A jornada importa mais que a linha de chegada. E quando você entende isso, resultado vira consequência.
A jornada que conecta esporte, negócios e vida: o que aprendi no Iron Man e com Nicholas Santos
Quando voltei a treinar para o Iron Man, percebi de novo como o esporte molda a nossa forma de empreender. Disciplina, dor, repetição, equilíbrio, tudo que a gente carrega para a vida profissional vem muito desse ambiente.
E foi nesse espírito que tive a oportunidade de conversar com o Nicholas Santos no A Jornada. Um atleta que admiro muito: 6 vezes campeão mundial, duas Olimpíadas, recordista aos 42 anos, o mais longevo da história a conquistar um título mundial na natação.
Aqui compartilho alguns aprendizados dessa conversa. Mas já adianto: se você quiser mergulhar nos bastidores completos, recomendo assistir ao episódio no YouTube ou ouvir no Spotify.
O primeiro divisor de águas: vencer Gustavo Borges e iniciar a vida profissional
Quando ainda estava em Ribeirão Preto, estudando Fisioterapia, o Nicholas vivia a natação de forma quase amadora. A virada veio quando se mudou para o Rio de Janeiro para treinar no Flamengo. Logo de cara, venceu o Troféu Brasil nos 50m livre contra ninguém menos que Gustavo Borges.
“Não é sobre estar lá, é sobre buscar resultado.” – Nicholas Santos
No episódio, ele contou como essa vitória mudou sua mentalidade para sempre.
O impacto de mudar o ambiente: a mentalidade americana de alta performance
Em 2010, o Nicholas foi para os Estados Unidos treinar com medalhistas mundiais. A estrutura era muito diferente, mas o que mais chamou atenção foi a mentalidade: metas ousadas, rotina de recuperação e treinadores preparados até em psicologia esportiva.
Essa mudança mostra algo que vale para qualquer empreendedor: o ambiente certo encurta a curva de aprendizado em anos. Estar cercado das pessoas certas eleva o seu teto de performance.
Como envelhecer e continuar performando: os recordes mundiais de Nicholas Santos após os 38 anos
Enquanto muitos atletas desaceleram, o Nicholas bateu recorde mundial aos 38 anos, nadando os 50m borboleta em 21.75. Ele fez isso ajustando três pontos que parecem simples, mas exigem disciplina diária:
- sono como prioridade;
- treino com menos volume e mais qualidade;
- foco em recuperação, respiração e meditação.
Isso vale também para negócios: não é sobre trabalhar mais horas, mas sim sobre trabalhar melhor.
Overtraining, burnout e limites da alta performance: quando treinar demais atrapalha mais do que ajuda
O Nicholas contou que viveu overtraining aos 22 anos, com treinos de volume absurdo. A energia sumiu. A saída foi parar, recuperar e voltar com técnica.
Quantas vezes, no empreendedorismo, a gente cai nessa mesma armadilha? Confundir “trabalhar mais” com “trabalhar certo”. Autoconhecimento é a chave para separar esforço produtivo de esgotamento.
O poder do foco: de generalista a especialista nos 50m borboleta
Nos Estados Unidos, o técnico dele foi direto: “Você precisa ser especialista em uma prova.” Foi quando o Nicholas pivotou para os 50m borboleta e construiu sua reputação mundial.
Isso também vale para empresas. Ser especialista abre portas, cria autoridade e te coloca em mesas que não estariam acessíveis de outro jeito.
Da piscina ao CNPJ: a criação da Outlive Nutrition
Quando começou a planejar sua aposentadoria, o Nicholas já havia se organizado financeiramente. E decidiu transformar uma necessidade pessoal em negócio.
“Eu cheguei a manipular meus próprios suplementos porque não encontrava o que precisava no Brasil.” – Nicholas Santos
Dessa inquietação nasceu a Outlive Nutrition. Um suplemento em pó com 62 ingredientes, pensado para longevidade e performance. Mais que produto, um estilo de vida.
No episódio, ele contou bastidores de como foi lidar com a regulação da ANVISA, os testes de sabor e o desafio de vender saúde em forma de hábito, não só em cápsulas.
Família, fé e dinheiro: bastidores do equilíbrio (ou desequilíbrio) consciente
Equilíbrio perfeito não existe. O que existe é desequilíbrio consciente. O Nicholas explicou como projetos de alta performance exigem ciclos de foco, mas sempre com combinados claros com a família, com a fé e com as finanças.
É a mesma lógica que carrego: só dá para acelerar em uma frente se os outros pilares estiverem firmes.
O sonho de 2028: competir em uma Olimpíada aos 48 anos
Agora que os 50m borboleta se tornaram prova olímpica, o Nicholas acredita que ainda pode disputar uma Olimpíada aos 48 anos. Para isso, precisa de um projeto completo: patrocínio, narrativa e preparação diária.
Esse ponto me marcou muito: performance sem entretenimento morre fora da bolha. Não basta ganhar, é preciso construir uma história que gere audiência.
6 lições dessa conversa sobre disciplina, longevidade e autoconhecimento
Defina metas que assustam, mas caibam no calendário.
Escolha o ambiente certo, ele vai te puxar para cima.
Padronize sono, treino e recuperação como parte do processo.
Pivote para a sua prova, seja no esporte ou nos negócios.
Trabalhe a mente para o dia D: conselho, pitch ou campeonato.
Documente a jornada: é ela que gera comunidade e reputação.
Por que autoconhecimento é a tecnologia mais barata da alta performance
Essa conversa com o Nicholas reforçou algo que acredito muito: autoconhecimento é a tecnologia mais barata e mais negligenciada da alta performance.
Esse artigo é só um recorte. No episódio completo, falamos também sobre fé, família, bastidores da natação mundial e empreendedorismo. Vale a pena assistir no YouTube ou ouvir no Spotify.