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O que é NFT: uma nova tendência para creators

NFTs na Times Square, Nova York

Existem diversos temas que estiverem presentes nos meios de comunicação em 2021, porém algo que certamente chamou a atenção de muitos (e até saturou a outros) foram os tokens não fungíveis, mais conhecidos como NFTs. Dito isso, não foi só a presença midiática dos NFTs que teve um crescimento exponencial, mas também a curiosidade das pessoas em saber o que é NFT.

O que é NFT?

As siglas NFT, do inglês non-fungible token, foram associadas a diversas formas de expressão artística (por exemplo, arte, música), vídeos de melhores momentos esportivos e até os populares GIFs. Para o simples consumidor de notícias, observar todos esses vínculos e tentar formular uma definição sobre o que é NFT é algo certamente difícil.

Para causar ainda mais intriga, muitos desses NFTs foram vendidos por ou avaliados em milhões de dólares –por exemplo, no dia 20 de janeiro de 2022, Neymar adquiriu dois NFTs da coleção “Bored Apes”, da empresa Bored Ape Yatch Club, por mais de US$1 milhão. 

NFTs do Neymar:

Bored Ape (BAYC) – O que é?

Popularmente conhecida por seus NFTs ou “desenhos” de macacos, a Bored Ape Yacht Club (BAYC) é uma coleção com aproximadamente 10 mil NFTs, que criou um clube de membros para quem possui um dos tokens não fundiveis (NFTs).

De fato, a Bored Ape Yatch Club, que tem em sua coleção mais de 10.000 peças, já gerou mais de US$1 bilhão em vendas. 

Qual é a razão pela qual as pessoas estão dispostas a pagar milhões de dólares por “tokens digitais”? Especulação? Investimento? Simplesmente fazer parte de uma comunidade mais elitizada?

Além disso, visto que muitas dessas obras necessitam de uma expertise mais artística, será essa uma tendência para os criadores, possibilitando que esses possam gerar receitas muito mais significativas através de NFTs?

Por último, será essa uma nova bolha que está prestes a estourar –assim como a da época do “.com” nos princípios da internet– ou será que os NFTs, assim como diversos nomes importantes dentro do mundo das venture capitals e do empreendedorismo garantem, estão aqui para ficar e mudarão para sempre a forma como fazemos investimentos?

Afinal, o que é NFT?

Antes de entrar na definição e explicação sobre o que é NFT, é importante mencionar que as siglas são apenas um dos muitos conceitos presentes no que hoje é conhecido como Web 3.0, a nova evolução da internet. Em outras palavras, a Web 3.0 é a grande responsável pelo surgimento dos NFTs.

A Web 3.0 é uma rede que tem como fundamento ser aberta, provida de relacionamentos de confiança e sem a necessidade de permissão.

  • Aberta: funciona em open source (ou código-fonte aberto) construído por uma comunidade acessível e colaborativa de desenvolvedores;
  • Provida de relacionamentos de confiança: a rede possibilita que os participantes interajam publicamente ou privadamente sem a necessidade de intermediários para garantir confiança nas transações ou acordos;
  • Sem a necessidade de permissão: usuários e fornecedores podem participar da rede, sem a necessidade da aprovação de uma entidade.

Formada por comunidades e indivíduos portadores de ativos digitais, a rede possui o token como um de seus elementos centrais. O token é o elemento que registra a propriedade que o usuário tem sob um ativo.

Os tokens podem ser fungíveis (intercambiáveis), como as criptomoedas; ou não fungíveis (únicos) –os NFTs, funcionam como peças de propriedade única, a exemplo de peças de arte, fotos, códigos, música, texto, objetos de jogo e passes de acesso.

Em outras palavras, os NFTs são representações/certificados digitais de um ativo único/insubstituível que tem sua comprovação de propriedade através de dados armazenados através de tecnologia blockchain, o livro-razão da Web 3.0. 

Ao possuir códigos de identificação exclusivos, os NFTs criam uma escassez digital, contrastando muitas das criações digitais que quase sempre são infinitas em oferta.

Logo, assim como no caso da Bored Ape Yatch Club e outras empresas que criaram coleções próprias, uma vez que suas peças ganhem mais popularidade, maior será o preço cobrado por elas –quando lançada em abril de 2021, cada peça da coleção “Bored Apes” custava US$190. 

No entanto, não serão somente obras originais que custarão fortunas e despertarão interesse em milhares de pessoas. Momentos icônicos no esporte registrados em vídeo e até primeiras versões de algo feito na internet podem ser convertidos em NFT e vendidos para quem tiver interesse.

Como curiosidade, o co-fundador do Wikipedia, Jimmy Wales, vendeu a primeira edição realizada no site como NFT por US$750.000.

NFT da primeira edição realizada no Wikipedia, vendido pelo co-fundador da empresa, Jimmy Wales
(Na imagem: primeira edição do Wikipedia vendida como NFT pelo co-fundador da empresa, Jimmy Wales)
(Crédito: The Verge / Jimmy Wales / Christie’s)

Dito isso, existem diferentes razões pelas quais indivíduos estão dispostos a investir tanto em NFTs. Contudo, diferentemente de itens fungíveis, que tem sua exposição dependente do limite de pessoas permitido em certo lugar, os NFTs podem ser vistos milhões de pessoas. 

Logo, ao conter uma autenticação integrada que serve como prova de propriedade, qualquer pessoas que procurar por certo NFT saberá quem é o dono, criando o mesmo sentimento de quem alguma vez possuiu ou possui obras de artes de pintores consagrados. 

Qual é a diferença entre NFTs e criptomoedas?

Assim como mencionado, criptomoedas (Bitcoin e Ethereum) são fungíveis, ou seja, podem ser negociadas ou trocadas entre si, e possuem o mesmo valor –um Bitcoin é igual a outro Bitcoin, o que muda é a quantidade de Bitcoins (ou frações dele) que cada pessoa possui, além das oscilações em seu valor de compra, algo comumente visto no mercado financeiro/bolsa de valores. 

No caso das NFTs, que são não fungíveis, cada peça possui uma assinatura digital que impossibilita a sua troca por outro igual. Para exemplificar, tomemos o caso da “NBA Top Shot”, parceria entre a principal liga profissional de basquete do mundo (NBA) e a Dapper Labs, que vende ativos colecionáveis digitais de momentos marcantes do esporte dentro da liga.

Aqui, cada colecionável está vinculado a um blockchain, efetivamente dando um certificado de exclusividade e praticamente impossível de ser hackeado. Portanto, mesmo que alguém faça uma cópia perfeita do ativo, ele será instantaneamente reconhecido como falso.

Dito isso, vale também ressaltar que um “NBA Top Shot” não é necessariamente igual a outro da mesma coleção.

Como funciona um NFT?

Se muitos indagaram sobre o que é NFT, outros passaram a se perguntar como eles funcionam. 

As NFTs existem dentro das blockchains, que são livros-razão distribuídos que registram transações dentro do Web 3.0. Dito isso, as NFTs são normalmente mantidas no blockchain Ethereum, embora outros blockchains também os suportem.

Uma NFT é criada ou “cunhada” a partir de objetos digitais que representam itens tangíveis e intangíveis como, por exemplo:

  • Arte;
  • Música;
  • GIFs;
  • Itens colecionáveis;
  • Skins de videos games;
  • Calçados virtuais.

Além disso, momentos memoráveis também podem ser transformados em NFT. Se anteriormente citamos a venda da primeira edição realizada no Wikipedia, aqui citamos Jack Dorsey, co-fundador do Twitter, que vendeu seu primeiro tweet (escrito em 2006) como NFT por mais de US$2,9 milhões. 

Imagem do primeiro tweet feito por Jack Dorsey, co-fundador do Twitter, e vendido como NFT
(Na imagem: primeiro tweet escrito pelo co-fundador do Twitter, Jack Dorsey, e vendido como NFT por mais de US$2,9 milhões)
(Crédito: Tech Crunch / Cent)

Por último, cada “colecionador/dono” obtêm direitos de propriedade exclusivos, ou seja, cada NFT pode ter apenas um proprietário por vez. Além disso, o proprietário ou criador também pode armazenar informações específicas dentro deles. 

Por conta dessa possibilidade, cada vez que um colecionável digital for criado, os artistas responsáveis pela criação tem o direito de inserir suas assinaturas nos metadados das obras, podendo assim conseguir uma maior exposição de seu trabalho como criador caso algum NFT se torne popular. 

Como comprar um NFT?

  1. Obtenha uma carteira digital que permita o armazenamento de NFTs e criptomoedas;
  2. Compre algumas criptomoedas, sobretudo Ether, uma vez que um grande percentual dos NFTs se encontram na blockchain do Ethereum. Dito isso, verifique qual criptomoeda é aceita pelo provedor de NFT. A compra das criptomoedas pode ser efetuada pelo cartão de crédito em plataformas como Coinbase, Kraken, eToro e até mesmo o PayPal.
  3. Transfira sua criptomoeda para uma carteira digital;
  4. Conecte a sua carteira digital a um marketplace de NFTs. Uma vez conectado, você pode começar a navegar/pesquisar sobre as diferentes coleções e fazer uma compra. Lembre-se de verificar se o valor de cada peça é único ou se ele está sendo leiloado –neste caso, você terá de se atentar se deverá aumentar o seu lance inicial. 

Assim como existem diversas notícias envolvendo NFTs e explicações sobre o que é NFT, não faltam marketplaces de NFT para satisfazer a demanda do mercado. Contudo, os principais na atualidade são: OpenSea.io, Rarible e Foundation

Embora essas e outras plataformas abriguem milhares de criadores e colecionadores de NFT, certifique-se de pesquisar cuidadosamente antes de comprar, pois alguns artistas foram vítimas de imitadores que anunciaram e venderam seus trabalhos sem a devida permissão.

Os efeitos da Web 3.0 para os criadores: mudando o destino do fluxo de capital na internet

Quem conhece ou acompanha a vida de algum artista, pôde ver o quanto fotógrafos, pintores e músicos foram prejudicados financeiramente durante a pandemia por conta da falta de oportunidades no mundo fora do escopo virtual/digital. 

Como consequência da falta de eventos presenciais, grande parte da fonte de renda desses profissionais foi limitada. 

De fato, se falamos especificamente de músicos, que muitas vezes tem boa parte de sua receita anual vinculada a venda de ingressos e merchandise, voltar a ganhar o mesmo que faziam antes da pandemia através dos mesmos meios ainda pode demorar um pouco –o entretenimento ao vivo (shows e festivais) é um dos setores da indústria entretenimento que mais foi (e continua sendo) afetado pelo COVID-19.

Além disso, depender exclusivamente de plataformas de streaming atualmente só favorece as grandes gravadoras e aos artistas com maior destaque. Para exemplificar, um músico que disponibiliza sua obra no Spotify recebe, em média, US$0,004 por reprodução. 

Ou seja, se você tiver 1 milhão de plays em uma música você lucrará entorno de US$4.000, valor relativamente baixo considerando que boa porcentagem dos músicos sequer consegue alcançar a marca de 1 milhão de plays por música tão rapidamente. 

No entanto, a pandemia praticamente obrigou os artistas a procurarem métodos alternativos para gerar receita, e para aqueles que migraram para a Web 3.0, a realidade passou a ser totalmente diferente. 

Na rede crypto, os criadores ganharam a possibilidade de transformar as suas obras em NFTs –configurando autenticação e finitude do item criado.

A forma de vender também mudou, com acesso às comunidades, mundos ou jogos virtuais onde é possível realizar vendas peer-to-peer (em português, ponto a ponto), sem a interferência de gatekeepers/intermediários para deter grande parte do seu lucro.

Isso ocorre tanto para obras de arte, músicas, livros, objetos ou itens de jogo, onde o criador passou a vender diretamente para o seu fã, invertendo a lógica de mercado e unindo uma ponta a outra.

Uma outra tecnologia que permitiu gerar ainda mais resultados para o criador é possibilidade de aliar contratos inteligentes à sua NFT, sendo possível configurar o ganho de royalties (direitos autorais) sob o valor total de cada revenda do seu item.

Isso é feito através de código; não é necessário que o artista precise confiar em alguém para que lhes dê a sua parte.

Cada vez que a obra for revendida, irá retornar um percentual em forma de royalty automaticamente (10% em cima do valor total da revenda –por exemplo), o que muda completamente o retorno que muitas vezes ganhava em uma tacada só e em um valor reduzido. Do ponto de vista do consumidor que adquire uma propriedade colecionável, ele ainda tem o benefício de potencializar o seu status. 

Com isso, o nível de demanda aumenta consideravelmente para o artista e o de oferta continua restrito, valorizando ainda mais o trabalho do criador. 

A Creator Economy refere-se as comunidades emergentes de criadores, artistas, músicos e desenvolvedores de jogos que se conectam diretamente com seus apoiadores e colaboram sem intermediários, permitindo-lhes desenvolver fluxos de renda independentes. 

“Eu ganhei mais dinheiro no ano passado através de NFTs do que nos 10 anos que tenho feito música –6 álbuns e diversos singles. À medida que os NFTs de música se tornam mais parte de como integramos e apoiamos os artistas, as gravadoras terão que fazer mais do que apenas adicionar a música em uma lista de reprodução”

Steve Aoki
Empreendedor, produtor musical e um dos DJs mais influentes da última década

Em março de 2021, Steve Aoki vendeu seu primeiro NFT, uma das 11 peças da coleção “DREAM CATCHER”, criada em colaboração com o renomado artista 3D Antoni Tudisco, por quase US$890.000. 

O artista de longa data, Matt Kane, costumava vender suas pinturas a óleo em galerias locais; em 2021, ele vendeu uma obra de arte digitalmente pelo equivalente a US$100.000.

O fotógrafo Justin Aversano ganhou mais de US$130.000 vendendo 100 retratos de sua coleção “Twin Flames” como NFTs.

Retratos da coleção "Twin Flames", feitos pelo artista Justin Aversano e considerado como um dos principais projetos quando se trata de o que é NFT de fotografia
(Na imagem: 90 dos 100 retratos da coleção “Twin Flames” do artista Justin Aversano)
(Crédito: OpenSea.io / Justin Aversano)

Além disso, temos os smart contracts (contratos inteligentes), que permitem o recebimento de royalties das revendas, o que configura um potencial desmedido. Por exemplo, o artista de 21 anos, Robbie Barrat vendeu uma obra de arte digital em 2018 por US$176; quando foi revendido em 2021 por 100 Ether, ele ganhou cerca de US$11.000 –mais de 62 vezes o que ele ganhou na primeira venda.

Esses são só alguns exemplos pontuais. No entanto, para ser ter uma ideia do que já é transacionado atualmente, segundo a Forbes, o mercado de NFTs totalizou cerca de US$24,8 bilhões em negociações no ano de 2021, tendo um aumento expressivo de transações no segundo semestre.

Volume de vendas trimestrais de NFT em 2021
(Na imagem: volume de vendas de NFT por trimestre em 2021)
(Crédito: DappRadar)

Quais iniciativas as marcas estão fazendo para penetrar nos mundos virtuais?

Samsung

Na primeira semana de janeiro de 2022, a Samsung anunciou uma parceria com a Decentraland –mundo virtual com base na rede de blockchain Ethereum e que conta com mais de 300.000 usuários ativos. 

Neste caso, trata-se de uma versão virtual com referência à sua famosa loja física localizada na Washington Street 837, em Nova York.

No palco da loja 837X, os convidados vivenciaram uma festa com realidade mista, comandada pelo DJ Gamma Vibes diretamente da loja física da marca. Na 837X, eles também puderam participar de desafios e os vencedores ganharam três itens da marca em NFT. 

NFTs disponibilizadas pela Samsung em sua loja virtual, 837X, parceria com o mundo virtual Decentraland
(Na imagem: os três itens NFT da Samsung, sorteados na loja virtual 837X, parceria com o mundo virtual Decentraland)
(Crédito: Money Times / Samsung Mobile)

Na mesma semana, durante a CES 2022, uma das maiores feiras de tecnologia do mundo realizada em Las Vegas, a marca apresentou uma linha de Smart TVs compatível com games e que permite a compra e exposição de NFTs –apontando o histórico da arte adquirida. 

Nike

No dia 13 de dezembro de 2021, a Nike anunciou a aquisição do fabricante de calçados NFT, a Artifact (RTFKT), acelerando a entrada da marca para a produção de calçados virtuais. 

Lembrando que os ativos virtuais são limitados, de acordo com um número de desejo do criador. Agora, imagina o potencial que isso tem em NFTs com edições limitadas, fora a possibilidade de ganhar com o mercado secundário na forma de royalties, ao atuar em um mundo baseado em blockchain e garantir uma recorrência. 

Outros exemplos

Outras parcerias de sucesso incluem: Louis Vuitton x League of Legends; Balenciaga x Fortnite e Gucci x Roblox. De fato, uma bolsa virtual da Gucci foi vendida por quase US$800 a mais do que a sua versão física –o preço pago: US$4.115 no Roblox.

Marcas estão se movimentando para se envolver o consumidor de maneiras mais significativas a partir de um comércio imersivo, onde produtos ganham vida e utilidade em jogos. 

Ao conceder aos compradores o acesso à história da sua marca, conteúdos dos bastidores ou eventos conforme eles acontecem ao vivo, as empresas podem:

  • Criar vínculos mais fortes com seus clientes ao fortalecer conteúdos exclusivos;
  • Permitir que compradores vejam seus produtos através de uma experiência em, por exemplo, realidade aumentada, ao invés de simplesmente ver esses mesmos produtos em uma prateleira digital;
  • Vender NFTs como creators em busca de melhores retornos.

Por último, o valor de um NFT é baseado inteiramente no que alguém está disposto a pagar por ele. Portanto, a demanda irá direcionar o preço ao invés de indicadores técnicos ou econômicos, que são os que normalmente influenciam os preços das ações e pelo menos geralmente formam a base para a demanda dos investidores.

Dito isso, dependerá do esforço de cada creator fazer com que sua arte –independente do formato– se popularize como NFT, pois será essa popularidade que estabelecerá preços consideráveis e, sobretudo, criará um senso de escassez nas pessoas, fazendo com que o creator siga gerando receita cada vez que sua peça for revendida.

Segundo a CoinDesk, estima-se que o mercado de NFTs chegue a valer US$80 bilhões em 2025 e, neste caso, pode-se dizer que a procura por conhecimento sobre o que é NFT diminuirá exponencialmente, enquanto pesquisas sobre como comprar e vender NFTs, além de qual o melhor investimento no formato, surgirão com cada vez mais frequência nos mecanismos de busca.

Glossário do Empreendedor

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