O Fórum Econômico Mundial de Davos 2026 deixou mensagens muito claras para quem lidera empresas hoje. Mais do que tendências ou previsões distantes, o que vi e ouvi ali foi um chamado direto à ação: liderar melhor, usar IA de forma estratégica e crescer com execução real.
Neste artigo, compartilho cinco lições de Davos — lições práticas, aplicáveis e especialmente relevantes que trouxe para líderes, fundadores e executivos que precisam tomar decisões agora, não daqui a cinco anos.
1. Liderança forte e pragmática supera narrativas vazias
A execução virou o novo diferencial competitivo
Uma das coisas que mais me chamou atenção em Davos foi como o discurso mudou. A era das narrativas bonitas, mas vazias, claramente ficou para trás. O que domina a conversa hoje é execução pragmática.
Liderança, na prática, virou sinônimo de decidir bem, decidir rápido e entregar resultado. Não importa o quão sofisticada seja a estratégia se ela não vira ação concreta. Em Davos, ficou evidente que quem não consegue transformar planos em execução consistente simplesmente perde relevância.
Os líderes que entregam sustentam crescimento
O líder de 2026 precisa ir além do papel de inspirador. Ele precisa ser um operador estratégico. Isso significa acompanhar indicadores, ajustar rotas rapidamente e garantir que cada decisão se materialize em impacto real no negócio.
O crescimento sustentável não vem de promessas. Vem de disciplina, foco e capacidade de execução contínua.
2. A era da IA exige integração estratégica, não experimentação isolada
IA deixou de ser diferencial e virou pré-requisito
Se havia alguma dúvida, Davos encerrou o debate: IA não é mais um diferencial competitivo — é pré-requisito. A pergunta não é mais “vamos usar IA?”, mas sim “como vamos integrar IA profundamente ao nosso modelo de negócio?”.
Vejo muitas empresas ainda tratando IA como projeto lateral, piloto isolado ou experimento de inovação. Isso é um erro. IA precisa estar no centro da estratégia, influenciando decisões, processos e modelos de crescimento.
Transformar IA em vantagem estrutural
Ferramentas de IA se tornam commodities muito rápido. O verdadeiro diferencial está na forma como você integra IA aos dados, à operação e à tomada de decisão.
Quando a liderança — especialmente o fundador — assume esse papel de forma ativa, a IA deixa de ser discurso e passa a gerar eficiência, escala e margem. É aí que ela vira uma vantagem estrutural, e não apenas tecnológica.
3. Liderança do fundador: visão prática sobre crescimento
Crescimento liderado por founders vai além da imagem
Em Davos, ficou claro para mim que o conceito de Founder-Led Growth está sendo muitas vezes mal interpretado. Não se trata de marketing pessoal ou protagonismo midiático.
Crescimento liderado pelo fundador significa assumir responsabilidade direta pelas decisões estratégicas mais críticas do negócio, especialmente aquelas que conectam tecnologia, execução e crescimento.
Decisão consciente é vantagem competitiva
Quando o fundador se afasta demais das decisões estruturais, o negócio perde velocidade e clareza. O que vi em Davos reforça algo em que acredito profundamente: fundadores que continuam decidindo os rumos estratégicos criam empresas mais resilientes e mais eficientes.
Isso é ainda mais relevante quando falamos de IA, que exige escolhas difíceis, priorização e visão de longo prazo.
4. A IA exige valorização humana e uma nova forma de trabalho
Equilíbrio entre automação e capacidade humana
Outro ponto muito forte em Davos foi a percepção de que a IA não elimina o fator humano — ela reposiciona o humano. Tarefas repetitivas tendem a desaparecer, mas atividades que exigem julgamento, criatividade e decisão estratégica se tornam ainda mais valiosas.
O erro é tratar IA como substituta de pessoas. O acerto é usá-la como alavanca para que as pessoas certas tomem decisões melhores.
Treinar e reter talentos virou vantagem estratégica
Empresas que realmente capturam valor com IA são aquelas que investem em capacitação interna, aprendizado contínuo e adaptação cultural.
Não basta contratar tecnologia. É preciso preparar pessoas para trabalhar com ela — e isso, hoje, é uma das maiores vantagens competitivas que uma empresa pode construir.
Onde as reflexões de Davos ganham profundidade e aplicação prática
Davos 2026 foi intenso, provocador e, em muitos momentos, impossível de absorver por completo ali. Por isso, faço questão de aprofundar essas reflexões em um ambiente onde dá para ir além do insight superficial e entrar no como fazer. É nesse contexto que compartilho no G4 Frontier, com muito mais detalhe, as decisões, conversas e aprendizados que vivi em Davos — conectando liderança, IA e crescimento à realidade de quem precisa executar. A ideia é transformar o que foi discutido no palco global em critérios claros de decisão, escolhas estratégicas e ações concretas no dia a dia dos líderes.

5. Crescimento sustentável passa por escolhas estratégicas
IA é motor de crescimento, mas exige foco
Em Davos, ficou claro que IA pode acelerar crescimento de forma significativa — desde que exista foco. Crescer usando IA não significa fazer tudo ao mesmo tempo, mas sim escolher onde ela gera mais impacto real.
As empresas que mais avançam são aquelas que saem rápido da fase de experimentação e escalam soluções que já provaram valor.
Ambiente macro reforça a necessidade de agilidade
O pano de fundo global discutido em Davos reforça uma mensagem importante: o ambiente é volátil, e a liderança precisa ser adaptável.
Resiliência, agilidade estratégica e capacidade de ajuste rápido não são mais diferenciais — são requisitos básicos para crescer de forma consistente.
Conclusão: o que Davos 2026 deixou claro para mim
Se eu tivesse que resumir Davos 2026 em uma frase, seria esta: liderar bem hoje é executar com clareza, usar IA com intenção e crescer com responsabilidade.
O futuro não pertence a quem fala melhor, mas a quem decide melhor e executa com disciplina. IA é parte central dessa equação, mas ela só gera valor quando está conectada a pessoas preparadas, líderes presentes e estratégias bem definidas.
Para quem lidera empresas em 2026, a mensagem é direta: menos discurso, mais execução; menos piloto, mais escala; menos promessa, mais entrega.
É assim que se constrói crescimento real.