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O que é startup unicórnio: diferenças e conceito


Ifood, Nubank, Uber, Hotmart, Nuvemshop, Netflix… Sabe o que todas essas empresas têm em comum? Conhecidas como startup unicórnio, elas fazem parte do seleto grupo de elite das startups que conseguem navegar pelo universo das cifras bilionárias. 

Se você acompanha as notícias do mercado, sabe o que é startup unicórnio e como esse termo está se tornando cada dia mais comum no mundo dos negócios. Para se ter ideia, até janeiro de 2019 haviam apenas 325 startups unicórnios no mundo. Hoje, já são mais de 1000.

O que era, então, algo relativamente novo, vem se popularizando no ecossistema de inovação.  Mas, afinal de contas, o que isso significa?

O que é startup unicórnio?

A expressão, cunhada em 2013 pela investidora Aileen Lee, faz menção às startups privadas que conseguem alcançar uma avaliação de, pelo menos, 1 bilhão de dólares no mercado antes de abrir capital na Bolsa de Valores.

Dessa forma, empresas tradicionais, ainda que possuam o valuation correspondente, não podem ser consideradas startups unicórnios, já que é fundamental que se trate de um negócio com modelo escalável e replicável.

Segundo Lee, menos de 0,1% dos negócios chegariam a essa marca, razão pela qual a criatura mitológica rara poderia ser associada a essa conquista.

Hoje, no entanto, a realidade já não é mais a mesma. 

Com o grande avanço da tecnologia e o aquecimento financeiro no setor, o que era raro, vem se tornando a cada dia mais usual. 

Se antes nasciam apenas 4 startups unicórnios por ano, em 2022, o levantamento já é de mais de 1 a cada 24 horas (de 01/01/2022 a 02/02/2022, por exemplo, surgiram 35 novos unicórnios no mundo).

O fenômeno se explica, em grande parte, pela alta quantidade de investidores em busca de retornos mais expressivos em um cenário econômico fragilizado pelo contexto pós-pandemia. 

Mais que isso, o próprio isolamento social provocado pela Covid-19 também acentuou a transformação digital e acelerou os projetos ligados à tecnologia. 

startup unicórnio
(Na imagem: pesquisa Statista estimates)
(Crédito: Statista)

Embora a maioria dos unicórnios ainda nasça na América do Norte, berço do Vale do Silício, as demais regiões vêm se desenvolvendo rapidamente nos últimos anos.

Seja como for, tornar-se um não é tarefa fácil, razão pela qual é fundamental saber quais são as principais características que diferenciam esse modelo de negócio.

3 principais características de uma startup unicórnio

1.Caráter Inovador

Segundo Eric Ries, no livro Lean Startup, diferente de uma companhia tradicional que já tem os seus processos bem definidos e uma estrutura hierárquica fixa, a forma como o trabalho é transformado em dinheiro em uma startup é muito incerto.

E são, justamente, as incertezas que permeiam o negócio, que possibilitam o desenvolvimento de soluções inovadoras.

A Netflix, por exemplo, revolucionou o modo como as pessoas assistiam filmes, trazendo o seu serviço de streaming em assinaturas online. 

Portanto, o conceito de inovar, de pensar fora da caixa e trazer novas possibilidades e ideias é o grande diferencial para se manterem em uma posição de vantagem e liderança no mercado.

2.Desenvolvimento tecnológico

Não é uma regra, mas a imensa maioria das startups unicórnios investe no desenvolvimento de novas tecnologias. 

A Airbnb, case de sucesso no mercado de hospedagem online, de forma exemplificativa, está constantemente investindo em novos recursos para a sua plataforma. 

Ano passado, a empresa lançou uma Tecnologia de Reservas de Alto Risco, com o objetivo de combater festas e outros distúrbios para a vizinhança, fomentando um turismo ainda mais sustentável.

Dessa forma, importante destacar que a capitalização tecnológica é essencial em uma sociedade cada vez menos analógica e mais voltada para a automação digital. 

3.Foco no customer experience

O grande objetivo dos unicórnios é focar na criação de produtos e soluções que sejam pensadas para sanar alguma dor ou dificuldade do seu público (essência do chamado Customer Experience). 

A Uber, podemos lembrar, surgiu a partir de uma necessidade real do seu próprio fundador, Travis Kalanick, ao não conseguir pedir um táxi em um dia chuvoso.

A indignação fez surgir no empreendedor a ideia de se chamar carros pelo celular.

Assim, trazer o cliente como protagonista do processo de criação e canalizar a sua dor para resolvê-la da melhor maneira é o que fazem as startups mais lucrativas.

Quantas startups unicórnios existem no mundo?

Atualmente, segundo a consultoria CB Insights, existem 1037 startups unicórnios ao redor do mundo. Juntas, essas startups somam mais de US$ 3,3 trilhões em valor de mercado.

Para o Brasil, o ano de 2021 foi sem precedentes para o mercado de venture capital. O montante investido em startups com essa envergadura beirou os US$10 bilhões e várias iniciativas nacionais se transformaram em unicórnios (sem contar o número de candidatas que estão aguardando o desenrolar de 2022).

Se formos analisar o rol de empresas avaliadas em pelo menos US$1 bilhão até abril de 2021, resta evidente a clara dianteira dos negócios que envolvem tecnologia e finanças na preferência dos investidores. Vejamos:

Em território nacional, essa tendência se sustenta. No Brasil, os investimentos em fintechs têm aumentado em uma velocidade assustadora. A própria análise realizada pelo Distrito Dataminer (relatório Fintech Mining Report), mostrou que, apenas entre janeiro a abril do ano passado foram US$ 731 milhões (cerca de R$ 3,77 bilhões) aportados em empresas de tecnologia financeira.

E no Brasil, quantos startups unicórnios existem?

Segundo a Associação Brasileira de Startups (ABS) o país conta hoje com mais de 14 mil startups, divididas em 78 comunidades e 710 cidades brasileiras.

Deste total, 28 empresas já alcançaram avaliações superiores a US$ 1 bilhão. Vejamos.

startups unicornios brasileiros
(Na imagem: infográfico baseado nas pesquisas CB Insights, Distrito e Sling Hub Latam)
(Crédito: G4 Educação)

É interessante ressaltar, no entanto, que para o infográfico foram contabilizados todos os negócios em território nacional, independente de divergências quanto à sua origem.

Este é o caso da Nuvemshop (um unicórnio de dupla nacionalidade), da Ascenty (em operação no Brasil, México e Chile), da Merama (com sede em São Paulo e México) e do C6 Bank (que também possui escritório em Nova York). 

Entraram na estatística, inclusive, as startups que hoje já abriram capital, mas que, na época destacada, ainda não haviam realizado a estreia na Bolsa.

Assim, como se pode ver, o Brasil se tornou, nos últimos anos, uma máquina de produção de iniciativas bilionárias. 

Sendo que, de todos os unicórnios brasileiros, o Quinto Andar é aquele que possui maior valuation no mercado (US$ 5,10 bilhões), seguido de C6 Bank (US$ 5,05 bilhões) e Nuvemshop (US$ 3,10 bilhões). 

Dito isto, fica claro que, até o momento, o país ainda não possui nenhum decacórnio.

O que é decacórnio?

Agora que ficou claro o que é unicórnio, é importante lembrar que, como previsto por Aileen Lee, essas startups continuariam crescendo e multiplicando o seu potencial cada vez mais rápido. 

Foi assim que, em 2015, a Bloomberg Business utilizou o vocábulo “decacórnio” pela primeira vez. 

Apesar de soar um tanto quanto estranho, o termo surgiu para fazer menção às startups avaliadas em, pelo menos, US$10 bilhões.

Tal qual os unicórnios, os decacórnios carregam o senso de inovação e disrupção presentes em sua cultura, estando sempre atrás de revolucionar a forma como seus produtos e serviços se relacionam com o consumidor final. 

A primeira startup a receber o título de decacórnio foi o Facebook (Meta), em 2007, após uma rodada de investimentos estratégicos da Microsoft. 

E, embora essa seja uma nomenclatura bem específica, o número de empresas contempladas por essa definição cresceu exponencialmente nos últimos anos.  

Quantos decacórnios existem?

Ao todo, 84 empresas conquistaram a avaliação de decacórnio desde a primeira conquista do título pelo Facebook (Meta), conforme dados trazidos pela plataforma Crunchbase.

Analisando-se o gráfico acima, significa dizer que 36% de todas as startups que conseguiram alcançar esse feito surgiram no ano de 2021 – considerado o “boom” dos empreendimentos bilionários. 

A brasileira Nubank, por exemplo, foi a primeira do Brasil a figurar neste rol.

No entanto, atualmente, 33 decacórnios citados no estudo saíram das estatísticas por decidirem abrir capital para vender parte de suas ações, seja pela via do IPO (Initial Public Offering) ou do SPAC (Special Purpose Acquisition Company).

Desta maneira, na esfera privada, segundo estudo atualizado da CB Insights, o número atual de decacórnios divulgados no mercado é de 48. 

O que é hectacórnio?

Depois dos decacórnios, negócios na casa das dezenas de bilhões em avaliação, é ainda possível considerar uma nova terminologia: os “hectacórnios”.

Os hectacórnios nada mais são do que startups que conquistaram a surpreendente marca de US$100 bilhões. 

Quantos hectacórnios existem?

Atualmente, só existem duas empresas que alcançaram esse status no ecossistema de startups. São elas: Bytedance (China) e SpaceX (EUA).

Ser uma startup unicórnio é muito bom, mas nem sempre é sustentável

Saber o que é unicórnio e se tornar um, por si só, não é suficiente. Ainda que muitas startups conquistem a tão desejada cifra bilionária, isso não significa que elas se tornaram empreendimentos sustentáveis.

Ou seja, nem todas estão gerando um faturamento suficiente para manter a sua saúde financeira. Por que, então, se injeta tanto dinheiro nelas? 

Um dos principais aspectos envolvidos nessa resposta tem a ver com o capital intangível que elas representam. Em um cenário que exige transformação acelerada, o imaterial está entre o que as empresas de tecnologia têm de maior valor.

Portanto, se você já tem ou deseja começar uma startup em 2022, para além da avaliação envolvida, é importante pensar na sustentabilidade do seu negócio. 

Para esses casos, de startups sustentáveis, criou-se uma nova expressão: startup camelo (uma alusão à capacidade de sobrevivência do animal em condições extremas, assim como os negócios que visam estratégias para se desenvolver de forma equilibrada na assimétrica relação entre velocidade x eficiência).

 
 
 
 
 
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Uma publicação compartilhada por G4 Educação (@g4educacao)

Nesse sentido, como empreendedor, um importante ponto de atenção nessa empreitada é decidir se você irá começar utilizando somente recursos próprios (bootstrapping) ou recorrer a capital externo (investidor anjo, hedge fund etc.).

No fim, embora a criação de uma startup seja uma trajetória permeada por muitos desafios, é importante analisar criteriosamente as possibilidades antes de se testar um MVP.

Especialmente, com o desenvolvimento de um modelo enxuto e com maior uma maior independência de caixa (especialmente importante no cenário de crises e incertezas que atravessamos mundialmente). 

Depois de aprender o que é unicórnio, se você quiser se aprofundar ainda mais neste universo, conheça o curso “Como criar uma startup”, do G4 Educação. Nele, você terá acesso a um manual prático para criar seu negócio com quem já construiu empresas bilionárias, aprendendo as metodologias e as ferramentas certas para o sucesso.

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