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Microgerenciamento: como parar com a prática que pode acabar com sua gestão


Microgerenciamento: como parar com a prática que pode acabar com sua gestão

Microgerenciamento é uma prática de gestão de controle, que traz benefícios negativos para o papel do líder dentro de um time e, principalmente, para o engajamento das pessoas que o compõem.

Dentre os diferentes tipos e metodologias de gestão, o microgerenciamento certamente é um que pode estar afetando o ambiente de trabalho e a performance geral da sua empresa – e estou falando para pior, não se engane.

Isso porque um dos ativos mais valiosos para qualquer gestor é o tempo. 

Logo, aquele que fica preso nas minúcias do dia a dia perde seu tempo para fazer o que realmente importa: delegar para potencializar a produtividade de toda sua equipe, inclusive a sua própria. 

Abandonar o microgerenciamento é fazer com que o time saiba jogar com uma memória muscular inventiva.

Gestão eficiente é aquela que passa por extrair o melhor de todos envolvidos dentro de um processo – e não é trabalho do gestor ficar atento 100% do tempo para todos os detalhes, cuidando de cada tarefa que mexa na engrenagem a nível tático e estratégico.

Não faz bem para a liderança, tampouco para seus liderados. Enquanto o líder fica preso em responsabilidades que não são diretamente suas, a equipe não ganha terreno fértil para mostrar serviço e ir além do que é esperado para si. 

É como em um time esportivo, o qual é composto por pessoas que possuem valores semelhantes, que buscam o mesmo objetivo, doam-se ao máximo e esperam ser reconhecidas na mesma medida.

O gestor, ou o técnico, nessa analogia, é o responsável por mostrar a direção, orientar, desenvolver, bem como manter seu contingente engajado, garantindo que evoluam profissionalmente e alcancem a melhor versão de si. 

Microgerenciar é podar esse potencial.

Segundo uma pesquisa da consultoria McKinsey, intitulada “The Boss Factor: Making the world a better place through workplaces relationships”, o relacionamento entre gestores e suas equipes é o principal elemento de influência na satisfação dos colaboradores com o trabalho.

Essa satisfação possui correlação direta com diversos indicadores de sucesso, como a lucratividade do negócio. Ou seja, quando existe intervenção demais nos processos que permeiam essa relação, você pode não estar fazendo o bem que imagina para o seu time. 

Mas afinal, o que é microgerenciamento? 

Micromanagement, ou microgerenciamento, é quando o gestor controla todas as ações dentro de sua equipe. É diferente de um olhar atento para uma gestão estratégica de pessoas, quais são suas dores e o que se espera para elas gerarem seus resultados.

Isso porque ninguém gosta de ser microgerenciado o tempo todo. Chega a ser frustrante e desmotivador ter alguém cuidando de cada vírgula do seu trabalho. É necessário que o gestor tenha confiança na sua capacidade. Essa é a palavra de ordem: confiança.

Voltando à analogia de um time esportivo, foi esse cara quem acompanhou sua contratação, que vê como você treina no dia a dia. Na hora do jogo, quando a coisa esquenta, tanto ele quanto você precisam estar preparados para assumir suas funções.

Imagine o técnico querendo entrar no lugar do atacante na hora das penalidades máximas. Não, liderança não é isso. Liderar é saber a pessoa certa para converter a cobrança.

Alguns sinais claros de que o microgerenciamento pode estar atrapalhando o ambiente de trabalho e performance geral de uma equipe são: 

  • O gestor nunca está satisfeito com as entregas;
  • Sempre há a sensação de que algo poderia ser feito de maneira diferente;
  • Existe um foco exacerbado nos detalhes e, mais, nas correções de cada um desses detalhes;
  • Todos precisam prestar contas no que estão trabalhando a todos os momentos;
  • Há uma necessidade constante de atualizações sobre o andamento de qualquer tarefa;
  • Há um grande volume de reuniões desnecessárias, para alinhamentos já trabalhados.

Mais uma vez: prestar atenção aos detalhes e garantir que o trabalho está sendo feito não é a questão em jogo aqui. É sobre como as lideranças perdem tempo fazendo isso de forma demasiada.  

E gerir o tempo é um equity inestimável. Um gestor eficiente precisa TAMBÉM estar alinhado com esses detalhes, mas não ao ponto de controlá-los e descompassar o ritmo de sua equipe. 

Gestão precisa focar naquilo que importa: como montar as estratégias necessárias para extrair o melhor de cada um e atingir os resultados, porque ninguém joga sozinho. Microgerenciar parece que o gestor quer tudo para si – e não é sobre isso. 

Em alguns exemplos hipotéticos, esses talvez seriam os feedbacks os quais um microgestor receberia:

  1. “Ele tem dificuldade em delegar e está sempre pedindo pelos detalhes. Não permite que ninguém agregue aos processos da área. Vai acabar queimando aos seus funcionários e a si mesmo”;
  2. “Ele poderia estar gastando seu tempo em questões mais estratégicas, mas está se envolvendo nos pormenores do dia a dia. Não sobra espaço em sua agenda para decisões que fariam a área crescer. Está apenas apagando incêndios com todo o corpo de bombeiros atrás esperando por um sinal de ação”;
  3. “Ele se envolve demais, atrapalha a equipe e acaba se tornando o próprio gargalo do processo”.

Como gestor, você dilui sua própria produtividade e fica inapto para fazer o que realmente importa: ser estratégico e olhar oportunidades futuras. 

Mais: você atrapalha o desenvolvimento do seu contingente e, muitas vezes, cria uma lacuna organizacional quando sua equipe não está acostumada a funcionar sem sua presença.

Quem arma a estratégia para ganhar é o técnico. Quem está no campo para executar são os jogadores. Lembre-se disso.

Como parar de microgerenciar? 

Tallis Gomes
Tallis Gomes e a Gestão Libertária, tão bem sucedida em seus empreendimentos. (Crédito: G4 Educação)

Em 1983, Andy Grove, um dos primeiros funcionários e ex-CEO da Intel Corporation, decidiu lançar seu livro “Gestão de Alta Performance”, que desenvolve a tese sobre atividades de alta alavancagem.

Tratam-se de práticas de gestão com foco em multiplicar os resultados da equipe – o oposto do micromanagement, embora microgestores acreditem estar fazendo exatamente isso.

Entre as principais características dessas atividades de alta alavancagem estão:

  1. Saber como selecionar indicadores de produção e análise;
  2. Saber que o sucesso de sua operação é sinônimo do sucesso de sua equipe;
  3. Reuniões orientadas para processos;
  4. Gestão estratégica de pessoas;
  5. Questões de adaptabilidade – não existe um modelo de gestão certo, mas sim aqueles que se adequem a cada tipo de situação.

Como o dia só tem 24 horas, é essencial que os líderes e gestores foquem nas atividades de alta alavancagem para potencializar os resultados. A contramão, como está sendo desenvolvido, é, claro, o microgerenciamento. 

O impacto da obra de Andy Grove pode ser analisada em uma citação de Ben Horowitz:

“Era surpreendente para todos nós como o CEO da Intel alocou seu tempo e se deu ao trabalho de nos ensinar a habilidade essencial do empreendedorismo: como gerir”

Ben Horowitz, empresário, investidor americano e co-fundador da venture capital Andreessen Horowitz
Ben Horowitz, empresário, investidor americano e co-fundador da venture capital Andreessen Horowitz (Crédito: Vicki Thompson via The Business Journals)

É verdade que existem diversas práticas de gestão para otimizar tempo e esforço. A bíblia de Andy Grove é uma delas, mas outra, tão eficiente quanto, para parar de vez de microgerenciar, é o conceito de Gestão Libertária, que com muito sucesso implementei em meus negócios, como G4 Educação, Easy Taxi e Singu. 

A premissa básica é liderar para desenvolver novos líderes.

Não tenho dúvidas de que esta metodologia foi um pilar fundamental no crescimento e desenvolvimento de todas essas iniciativas. Você também pode aplicar o modelo em seu negócio, independentemente de qual seja seu porte ou segmento – e abandonar de vez o microgerenciamento.

Para compreender o que é Gestão Libertária, precisamos falar sobre libertarianismo, conceitos diretamente relacionados. Trata-se de uma corrente filosófica que defende nossa liberdade como o maior princípio de todos.

Para um libertário, o indivíduo não é um meio para um fim, mas sim um fim em si mesmo. Ou seja, nós somos senhores de nós mesmos. 

Existe aquela frase do Homem-Aranha que, por mais que fictícia, ganha todo seu sentido em: “com grandes poderes, vem grandes responsabilidades”. Pois bem, com a premissa da liberdade e da autonomia, também te acompanha a premissa da consequência, de assumir com seriedade suas ações proferidas.

Fazendo coro, o economista Friedrich Hayek, um dos vencedores do prêmio Nobel em 1974, disse uma vez o seguinte:

“Liberdade significa não somente que o indivíduo tenha tanto a oportunidade quanto o fardo da escolha; significa também que ele deve arcar com as consequências de suas ações. Liberdade e responsabilidade são inseparáveis.”

Friedrich Hayek, economista e um dos vencedores do prêmio Nobel
Friedrich Hayek, economista e um dos vencedores do prêmio Nobel. (Crédito: Arquivo Público)

Existe jeito melhor de potencializar as capacidades individuais das pessoas do que dar-lhes liberdade e responsabilidade? Todo jogador gosta de estar em um jogo grande. Ninguém gosta da reserva.

São com essas premissas que você desenvolve naturalmente novos líderes. Se tem algo que eu aprendi lidando com pessoas durante a minha jornada é que não existe desenvolvimento sem liberdade.

Os pontos que mais caracterizam o modelo de Gestão Libertária são:

  • Liberdade: uma equipe composta por pessoas que se sentem livres para desempenharem suas atividades, naturalmente assumem mais responsabilidades. Como mostrei na pesquisa da McKinsey, a prática está diretamente relacionada à obtenção de melhores resultados para o negócio;
  • Descentralização: como a ideia é criar um ambiente para o desenvolvimento de novos líderes, descentralizar as tomadas de decisões ajuda nesse objetivo;
  • Horizontalidade: essa característica faz dupla com descentralizar as tomadas de decisões. Aqui, horizontalmente, essas decisões são tomadas por todos em conjunto, não apenas pela liderança. Aumenta a eficiência da comunicação entre a equipe;
  • Potencialização do ownership: aqui falamos do famoso sentimento de dono, característica vital para Gestão Libertária. Todos precisam vestir a camisa e estarem na mesma página perante os objetivos;
  • Equipe sólida e confiável: o sucesso do modelo de gestão passa diretamente pela montagem de uma equipe em que seu líder pode confiar de olhos fechados – contrário ao microgerenciamento;
  • Máxima sinergia: quando todos os valores acima culminam em uma cultura organizacional forte e coesa, a qual todos remam para a mesma direção.

Com os exemplos de Gestão de Alta Performance e Gestão Libertária, acredito eu que você pode encontrar os caminhos para largar de vez o microgerenciamento e potencializar os resultados da sua equipe.

Micromanagement: uma prática a ser evitada 

A diferença entre gerenciar e microgerenciar é o foco no “micro”. Se distanciar do microgerenciamento é abandonar as minúcias. Requer o elo mais forte: o da confiança – e essa deve ser construída.

Comece analisando o que você pode delegar. Não há nada de errado em ter uma expectativa sobre uma entrega, mas há uma diferença entre compartilhar essa expectativa e ditar como chegar ao resultado esperado. 

Articule como você imagina a jornada, mas não crie um manual de regras sobre como chegar ao destino final. Você pode acabar surpreso o quanto uma abordagem mais flexível é capaz de trazer resultados surpreendentes.

Ao ampliar o risco, você cria responsabilidades. Mais uma vez: jogador bom quer entrar em jogos grandes. Como um técnico, forneça os recursos, informações e suporte necessários para atender a essas condições. 

Dê crédito onde o crédito é devido. Com o tempo, você perceberá que uma perda de vez em quando ajuda a construir um forte histórico a longo prazo.

O combo desses aprendizados me levou, junto aos meus sócios, a desenvolver a Gestão 4.0 Imersão e Mentoria para Empreendedores, voltada àqueles que desejam acelerar o crescimento do seu negócio por meio de conceitos modernos, aplicáveis e validados por alguns dos maiores empreendedores do país.

Aprender com quem foi lá e fez de fato. Nenhum de nós ousou em microgerenciar. Sempre nos enxergamos como um time, que um puxava a mão do outro para nos alavancar. 

É o resultado de todos esses anos no mercado, aprendendo e errando, mas, sobretudo, tentando, ao lado de gente que nos mostrou que oportunidades são pessoas – e não algo intangível para se buscar.

Tallis Gomes
Ao palco, Tallis Gomes levando para o mundo os aprendizados da Gestão 4.0 Imersão e Mentoria para Empreendedores. (Crédito: G4 Educação)

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