Cenário econômico: como ajustar decisões para 2026

• Última atualização em 09/01/2026

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Maria Isabel Antonini

9 janeiro 2026

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Muitos líderes entram em um novo ano com a sensação de estabilidade. Os indicadores recentes melhoram, o emprego cresce, a renda avança e o discurso predominante sugere que o pior já passou. Mas essa leitura superficial do cenário econômico costuma levar a decisões equivocadas.

O ambiente macroeconômico não é apenas um pano de fundo para as empresas, ele redefine o que é possível, acessível e rentável. Ignorar esse contexto não elimina seus efeitos, apenas reduz a capacidade de reação. Entender o “tabuleiro” antes de planejar é o primeiro passo para proteger margens, ajustar estratégias e atravessar ciclos econômicos mais desafiadores.

Esse é um dos temas centrais abordados no G4 Skills, em aula ministrada por Rodolpho Tobler, economista especializado em análise de conjuntura e dados macroeconômicos aplicados à tomada de decisão empresarial.

O mito do “ano estável” e a leitura incompleta do cenário econômico

Nos últimos períodos, alguns indicadores apresentaram melhora. Houve crescimento econômico, aumento da renda média e expansão do emprego formal. Em comparação com anos anteriores, o país parece estar em uma posição melhor. O problema é que essa melhora não significa estabilidade estrutural.

Crescimento não é sinônimo de conforto

Mesmo com avanços recentes, a economia ainda convive com fatores de pressão relevantes:

  • Inadimplência elevada;
  • Crédito mais caro e escasso;
  • Juros em patamar historicamente alto;
  • Inflação ainda acima do centro da meta;
  • Dólar em nível mais alto e volátil.

Esses elementos formam um ambiente mais restritivo para decisões de investimento, expansão e consumo. A conta do crescimento recente chegou e ela afeta empresas de forma direta.

O risco de planejar olhando apenas para o retrovisor

Empresas que constroem seus planos com base apenas no desempenho recente tendem a subestimar riscos. O cenário econômico é dinâmico, e decisões tomadas hoje produzem efeitos em um contexto diferente daquele observado no passado imediato.

Planejar sem considerar projeções, tendências e restrições futuras é, na prática, planejar para um cenário que já não existe.

O que os dados projetam para os próximos anos

Uma análise consistente do ambiente econômico exige olhar para frente. As projeções de médio e longo prazo ajudam a entender o espaço real de manobra das empresas.

Juros: queda lenta, patamar ainda elevado

As expectativas indicam que os juros devem iniciar um ciclo de queda gradual, mas permanecer em níveis altos por um período prolongado. Isso significa:

  • Crédito mais caro por mais tempo;
  • Maior seletividade dos bancos;
  • Pressão sobre investimentos intensivos em capital;
  • Necessidade de foco em rentabilidade, não apenas crescimento.

Inflação e dólar: menos pressão, mais vigilância

A inflação tende a perder protagonismo como principal problema, mas ainda exige monitoramento. O dólar, por sua vez, mostra tendência de estabilização em um patamar mais alto do que o observado em anos anteriores, com episódios de volatilidade associados a choques externos.

Esse conjunto impacta custos, preços de insumos, contratos e margens, especialmente em empresas expostas ao mercado internacional.

Crescimento econômico: moderado e desigual

As projeções apontam para crescimento próximo a 2%, com melhor composição, mas sem aceleração significativa. Isso implica um ambiente competitivo mais intenso, no qual eficiência operacional e clareza estratégica fazem mais diferença do que apostas expansionistas pouco fundamentadas.

Como o cenário macroeconômico afeta as empresas na prática

O impacto do cenário econômico não é abstrato. Ele chega à empresa de forma concreta, redefinindo decisões operacionais e estratégicas.

Indústria

  • Crédito caro posterga modernizações e expansão de capacidade;
  • Dólar afeta o custo de insumos e a competitividade das exportações;
  • Decisões de investimento exigem horizonte mais longo e maior rigor.

Varejo

  • Consumo desacelera em categorias não essenciais;
  • Clientes pesquisam mais e compram menos;
  • Preço, valor percebido e eficiência logística ganham centralidade.

Serviços B2B

  • Orçamentos mais restritos;
  • Ciclos de venda mais longos;
  • Necessidade de demonstrar impacto claro e retorno mensurável.

Serviços B2C

  • Inadimplência pressiona retenção;
  • Consumidor prioriza soluções com valor imediato;
  • Experiência e clareza de proposta tornam-se diferenciais competitivos.

Startups

  • Rodadas de investimento menores;
  • Foco absoluto em rentabilidade;
  • Revisão de estruturas, custos e expectativas de valuation.

O ponto central é que o macro bate à porta e empresas que não se adaptam rapidamente perdem competitividade.

O problema não é o cenário, é a falta de reação

Ambientes econômicos desafiadores não são exceção, eles fazem parte do ciclo. O verdadeiro risco está em não ajustar a estratégia à realidade.

Empresas que tratam o cenário econômico como algo externo, imutável ou fora do controle tendem a reagir tarde demais. Já aquelas que incorporam o contexto econômico à tomada de decisão conseguem:

  • Ajustar planos com antecedência;
  • Proteger margens;
  • Redefinir prioridades;
  • Evitar apostas desalinhadas com o ambiente real.

Blindar o negócio não significa paralisar, significa decidir melhor.

Por que entender o cenário econômico se tornou indispensável

Tomar decisões em ambientes mais incertos exige mais do que intuição. O cenário econômico passou a impactar diretamente preço, custo, crédito e comportamento do consumidor, tornando a leitura de contexto uma competência essencial para líderes.

No G4 Skills, esse tema é tratado de forma aplicada, conectando dados macroeconômicos à realidade das empresas. A aula é ministrada por Rodolpho Tobler, mestre em Economia e Finanças pela FGV (EPGE), com atuação no FGV IBRE desde 2011 e especialização em mercado de trabalho, atividade econômica e Custo Brasil.

A proposta é apoiar gestores na interpretação do cenário e no ajuste de decisões estratégicas em um ambiente econômico mais restritivo e volátil.

Por que líderes precisam entender economia

A economia deixou de ser um tema distante do dia a dia da gestão. Juros, inflação, crédito e câmbio influenciam diretamente no preço, custo, demanda e financiamento.

Economia como ferramenta de decisão

Líderes não precisam dominar modelos teóricos complexos, mas precisam entender como o cenário econômico afeta:

  • O caixa;
  • O custo de capital;
  • O comportamento do cliente;
  • O timing das decisões estratégicas.

Sem essa leitura, a empresa passa a operar no escuro.

Como ajustar o plano ao cenário 

A pergunta central não é se o cenário vai melhorar, mas se o plano da empresa está ajustado à realidade atual. Para isso, alguns movimentos se tornam essenciais:

  • Revisar projeções financeiras com premissas realistas;
  • Avaliar dependência de crédito e custo de capital;
  • Reforçar foco em eficiência e rentabilidade;
  • Priorizar decisões que aumentem resiliência.

Planejar bem não elimina incertezas, mas reduz vulnerabilidades.

Quem entende o tabuleiro decide melhor

O cenário econômico redefine o jogo constantemente. Crescimento moderado, juros elevados e maior seletividade exigem líderes mais preparados, estratégicos e atentos ao contexto.

Blindar o negócio em 2026 passa menos por esperar um cenário ideal e mais por entender o tabuleiro, ajustar o plano e reagir com rapidez e clareza. Empresas que fazem isso constroem vantagem competitiva justamente quando o ambiente se torna mais desafiador.

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