorar o fluxo interno, utilizando a digitalização de maneira estratégica e competitiva.
Nesse cenário, empresas que desejam aumentar sua maturidade digital devem começar a priorizar o uso e a integração de dados, tornando-se cada vez mais data-driven, afinal, dificilmente haverá conectividade sem que haja também acesso a dados.
A Internet das Coisas é um grande exemplo do potencial do uso de dados e da conexão gerada através deles.
Por exemplo, uma montadora de carros que utiliza conectividade IoT é capaz de coletar e tratar informações sobre motoristas, estradas, hábitos de viagem e até clima. Ou seja, essa montadora não está vendendo apenas um veículo.
Assim como a Tesla vende tecnologia e potência de maneira sustentável através de seus carros, usando a tecnologia, essa montadora fictícia passaria a vender praticidade, conforto, entretenimento e bem-estar.
Por isso, empresas em todo o mundo estão preocupadas em aumentar sua maturidade digital cada vez mais depressa e de maneira holística. Afinal, não significa apenas mais vendas, e sim levar a proposta de valor a outro nível. Embora o cenário nacional esteja progredindo a passos mais lentos, já é possível acompanhar os avanços de maneira consistente.
A pesquisa TIC Empresas - 2021 realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação, do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR, apresenta um panorama sobre a maturidade digital das empresas brasileiras desde 2005, e em sua última edição, entrevistou mais de 4 mil empresas, coletando dados entre agosto de 2021 e abril de 2022.
Além de adotar padrões internacionais, ao ser realizada a mais de 15 anos, sua importância e credibilidade quanto ao cenário digital do país é confiável e comprovada.
O diagnóstico mais recente indicou que além de estar no ambiente digital, vendendo online e voltando a atenção para a importância do omnichannel, as empresas nacionais estão acompanhando um movimento global, se aproximando de novas tecnologias como IA e IoT para melhorar seus negócios, incrementando e automatizando processos.
Para ajudá-lo a entender melhor o panorama e o nível de maturidade digital do mercado nacional, extraímos os principais insights do estudo, a fim de orientá-lo a navegar por uma realidade que tende a ser cada vez mais digital.
A pandemia acelerou a digitalização em todo o mundo, impulsionando novos comportamentos de consumo, principalmente compras feitas online. Por isso, uma das tendências que promete não desacelerar é o avanço do e-commerce que vem crescendo de maneira consistente nos últimos anos e deve continuar expandindo.
Entre os negócios com até 49 funcionários a porcentagem de vendas online foi de 54% para 74% e entre empresas médias e grandes o número também cresceu: de 58% para 67% e 52% para 68%, respectivamente, o que reforça que independentemente do tamanho, muitos já estão se posicionando online para não perder vendas e se manter competitivo.
De acordo com dados do Think With Google, o e-commerce crescerá cerca de 42% no país até 2025, representando quase metade do crescimento total de vendas no varejo, o equivalente a 39%, fortalecendo a importância de estar online e se digitalizar para não perder oportunidades.
Ainda de acordo com o estudo, apps para manter o contato com os clientes e diminuir os efeitos do distanciamento social, acabaram se tornando grandes oportunidades para a venda. Aplicativos como o WhatsApp estão entre os principais canais de vendas pela internet 78%, principalmente entre as pequenas empresas, que chegam a representar 80%.
Entre companhias maiores a preferência é por canais mais clássicos, como e-mail e site, com uso de 71% e 55%, respectivamente, o que nos leva a outro importante insight sobre a presença online: estar no ambiente digital é só o começo.
Um estudo da Salesforce intitulado “The State of the Connected Custumer”, apontou que 67% dos consumidores usam múltiplos canais para completar uma única transação, o que significa que uma experiência integrada é uma necessidade cada vez mais latente e que demanda empresas omnichannel. Nesse sentido, negócios que utilizam múltiplos canais em sua estratégia tendem a ser mais buscados.
Embora muitos apontem que uma estratégia omnichannel não é nem negociável, 40% dos consumidores disseram que não comprariam de empresas se não pudessem escolher os canais de sua preferência.
Lançado em 2020, o Pix é uma forma de pagamento instantâneo digital e dada a sua facilidade, é um dos meios de pagamentos mais utilizados pelas empresas. Cerca de 82% das companhias entrevistadas responderam que o pagamento instantâneo foi o meio mais utilizado na hora de vender online, e entre os pequenos negócios, 83%.
Além de receber o valor imediatamente e reduzir o pagamento de tarifas, disponibilizar essa forma ágil de pagamento pode diminuir o abandono de carrinho e aumentar as chances de conversão, oferecendo facilidade e praticidade aos clientes.
De acordo com dados do Banco Central, este ano, os pagamentos P2B (de pessoas para empresas) representaram 18% das transações com Pix durante o mês de março, o que fortalece a popularidade do pagamento entre os consumidores.
Apesar das vantagens para os empreendimentos, é fundamental garantir uma experiência coesa, com o menor atrito possível para os clientes. Portanto, teste a integração e garanta que esteja funcionando sem problemas. Em alguns casos, é possível até personalizar o QR Code com o nome da empresa, aumentando a personalização e as chances de ser lembrado no futuro.
Entender as oportunidades do ambiente digital é fundamental, mas é ainda mais importante utilizá-las a seu favor, sempre de maneira estratégica.
Um report do Fórum Econômico Mundial, apontou que 97% das empresas brasileiras estão buscando automatizar o trabalho, e a expectativa é que de maneira geral, continuem adotando tecnologias como big data, cloud computing (computação em nuvem), e e-commerce, além do crescente interesse em adotar criptografia, robôs humanoides e inteligência artificial em suas operações até 2025.
Nesse sentido, a pesquisa TIC fortalece essa percepção, e o interesse dos negócios brasileiros pela capacidade de inovação e automatização trazidos pela tecnologia é crescente. Mas o que isso realmente significa?
O uso de inteligência artificial vem crescendo em países emergentes e em diversos setores. Embora seja mais popular em operação de serviços, desenvolvimento de produtos, marketing e vendas, sua adoção é ampla, aumentando a automação, a eficiência e reduzindo os custos.
De acordo com a pesquisa nacional, em 2021, 13% das empresas adotaram algum tipo de tecnologia de IA, e em companhias maiores esse número é ainda maior, cerca de 39%, o que indica que companhias mais robustas estão acelerando sua digitalização, crucial para se manter competitivos.
Das empresas que estão utilizando IA, seu uso está focado principalmente em:
O uso de IA também está crescendo em todo o mundo. De acordo com dados da Mckinsey, em 2020, 50% das empresas apontaram estar utilizando inteligência artificial em alguma função, e em 2021, esse número subiu para 56%.
O relatório Worldwide Semiannual Artificial Intelligence Tracker da IDC, apontou que o mercado de IA deve chegar a US$ 432,8 bilhões em 2022, e segundo a PwC, até 2030, deve alcançar cerca de US$15 trilhões.
Sem dúvidas, empresas que desejam ganhar tempo e aumentar a eficiência devem voltar sua atenção para as soluções trazidas por essa tecnologia, levando em consideração todo o seu potencia: soluções de IA englobam processos cognitivos e com alta capacidade de aprendizado, o que significa decisões mais assertivas, escalabilidade e redução de riscos.
O aumento do uso de IA não está sozinho, e as empresas brasileiras também estão olhando para outra tecnologia fundamental para os próximos anos - a Internet das Coisas, comumente conhecida como IoT.
A pesquisa apontou que 14% das empresas adotaram algum tipo de tecnologia IoT, principalmente voltadas à segurança e gerenciamento de consumo de energia, como detectores de fumaça, travas de portas, lâmpadas inteligentes, entre outros. As empresas que mais adotaram essas soluções fazem parte do setor de informação e comunicação, mas a tendência é que cada vez mais setores percebam o diferencial competitivo que essa tecnologia pode acarretar.
A Internet das Coisas é uma expansão da internet, que tem como objetivo conectar tudo, em qualquer lugar, e não estamos falando apenas de celulares, notebooks e TVs, e sim, de postes de luz, elevadores e carros.
A grande questão, e talvez, o maior valor da IoT, é que para fazer com que essa conexão aconteça, precisamos de dados, e estamos falando de um grande volume: até 2050 cerca de 24 bilhões de dispositivos estarão interconectados, coletando e reagindo a dados através de dispositivos habilitados, aprendendo e melhorando soluções constantemente.
De acordo com um artigo da Ericsson, o poder da conectividade proporcionada por soluções IoT, podem levar os negócios a um outro patamar de eficiência e redução de custos, principalmente por garantir previsibilidade e controle sem precedentes.
Para ter sucesso na economia digital, é preciso entender a importância dos dados, assim como iniciativas para sustentar transformações ocasionadas pelo seu uso, afinal, não estamos falando somente sobre dados, e sim, sobre conhecimento, que inclui extrair deles insights inteligentes sobre processos.
“Onde há fumaça de dados, há incêndio nos negócios”.
Thomas Redman – Presidente da Data Quality Solutions
De acordo a Ericsson, empresas que priorizam a digitalização e o refinamento do uso de dados, não estão apenas se tornando mais eficientes, estão se tornando negócios de software.
Isso significa que são capazes de gerar seus próprios dados, fomentando a criação de um ecossistema de serviços mais amplo, uma tendência forte para o futuro: seu negócio não deve ofertar somente uma solução isolada. A Amazon é um dos maiores exemplos de ecossistema consistente e lucrativo.
Lembre-se, dados são capazes de orientar a capitalização de oportunidades, embasando tomadas de decisão mais assertivas em tempo real.
Outro fato fundamental para obter sucesso é estabelecer a confiança com os consumidores. Uma vez que essas novas tecnologias só são possíveis através do acesso aos dados dos clientes, é imprescindível determinar boas práticas.De acordo com um estudo da Mckinsey, cultivar a confiança leva ao crescimento do negócio:
A pesquisa, que entrevistou mais de 1.300 lideranças e 3.000 consumidores, descobriu empresas que desenvolvem produtos e experiências que fazem uso de tecnologias digitais e dados - e que transmitem confiabilidade (atendendo a uma expectativa do consumidor de ter uma experiência melhor mas também segura), podem crescer cerca de 10% anualmente.
Em suma, para se preparar para o futuro, as companhias precisam mudar a mentalidade sobre dados, tornando-se data-driven, e isso não significa somente colocar um dashboard repleto de gráficos e informações vazias.
Para se tornar um negócio inteligente, é preciso um plano consistente, mudanças estruturais e boas práticas, que envolvem toda a organização.
Informações e dados sozinhos não são capazes de reimaginar negócios, mas a relação entre eles, com análises consistentes e apoio da liderança, pode levar sua empresa do presente para o futuro, garantindo que ela não apenas sobreviva, mas se torne competitiva, crescendo de maneira sustentável.
A migração para o digital - que começou fortemente durante a pandemia - não irá regredir, e é preciso estar preparado para uma realidade que se transforma constantemente, afinal, o mundo mudou, e seu negócio também precisa evoluir e crescer.