O que os extremos revelam sobre liderança, propósito e construção de empresas que duram

• Última atualização em 14/01/2026

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Alfredo Soares

14 jan 2026

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Nem todo extremo aparece como um pico. Alguns surgem como silêncio. Outros, como ruptura. E há aqueles que chegam disfarçados de sucesso.

No episódio do Extremos com o Diogo Aguilar, CEO da Fluency Pass, ficou claro que os momentos que mais moldam um empreendedor raramente são os mais visíveis. São aqueles em que tudo o que parecia sólido perde o chão — e a decisão precisa vir antes da certeza.

Essa conversa não foi sobre idiomas, foi sobre coragem, responsabilidade e escolhas difíceis e você tem acesso ao episódio completo no YouTube e no Spotify.

Extremo não é glamour. É teste de caráter.

Quando perguntei ao Diogo qual foi o maior extremo da trajetória dele, a resposta não veio com romantização. Veio com realidade.

Março de 2020. Pandemia.

Naquele momento, a empresa ainda se chamava Intercâmbio Direto e era, essencialmente, uma plataforma focada em intercâmbio internacional. O negócio tinha acabado de atingir um patamar relevante: maior plataforma online de intercâmbio do Brasil. Crescimento, tração, reconhecimento.

E, de repente, o mundo fechou.

Voos cancelados. Países com fronteiras bloqueadas. Um modelo de negócio inteiro colocado em xeque. O tipo de cenário que não testa apenas o plano estratégico, mas também a estrutura emocional e moral de quem lidera.

É nesse tipo de extremo que muita empresa quebra. E muitas lideranças se revelam.

Antes do palco, teve garagem. Antes da fluência, teve necessidade.

Uma das partes mais fortes da conversa foi voltar à origem. Não como nostalgia, mas como entendimento de formação.

Diogo começou cedo. Aos 14 anos, criou um dos maiores sites de anime do país. Não era hobby. Era sobrevivência. Os pais haviam se separado, a mãe vendia mel na rua para sustentar a casa, e ele fez uma escolha que muitos jovens sequer conseguem enxergar: transformar conhecimento em responsabilidade.

O site virou e-commerce. CDs, DVDs, vendas online quando isso ainda era improviso. Conta no nome da mãe, sem sistema de pagamento estruturado. 

Ele mesmo reconhece: matou um ativo grande cedo demais porque precisava fazer dinheiro rápido. Foi erro estratégico. Mas foi decisão ética naquele momento.

Esse tipo de história importa porque revela algo que não aparece em pitch decks: a maturidade que nasce da adversidade.

Crescer resolve o problema errado se o propósito não estiver claro

Em muitos momentos do podcast, o Diogo volta ao mesmo ponto: dinheiro é consequência, não norte.

Quando perguntei o que o faria continuar se o dinheiro simplesmente deixasse de existir, a resposta foi direta: educação básica.

Não como discurso bonito. Como compromisso.

Ele poderia ter vendido a empresa. Poderia ter ficado no B2C confortável. Mas escolheu um caminho mais difícil: usar estrutura, capital e capacidade para atacar um problema estrutural do país.

Educação não é pauta leve. É responsabilidade de longo prazo. Exige paciência, rigor e visão que ultrapassa resultado trimestral.

Aqui está um ponto que todo líder deveria se perguntar: se o dinheiro não fosse mais o incentivo, o que ainda justificaria o esforço?

Fluência é acesso

Uma das provocações mais interessantes da conversa foi redefinir o conceito de fluência.

Para o Diogo, fluência não é apenas falar inglês corretamente. É acessar culturas, oportunidades e pessoas. É conseguir se expressar com profundidade fora do próprio idioma. É não perder momentos porque faltou linguagem.

Essa visão explica muito do modelo da Fluency Pass: transparência de preço, curadoria real, ausência de impulso comercial. O consultor não vende escola, ajuda a escolher.

Isso não é só modelo de negócio. É postura ética.

Negócios que duram não nascem da assimetria de informação. Nascem da confiança.

Fluency Pass é parceira G4 Tools, o market place de serviços e tecnologia para o empreendedor.

O erro silencioso de líderes brilhantes: querer resolver tudo sozinhos

Talvez o trecho mais maduro do episódio tenha sido quando perguntei o que ele diria ao Diogo de 20 anos.

A resposta veio sem vaidade: “Você não precisa ser o MacGyver da sua empresa.”

Durante muito tempo, ele resolveu tudo. Grandes problemas. Decisões críticas. E se sentia genial por isso até entender que esse comportamento não escala e cobra um preço alto.

Liderança não é genialidade individual, mas a capacidade de formar gente melhor que você.

Quando ele começa a estruturar heads, lideranças fortes, e traz para o negócio pessoas admiráveis, a empresa muda de patamar e atinge maturidade organizacional.

Esse aprendizado separa fundadores de líderes.

Para quem lidera hoje

Se você é empreendedor, executivo ou líder de equipe, fica a provocação final:

  • Você está crescendo para resolver o problema certo?
  • Seu negócio é claro sobre o valor que entrega ou só eficiente em capturar margem?
  • Você está formando pessoas melhores ou apenas acumulando decisões?

Extremos não avisam quando chegam, mas sempre deixam marcas. A diferença está em usar essas marcas como cicatriz ou como fundação.

G4 Gestão e Estratégia

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