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Os novos filmes da Marvel e o que as grandes sagas do MCU ensinam sobre planejamento


Os novos filmes da Marvel e o que as grandes sagas do MCU ensinam sobre planejamento

Soa contraproducente um longo planejamento estratégico, mas parece que anúncio dos novos filmes da Marvel só confirmam o quanto o público da Casa das Ideias clamam pelas grandes sagas 

A San Diego Comic-Con, o altar da cultura pop, voltou a erguer suas estruturas depois de dois anos de hiato, causados pela pandemia da COVID-19. 

O evento, que marca os grandes anúncios dos maiores estúdios de Hollywood, teve um retorno triunfal, principalmente, pela presença sempre impactante do Marvel Studios no Hall H, seu palco principal.

No último sábado (23), em um painel recheado com novidades para seus próximos três anos, a Casa das Ideias cumpriu seu papel, fez a lição de casa e entregou o que seu público tanto aclamava: o planejamento estrutural de sua segunda grande saga.

Da data do novo Quarteto Fantástico e os títulos dos próximos filmes dos Vingadores, Kevin Feige, o homem do boné por trás de todo o organograma do MCU, trouxe vários anúncios para o cinema e para o streaming, que irão compor o final da atual Fase 4, a Fase 5 e o término da, agora conhecida Saga do Multiverso, com a Fase 6. 

É uma chuva de anúncios de novas produções da Marvel Studios: trailer de Pantera Negra: Wakanda Para Sempre, poster de Homem-Formiga e a Vespa: Quantumania, abrindo oficialmente a Fase 5, Guardiões da Galáxia Vol. 3, Demolidor, Thunderbolts, Capitão América 4, Blade, Quarteto Fantástico e dois filmes dos Vingadores. 

O futuro da Marvel parece ser cada vez mais multiplataforma e cheio de propriedades. Conforme o universo expande, parece se tornar mais capciosa a missão de amarrar tudo em uma grande jornada – e em um grande planejamento estratégico de anos, sob um contexto de mercado cada vez mais volátil.

Quem dirá que super heróis continuarão no mainstream daqui 10 anos, tal qual fora a aposta para sua primeira grande saga? A Marvel parece ter mais pressa, embora o retorno sobre seus investimentos nunca tenha deixado de ser estrondoso. 

O Statista montou um gráfico com o total investido em todos os filmes da Marvel Comics – até aqueles que estão fora do Marvel Studios, mas possuem personagens da Casa das Ideias – e o retorno obtido em cada um deles.

O anúncio dos novos filmes do Marvel Studios trazem um novo planejamento. O Statista levantou a quantia investida vs receita arrecadada pela Marvel Comics até agora.
Quantia investida vs receita arrecadada pela Marvel Comics. (Crédito: Statista)

Em 2022, quatro filmes dos Vingadores configuram entre os filmes mais lucrativos da história. Olha o tamanho do retorno que deram ao estúdio:

  • “Os Vingadores” (2012): custou US$ 220 milhões e faturou US$ 1,51 bilhão; 
  • “Vingadores: Era de Ultron” (2015): custou US$ 250 milhões e faturou US$ 1,40 bilhão;
  • “Vingadores: Guerra Infinita” (2018): custou US$ 316 milhões e faturou US$ 2,04 bilhão;
  • “Vingadores: Ultimato” (2019): custou US$ 356 milhões e faturou US$ 2,79 bilhões.

Mas essa história nem sempre foi recheada de louros.

Marvel Studios: do colapso ao trono da cultura pop

Marvel Comics, 1996. Uma empresa presa no multiverso das dívidas que culminaram em sua falência. Sim, a Marvel Comics declarou falência, demitiu um terço de seus funcionários e foi tomada por disputas internas e um cenário instável e de tensão.

A missão era somente uma: como tornar a joia de ouro dos quadrinhos lucrativa novamente. As páginas semanais não sustentavam mais sua estrutura e as ideias atravessavam todo alfabeto: restaurantes temáticos, card e action figures e até a venda dos direitos de seus personagens. Valia tudo, menos fechar de fato as portas e enterrar o legado de Jack Kirby e Stan Lee.

O caminho que – inicialmente entre mais erros do que acertos, válido de menção – acabou funcionando para a Casa das Ideias, foi investir no Marvel Studios. Entre mais erros do que acertos porque a Marvel não sabia fazer seus próprios filmes e chegou às vias de fato: concedeu os direitos de seus personagens para outros estúdios, em medida analgésica.

A retomada do cinema de super-heróis, com Blade, X-Men e Homem-Aranha, de nada trouxe ao estúdio. Não fazia sentido entregar seus personagens, seus recursos, para outros estúdios lucrarem em cima. 

Em 2003, depois do sucesso dessas primeiras franquias, foi a figura de David Maisel que entendeu isso, que trouxe de volta a marca Marvel Studios. 

Em uma espécie de consignado, ofereceu uma série de personagens grandes da casa em troca de um investimento do banco Merrill Lynch, para investir na criação efetiva do estúdio e sua primeira produção: Homem de Ferro, um dos personagens de segundo escalão, que à época não valia nem a presença nessa lista.

Uma espécie de consignado porque: se seu plano desse certo e o Marvel Studios tivesse sucesso com seu primeiro longa, ficaria com o investimento do Merrill Lynch e todos os personagens oferecidos, que figuravam nomes como Capitão América, Vingadores, Nick Fury, Doutor Estranho, Pantera Negra e Homem-Formiga.

Se desse errado, o Merrill Lynch teria feito uma aposta e em suas mãos agora teria um valioso recurso para barganhar. Maisel foi extremamente agressivo em sua estratégia.

Mas bem… Homem de Ferro.

Nas telas, eles tinham o super-herói mais humano possível, nas mãos de Robert Downey Jr. No marketing, eles tinham o boneco mais funcional do mundo: uma armadura modular e super tecnológica.

O filme custou à Marvel US$ 140 milhões. Faturou US$ 585 milhões. Um ano depois do lançamento de “Homem de Ferro” (2008), a Walt Disney Company comprou o estúdio por US$ 4,5 bilhões. A Marvel construiu por 10 anos três fases cinematográficas intituladas Saga do Infinito.

Não deixe de conferir: Como fazer um planejamento: Andy Grove

Confira as 22 produções que compõem a primeira grande saga do Universo Cinematográfico da Marvel (MCU), planejada detalhe por detalhe.

FASE 1 – a ideia de universo compartilhado que culmina no filme evento Vingadores

  1. Homem de Ferro (2008); 
  2. O Incrível Hulk (2008);
  3. Homem de Ferro 2 (2010); 
  4. Thor (2011); 
  5. Capitão América: O Primeiro Vingador (2011); 
  6. Os Vingadores (2012). 

FASE 2 – expansão do universo compartilhado e introdução de novas propriedades

  1. Homem de Ferro 3 (2013);
  2. Thor: O Mundo Sombrio (2013);
  3. Capitão América: O Soldado Invernal (2014); 
  4. Guardiões da Galáxia (2014);
  5. Vingadores: Era de Ultron (2015); 
  6. Homem-Formiga (2015).

FASE 3 – a Grande Saga do Infinito

  1. Capitão América: Guerra Civil (2016);
  2. Doutor Estranho (2016);
  3. Guardiões da Galáxia Vol. 2 (2017);
  4. Homem-Aranha: De Volta ao Lar (2017); 
  5. Thor: Ragnarok (2017);
  6. Pantera Negra (2018);
  7. Vingadores: Guerra Infinita (2018);
  8. Homem-Formiga e a Vespa (2018);
  9. Capitã Marvel (2019);
  10. Vingadores: Ultimato (2019).

A Saga do Infinito introduziu Homem de Ferro, Capitão América, Thor, Hulk, Viúva Negra, Gavião Arqueiro… e Os Vingadores – justamente os personagens que haviam barganhado. A maior franquia da história dos cinemas. 

São 22 filmes, que funcionam de forma independente, mas que estão inseridos dentro de um mesmo universo e que de uma forma sutil se interligam. 

Por mais de 10 anos, a Marvel conseguiu engajar uma épica saga no cinema, que culminou na apoteose “Vingadores: Ultimato” (2019). Totalizou ao término de sua primeira grande jornada mais de US$ 22,5 bilhões em bilheterias mundiais. 

O Marvel Studios atualmente está na reta final da Fase 4, que dá início à sua segunda grande saga, intitulada Saga do Multiverso, que irá percorrer pelas Fases 5 e 6, com lançamentos previstos até o fim de 2025.

FASE 4 – o conceito de multiverso

  1. Viúva Negra (2021);
  2. Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis (2021);
  3. Eternos (2021);
  4. Homem-Aranha: Sem Volta para Casa (2021);
  5. Doutor Estranho no Multiverso da Loucura (2022);
  6. Thor: Amor e Trovão (2022);
  7. Pantera Negra: Wakanda Forever (2022).

FASE 5 – anúncios da SDCC 22 e expansão da saga

  1. Homem-Formiga e a Vespa: Quantumania (2023);
  2. Guardiões da Galáxia Vol. 3 (2023);
  3. As Marvels (2023);
  4. Blade (2023);
  5. Capitão América: New World Order (2024);
  6. Thunderbolts (2024).

FASE 6 – sabemos o início e o fim do ato final da Saga do Multiverso

  1. Quarteto Fantástico (2024);
  2. Vingadores: Kang Dinasty (2025);
  3. Vingadores: Secret Wars (2025).

As grandes sagas, uma Marvel multiplataforma e o clamor contraproducente por um longo planejamento estratégico

A Marvel tem um acervo imenso de conteúdo para ser explorado sob seu domínio. Nada mais é linear, agora existem várias realidades, onde tudo é possível. A Marvel, nessa Fase 4, mostrou ao cinema que está disposta a entrar nessa aventura do multiverso.

Tem alguns bons motivos: o primeiro é que ela não se prende a atores, tampouco a personagens. Se você partir do pressuposto de que um personagem é apenas uma versão de uma realidade dentre muitas, ele pode ser facilmente substituível. No caso de contratos, bem, no cinema tudo é finito.

A segunda coisa é que ela consegue integrar novas equipes, que antes estavam sob o domínio de outros estúdios, como Quarteto Fantástico e X-Men. São as mais clássicas formações dos quadrinhos.

O terceiro motivo é que dá um tempero a mais nas narrativas. 

À exemplo de “Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa” (2021), que contou com participações de atores que interpretaram papéis nas franquias predecessoras do personagem, como o Homem-Aranha de Tobey Maguire e o de Andrew Garfield, além dos vilões Octavius Octopus, vivido por Alfred Molina, e o Duende Verde, encenado por Willem Dafoe. 

Um feitiço que abre brechas entre o multiverso traz esses personagens clássicos de “realidades alternativas”. Tornou um filme solo em um lançamento épico, que juntou gerações diferentes de fãs.

A Marvel avança seus planos para além das telonas, investindo no streaming. Quer expandir esse universo com narrativas que possam ser consumidas também nas telinhas. Apresenta justamente esse conceito de multiverso, que dita as regras das Fases 4, 5 e 6, na série Loki, exclusiva do Disney+.

A quantidade de produções para o streaming no planejamento estratégico da companhia impressiona. Desde o começo da Fase 4, até o previsto para o fim da Fase 5, são 15 séries previstas:

  1. WandaVision (2021)
  2. Falcão e o Soldado Invernal (2021)
  3. Loki (2021)
  4. What If…? (2021)
  5. Gavião Arqueiro (2021)
  6. Cavaleiro da Lua (2022)
  7. Ms. Marvel (2022)
  8. She-Hulk (2022)
  9. I Am Groot (2022)
  10. Invasão Secreta (2023)
  11. Loki: Temporada 2 (2023)
  12. Eco (2023)
  13. Ironheart (2023)
  14. Agatha: Coven of Chaos (2023 ou 2024)
  15. Daredevil: Born Again (2024)

A Marvel parece não se preocupar em expandir, mas, ao mesmo tempo, cai na difícil armadilha de amarrar todas as pontas sem cometer deslizes. Parece ser inevitável, principalmente porque seu público do cinema nem sempre será seu público do streaming.

Ao obrigar que você compreenda um evento em uma plataforma, consumindo um evento em outra, a jornada fica mais complexa, enquanto seu imperativo sempre foi ser sutil. Começam os deslizes. Além do mais, são mais produções em um menor recorte de tempo, o que impacta na qualidade dos seus recursos.

Planejar longos anos à frente parece ser contraproducente em um mercado que exige testes rápidos, mesmo sua segunda saga tendo a metade da duração da primeira. Talvez Kevin Feige tenha sentido o impacto da responsabilidade de 10 anos à frente da principal cadeira da Casa das Ideias. 

Falamos do sucesso de “Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa” (2021), que agora não possui nenhuma previsão de volta às telas. O herói está por todos os lados, talvez esse não deveria ser um planejamento mais iterativo? Ou o objetivo é mesmo trabalhar seu vasto leque de personagens?

Entretanto, conhecer os caminhos pelos quais o Marvel Studios irá trilhar parece ser o clamor do público. Uma Fase 4 de transição pareceu incomodar mais do que agradar, enquanto todos ansiavam pelo anúncio do próximo grande filme evento, agora marcado para 2025. Todos os holofotes viraram para o que será construído até lá. 

Mesmo com a ideia de prototipação rápida enraizada em grande parte das empresas que mais crescem no mundo, a Marvel parece trabalhar com calma – e se torna um grande case contraproducente ao senso comum.

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O que aprender com Kevin Feige, o homem do boné por trás dos filmes da Marvel

Se o Marvel Studios reconstruiu a cultura pop, o movimento passa pelas mãos da figura de Kevin Feige, presidente e chefe criativo do Marvel Studios. Sua primeira experiência com produção foi em 2000, como produtor associado de “X-Men: o Filme”. 

Ele foi escolhido por Avi Arad, o responsável pelos primeiros filmes do Homem-Aranha, por seu vasto conhecimento dos quadrinhos. Mostrou-se tão competente que foi elevado ao posto de segundo em comando da Marvel logo no mesmo ano.

7 anos depois, Kevin Feige foi nomeado como presidente do Marvel Studios e, a partir daí, começou a idealizar o que seria o Universo Cinematográfico da Marvel. 

Como essa mente criativa do MCU, Feige coordena todos os lançamentos de forma enfática, guiando diretores para que as tramas tenham essa continuidade para algo maior. O executivo faz questão de manter essa coesão entre os lançamentos, que terminam sempre em grandes filmes eventos.

Toda argumentação passa por uma prova de valor. Em um cargo de liderança, não é só sobre a prova de valor de uma tarefa específica. É a prova em toda uma cadeia de valor. Kevin Feige soube ter uma visão 360º dos objetivos do Marvel Studios – e controle sobre eles.

Também é papel do líder encontrar pessoas fantásticas, diversas e que estejam alinhadas à cultura que norteia seu projeto. O homem do boné foi mestre nas apostas em Robert Downey Jr., Scarlett Johansson e Chadwick Boseman, para representar alguns de seus principais personagens. 

Todos sabem hoje que a Casa das Ideias está sendo regida por um piloto seguro. É o combustível para fazer o motor de qualquer empresa, para além de funcionar, acelerar e crescer. Os novos filmes da Marvel mostram um futuro pelo menos empolgante, tal qual seu passado cheio de glórias, construído entre meio a batalhas tão difíceis quanto a de seus heróis.

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