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Quais são os 3 pilares de governança nas empresas familiares?


Governança nas empresas familiares

Governança é a forma como as companhias são dirigidas, controladas e responsabilizadas para entregar seu propósito a longo prazo. Porém, quando se fala sobre o assunto, normalmente só é citada a corporativa, que é apenas um dos três eixos existentes na governança de empresas familiares.

Não há dúvidas de que as empresas familiares são um componente importante da economia, representando 75% do PIB global e empregando 75% da força de trabalho em todo o mundo, segundo dados da KPMG.

A realidade dos negócios familiares brasileiros e estrangeiros, no entanto, mostra que elas também enfrentam desafios únicos quando se trata de governança.

Segundo uma pesquisa realizada pela PwC, problemas de conflito de interesses pela tomada de decisões ineficientes baseadas nos interesses da família, ao invés dos interesses do negócio, é o principal motivo para saída de sócios das companhias entrevistadas.

Além disso, muitas empresas familiares enfrentam dificuldades em estabelecer uma estrutura de sucessão clara e eficaz. De acordo com o estudo acima mencionado, menos de 3 em cada 10 dessas organizações possuem planos de sucessão para os seus cargos-chave. Dentre as principais motivações para a adoção de iniciativas ligadas à governança, estão:

Gráfico da PwC mostrando os principais motivos que levam uma família a discutir a Governança.
(Na imagem: motivos que levam à governança)
(Créditos: PwC)

Nesse sentido, a Samsung é um exemplo clássico de empresa familiar que enfrentou problemas de governança em decorrência de embates entre os seus membros sobre sucessão e estrutura de gestão.

Como consequência de seus inúmeros contratempos de transparência e responsabilidade, Jay Y. Lee. – herdeiro e atual presidente executivo da companhia – garantiu que a liderança da companhia não será automaticamente transferida para a quarta geração da família.

Foto de perfil do rosto de Jay Y. Lee, chairman da Samsung.
(Na imagem: Jay Y. Lee)
(Créditos: RTE News)

Para eliminar ou minimizar esses problemas, o importante é saber estabelecer regras claras, garantindo as melhores práticas na sua estratégia corporativa.

Desta feita, apesar de existirem diferentes tipos de governança, vale sublinhar que não existe um modelo que seja considerado melhor do que os outros, razão pela qual é crucial conhecer todos e utilizar os elementos de acordo com suas necessidades específicas.

O que é governança nas empresas familiares?

O conceito de governança nas empresas familiares está ligado a um conjunto de princípios, processos e estruturas que regem a administração e o controle de uma organização familiar.

O seu objetivo é garantir que os valores de dado negócio estejam alinhados com os interesses de todos os seus stakeholders, sejam eles os membros da família, investidores, clientes, colaboradores ou a sociedade em geral.

Nesse sentido, a governança familiar envolve questões sensíveis como a distribuição de propriedade e poder dentro da estrutura familiar, a transição entre diferentes tipos de liderança, bem como a definição de um racional de diretrizes coerente para o envolvimento de parentes na administração da empresa.

Infográfico mostrando os fundamentos e eixos das empresas familiares.
(Na imagem: fundamentos e bases das empresas familiares)
(Créditos: KPMG)

De fato, essas instituições enfrentam muitas peculiaridades em relação ao tema, como problemas para desenvolver um framework de sucessão claro e a tendência de priorizar os relacionamentos acima dos interesses da empresa.

Assim, conhecer os pilares de governança nessas companhias pode ser decisivo para determinar o seu sucesso ou fracasso a longo prazo.

Quais são os pilares de governança nas empresas familiares?

Os pilares de governança nas empresas familiares são conceitos interrelacionados que trabalham juntos para garantir a saúde da companhia, alinhando os interesses da família e da pessoa jurídica, garantindo a continuidade do negócio e a sua conformidade com as leis e regulamentos pertinentes.

Dessa forma, importante ressaltar quais são os três eixos que fazem com que essa engrenagem funcione: a governança corporativa (poder e controle), a governança familiar (senso de pertencimento e união) e a governança proprietária/societária (proteção do patrimônio).

#1 – Governança Corporativa

Ter a perspectiva, habilidade e experiência de terceiros (profissionais que não necessariamente compartilham os mesmos laços sanguíneos dos founders de uma organização) pode impulsionar uma empresa familiar para o próximo nível de sucesso com eficácia impressionante.

Assim, a governança corporativa são as normas, práticas e processos usados para direcionar e controlar uma organização, sendo a garantia de que os negócios serão administrados com disciplina e que as decisões serão imparciais, baseadas no que for melhor para a instituição naquele momento.

Segundo uma pesquisa realizada pela KPMG, cerca de 72% das empresas familiares acreditam que a governança corporativa é importante para o sucesso a longo prazo da empresa.

“A Governança Corporativa cria um senso de direção, fazendo com que pessoas certas se juntem na hora certa para debater as coisas certas”. 

John Davis, professor da Havard University

Desta maneira, a implementação da governança corporativa em empresas familiares pode ser alcançada através de medidas como a criação de um conselho de administração independente, aplicação de regras claras sobre o envolvimento dos membros da família na administração da organização (garantindo que haja equidade e transparência na gestão), divulgação transparente de informações financeiras e garantia de que todos os envolvidos estarão sujeitos aos mesmos padrões éticos e de responsabilidade.

Um exemplo de empresa familiar que implementou essas ações com êxito é a companhia Chanel, aumentando a lucratividade dos negócios com um nível de alta proficiência.

#2 – Governança Familiar

Já a governança familiar, por outro lado, refere-se à maneira como uma família trabalha em conjunto e toma decisões sobre os seus negócios. Sua função é aumentar o grau de clareza em questões como propriedade, envolvimento nos negócios e protocolos de tomada de decisão.

Ou seja, ela se concentra em questões específicas das empresas controladas e/ou possuídas por uma família, tais como a distribuição de propriedade e poder, bem como a sucessão e a transição de liderança.

De acordo com um levantamento feito pelo IBGE, apenas 24% das empresas familiares brasileiras planejam a sua sucessão

Portanto, a ideia é estabelecer uma infraestrutura bem organizada que forneça uma compreensão cristalina do papel de cada um e uma oportunidade para o compartilhamento de insights, sugestões e preocupações.

Isso pode se dar através de documentos formais ou de reuniões frequentes, como as assembleias, realizando uma ponte entre essas opiniões e os conselhos de administração.

Conforme relatório “Governança em Empresas Familiares: Evidências Brasileiras” da PwC, 73,1% das famílias pesquisadas têm pelo menos uma estrutura de governança familiar, sendo a assembleia a mais comum delas.

#3 – Governança Proprietária ou Societária

Por fim, a governança proprietária/societária se concentra nas empresas que são controladas e/ou possuídas por um único indivíduo ou grupo de indivíduos.

Um exemplo de empresa familiar com governança proprietária/societária é a rede de lojas Walmart, onde a família Walton é a principal acionista e possui uma forte influência sobre as decisões estratégicas da empresa.

Nesse caso, o proprietário ou grupo de proprietários tem o poder de tomar decisões importantes sobre a empresa sem precisar de aprovação dos acionistas ou outros stakeholders, havendo uma separação entre o papel de dono e o papel de gestor.

Isso significa que os membros da família que são proprietários da empresa devem se concentrar em definir a estratégia e a visão a longo prazo, enquanto os gestores são responsáveis ​​pela implementação dessa estratégia.

Para implementar um modelo como esse, é necessário o estabelecimento de uma estrutura de propriedade descentralizada, onde os membros da família são os proprietários e os gestores são responsáveis ​​pela implementação da estratégia, bem como um conselho de administração independente e comitês de auditoria, remuneração e ética.

Além disso, é necessário construir mecanismos de votação equilibrados e uma política clara para lidar com eventuais conflitos de interesse.

Quando é a hora de implementar os pilares de governança nas empresas familiares?

Ao compreender os três tipos de governança existentes (corporativa, familiar e proprietária/societária) e estabelecer uma estrutura de governança clara e eficaz, as empresas familiares podem garantir o sucesso a longo prazo e continuar a contribuir para a economia global.

Por isso, quanto antes puderem ser implementados esses pilares de governança, melhor. Porém, isso não significa que aquelas empresas que ainda não o fizeram não podem mais fazê-lo, pois ainda há tempo de tomar esta decisão.

Colocar em prática uma estrutura de governança bem definida e aplicada pode ser a chave para fornecer as ferramentas necessárias para lidar com os desafios e dores da organização, produzindo uma série de alternativas e soluções pensadas em cada estágio no qual um negócio familiar se encontra.

Se você quer aprender mais profundamente sobre os pilares de governança, conheça a Imersão G4 Empresas Familiares e aprenda com quem já vivenciou sucessões familiares na prática a evitar riscos para o negócio e problemas na família, além de conseguir entender onde estão os principais gargalos e possíveis erros da empresa para investir em sua perenidade.

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