Será a queda dos unicórnios e o uso excessivo do termo um sinal de que a bolha finalmente estourou ou eles ainda serão um marco legítimo no ciclo de vida de uma startup?_
Após anos de forte crescimento das companhias de tecnologia, tanto listadas em bolsa quanto de capital fechado, uma sensação de cautela voltou a pairar no ar.
Por um lado, conhecer o que são empresas unicórnios inundou o mercado a tal ponto que a designação se tornou sem sentido. Durante o auge anterior, as avaliações se tornaram tão clichê que foi necessário criar uma nova referência de avaliação: os decacórnios (valuation de mais de US$10 bilhões) e os hectacórnios (valuation de mais de US$ 100 bilhões).
De fato, a distância entre US$ 1bilhão e US$ 100 bilhões parecia grande o suficiente para dar a essa nova categorização a escassez que antes era desfrutada pelos unicórnios.
No entanto, já no terceiro trimestre de 2022, os investidores dispostos a avaliarem uma startup como tal praticamente desapareceram em meio ao aumento das taxas de juros e à queda abrupta dos preços das ações de tecnologia, conforme relatório da CB Insights.

(Na imagem: o número de novos unicórnios despencou) (Créditos: CB Insights)
Assim, as ofertas públicas iniciais pararam e os investimentos iniciais caíram. Além do ciclo normal de conceitos que entram e saem de moda, que outras forças de mercado estariam em jogo? Será que alguma versão não contaminada do termo poderia emergir nos próximos anos? Afinal, esse significa o fim dos unicórnios e das startups ou, na verdade, a transição para uma nova fase?
FIQUE POR DENTRO
Inscreva-se na nossa newsletter e receba as novidades sobre o G4 Educação em seu e-mail
Quanto mais alto, maior o tombo
Sem dúvidas, o setor de tecnologia experimentou um crescimento fora da curva nos últimos dois anos, com marcas históricas sendo alcançadas, como a da Apple que, em janeiro de 2022, alcançou o título de primeira empresa dos EUA a atingir um valor de mercado de US$ 3 trilhões.

(Na imagem: Valor das ações da Apple em 03 de janeiro de 2022) (Créditos: TecMundo)
Pouco tempo depois, em 02 de fevereiro de 2022, o número de startups bilionárias no mundo acabava de superar, pela primeira vez, a quantidade de 1 mil (isso é mais unicórnios do que nos cinco anos anteriores combinados).

No entanto, com a invasão na Ucrânia no final de fevereiro de 2022, o cenário financeiro mundial se tornou desafiador devido à inflação, aumento de juros pelo banco central americano, o The Federal Reserve System – pela primeira vez desde 2018 – e a retomada da vida normal após a pandemia.
Como consequência, iniciou-se uma desaceleração conjunta do crescimento projetado para as empresas de tecnologia e uma grande queda em seus valores de mercado, como Zoom, Amazon, Facebook, Airbnb e Magazine Luiza.
Desta forma, a redução de liquidez impactou negativamente o setor, tornando os investimentos de risco menos atrativos e fazendo com que os fundos de venture capita se tornassem mais criteriosos em seus investimentos.
O início dos layoffs
O ambiente geopolítico criou significativa incerteza macro e isso se refletiu na capacidade dos investidores assumirem riscos.
Como todo o crescimento projetado para essas organizações não aconteceu, em resposta à essa desaceleração, a bolha financeira das startups estourou e muitas companhias precisaram cortar despesas a todo custo, anunciando demissões em massa pouco tempo após um rápido crescimento de suas equipes. Alguns exemplos incluem:
· Google, 12 mil colaboradores dispensados em 20/01/2023;
· Meta, 11 mil colaboradores dispensados em 9/11/2022;
· Microsoft, 10 mil colaboradores dispensados em 18/01/2023;
· Amazon, 10 mil colaboradores dispensados em 16/11/2023 e mais 8 mil em 4/01/2023.
Algumas até anunciavam layoffs enquanto ainda recrutavam para sua força de trabalho. De acordo com a layoffs.fyi, foram mais de 214.921 pessoas demitidas de empresas de tech desde o início da pandemia.

(Na imagem: layoffs 2022-2023) (Créditos: Layoffs.fsy)
Dito isso, para manter a continuidade de seus negócios – reavaliando_ sua estratégia e fazendo ajustes – medidas drásticas foram tomadas para garantir que pudessem seguir em frente, mesmo enfrentando a pressão para proteger a imagem e a cultura de suas companhias.
Além disso, muitas startups sofreram downrounds e descobriram que a empresa vale, na verdade, menos do que anunciando na última rodada de captação de investimento. Foi o caso da Instacart, uma startup de entrega de alimentos, que em março de 2021 tinha um valuation de US$ 39 bilhões e em outubro de 2022 foi avaliada em US$ 13 bilhões de dólares.
Em decorrência desse ambiente desafiador, as empresas passaram a perceber uma elevação de seu CAC, que é o Custo de Aquisição de Clientes, para manter seus negócios rentáveis em um sinal claro de que essas companhias estão tendo dificuldades para atrair novos clientes de forma eficiente.
Assim, a aquisição de usuários deixa de ser a única preocupação e a geração de caixa passa a ser uma prioridade, já que nessa nova jornada não é possível prever quando conseguirão investimento e qual será o custo desse novo capital.
Baixe grátis: O guia para tomar decisões de gestão em tempos de incertezas
O que esses movimentos revelam sobre a maturidade de gestão nas empresas
A fase recente do mercado trouxe à tona um ponto que costuma ficar encoberto nos períodos de euforia: muitas empresas crescem antes de consolidar suas próprias bases de gestão. Quando as condições externas mudam, essa falta de estrutura aparece rapidamente, seja na dificuldade de priorizar, na lentidão para ajustar a estratégia ou na dependência excessiva dos fundadores.
Mesmo companhias que chegaram a valuations expressivos passaram a rever rituais, processos e formas de decisão. Não é apenas uma resposta ao cenário; é um reconhecimento de que, sem disciplina operacional e clareza estratégica, qualquer tese de crescimento fica mais frágil do que parece.
Programas como o G4 Gestão e Estratégia surgem justamente nesse ponto, aprofundando discussões sobre como líderes constroem sistemas mais consistentes para atravessar ciclos menos previsíveis, algo que hoje se tornou parte da agenda de praticamente todo fundador.
E essa mudança de perspectiva ajuda a entender o movimento mais amplo que vem acontecendo no mercado nos últimos anos.
Isso implica no fim dos unicórnios?
Todo founder almeja que sua startup seja bem-sucedida, entretanto, querer não significa nada sem um plano sólido e os meios para implementá-lo.
A verdadeira questão não é o que chamamos de unicórnios, mas que avaliações precisarão ser estabelecidas como marcos reais a partir de agora. Essa escala deslizante obviamente precisará de uma redefinição, assim como o próprio mercado.
Isso porque esse não é, necessariamente, o fim, mas uma mudança em que a sustentabilidade dos negócios e a atenção aos seus unit economics precisarão ser encarados com mais responsabilidade para a perenidade da organização.
O ambiente contemporâneo, conhecido como mundo V.U.C.A (volatility – volatilidade, uncertainty – incerteza, complexity – complexidade e ambiguity – ambiguidade),exige que se esteja preparado para desaprender continuamente para desfazer os mitos e procedimentos nocivos que levam tantas empresas ao declínio.
Dessa forma, o ato de obter uma avaliação US$ 1 bilhão – ou mais – poderá retornar ao status cobiçado e disputado que era antes.
G4 Gestão e Estratégia
Lidere o seu negócio e supere desafios com técnicas e práticas usadas pelas empresas que mais crescem no mundo.
ICE Score: o que é e como calcular
Conheça o método ICE Score e saiba como selecionar os testes e tarefas que mais importam, de uma maneira inteligente e rápida

Experiência do cliente: conheça 5 iniciativas para agradar seu público
Dominar e investir nas tendências de experiência do cliente se tornou o novo campo de batalha para as empresas

High Output Management: 5 insights do livro de Andy Grove que todo gestor deveria saber
Conheça os 5 insights que eu tirei do livro High Output Management, do Andrew Grove, que vão fazer de você um gestor melhor!