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Venda de discos de vinil: indústria de músicas gravadas fatura quase US$15 bi nos EUA em 2021


A venda de discos de vinil, que já estava em um movimento de alta há vários anos, finalmente voltou a ser assunto dentro das grandes gravadoras que, agora, posicionam-se para efetivar novos lançamentos e ampliar os seus catálogos.

A indústria fonográfica vem passando por diversas mudanças ao longo dos anos. Em 1930, o primeiro disco de vinil de longa duração (LP) foi lançado comercialmente pela empresa RCA Victor. Na sequência, o vinil deu lugar às fitas de 8 faixas e as cassetes foram desaparecendo à medida que os CD’s conquistaram o mundo – até surgirem, é claro, os serviços de streaming.

Mas, antes de qualquer coisa, interessante se faz uma diferenciação entre a indústria da música e a indústria fonográfica, erroneamente posicionadas como sinônimos, para explorarmos a ascensão do faturamento das empresas envolvidas na produção de vinil – uma mudança sísmica no mercado e no comportamento do consumidor.

Indústria da música e indústria fonográfica: uma distinção necessária

Em linhas gerais, falar de indústria da música é fazer menção a um termo mais amplo. Serviços de streaming, empresas de licenciamento, empresários de artistas e promotores de eventos… — todas essas pessoas e companhias fazem parte do mercado — e entrelaçadas (mas independentes) se unem para determinar como ele funciona.

A indústria fonográfica, por outro lado, é uma espécie da qual a indústria da música é gênero. Ela é uma subseção do universo musical que lida, especificamente, com a produção (ou seja, gravação) e subsequente promoção e distribuição de faixas. Dentre os maiores interessados no setor, estão as gravadoras que, nos Estados Unidos, são representadas pela Recording Industry Association of America (RIAA). 

Embora serviços como Spotify, iTunes e Pandora não tenham substituído o fluxo de dinheiro que as vendas de CDs forneciam, eles reverteram a lógica do setor. Pela primeira vez neste milênio, a indústria fonográfica registrou um aumento na receita por dois anos consecutivos.

(Na imagem: distribuição da receita da indústria musical por categoria)
(Crédito: Statista)

Conforme o gráfico acima, embora tenha demorado um pouco para os consumidores se acostumarem a pagarem por uma assinatura de música premium, hoje há uma sólida base de usuários. O streaming é agora o formato mais comum de música com uma expressiva fatia do mercado norte-americano e dita as tendências do que é inovação. Vejamos como os demais formatos se comportaram nos últimos anos:

(Na imagem: transformação no mercado musical norte-americano)
(Crédito: Statista)
 

Ainda que fique claro como a venda de CDs caiu drasticamente na última década, ainda assim, as vendas em formato físico ocupam o 2º lugar em receita desse ecossistema.

Se há algo que merece destaque no segmento de formato físico para impulsionar essa recuperação, com certeza se trata do vinil – um modelo de negócios que parecia ultrapassado, mas que, desde 2017, quando as suas vendas atingiram o recorde de 25 anos, continua se expandindo lenta e constantemente.

O que está acontecendo com a venda de discos de vinil?

É inegável que os discos de vinil têm uma história e uma base científica tão fascinantes quanto o incrível ressurgimento da sua popularidade.

Em 1877, Thomas Edison estava trabalhando em duas de suas criações mais notáveis, o telefone e o telégrafo, quando acabou inventando, no processo, o fonógrafo como uma forma de reproduzir sons gravados. Em uma edição de junho de 1878 da North American Review, Edison escreveu que visualizava a “reprodução de música” como um uso futuro do dispositivo – dito e feito.

Vale lembrar que o rádio, nascido aproximadamente ao mesmo tempo que os primeiros tocadores de fonógrafo disponíveis comercialmente, teve uma longa e íntima conexão com os discos de vinil.

Paulatinamente, porém, essa relação começou a se deteriorar, no início dos anos 1980, quando os CD’s chegaram ao mercado. Os discos de plástico eram mais leves, menores, mais duráveis, mais fáceis de armazenar, mais rápidos para gravar músicas e capazes de mostrar o tempo restante em uma faixa.

Durante anos, a maioria das estações manteve pelo menos um toca-discos funcionando para uma eventual necessidade, hoje, no entanto, eles praticamente desapareceram das cabines de transmissão.

Do lado do consumidor, de igual modo, comprar e vender disco de vinil foi ficando cada vez mais obsoleto, com o surgimento da fita cassete e do Walkman – pela primeira vez, a música gravada se tornou portátil e, daí em diante, a tecnologia nunca mais olhou para trás.

Aos amantes da música, então, sobrou tratar o vinil com uma espécie de “item de colecionador”, tentando extrair dele uma qualidade de áudio intangível – que alguns dizem, inclusive, escapar à tecnologia da gravação digital.

Impulsionado por essa nostalgia, desde 2008, com a criação do Record Store Day – um dia para celebrar as lojas de discos independentes dos EUA e a cultura única desses centros dedicados à música – tem havido um interesse crescente por LP’s em comparação a outros meios. 

(Na imagem: vendas de vinil nos EUA)
(Crédito: Statista)

Como se pode observar, as vendas de vinil aumentaram de forma constante, com um crescimento de 46% nas vendas apenas de 2019 a 2020. Segundo dados publicados pela revista Billboard, os vinis responderam por 26% das vendas de todos os álbuns em formatos físicos nos Estados Unidos em 2019.

De acordo com a Recording Industry Association of American, no primeiro semestre de 2020, o álbum de vinil superou as vendas de CDs pela primeira vez desde 1986.

Em um panorama macro, suas vendas saltaram 61% em 2021, o equivalente a US$1 bilhão de faturamento, o maior desde 1986, segundo a RIAA. Considerando-se o negócio de música gravada como um todo nos EUA, o registro de receita quase bateu o recorde anotando US$ 15 bilhões neste mesmo período.

Contudo, essa demanda inédita levou a sérios gargalos em fábricas de prensagem de todo o mundo. No início de 2021, por exemplo, o preço do PVC, matéria-prima utilizada na sua confecção, disparou em mais de 46%. E, atualmente, algumas empresas têm até 8 meses de tempo de espera para receber pedidos e enviar.

Nas palavras de Jack White (líder do White Stripes e fundador da Third Man Records):

“O vinil foi escrito na rocha. Acho que se foi feito há mais de 120 anos, estará aqui para sempre”.

É inquestionável que a venda de vinil está em alta agora, com muitas gravadoras e artistas lançando vários itens “exclusivos” para atrair o consumidor. Nesse sentido, um alinhamento entre marketing e vendas de varejistas on-line como o Magnolia Record Club oferecem diversas opções de vinil colorido para muitos álbuns recém-lançados, focando em um rápido crescimento no mercado (uma verdadeira estratégia de Growth Hacking).

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Considerações finais: o retorno da música retrô

Nenhuma indústria na história adotou tecnologias e inovações tão rápido quanto a música nos últimos dez anos – democratizando o acesso aos serviços de streaming em uma velocidade impressionante através de startups e, agora, trabalhando para impulsionar uma nova geração de aplicativos sociais, experiências imersivas compartilhadas e uso de blockchain e NFT’s.

Apesar disso, diversos fatores contribuíram para o retorno da música retrô, entre eles podemos citar a crescente nostalgia por formatos antigos, um novo senso de comunidade e a qualidade sonora do vinil.

A loja de discos, por exemplo, proporciona uma experiência única aos fãs de música, criando um inédito senso de comunidade no percurso entre prateleiras para encontrar algum volume raro – uma sensação única que o mundo online simplesmente não conseguiu replicar.

Outro aspecto que o serviço de streaming digital não conseguiu alcançar é a “pureza” sonora. Isso porque os formatos de música digital, como os MP3’s, normalmente comprimem arquivos de som para reduzir seu tamanho. Entretanto, durante essa compressão há também uma redução da qualidade do áudio, algo já reclamado há muito tempo por ícones do mercado, como o roqueiro Neil Young. 

Além disso, a diversidade de música gravada em discos de vinil também ajudou a pavimentar o caminho para décadas de criação.

Ainda assim, como o The New York Times bem observou, a dificuldade em produzir discos de vinil suficientes para atender à demanda, por causa de um número limitado de fábricas de prensagem e máquinas envelhecidas, está tornando esses itens cada vez mais caros, obstaculizando a sua aquisição.

Seja como for, o vinil continua a ter ganhos pelo 15º ano consecutivo, avançando, ao lado do streaming, ano após ano. Resta saber como os fabricantes evitarão o colapso se essa tendência persistir.

Dito isso, se você achou interessante como artistas e gravadoras se utilizam do Growth Hacking para a venda de discos de vinil, alavancando seus resultados no mundo da música e gostaria de poder replicar as melhores práticas para escalar o seu negócio, conheça  o curso de Growth Online, do G4 Educação, e domine a metodologia utilizada pelas empresas que mais crescem no mundo.

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