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As propostas dos candidatos à presidência 2022 para a economia e os negócios brasileiros


As propostas dos candidatos à presidência 2022 para a economia e os negócios brasileiros

Propostas dos candidatos à presidência para 2022 delineiam um caminho de continuidade de uma economia brasileira que já mostra crescer com mais otimismo, mas claro, com cada um dos presidenciáveis puxando a sardinha para o seu lado.

No próximo domingo, 2 de outubro, acontecerá o 1º turno das eleições presidenciais do Brasil. A pessoa que ocupará a cadeira pelos próximos quatro anos pode ser anunciada já neste domingo, mas em caso de indefinição, a resolução pela disputa ficará para o 2º turno, previsto para o dia 30 de outubro.

De uma forma ou de outra, ao momento em que esse texto vai ao ar, temos um recorte de no máximo um mês para conhecer o (a) futuro (a) presidente do Brasil. 

O que precede uma eleição geralmente é a ideia de que tempos turbulentos acenam no horizonte. Porque no final das contas, são estratégias antagônicas, que se agarram na vilania da outra para sobrepor suas premissas. A polarização cria tensão, divide e prepara esse cenário de turbulência, independente de quem for comandar o país. 

O G4 Educação entende que empreender é desafiador, ainda mais diante desse contexto. Com o propósito de ajudar donos de negócios a tomar as decisões mais assertivas em tempos de incerteza, nesta semana, estamos promovendo a série de talks “Gestão em Tempos Turbulentos”.

Na primeira conversa da nossa série, Tallis Gomes, fundador de G4 Educação, Singu e Easy Taxi, recebeu Florian Bartunek, sócio-fundador da Constellation Asset Management; e Andre Portilho, sócio e diretor de Ativos Digitais do Banco BTG Pactual e Head da Exame Academy.

O papo foi sobre o cenário macroeconômico global e nacional e como isso pode afetar as empresas brasileiras ainda no último trimestre de 2022, tão decisivo. Você pode complementar sua experiência de leitura assistindo ao talk:

Embora sempre haja preocupações e ressalvas quanto ao acesso ao capital de giro, a expectativa é que as eleições não afetem demais os negócios, independentemente do resultado, analisa Florian Bartunek. 

Há muita especulação durante a campanha eleitoral, mas de forma pragmática, como os três da bancada defendem, sempre há diferenças entre o que é dito durante o processo de campanha e o que é de fato executado no mandato. 

Indicadores como taxa de juros e inflação começam a recuperar o fôlego, mas se voltarem a aumentar, não terão uma elevação significativa de taxa de grandeza, defende, por sua vez, Andre Portilho. As instituições são relativamente fortes e a tendência é que não haja mudanças importantes no mercado empresarial como um todo. 

A ideia é que seja um governo de recuperação, transacional, sob as premissas econômicas que vêm sendo moldadas no Brasil nos últimos anos. O Brasil possui a 6ª menor inflação do G20 em 2022 e aumentou de 2,5% para 3,25% a projeção para o crescimento do seu PIB (Produto Interno Bruto), segundo o BofA (Bank of America).

Mas estamos vivendo um momento polarizado, o que fortalece interpretações mais emocionais e menos racionais, por isso é preciso pensar de maneira mais estratégica. 

Momento polarizado esse que serviu como base para o segundo talk da série “Gestão em Tempos Turbulentos”, no qual dessa vez Tallis Gomes recebeu Tay Dantas, Sócia, Diretora de Marca e Marketing de Produto do G4 Educação; e Marcos Do Val, senador da República pelo Estado do Espírito Santo, eleito o 2º melhor parlamentar do Brasil e melhor senador pelo ranking dos políticos, ex-instrutor da SWAT nos EUA e empreendedor.

Você pode complementar sua experiência de leitura assistindo ao talk:

Foram discutidos temas como imposto sobre grandes fortunas e seu impacto no Congresso; como serão as políticas de estatização e privatização nos próximos anos; e como uma possível gestão presidencial dos dois candidatos à frente da pesquisa eleitoral poderá impactar o empreendedor brasileiro.

Continuidade não abre margem para mudança, mas abre para empreendedores tomarem mais riscos. Já em um novo governo, acredita-se que o natural seja ver um movimento de retração do capital até a normalização desse cenário. 

De um jeito ou de outro, especialistas do mercado parecem adotar uma postura pragmática, sem muito entusiasmo ou pessimismo. Diante de tanta emoção e comoção envolvida pelo clamor público, para políticas populistas, soa bem ouvir palavras em tom sóbrio sobre os possíveis desdobramentos.

De fato, o avião está entrando em um céu carregado de nuvens. Vai tremer. Adaptar-se e estar preparado para mover-se rapidamente parece um imperativo àqueles que desejam ter sucesso em tempos turbulentos, mesmo que no recorte econômico as coisas parecem estar mais discretas do que o pintado pelas estratégias antagônicas, rocambolescas em suas vilanias.

Vejamos quais são as propostas dos principais candidatos à presidência do Brasil em 2022 e como elas podem afetar a vida dos empreendedores brasileiros.

As propostas dos candidatos à presidência do Brasil em 2022 sob uma ótica de negócios

Os quatro candidatos que configuram maiores porcentagens nas pesquisas divulgadas pelos diversos institutos especializados no Brasil são Ciro Gomes, Jair Bolsonaro, Luiz Inácio Lula da Silva e Simone Tebet.

Ciro Gomes (PDT) intitula seu plano de governo como “Projeto Nacional de Desenvolvimento (PND)”, cujas premissas giram em torno de retomar o crescimento de forma economicamente sustentável, com a geração de empregos e a garantia da estabilidade de preços.

O candidato à reeleição, Jair Bolsonaro (PL), coloca a “liberdade” como eixo central de suas propostas, afirmando em seu plano de governo que ela “é tão importante quanto a própria vida”.

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresenta um “programa de reconstrução e transformação do Brasil”, com um regime fiscal baseado na credibilidade, previsibilidade e sustentabilidade para atrair investimentos.

Simone Tebet (MDB), em seu plano de governo, diz que o país precisa de uma “verdadeira reconstrução, ampla e abrangente”, que vai além da economia, mas começa por ela.

Essas são informações retiradas dos documentos oficiais de plano de governo divulgados por cada um dos candidatos, assim como os fatos conseguintes. Cada um dentro de sua própria perspectiva sobre crescimento e prosperidade, o que os presidenciáveis têm a oferecer economicamente para os empreendedores do Brasil?

Ciro Gomes (PDT)

Atual candidato à presidencia Ciro Gomes.
Ciro Gomes. (Crédito: Wikimedia Commons)

No plano de governo de Ciro Gomes, os destaques do ponto de vista econômico são:

  1. Redução de subsídios e incentivos fiscais em 20%, com queda nas despesas de aproximadamente R$ 70 bilhões; 
  2. Recriação do imposto sobre lucros e dividendos distribuídos, o que geraria R$ 70 bilhões em receitas; 
  3. Taxação das grandes fortunas (0,5% para fortunas acima de R$ 20 milhões); 
  4. Imposto único (ISS, IP, ICMS, PIS e Cofins); 
  5. Direitos para trabalhadores intermediados por aplicativos; 
  6. Mudança na política de preços da Petrobrás e ampliação da capacidade de suas refinarias; 
  7. Crédito popular: refinanciar dívidas das famílias e das empresas. 

Os destaques do plano de governo de Ciro Gomes deixam rastros do caminho que o pedetista pretende seguir: reduzir subsídios e incentivos a empresas privadas para fortalecer a receita do Estado.

Além disso, quer recriar os impostos sobre lucros e dividendos, adotar o princípio do orçamento base zero e a taxação de grandes fortunas, enquanto propõe uma menor tributação sobre o consumo. 

Ciro quer estimular o setor produtivo, com ênfase nas indústrias do petróleo, gás e derivados. Se eleito, tende a estreitar laços com o Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) para se tornar o grande financiador e estruturador de seus projetos.

Outro ponto de destaque é a negociação do “elevado endividamento privado de famílias e empresas”, que contarão com taxas de juros amenas e prazos mais extensos para pagamento. A medida será apoiada pelos bancos públicos, mas privados poderão aderir. 

Jair Bolsonaro (PL)

Atual presidente, candidato à reeleição Jair Bolsonaro.
Jair Bolsonaro. (Crédito: Marcos Correa President Braz Poolfoto ZUMAPRESS.com ,EDITORIAL USE ONLY)

No plano de governo de Jair Bolsonaro, os destaques do ponto de vista econômico são:

  1. Avanço e consolidação das políticas de geração de emprego e renda; 
  2. Consolidação do ajuste fiscal no médio e longo prazo; 
  3. Esforços para garantir a estabilidade econômica e sustentabilidade da trajetória da dívida pública; 
  4. Privatização de estatais, o que contribuiria para um reordenamento do papel das empresas na economia do país. 

Os destaques do plano de governo de Jair Bolsonaro deixam rastros do caminho que o atual presidente pretende seguir: liberdade econômica como mecanismo para promover o bem estar social. 

A criação de empregos será uma das prioridades de um novo mandato e isso será feito “de maneira independente dos interesses e preconceitos ideológicos”, com a liberdade como valor máximo atribuído à democracia brasileira. 

O plano de governo defende a privatização de estatais, com o argumento de melhorar a administração pública, e a realização de uma ampla reforma tributária, para simplificar a distribuição de impostos. 

Não apresenta oficialmente, entretanto, propostas para enfrentar a inadimplência ou as dívidas dos empreendedores brasileiros. A aposta do candidato seria no – mencionado em seu plano de governo – “ciclo da prosperidade”, que começaria com o aumento de empregos e chegaria ao aquecimento do consumo e na geração de impostos e receitas. 

No documento, Bolsonaro ainda se compromete a trabalhar pelo ingresso do Brasil em entidades internacionais de promoção do livre comércio.

Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

Ex-presidente, atual candidato à presidencia Luiz Inácio Lula da Silva
Luiz Inácio Lula da Silva. (Crédito: Wikimedia Commons)

No plano de governo de Luiz Inácio Lula da Silva, os destaques do ponto de vista econômico são:

  1. Revogar o teto de gastos e rever o atual regime fiscal brasileiro; 
  2. A tarefa prioritária será coordenar a política econômica para combater a inflação e enfrentar a carestia, em particular a dos alimentos, dos combustíveis e da eletricidade; 
  3. Retomada dos investimentos em infraestrutura e em habitação; 
  4. Reforma tributária solidária, justa e sustentável;
  5. Retomada da política de valorização do salário mínimo visando à recuperação do poder de compra de trabalhadores; 
  6. Plano estratégico e de investimentos para a Petrobrás orientados para a segurança energética, a autossuficiência nacional em petróleo e derivados e a garantia do abastecimento de combustíveis no país. 
  7. Uma nova legislação trabalhista de extensa proteção social a todas as formas de ocupação, de emprego e de relação de trabalho, com especial atenção aos autônomos. 

Os destaques do plano de governo de Luiz Inácio Lula da Silva deixam rastros do caminho que o ex-presidente pretende seguir: revogar “os marcos regressivos da atual legislação trabalhista”, a retomada de investimentos governamentais em infraestrutura e a reindustrialização nacional.

No documento, o candidato defende a revogação da lei do teto de gastos e levanta a discussão sobre a legislação trabalhista, alterada na reforma de 2019. Tal qual Ciro Gomes, Lula enxerga um Brasil que reduz a tributação do consumo e aumenta os impostos pagos pelos mais ricos.

Seu plano também prevê que o governo estimule investimentos privados por meio de crédito, concessões, parcerias e garantias. Também cita tecnologia e inovação, para fomentar um ecossistema de economia criativa. 

Em relação às estatais, o projeto cita a “recuperação do papel da empresa como patrimônio do povo” e propõe o fim da Política de Paridade Internacional de preços da Petrobras (PPI).

O petista pretende lidar com as dívidas dos empreendedores brasileiros por meio dos bancos públicos e de incentivos para que as instituições privadas ofereçam condições adequadas aos devedores. Isso seria feito por meio da disponibilização de uma parte dos depósitos compulsórios que os bancos fazem junto ao Banco Central (BC).

Simone Tebet (MDB)

Simone Tebet, atual candidata à presidência 2022 do Brasil.
Simone Tebet. (Crédito: Senado Federal)

No plano de governo de Simone Tebet, os destaques do ponto de vista econômico são:

  1. Colocar os princípios da sustentabilidade e da economia verde no centro de todas as políticas públicas, voltadas à descarbonização e em favor da redução, compensação, adaptação e mitigação dos efeitos das mudanças climáticas;
  2. Retomar o crescimento sustentável da economia, mantendo a inflação sob controle e as contas públicas em ordem, impulsionando o aumento da renda, a geração de emprego e de oportunidades de trabalho;
  3. Restaurar o cumprimento do tripé macroeconômico, com metas de inflação críveis e respeitadas, responsabilidade fiscal e câmbio flutuante;
  4. Combater a inflação de forma permanente, com política fiscal responsável, contribuindo de forma positiva para a efetividade da política monetária sob comando do Banco Central independente; 
  5. Reorganizar as regras fiscais e torná-las executáveis, dando maior clareza, coerência e transparência aos indicadores das contas públicas, com a modernização do capítulo de Finanças Públicas da Constituição Federal.

Os destaques do plano de governo de Simone Tebet deixam rastros do caminho que a candidata pretende seguir: a restauração do cumprimento do tripé macroeconômico, com metas de inflação “críveis e respeitadas”, responsabilidade fiscal e câmbio flutuante.

No documento, a prioridade para os primeiros seis meses de governo é uma reforma tributária que modifique os impostos sobre consumo e elimine a atual retroatividade do imposto de renda. 

Simone pretende estimular a privatização, através de concessões e parcerias público-privadas, com o objetivo de “criar maior competição, eficiência e aumento de produtividade da economia”.

A candidata não faz menção ao endividamento dos empreendedores brasileiros em seu plano de governo, mas pretende estimular o desenvolvimento de novas instituições financeiras. Desse jeito, quer promover a competição e barateamento dos serviços, criando um mecanismo de fortalecimento das garantias. 

Segundo a candidata, a relação criada pela garantia reflete numa taxa de juros menor oferecida pelas instituições e, consequentemente, em mais crédito gerado.

Tempos turbulentos virão, mas as propostas dos candidatos à presidência 2022 mostram perspectivas otimistas para o Brasil

Independente do clamor pelas eleições presidenciais, para entender esse cenário de maneira estratégica, é necessário buscar equilíbrio entre otimismo e pessimismo.

Quando pensamos em um nível macro, momentos de crise tendem a incitar o medo, desestimulando a geração de valor. Em contrapartida, quando analisamos o micro, existem oportunidades que podem ser aproveitadas. 

Florian Bartunek, sócio-fundador da Constellation Asset Management, traz uma reflexão importante em nosso primeiro talk da série “Gestão em Tempos Turbulentos”. 

Se em 2002, vinte anos atrás, você dissesse para algum grande CEO que, de lá para cá, viveríamos boas recessões globais, um impeachment e uma pandemia, ele retiraria o time de campo. Mas quantos, ao não saber das circunstâncias, não tiraram e criaram negócios extraordinários?

Portanto, o ideal é ser pragmático: a curto e médio prazo e pensando no custo e no acesso ao capital, a sugestão é cuidar das finanças, aproveitando as oportunidades preparado e com cautela, e se possível, mantendo os investimentos.

O Brasil não parece, economicamente, caminhar ladeira abaixo, independente de quem ocupar a cadeira mais alta do executivo. Será uma perspectiva mais populista ou uma mais alinhada aos interesses dos grandes empresários? 

À ver, mas parece que ambas as vias lutarão para construir um Brasil mais sustentável do que fora nos últimos quatro anos, surrado por uma pandemia e uma série de situações desfavoráveis.

A série de talks sobre “Gestão em Tempos Turbulentos” é inteiramente gratuita e acontece ao vivo até hoje, 29 de setembro. Depois disso ela ficará armazenada no nosso canal do YouTube, portanto, acompanhe e ganhe o imperativo da adaptabilidade para sobreviver com mais facilidade em tempos de turbulência.

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