Tudo sobre Gestão 4.0

Princípio de Pareto: o que é e como funciona?

O Princípio de Pareto é extremamente conhecido entre os profissionais de marketing e departamentos comerciais, porém, possivelmente, não por este nome, mas sim pelo conceito 80/20.

O Princípio de Pareto é uma definição muito eficaz quando o assunto é potencializar a sua performance funcional, mas, o que algumas pessoas não sabem, é que esse conceito também se aplica a outras áreas de negócio e, até mesmo, na nossa vida pessoal.

Dito isso, abordaremos todos os detalhes sobre esta diretriz e sua aplicabilidade nas mais diversas facetas do meio corporativo.

Quem criou o Princípio de Pareto?

Em 1906, o economista italiano Vilfredo Pareto publicou um artigo abordando a desigualdade na Itália, enfatizando que 80% das terras do país pertenciam a 20% da população.

(Na foto: Vilfredo Pareto)

A lógica, inicialmente apontada pelo viés econômico, passou a ganhar vida também em outras áreas como ciência da computação, o esporte, a saúde, a segurança e muitos outros.

Posteriormente, o consultor de negócios Joseph Moses Juran passou a implementar o Princípio de Pareto dentro do ambiente corporativo.

O que é o Princípio de Pareto?

Em termos simples, o Princípio de Pareto consiste em dizer que 80% das consequências são resultado de 20% das causas.

Utilizemos o seguinte raciocínio: imagine que você, empreendedor, que trabalha exaustivamente por 12 horas por dia, incluindo finais de semana e feriados, descobre que pode executar todas essas tarefas exercendo uma jornada de até quatro horas. Apesar de soar um tanto irreal, trata-se de um método que possibilita performar ainda melhor, potencializando ainda mais sua lucratividade.

Para exemplificar, tomemos o caso de Tim Ferriss, um dos maiores palestrantes e podcasters da atualidade, empresário e investidor anjo e autor do best-seller “Trabalhe 4 horas por semana”.

  • Durante o seu primeiro emprego, em uma sorveteria, ele compreendeu que poderia executar todo o trabalho em apenas duas horas;
  • Para isso, ele passou a mapear e otimizar processos para executar as atividades com mais rapidez e assertividade;
  • Em outras palavras, ele usava 20% do esforço para ter a mesma efetividade. Essa alta efetividade, no entanto, gerou insatisfação por parte de seu patrão já que, ao finalizar seus afazeres de forma rápida, Ferriss ficava o resto do expediente lendo gibis, e isso resultou na sua demissão.
(Na foto: Tim Ferriss) (Crédito: CNBC / Amy E. Price / Getty Images)

Fazendo um paralelo com o momento atual do mercado, é possível notar que, muitas vezes, 20% dos investimentos em publicidade podem ser responsáveis por 80% do faturamento da companhia.

“Em muitas campanhas de Facebook Ads, mais de 80% do resultado geralmente vem de 1 ou 2 anúncios. Identifique o que está funcionando e veja como potencializar. Elimine o que não está contribuindo para conversões e aprenda com os erros”

Heitor Siviero
Head de Marketing & Produtos no Gestão 4.0

Em contrapartida, é importante salientar que o Princípio de Pareto não é uma ciência exata, com zero margem de erro, e existe o percentual de possibilidade de falha. No entanto, partindo deste conceito, é melhor investir no que possui um maior percentual de eficácia, pois é o que gera 80% de renda.

O mesmo raciocínio se encaixa excelentemente quando aplicado em instituições financeiras, recursos humanos, processos, logística, entre outros setores.

Como aplicar o Princípio de Pareto no seu negócio?

Separe tarefas para os colaboradores

Se 20% dos profissionais executam com assertividade 80% do trabalho, logo, teoricamente, eles merecem mais atenção. Contudo, na prática, não necessariamente funciona assim já que estamos falando de pessoas que tem peculiaridades, pontos fortes e fracos, formatos de trabalho que produzem mais, enfim, uma série de indicadores que precisam ser levados em consideração.

Neste contexto, o essencial é colocar as pessoas nas posições certas, considerando suas potencialidades.

Por exemplo, imagine uma loja de roupas onde o profissional é excelente em vendas, mas não tem um desempenho tão bom em controle de estoque. Para uma situação como essa, é mais estratégico direcionar esse colaborador para o atendimento aos clientes e deslocar outro colaborador para cuidar das mercadorias que chegam no estabelecimento.

Defina quais são as prioridades

Muitos gestores erram nessa parte do trabalho, perdendo tempo com atividades pouco relevantes. De acordo com uma pesquisa conduzida pela Salary.com, mais de 15 horas por semana são perdidas por falta de produtividade entre os trabalhadores, ou seja, uma gestão de tempo ineficiente.

Se exemplificamos, pense que você monta um restaurante e, visando impressionar a clientela, decide elaborar um cardápio com centenas de itens, porém sabendo que seu faturamento se concentra em 20% do menu. Neste caso, é melhor otimizar essa parcela de 20%, inclusive reduzindo custos para aperfeiçoar outras áreas estratégias do negócio.

Visando melhorar o gerenciamento do fluxo financeiro com foco no projeto de expansão da companhia, a orientação é colocar as contas na ponta do lápis e concentrar mais energia no que efetivamente é mais interessante para a empresa.

Priorize a qualidade de vida

Como antes mencionado, o Princípio de Pareto também pode ser aplicado a questões pessoais devido a que qualidade de vida tem impacto não só no nosso bem-esta, de uma forma geral, mas também na nossa performance funcional.

Profissionais mais satisfeitos e felizes geram mais resultados e, consequentemente, ajudam seu negócio crescer. Portanto, identifique os 20% das tarefas que você realiza que equivalem a 80% dois seus resultados e, a partir disso, invista o seu tempo (ou oriente seus funcionários) nas tarefas que geram mais rentabilidade, sem perder tempo com aquilo que não tem impacto positivo no negócio.

Se esforce pelo tempo necessário

Apesar de que muitos possuam a mentalidade ou vem de uma cultura onde trabalho árduo e incessante é igual a resultado, vale lembrar que mente e corpo humano também precisam de descanso.

Por exemplo, um arquiteto que trabalha sempre no limite da exaustão, constantemente estressado e elaborando projetos para empreendimentos residenciais. No longo prazo, por conta dessa exaustão física e mental, esse profissional talvez enfrente dificuldades de desempenho e passe a entregar projetos que não impactam tão positivamente a vida das pessoas.

Portanto, ao invés de exigir que profissionais trabalharem durante inúmeras horas, o mais estratégico é investir em mecanismos que façam com que eles produzam mais e, ao mesmo tempo, fiquem cada vez mais motivados.

Como você, profissional, pode aplicar o Princípio de Pareto na sua performance?

Até aqui, abordamos o conceito sob a ótica do gestor, mas saiba que essa metodologia pode ser aplicada no dia a dia funcional de qualquer funcionário/profissional, principalmente quando nos referimos a trabalho remoto onde precisamos otimizar nosso tempo e performance profissional dentro das nossas próprias residências. Neste caso, separamos algumas boas práticas:

(Crédito: Holmes)
  • Matriz de Eisenhower: este é o momento de definir as prioridades do seu dia. Dentro da matriz, é aconselhável fazer um checklist que tenham os seguintes elementos como pilares: urgência e importância;
  • Resuma os relatórios: relatórios muito extensos acabam confundindo as pessoas além de prejudicar o acesso à informação;
  • Redução de reuniões (número e duração):  reuniões mais curtas e objetivas otimizam o tempo e o trabalho no dia a dia. Inclusive, é bem importante definir a pauta do que vai ser discutido com antecedência e manter o foco momentos antes e, sobretudo, durante e a reunião.

Conclusão

Como vimos até aqui, o Princípio de Pareto visa agregar não só valor ao trabalho dos profissionais, mas também proporcionar uma mútua cooperação pautada pela qualidade de vida e alta performance em menor tempo entre eles e as empresas para as quais trabalham.

Em virtude das constantes mudanças no mundo do trabalho, aplicar métodos que potencializem a produtividade profissional e, ao mesmo tempo, o bem-estar do colaborador, certamente é um viés a ser bastante considerado no meio corporativo.