Não é sobre adotar inteligência artificial. É sobre reorganizar o negócio ao redor dela. No terceiro dia do Fórum Econômico Mundial, em Davos, participei de um painel sobre Founder-Led Growth e saí com uma convicção ainda mais clara: inteligência artificial deixou de ser diferencial competitivo. A partir de agora, é requisito básico para qualquer empresa que pretenda continuar relevante.
Em Davos, ninguém mais discute se IA importa. Esse debate acabou. A pergunta real, que apareceu em todas as conversas com fundos, operadores e founders globais, é outra: como transformar IA em vantagem estrutural específica para o seu negócio. É exatamente nesse ponto que crescimento liderado por founders ganha uma nova dimensão.
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Founder-Led Growth começa na imagem, mas se sustenta na decisão
Founder-Led Growth nunca foi apenas um conceito operacional. A presença ativa do fundador em marketing, branding e reputação sempre foi — e continua sendo — uma alavanca legítima de crescimento. A voz do founder cria confiança, direciona narrativa e acelera adoção. Isso é parte do jogo.
O erro está em parar aí.
Na era da IA, Founder-Led Growth precisa ir além da imagem. Precisa se traduzir em decisão, prioridade e direção concreta de mercado. O fundador não apenas representa a empresa; ele define como ela cresce, onde aposta e quais vantagens pretende construir ao longo do tempo.
Crescimento liderado por founders é visibilidade com responsabilidade. É narrativa com método. É presença pública sustentada por arquitetura interna sólida.
IA desloca o papel do founder para o centro da arquitetura
Com IA, a responsabilidade do founder aumenta, porque a inteligência artificial conecta dados, decisões e execução. Funciona como sistema nervoso do negócio. E sistemas nervosos exigem coordenação central.
Founder-Led Growth, nesse contexto, é o fundador assumir o papel de arquiteto do crescimento. Arquitetar decisões, processos, alocação de capital humano e o uso estratégico de IA. Essas escolhas não são delegáveis porque moldam o futuro da empresa.
Quando o founder se afasta dessas decisões, a empresa automatiza o que já existe. Quando ele assume, a empresa redefine como compete.
IA precisa servir ao crescimento, não ao discurso
No G4, decidimos usar IA de forma pragmática. Não como discurso de inovação, mas como alavanca direta de crescimento e margem. Isso exigiu decisões difíceis, priorização clara e envolvimento direto da liderança.
Construímos um marketplace em 12 horas. Dois anos atrás, isso exigiria rodadas de investimento e ciclos longos de desenvolvimento. Hoje, 15% dos leads são gerenciados por IA. Cerca de 34% dos tickets são resolvidos sem intervenção humana. Todos os executivos usam IA para preparar reuniões e decisões estratégicas.
O impacto apareceu na conversão, que subiu seis pontos percentuais, gerando entre US$ 1,5 e 2 milhões adicionais por mês. Esse resultado não veio de tecnologia isolada, mas de decisão liderada.
Ferramentas escalam rápido. Vantagem estrutural, não
Em Davos, algo ficou evidente: ferramentas de IA se tornam commodity rapidamente. Modelos se popularizam, interfaces se replicam, custos caem. O que ontem parecia exclusivo, amanhã está acessível.
A vantagem não está na ferramenta, mas na infraestrutura, nos dados e na integração profunda da IA ao modelo de negócio. Founder-Led Growth exige que o founder decida onde construir dependência estrutural e onde aceitar a comoditização.
Essa decisão não é técnica. É estratégica e define quem lidera o mercado e quem apenas acompanha tendência.
IA não elimina o humano. Eleva o humano
Uso sempre uma analogia histórica porque ela coloca o debate no lugar certo. Há séculos, pessoas produziam comida com as mãos. Hoje, usam máquinas e dados. O humano não desapareceu, ele foi realolocado.
Com IA ocorre o mesmo. Ela remove o esforço repetitivo, operacional e mecânico e empurra as pessoas para onde realmente criam valor: criatividade, julgamento, decisão e construção.
Founder-Led Growth, aqui, é escolher usar IA para elevar o nível da organização, não para extrair mais esforço do mesmo time.
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O Brasil e a oportunidade que exige liderança
Levei a discussão em Davos para além das empresas individuais. O mundo enfrenta gargalos reais de energia e capacidade computacional. Infraestrutura de IA exige escala e sustentabilidade.
O Brasil tem ativos raros: matriz energética limpa, reservas estratégicas e território. Ainda assim, insiste em se posicionar como exportador de commodity, não como plataforma estratégica da infraestrutura de IA global.
Founder-Led Growth também é entender o contexto em que se compete. Ignorar o cenário macro enfraquece até as melhores operações.
Não existe neutralidade em crescimento
Não decidir como usar IA é uma decisão.
Não reorganizar o negócio é uma escolha.
Não assumir liderança estratégica tem custo.
Founder-Led Growth, na era da IA, exige posicionamento claro: onde competir, onde investir e onde concentrar energia humana. Sem isso, a empresa deriva, mesmo cercada de tecnologia.
Liderança visível, decisão estrutural
O terceiro dia de Davos reforçou algo essencial. Founder-Led Growth inclui imagem, narrativa e presença do fundador, mas só se sustenta quando isso vem acompanhado de decisões estruturais, método e responsabilidade.
IA não é futuro. É presente operacional.
Crescimento liderado por founders não é discurso. É direção.
Quem entende isso constrói empresas mais fortes. Quem não entende, automatiza tarefas e chama isso de transformação.
Do debate global à decisão prática: o G4 Frontier
O G4 Frontier deste ano foi desenhado para colocar o empresário à frente em 2026. É um evento para quem entende que crescimento não vem de leitura tardia de tendência, mas de antecipação, clareza estratégica e decisão bem tomada.
O Frontier existe para o empreendedor que não quer correr atrás do movimento; quer ditar o ritmo do que vai movimentar o mercado ao longo do ano. É por isso que, além dos paineis e debates de alto nível, vou compartilhar ali os principais insights que trago diretamente do Fórum Econômico Mundial de Davos.
Essa imersão prática de dois dias vai gerar clareza sobre o cenário, conexões certas no nível certo e um plano estruturado e executável para o ano.
