O terceiro dia do G4 Valley 2025 entregou o tipo de conteúdo que o empresário brasileiro sente falta no dia a dia. Nada de teoria distante. Nada de palco motivacional. Foi um dia de conversas francas, práticas e diretamente ligadas ao que sustenta o crescimento real de um negócio.
Logo cedo, a energia no São Paulo Expo já mostrava que seria um dia diferente. As pessoas chegavam comentando insights dos dias anteriores, trocando contatos e fazendo perguntas que só quem está na operação faz. Parecia mais uma sala de guerra do que um evento tradicional. E foi nesse clima que tudo começou.
Estrutura como base do crescimento: o chamado de Misa Antonini para empresas que querem escalar
Misa abriu o dia com uma verdade simples e difícil ao mesmo tempo: antes de crescer, é preciso organizar. E não organizar “no papel”, mas na vida real da empresa. Na rotina. No jeito que o time trabalha. Na clareza das responsabilidades.
Muita gente percebeu ali que está tentando escalar sobre um terreno instável. Falta processo. Falta cadência. Falta coordenação. E, quando isso acontece, a empresa cresce empurrada, não puxada. Cresce criando ruído, não eficiência.
Misa também reforçou a importância de testar rápido. Em mercados competitivos, esperar demais custa caro. A empresa que experimenta, mede e ajusta em ciclos curtos aprende mais rápido do que a concorrência.
E então veio o ponto que marcou o painel: empresas não quebram por falta de caixa. Elas quebram por falta de clientes. É a perda de relevância que mata, e não a falta de dinheiro. O caixa só mostra o efeito — a causa está antes.
Cultura como força competitiva: o olhar de Tallis, Alfredo e Nardon sobre o que sustenta a execução
O trio fundador do G4 trouxe um tema que muitos subestimam: cultura. Não a cultura de parede. A cultura que orienta decisões difíceis. Aquela que molda comportamento quando ninguém está olhando.
Eles reforçaram algo que todo empresário sabe, mas poucos assumem: a cultura da empresa é um espelho da liderança. Não adianta pregar “meritocracia” e tolerar baixa performance. Não adianta falar de velocidade e permitir processos travados. Não adianta dizer que o cliente é prioridade e ignorar reclamações.
Cultura é prática.
Cultura é repetição.
Cultura é coerência.
E quando ela é forte, tudo se encaixa com mais facilidade. O time toma melhores decisões.
Os conflitos diminuem. A empresa ganha clareza. É como se uma névoa saísse do caminho e tudo ficasse mais simples.
Conexões que aceleram negócios: a visão de Ricardo Dantas sobre a força do ecossistema G4
O painel com Ricardo Dantas mudou o tom do dia. Se os painéis anteriores olharam para dentro das empresas, esse trouxe o olhar para fora. Para o ambiente onde os negócios crescem.
Ricardo falou de um jeito direto sobre o impacto de estar cercado por pessoas que pensam parecido. Ele contou como oportunidades inesperadas surgiram justamente porque estava no lugar certo, conversando com as pessoas certas. É assim que ele se tornou o primeiro parceiro do G4 Tools.
O Valley cria esse ambiente. Um lugar onde empresários falam a mesma língua. Onde networking não é troca de cartão — é troca de oportunidade. É conversa que vira insight, insight que vira projeto e projeto que vira resultado.
IA como vantagem imediata: o alerta de João Vitor para quem lidera equipes e processos
Quando João subiu ao palco, a sensação no auditório mudou. Era como se todo mundo entendesse que aquele painel era um divisor de águas.
Ele mostrou dois caminhos possíveis.
No primeiro, a IA se torna sua maior alavanca.
No segundo, ela se torna sua concorrente.
E a diferença entre um caminho e outro está no que os líderes decidem fazer agora.
João foi transparente ao contar como o G4 já usa IA para aumentar eficiência. Automação substituiu tarefas repetitivas, liberando o time para atuar em níveis mais altos. Não é sobre cortar pessoas. É sobre cortar desperdício.
O recado final ficou claro: IA não é futuro. É presente. E quem aplicar cedo opera em vantagem.
Uri Levine no G4 Valley: como destruir o problema certo para construir empresas bilionárias
A entrada de Uri Levine no palco elevou o nível do auditório de um jeito que só quem estava lá sentiu. Co-fundador do Waze e do Moovit, ele não trouxe uma palestra. Trouxe uma mentalidade. Uma forma de pensar negócios que raramente é verbalizada com tanta clareza.
Desde o início, Uri foi direto: “Você não constrói unicórnios. Você resolve problemas enormes.”Essa frase mudou a postura do público. Era como se, por alguns segundos, todo mundo tivesse parado de pensar em “crescimento” e começado a pensar em “dor”.
Uri mostrou que empreendedores perdem tempo demais tentando aperfeiçoar produtos, quando deveriam estar obcecados em entender o problema do usuário. E não qualquer problema: um problema que doa profundamente e para muita gente.
Segundo ele, o maior erro das startups — e das empresas tradicionais também — é se apaixonar pela solução.O empreendedor deve se apaixonar pelo problema.O resto é consequência.
Outro ponto que tocou o público foi sua visão sobre timing.O Waze nasceu quando apenas uma pequena parcela das pessoas tinha smartphones.O Moovit foi criado quando poucos acreditavam que transporte público poderia ser “otimizado digitalmente”.
Para Uri, inovadores não olham o presente. Olham o inevitável.
Ele também foi extremamente honesto ao falar sobre fracasso.“Se você não está disposto a errar rápido e barato, vai errar devagar e caro.”Isso conectou com tudo o que o dia já vinha entregando: velocidade, experimentação, estrutura e aprendizado contínuo.
A frase final dele ficou ecoando no pavilhão:
“Seu objetivo não é construir a melhor empresa do mundo.Seu objetivo é destruir o problema certo.”
Foi o tipo de insight que não inspira — transforma.
Inovação e disrupção: o caminho real até o Product-Market Fit
O último painel trouxe uma perspectiva madura sobre inovação. Nada de glamour. Nada de atalhos. Apenas a realidade de quem já construiu produtos do zero.
A fase inicial é lenta, confusa e, muitas vezes, frustrante. Existe empolgação, mas ainda não existe tração. É o momento em que o fundador precisa confiar mais na visão do que nos números.
Mas, quando o Product-Market Fit chega, tudo muda. O mercado passa a puxar o produto. A curva acelera. A empresa finalmente entende onde dói e como resolver.
A Total Disruption é o estágio final dessa jornada. É quando o mercado inteiro adota a solução como padrão. E, dali em diante, não é mais sobre crescer — é sobre liderar.
O terceiro dia do Valley entregou o que o empresário realmente precisa para crescer
O último dia do G4 Valley 2025 conectou os pilares que sustentam qualquer empresa que quer crescer no Brasil: estrutura, cultura, clientes, velocidade, tecnologia e inovação.
Não foram palestras soltas. Foi uma construção.
Um raciocínio.
Um fluxo.
Uma jornada de clareza.
Quem saiu do Valley saiu diferente. Saiu com direção. Saiu com ferramentas. Saiu com o entendimento exato do que precisa ajustar quando voltar para a operação.