Hidden Potential: resumo do livro que mostra como atingir seu potencial
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Hidden Potential: resumo do livro que mostra como atingir seu potencial

Hidden Potential: resumo do livro que mostra como atingir seu potencial

Por:
G4 Educação
Publicado em:
10/1/2024

Você acredita que atingir a excelência é algo que só os mais talentosos são capazes? Ou acha que quem se esforça também pode atingir o ponto mais alto? 

Para o professor da Wharton School Adam Grant, todos somos capazes de aprender e alcançar o próximo nível. É uma questão de destravar seu potencial oculto, estar aberto a aprender continuamente e ter disposição para enfrentar o desconforto. Essa mentalidade, aliada ao esforço para se tornar melhor é que vai nos aproximar da excelência, como mostra no livro “Hidden Talent: The Science of Achieving Greater Things”.

Um dos nomes mais respeitados quando o assunto é trabalho e gestão de pessoas (pense em Recursos Humanos, com ênfase em humanos), o psicólogo organizacional Adam Grant defende que o aprendizado mais significativo quase sempre é doloroso. Ou seja, atingir a maestria em um campo ou tema está mais relacionado a aprender a lidar com o desconforto que sentimos quando experimentamos algo que não é familiar.

O que o autor quer mudar é a visão que as empresas e a sociedade de modo geral têm de que o importante é buscar apenas prodígios e talentos. Segundo ele, todos podem atingir seu potencial se colocarem esforço e vontade nesse aprendizado.

"O crescimento tem menos a ver com o quanto você trabalha do que com o quanto você aprende".

O psicólogo organizacional e professor da Wharton School Adam Grant: o esforço e disposição para aprender levam alguém para o alto mais do que os talentos inatos, segundo seu livro "Hidden Talent" (Crédito: Divulgação)

Quem é Adam Grant

Adam Grant é psicólogo organizacional e um dos maiores especialistas quando o assunto é como fazer com que as pessoas encontrem sua motivação, significado e aprendam a ser mais criativas e colaborativas. Ele é autor dos livros “Pense de Novo: O Poder de Saber o que Você não Sabe” (2021), “Plano B: Como encarar adversidades, desenvolver resiliência e encontrar felicidade” (2017), este em parceria com a ex-COO da Meta, Sheryl Sandberg, e “Originais: Como os Inconformistas mudam o Mundo” (2016), “Dar e Receber: Uma Abordagem Revolucionária sobre Sucesso, Generosidade e Influência” (2013).

Professor do curso de Gestão da Wharton School da Universidade da Pensilvânia, onde dá aulas sobre liderança, trabalho em equipe, negociação e comportamento organizacional, ele foi o professor mais bem avaliado por sete anos consecutivos. Ele fez parte da lista de 10 pensadores em gestão mais influentes e figurou entre os 40 destaques com menos de 40 anos da Fortune. Seus podcasts Work Life (que trata de vida e trabalho) e ReThinking (em que busca insights que podem colaborar para nos tornar mais inteligentes) geram sempre discussões. Ele contribui ainda para o jornal New York Times, entre outros veículos. Como consultor, ele atende empresas como Google, NBA, Goldman Sachs, Meta, Fundação Gates  e Bridgewater. 

Adam Grant é conhecido por apresentar insights em como melhorar ou reforçar a cultura organizacional e manter os talentos dentro da empresa. Ele propõe perguntas que podem ser feitas em diferentes momentos na vivência de um colaborador.

Na chegada de um novo funcionário, ele propõe que os gestores façam as seguintes perguntas: "Por que você está aqui?", "O que você espera aprender?", "Quais foram alguns dos melhores projetos em que você trabalhou?", "Fale-me sobre o pior chefe que você já teve”. O objetivo, diz, é imitar as coisas boas e evitar as atitudes ruins.

Sobre retenção, Grant diz que as perguntas devem endereçar o relacionamento contínuo. "Qual foi o destaque mais marcante de sua experiência aqui?", "Quais foram os pontos baixos?" e "O que fez você pensar em desistir e como podemos garantir que isso não aconteça novamente?".

Adam Grant é Ph.D. pela Universidade de Michigan e seu mestrado foi na Universidade de Harvard. Ele já recebeu prêmios da Academy of Management, da American Psychological Association e da National Science Foundation.

Hidden Talents: como atingir o potencial escondido em cada um

Em “Hidden Potential” (ainda sem tradução para português), Adam Grant identifica três componentes centrais para chegar lá:

Habilidades de caráter

Quando fala em caráter, o psicólogo se refere aceitar o desconforto de que aprender envolve cometer erros no processo de aprendizado e que perseverar é estar aberto a novas ideias. Em outras palavras, absorver informações novas como uma esponja.

"Caráter é sua capacidade de priorizar seus valores em detrimento de seus instintos."

Para Grant, as chamadas habilidades de caráter permitem que uma pessoa de perfil procrastinador, por exemplo, seja capaz de cumprir prazos para alguém que é importante. Ou então uma pessoa introvertida e tímida encontra voz para expressar uma injustiça ou mesmo o valentão do time ser capaz de contornar uma discussão para benefício do time. 

“Essas são as habilidades que os grandes professores do jardim de infância cultivam – e os grandes técnicos cultivam."

Andaimes

Adam Grant usa pesquisas e exemplos, alguns de esporte profissional, onde se espera que os atletas tenham um rendimento de alta performance. O treinador do jogador de basquete Steph Curry faz com que ele tome parte em diferentes tipos de jogos. Em um deles, a estrela da NBA tem 1 minuto para marcar 21 pontos e tem que correr até o meio da quadra após cada arremesso. 

A essa abordagem, Adam Grant dá o nome de “andaime”.

“A maioria de nós precisa de estrutura para manter a motivação em meio ao esgotamento, ao tédio ou à dúvida. Os andaimes, geralmente fornecidos por instrutores e mentores, ‘nos ajudam a criar resistência para superar os obstáculos que ameaçam nos sobrecarregar e limitar nosso crescimento’."

Outro tipo de andaime, diz ele, é ensinar outras pessoas. As pesquisas mostram que agir como tutor ou explicar algum conteúdo aumenta o aprendizado de quem está ensinando. Isso é verdadeiro para crianças que ensinam seus irmãos mais novos e para alunos que ao ensinar os colegas sobre um tema, acabam praticamente “revisando” o material e são capazes de fixar o conhecimento.

"Ensinar os outros pode aumentar nossa competência. Mas é o treinamento de outras pessoas que aumenta nossa confiança. Quando incentivamos os outros a superar obstáculos, isso pode nos ajudar a encontrar nossa própria motivação."

Sistemas

Para Adam Grant, “os vieses sistêmicos geralmente limitam as oportunidades para pessoas de grupos sub-representados ou para aquelas que desabrocham tardiamente ou enfrentam obstáculos no início da vida”. 

"Não se pode dizer onde as pessoas chegarão a partir de onde elas começam. Com a oportunidade certa e a motivação para aprender, qualquer pessoa pode desenvolver as habilidades para alcançar coisas maiores”, escreve o professor. “O potencial não é uma questão de onde você começa, mas de quão longe você vai. Precisamos nos concentrar menos nos pontos de partida e mais na distância percorrida."

"O fracasso precoce seguido de sucesso posterior é uma marca de potencial oculto."

O professor da Wharton elogia companhias cujo modelo permite que colaboradores possam levar ideias para outras áreas da empresa. Da mesma forma, os líderes que são capazes de colocar seu ego de lado para ouvir o que suas equipes têm a dizer conseguem unir as pessoas em torno de um objetivo comum.

"Líderes fracos silenciam a voz e matam o mensageiro. Os líderes fortes acolhem a voz e agradecem ao mensageiro. Os grandes líderes criam sistemas para amplificar a voz e elevar o mensageiro."

Resumo do livro “Hidden Potential

No livro “Hidden Potential”, Adam Grant apresenta cases e pesquisas para demonstrar como destravar esse potencial humano. A seguir, você encontra um resumo com as principais ideias.

Caráter é o ingrediente principal do desenvolvimento

No final da década de 1980, no estado norte-americano do Tennessee, um estudo envolveu 11 mil alunos desde o jardim de infância até a terceira série para avaliar o impacto do tamanho das turmas no aprendizado. Mais de 30 anos depois, o economista Raj Chetty analisou os dados e descobriu que as crianças cujos professores as incentivaram a desenvolver habilidades como ser proativo, determinado e disciplinado, em vez de se concentrar em alfabetização e matemática, tornaram-se adultos que ganhavam consideravelmente mais do que seus colegas de classe.

Em outras palavras, as crianças que sentiram capazes de fazer perguntas, trabalhar colaborativamente com os colegas, enfrentar desafios e manter o foco cresceram e se tornaram pessoas mais bem-sucedidas no ambiente profissional do que aquelas que tinham habilidades cognitivas mais elevadas inicialmente.

Para Adam Grant, a boa notícia é que qualquer pessoa que queira atingir seu potencial máximo é capaz, uma vez que a excelência se resume ao caráter. A capacidade de priorizar o que é importante em vez de apenas seguir os instintos (ou como você pensa, sente e se comporta) permite superar peculiaridades como ser impulsivo, por exemplo. 

O caráter, portanto, não é o conjunto de habilidades com as quais você nasce e sim como você escolhe ser.

Seja uma esponja humana

Quando se trata de descobrir seu potencial oculto, mire-se nas esponjas do mar. Essa espécie sobreviveu às erupções que aniquilaram espécies há 500 milhões de anos. Sua capacidade de se adaptar ao ambiente lhe permite viver por mais de 2.000 anos. Na sua vida, você pode filtrar e se adaptar a diferentes situações, enquanto trabalha para desenvolver novas habilidades.

Adam Grant usa como exemplo Mellody Hobson, CEO da Starbucks Corporation. Caçula de seis irmãos criados por uma mãe solteira em Chicago, ela teve dificuldades na escola, mas decidiu explorar todo o seu potencial. Ela se graduou na Princeton University e chegou a ocupar o cargo de CEO da Dreamworks e figurou na lista das 100 Mulheres mais Poderosas da Forbes e entre as pessoas mais influentes da Time.

O que Mellody fez para se destacar? Ela absorvia conhecimento. Fazia perguntas e anotações nas aulas e palestras, entendendo que cada interação era uma chance de aprender. Ela entendeu que trabalhar de forma inteligente era tão importante quanto trabalhar duro, pesando as oportunidades que surgiam. E, finalmente, ela se adaptou: depois que seu mentor apontou que ela se impunha em todos os ambientes, ela controlou sua tendência de dominar as conversas e passou a ouvir os colegas e especialistas. Isso a ajudou a desenvolver suas habilidades pró-sociais e a se beneficiar de novas colaborações.

Abrace a imperfeição

Na escola, as crianças são incentivadas a buscar a perfeição. No mundo do trabalho, a vida raramente é tão simples. Pesquisas mostram que os perfeccionistas não têm vantagem na aquisição de habilidades e costumam ter um desempenho pior do que o de seus colegas. Por quê? Porque os perfeccionistas possuem a tendência de ficarem obcecados com detalhes que nem sempre fazem a diferença.

Da mesma forma, as pessoas que buscam muito a perfeição resistem a pisar fora de sua zona de conforto, o que restringe sua capacidade de viver novas experiências e desenvolver mais habilidades. Isso sem falar na autocrítica, que pode paralisar sua aprendizagem.

A mensagem de Adam Grant é: não tenha medo de errar. Tentar algo novo significa viver momentos e situações de desconforto. E em vez de buscar a perfeição, busque sempre elevar seus padrões, não importa o que esteja aprendendo. Aprendeu tudo sobre um tema? Comece a aprender sobre outro assunto. Não pare nunca. Só assim você atingirá sua capacidade total.

Progresso por meio de jogos e brincadeiras

Quando se trata de dominar uma habilidade que parece difícil ou complicada, o que mais importa é a forma como você gasta seu tempo e não o número de horas dedicadas. Se o tempo que é gasto aprendendo algo envolve alegria em vez de obsessão com o resultado, você tira a pressão de si mesmo e entra em um flow (fluxo) que é ideal para o aprendizado.

Uma maneira de aproveitar o que os psicólogos chamam de “paixão harmoniosa” – estado no qual a prática é motivada pela alegria de aprender – é através de jogos. O “jogo deliberado” ficaria entre a prática consciente de uma habilidade e o jogo livre, o que dá a liberdade de misturar ou adaptar as coisas. Funciona como um apoio ao aprendizado. 

No livro “Hidden Potential”, Adam Grant cita a história da percussionista escocesa Evelyn Glennie, que cresceu na zona rural da Escócia e conquistou três prêmios Grammy. Evelyn também é surda desde a infância. Mas isso não a impediu de aprender a tocar instrumentos e se divertir no processo. O seu “jogo deliberado” envolve trocar de instrumentos para evitar o tédio, tocar de trás para frente e uma série de pequenos desafios. O importante é a qualidade da prática, não quantas horas ela dedica à música.

No caso de Evelyn e tantas outras pessoas, esse prazer de aprender leva a melhores resultados. Grant cita estudantes de medicina que usam comédia de improviso para se tornarem melhores em diagnósticos. O humor e a brincadeira no treinamento no local de trabalho levam a uma aquisição mais rápida de novas habilidades. E os vendedores que usam a encenação têm maior probabilidade de superar suas metas.

Portanto, pare de se intimidar em busca da excelência e, em vez disso, divirta-se.

Mude sua forma de pensar sobre a estagnação

Você já viveu a experiência de aprender algo novo, perceber que avançou rapidamente e, de repente, sentir que está evoluindo muito pouco? Adam Grant sintetiza esse sentimento como “perda de ímpeto”.

A boa notícia é que um estudo mostra que é comum termos um período de declínio antes que o desempenho melhore novamente. Portanto, da próxima vez que isso acontecer e você atingir essa “barreira”, saiba que é comum retroceder um pouco. Ao fazer isso, você vai alimentar o impulso para “saltar” de onde parou.

Mas como? Quando sentimos que “batemos no muro” e não estamos evoluindo, tentamos uma nova estratégia. E testar algo diferente sempre vai afetar nosso desempenho inicialmente. Daí o retrocesso. Mas é algo necessário.

Mudar a abordagem para sair da estagnação é um processo simples. Primeiro, você deve buscar novas informações. Você pode procurar dois ou três mentores para ajudar a superar o desafio que impede seu progresso. Lembre-se que pessoas diferentes têm perspectivas diferentes, por isso a variedade pode funcionar.

O segundo passo é usar suas “habilidades de esponja” para absorver, filtrar e adaptar os conselhos recebidos de várias pessoas. Com isso, você vai fazer com que as informações recebidas possam atender seus objetivos. Há muitos caminhos diferentes para chegar a um objetivo, então caberá a você escolher qual é o melhor. Ao explorar esses novos caminhos, você vai desenvolver outras habilidades até chegar ao ponto em que domina o assunto. E quando isso acontecer, estará pronto para a próxima etapa.

Estratégias para atingir seu potencial

Em um artigo para a revista Time, Kevin J. Delaney, ex-co-CEO da Quartz e ex-editor da versão online do Wall street Journal, lista algumas táticas e estratégias do livro "Hidden Potential" que podem ser aplicadas para desenvolver seu potencial.

Coloque-se em situações que possam estimular sua inteligência. "A melhor maneira de acelerar o crescimento é aceitar, buscar e ampliar o desconforto", escreve Grant, explicando como pessoas aprendem idiomas rapidamente. Incentivar estudantes a correr riscos e cometer erros resulta em um número menor de erros, apontam estudos. O perfeccionismo não se correlaciona com nenhuma melhora no desempenho no trabalho.

Misture as coisas. No esporte, os psicólogos afirmam que jogadores melhoram quando participam de jogos inventados, ou seja, jogos com regras em que um jogador pode apenas passar, mas não arremesar, por exemplo, do que ficar apenas nos exercícios tradicionais de desenvolvimento.

"A melhor maneira de desbloquear o potencial oculto não é sofrer com a rotina diária. É transformar a rotina diária em uma fonte de alegria diária."

Peça às pessoas que classifiquem seu trabalho. Use uma escala de 0 a 10 e em seguida pergunte como é possível chegar mais perto de 10. O objetivo não é conseguir 10 em tudo e sim trabalhar para conseguir notas mais altas em áreas que são prioridade, aceitando notas mais baixas em outras.

Busque orientação de várias pessoas. Ao fazer isso, você terá conselhos de pontos de vista diferentes antes de passar esse conhecimento por seu filtro pessoal e tomar sua própria decisão. As pesquisas mostram que, às vezes, os especialistas são menos capazes de ensinar os iniciantes, pois a distância faz com que eles não consigam explicar facilmente como alcançaram sua experiência.

Elimine os requisitos de credenciais e experiência. Um estudo em larga escala descobriu que os alunos que frequentaram universidades de alto nível tiveram um desempenho apenas ligeiramente melhor do que os colegas em projetos de consultoria. Outro levantamento constatou que a experiência profissional anterior teve pouco impacto sobre o desempenho.

Conclusão

A atitude e a maneira como você encara os desafios são mais importantes do que os chamados dons inatos (aqueles com os quais se nasce), quando o assunto é dominar habilidades. A boa notícia é que o livro “Hidden Potential” oferece um ponto de partida para descobrir seu potencial e atingir níveis de excelência que nunca imaginou serem possíveis. Desenvolver seu caráter para apoiar seu aprendizado é o primeiro passo: dessa forma você vai superar o medo do fracasso e outras limitações. Em seguida, assumir seu lado “esponja” e absorver, filtrar e adaptar conhecimento para incorporar à construção de habilidades e capacidades. Por fim, quanto mais puder transformar o ato de aprender em uma “brincadeira”, ou seja, ter prazer nesse processo de crescimento, mas oportunidades de crescimento vão surgir em sua vida.

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