Lições reais sobre liderança e experiência do cliente com Juliana Loch

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Bruno Nardon

5 janeiro 2026

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Cliente não é custo, é receita. Nesse Papo de Gestão, isso ficou ainda mais claro.

A conversa com a Juliana Loch, VP de Clientes da Wellhub e ex-líder de experiência do cliente na Amazon Brasil, foi exatamente assim. Em nenhum momento falamos de “atendimento” como área. Falamos de negócio, cultura e decisões difíceis.

E talvez o maior aprendizado tenha sido este: experiência do cliente não é um departamento. É uma escolha diária de liderança.

Quero organizar aqui os principais pontos desse papo, do jeito que eles realmente ajudam quem está construindo empresa, time e produto, mas, todos os detalhes dessa conversa enriquecedora estão disponíveis para ver e ouvir nos nossos canais.

A provocação inicial: cliente não é custo

A Juliana abriu a conversa com uma frase simples, mas incômoda: “Cliente não é custo. Cliente é receita.”

Se isso fosse óbvio na prática, não veríamos tantas empresas tratando a experiência como centro de despesa, e não como motor de crescimento.

Quando você olha com atenção, a maioria dos processos ainda é desenhada para:

  • proteger a empresa;
  • reduzir contato;
  • ganhar eficiência interna.

Raramente os processos são pensados para reduzir o esforço do cliente e aqui está o ponto: quanto mais esforço o cliente faz, menor é a chance de ele voltar.

Velocidade é só parte do trabalho

Um erro comum que discutimos no episódio é confundir rapidez com qualidade.

Responder rápido e não resolver gera uma sensação pior do que demorar um pouco mais e resolver de vez, porque o cliente sai com a certeza de que o problema vai voltar.

Quando isso acontece com frequência, nasce uma frase perigosa: “Essa empresa é sempre assim”. São as pequenas frustrações acumuladas que destroem a reputação de uma empresa, não as grandes crises, como se imagina.

Trabalhar de trás para frente muda a lógica do negócio

A experiência da Juliana na Amazon aparece muito quando ela fala de working backwards: começar pelo cliente e caminhar para dentro da empresa.

Na prática, isso significa mapear a jornada com honestidade:

  • onde o cliente trava?
  • onde ele precisa insistir?
  • onde ele sente que “não deveria ser assim”?

Cada ponto desses é um defeito de processo. E aqui entra uma metáfora que resume bem: não adianta trocar o balde quando a goteira pinga todo dia. Ou você arruma o cano, ou o problema vira rotina.

Ouvir o cliente é responsabilidade coletiva

Um dos trechos mais interessantes do papo foi quando a Juliana contou como, na Amazon, diferentes áreas começam o dia olhando dados reais de clientes: reclamações, e-mails, sentimentos. E isso muda completamente a dinâmica interna.

Quando o financeiro escuta reclamação de cobrança, aquilo deixa de ser “problema do SAC” e vira insight de negócio. É importante entender as reclamações não como ataques, mas como dados emocionais brutos que, e empresas maduras, podem se tornar aprendizados.

Sinal ou ruído? Nem todo feedback é igual

Outro ponto importante é saber que ouvir não é obedecer tudo. Saber separar ruídos pontuais de padrões recorrentes é sinal de maturidade de uma empresa. Volume, repetição e impacto importam mais do que barulho isolado.

Às vezes, três reclamações diferentes apontam para o mesmo problema estrutural e resolver a causa raiz elimina todas de uma vez. E aqui entra algo que a Juliana deixou claro: dados ajudam, mas não substituem escuta.

Um trecho que me marcou muito foi quando ela disse, na prática: se o dashboard diz que o cliente espera 1 minuto, mas ele sente que espera 7, o problema não é o cliente. A solução não está em discutir o gráfico, mas em testar, ligar, usar o produto, viver a jornada. Quando o dado diz uma coisa, e o cliente diz outra, vá viver a experiência. O contato e o entendimento da realidade do cliente são aspectos fundamentais da liderança.

Cultura não se corrige depois, se escolhe antes

Antes de entrar na Wellhub, a Juliana fez perguntas que dizem muito sobre como ela enxerga liderança:

  • visão de longo prazo;
  • rituais reais;
  • autonomia;
  • rotatividade.

Cultura é o que sobra quando o líder não está na sala e empresas que acertam nisso sofrem menos com alinhamento, menos com disputa interna e mais com execução consistente.

O papel do líder é desaparecer — no bom sentido

Para fechar, uma frase que resume muito bem a conversa: “Vou saber que fiz meu trabalho quando eu sumir por uma semana e nada parar.”

No fim das contas, experiência do cliente, cultura e liderança estão no mesmo lugar: na forma como decisões são tomadas quando ninguém está olhando.

Experiência do cliente como uma decisão da liderança

O G4 Customer Experience é um programa prático para líderes que entendem que experiência do cliente não é um departamento, mas uma escolha diária de gestão. Em 2 dias, você mapeia a jornada real do cliente, corrige decisões que geram atrito e sai com um plano de 90 dias para reduzir churn, aumentar LTV e transformar CX em crescimento sustentável.

Programa G4 Customer Experience com Paula Pimenta, focado em fidelização de clientes, retenção e crescimento de receita por meio de cultura centrada no cliente.

Para levar para a prática

Se esse episódio deixou um convite claro, foi este: comece o dia ouvindo o cliente.

Porque o crescimento sustentável não vem de promessas bem escritas, mas de experiências bem vividas.

E agora eu te devolvo a pergunta que ficou ecoando depois do papo: o quanto sua empresa realmente escuta quem paga a conta?

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