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OpenSea: como o marketplace de NFTs alcançou um valuation de US$13,3 bilhões?

OpenSea

Fundada há 4 anos, a OpenSea, startup sediada em Nova York, Estados Unidos, foi uma das primeiras entrantes no mercado de tokens não-fungíveis, os hoje populares NFTs, que em 2021 tiveram uma crescente tanto no volume de criações como de transações. Hoje, é difícil cunhar uma coleção ou listar um token para venda sem interagir de alguma forma com a empresa.

No entanto, entre diversos plataformas e marketplaces de NFTs que nasceram e tracionaram nos últimos 2 anos, qual a razão pela qual a OpenSea obteve maior destaque para comercialização desses ativos únicos digitais?

Segundo os fundadores Devin Finzer e Alex Atallah, a empresa oferece uma plataforma ponto a ponto, onde as negociações (compra e venda de NFTs) ocorrem diretamente entre usuários, sem a necessidade de intermediação, em troca de um 2,5% de cada transação. Além disso, desde dezembro de 2020, a OpenSea permite que qualquer usuário possa criar/cunhar NFTs em sua plataforma. 

OpenSea: nascimento em 2017 e inspiração por trás de sua criação

Em 2017, a Dapper Labs, empresa canadense focada na criação de games e NFTs baseadas em blockchain, lançou o jogo CryptoKitties, onde jogadores poderiam comprar, colecionar, procriar e vender gatos virtuais.

Ilustração dos gatos virtuais da CryptoKitties, jogo que inspirou a criação da OpenSea)
(Na imagem: ilustração dos gatos virtuais da CryptoKitties)
(Crédito: Cryptokitties)

Meses após o lançamento, a CryptoKitties arrecadou mais de US$10 milhões em vendas e demonstrou o potencial que esse segmento poderia ter em futuro não tão distante. 

Em dezembro do mesmo ano, inspirados no projeto da Dapper Labs, Finzer e Atallah decidiram lançar a OpenSea, porém cobrando uma comissão de 2,5% ao invés dos 3,5% coletados pelo CryptoKitties. 

Além disso, nessa mesma época, a blockchain Ethereum lançada um novo padrão (ERC-721) que formaria a base para os NFTs e permitiria a inclusão de um novo tipo “objeto” no blockchain, que pudesse ser negociado e intercambiado assim como o Bitcoin, mas mantendo cada token individual como algo único.

Com uma mentalidade focada em inovação acompanhada de uma ideia de construir ferramentas para uma plataforma de compra e vendas de tokens virtuais em escala, Finzer e Atallah foram aceitos no maior programa de aceleração de startups do mundo no final de 2018, o Y Combinator.  

Agora, o mantra interno (BHAG) da OpenSea passaria a ser “se converter na Amazon da Web3”. Em novembro de 2019, a empresa anunciou seu primeiro investimento estratégico de US$2,1 milhões. 

“A ideia do OpenSea surgiu do nosso interesse em CryptoKitties. [No entanto], o conceito de “gatos no blockchain” confundiu muitos, mas para alguns despertou o interesse em um novo tipo de ativo digital. Os NFTs têm propriedades totalmente novas: são únicos, comprovadamente escassos, líquidos e utilizáveis ​​em várias aplicações. Um mercado robusto e fácil de usar parecia uma necessidade para o crescimento do NFT – então criamos o OpenSea”

Devin Finzer
Co-fundador da OpenSea
Os cofundadores da OpenSea Alex Atallah (à esquerda) e Devin Finzer (à direita) no escritório da empresa em Nova York
(Na imagem: os cofundadores da OpenSea Alex Atallah (à esquerda) e Devin Finzer (à direita) no escritório em Nova York)
(Crédito: Sasha Maslov / Forbes)

De somente 4.000 usuários ativos a US$3,4 bilhões em transações

Em março de 2020, a OpenSea, que na época tinha 5 funcionários, contava com apenas 4.000 usuários ativos transacionando US$1,1 milhão por mês, que resultava em uma receita girando em torno de US$28.000, segundo a Forbes

As notícias da época, assim como para diversos outros segmentos durante os primeiros meses de pandemia, não eram das mais positivas. Por exemplo, uma de suas competidores diretas, a Rare Bits, que de fato havia recebido maior capital em rodadas investimento, decidiu encerrar suas operações. 

Por conta disso, Finzer e Atallah estabeleceu uma meta de “vida ou morte”, dobrar os negócios até o final do ano.

Contudo, por mais esperançosos que fossem –mesmo os muitos que falavam sobre o potencial e já investiam em NFTs– pode-se dizer que poucos imaginariam o “boom” que o mercado teve em 2021. 

Em fevereiro, segundo divulgado pela Decrypt, o volume de vendas de NFTs havia aumentado em 29 vezes. No mesmo mês, outra plataforma ganhava destaque, a Nifty Getaway, dos americanos Tyler e Cameron Winklevoss, onde uma obra digital foi vendida por US$6,6 milhões.

(Como curiosidade, os irmão Winklevoss ficaram conhecidos por terem processado Mark Zuckerberg em 2004, acusando-o de roubar a ideia principal por trás de sua rede social HarvardConnection, utilizando-a como base para posteriormente fundar o Facebook no mesmo ano).

O barulho gerado por vendas como aquela aqueceu ainda mais o mercado, elevando o valuation de empresas como a Nifty Getaway e atraindo a mais investidores de renome tanto no meio empresarial/empreendedor como artístico. 

Em julho, a OpenSea processou US$350 milhões em negociações de NFT e, no mesmo mês, em uma rodada liderada pela Andreessen Horowitz, levantou US$100 milhões em capital de risco, avaliando o mais novo unicórnio em US$ 1,5 bilhão.

Em agosto, o volume de transações da OpenSea aumentou dez vezes para US$3,4 bilhões –gerando uma comissão inesperada de US$85 milhões para a empresa em um mês em que provavelmente gastou menos de US$5 milhões em despesas.

Total de comerciantes OpenSea ao longo do tempo (Ethereum) - usuários registrados que fizeram pelo menos uma transação
(Na imagem: total de negociantes OpenSea no começo de julho de 2021 (Ethereum))
(Crédito: Dune Analytics / Richard Chen / 1confirmation)

Do lançamento do App aos mais de 1 milhão de usuários

Aproveitando essa crescente popularidade e procura por NFTs, a OpenSea lançou seu primeiro aplicativo para iOS e Android em setembro de 2021. Contudo, os usuários poderiam somente visualizar as coleção de itens digitais da plataforma, sem a possibilidade de compra e venda. 

Como curiosidade, existem algumas razões pela quais a empresa não permite negociações em seu aplicativo, mas pode-se dizer que a principal é para evitar os 30% cobrados pela Apple e Google por cada transação feito dentro do aplicativo.

Por mais que possa estar “deixando de vender” uma vez que as pessoas estão cada vez mais conectados aos dispositivos móveis, este tipo de transações não favorecem nem a OpenSea nem aos criadores. 

Após alcançar o ápice em agosto, a plataforma obteve cerca de US$2 bilhões em transações mensais em setembro e outubro de 2021, alcançou a marca de 1,8 milhões de usuários ativos, empregava mais de 70 funcionários e uma parcela importante do market share –em fevereiro de 2022, o Yahoo Finance reportou que a OpenSea possui 90% do market share em termos de volume transacional. 

Em dezembro, após conversas circulando nos bastidores sobre uma possível nova rodada de investimentos que colocaria a OpenSea com um valuation superior aos US$10 bilhões, o marketplace registrou novamente um volume de negociações acima dos US$3 bilhões (US$3,3 para ser preciso), de acordo com a Dune Analytics, gerando cerca de US$82,5 milhões em receita. 

OpenSea recebe novo aporte multimilionário e alcança status de decacórnio 

Assim como mencionado, a ano de 2021 foi excelente para mercado de NFTs, que obteve um salto de mais de 21.350% no valor total de transações de globais –US$17 bilhões contra US$82,5 milhões de 2020.

Logo, também pudemos observar o quanto essa popularização e esse destaque beneficiou a OpenSea, que teve um aumento de 646 vezes no volume de negócios em sua plataforma. 

“Em 2021, vimos o mundo despertar para a ideia de que os NFTs representam os blocos de construção básicos para novas economias peer-to-peer. Eles dão aos usuários maior liberdade e propriedade sobre bens digitais e permitem que os desenvolvedores criem aplicativos poderosos e interoperáveis ​​que fornecem valor econômico real e utilidade aos usuários”

Devin Finzer
Co-fundador da OpenSea

Como se isso não bastasse, no dia 4 de janeiro de 2022, a empresa anunciou um novo aporte no valor de US$300 milhões, alcançando um valor de mercado de US$13,3 bilhões e mantendo-a comprometida a sua visão de se tornar o mercado mais confiável e com a melhor seleção de ofertas do mundo de NFTs. 

Total de negociantes OpenSea no dia 20/03 de 2021 (Ethereum)) - usuários registrados que fizeram pelo menos uma transação
(Na imagem: total de negociantes OpenSea no dia 20/03 de 2021 (Ethereum))
(Crédito: Dune Analytics / Richard Chen / 1confirmation)

Entre os muitos objetivos previstos, o novo aporte seria utilizado para expandir a confiança, segurança e confiabilidade da OpenSea.

Dito isso, o novo aumento no comércio de NFTs levou a um aumento de tokens roubados e outras questões legais que exigem intervenção. No entanto, mesmo para os céticos, é difícil negar o quão vantajoso é ter todos os compradores e tokens no mesmo lugar, fazendo ofertas e negociando. 

Considerações finais: apesar do iminente sucesso e da consolidação como principal marketplace de NFTs, o futuro da OpenSea terá muitos desafios

Existem diversas perguntas que podem (e devem) ser feitas para os que acompanham o mercado e investem em NFTs, especialmente referentes ao maior e mais popular marketplace da atualidade. 

Será que a OpeaSea conseguirá manter a mesma quantidade e qualidade de ofertas que hoje oferece? Será que a plataforma continuará com mesmo nível de confiabilidade entre criadores e compradores, seja no processo transacional como na solução de problemas? Será que o marketplace conseguirá evitar que grandes ataques cibernéticas ocorram com certa frequência? 

Hoje, caso algum NFT tenha sido furtado e seja oferecida na plataforma da OpenSea, a empresa tornou-se o local mais importante para bloquear uma eventual venda do token em questão. 

Em suma, a OpenSea é o maior mercado único sempre que um token é listado e, mesmo que tokens que não sejam cunhados na plataforma, eles eventualmente aparem por lá. Segundo a The Verge, mesmo projetos que não possuem uma conexão explícita com OpenSea terminam sendo, muitas vezes, profundamente dependentes da infraestrutura da empresa.

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