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G4 Books: Responsabilidade Extrema: Como os Navy Seals Lideram e Vencem [Principais Conceitos]


capa do livro responsabilidade extrema ou leadership extreme

O livro responsabilidade extrema ou extreme ownership é uma verdadeira lição de liderança, reunindo os principais insights e experiências dos Navy Seals, grupo de elite da marinha americana.

“É meia-noite em Ramadi. A equipe Seal acaba de sair de um prédio movendo-se para o que eles pensavam ser o telhado do prédio ao lado. No entanto, esse aparente teto acabou sendo uma mera lona, ​​e um Seal caiu através da cobertura e caiu 6 metros abaixo, ferido e exposto.  A unidade está em território inimigo sem apoio, extremamente vulnerável, com um ferido e uma bomba inimiga na saída do prédio.”

Na situação descrita acima, o que o líder deve fazer? No livro “Responsabilidade extrema: Como os Navy Seals lideram e vencem“, os autores Jocko Willink e Leif Babin, dois oficiais Seal que lideraram a unidade de operações especiais mais condecorada da Guerra do Iraque, reúnem uma série de relatos como esse, que demonstram como a liderança é essencial para o sucesso ou o fracasso de uma equipe. 

livro responsabilidade extrema escrito por jocko willink e leif babin
Livro “Responsabilidade extrema: como os navy seals lideram e vencem”

Os chamados Navy Seals, fazem parte de uma força especial da Marinha americana, e sua sigla representa os ambientes em que operam (Sea, Air, Land – no mar, no ar e na terra). 

Apesar do campo militar possuir particularidades próprias, os princípios de liderança que regem a força especial da marinha americana, podem ser aplicados também aos negócios, que muitas vezes demandam mentalidade forte, disciplina e o domínio de determinadas técnicas para obter sucesso.

Apesar de inúmeras atribuições, construir um time forte e focado nos resultados tende a definir um “líder de sucesso”. Afinal essa figura é responsável acima de tudo, pelo alinhamento entre colaboradores, extraindo o melhor de sua atuação individual e potencializando o trabalho em equipe.

Isso porque, possui grande influência na construção da cultura organizacional, engajamento dos funcionários e principalmente, acaba tomando decisões normalmente cruciais, que na maioria das vezes,  determina a sobrevivência do negócio.

Nesse sentido, um estudo da Gallup apontou que um líder que investe na construção de uma cultura forte atrai 20% mais candidatos considerados excelentes. Esses candidatos normalmente, são mais propícios a acreditarem nos valores e estão engajados com a organização, contribuindo para o desenvolvimento de uma equipe de alta performance

Sendo assim, alguns fatores são fundamentais para compor uma liderança efetiva. Apesar do que muitos podem pensar, um bom líder não nasce com uma vocação natural para o sucesso, apesar de alguns possuírem maior ou menor inclinação comportamental para tal.

Simplificando, normalmente, o sucesso de uma organização está diretamente relacionado à capacidade de liderança, e isso engloba diversos pontos de atenção, hábitos e habilidades a serem desenvolvidas ou até, repensadas. 

Uma liderança é construída a partir de um comportamento consistente e que deve ser aprendido e exercitado, ou seja, a capacitação é fundamental. E essa construção, tanto de mentalidade quanto de equipes, pode ser, por vezes, extrema

A seguir, reunimos os principais conceitos de práticas desenvolvidas pelo grupo de elite da marinha americana, uma vez que suas técnicas de coordenação de operações se aplicam muito bem aos negócios, e são uma verdadeira aula de liderança.

“Comovomente, poderoso, prático. Leitura obrigatória para todos os líderes.”

Roger Ailes, presidente e CEO da Fox News Channel, da Fox Business Network e presidente da Fox Television Stations

#1 – Assuma a responsabilidade por todo e qualquer fracasso

Há uma certa tendência a presumir que um líder deve saber tudo, se concentrando em responder a todas as questões que possam vir à tona. Porém, como já mencionado por Tallis Gomes, no artigo 15 lições de liderança, esse pode ser um erro fatal, isso porque, nesta perspectiva, um líder deve se concentrar em fazer as perguntas certas, que  darão direção e base para a estratégia. 

Contudo, independente do seu track record, e ainda que faça boas perguntas, qualquer liderança está suscetível ao erro, e um bom líder deve estar pronto para assumir a responsabilidade por qualquer falha, incentivando com que a equipe faça o mesmo. Mas como isso se dá na prática?

Enquanto estava no Iraque em 2012, a unidade de Willink  foi atacada por um grupo supostamente inimigo. Embora essa fosse uma das explicações mais plausíveis, o ataque estava sendo realizado por outra unidade Seal e no meio do confronto, um soldado não resistiu. 

Uma vez que era oficial de patente na operação, Willink assumiu a responsabilidade da situação e arcou com a fatalidade.  Em um confronto, principalmente se for armado, dificilmente haverá tempo para desculpas, e Jocko Willink deixa isso claro em uma dos insights mais importantes do livro.

A experiência descrita não é um caso isolado, e as unidades Seal que possuem o melhor desempenho são lideradas por comandantes que assumem os erros, estão abertos a críticas construtivas e estão dispostos a melhorar constantemente.

Isso é importante porque da mesma maneira como essa atitude é recebida e replicada pela a equipe, se os líderes não a fazem, isso também é absorvido pelos demais. 

Quando um líder não assume a responsabilidade e ao invés disso, culpa a todos, a mensagem é que esse comportamento deve ser replicado, resultando em equipes ineficazes e incapazes de seguir os planos e tarefas a que são orientadas.

Além de não ajustar os problemas, responsabilizar os outros gera um comportamento inconsistente, gerando desconfiança entre todos na cadeia de comando. 

#2 – Entenda a importância de executar a missão, para executá-la com excelência

Navy seals pulando de para-quedas em uma operação
(Na imagem: Navy seals em operação)
(Créditos:cdni.rt.com)

Mesmo que existam diferentes tipos de liderança, todas acabam possuindo algum traço, maior ou menor da liderança transformacional. Isso é, como líder, é imprescindível que você entenda o seu papel enquanto figura que acima de tudo, influencia os demais. 

Quando Willink soube que a equipe Seal lutaria ao lado do recém formado exército iraquiano ficou relutante, pensando nas características comportamentais do aliado, principalmente em campo. Contudo, não compartilhou sua hesitação com a tropa.

Antes, tentou entender o porquê da parceria, que posteriormente, foi fundamental para retirar as forças americanas do país. Quando ele entendeu o movimento estratégico da atitude, ou seja, entendeu seu propósito, passou a acreditar na missão e pode convencer sua equipe do mesmo. 

Isso significa que seu time precisa comprar a missão tanto quanto você, desse modo, além de gerar alinhamento, é possível entender como cada um pode contribuir para que a mesma seja executada com sucesso. 

Se Willink toma a atitude contrária, questionando a missão e expressando sua posição para a unidade, convencê-los do contrário depois, seria um desafio muito maior, e na verdade, desnecessário, gastando tempo e energia para uma missão que poderia já estar fadada ao fracasso, dado o sentimento de dúvida instaurado anteriormente. 

Como líder, é necessário o desenvolvimento de um pensamento crítico, e como já explicamos anteriormente, é fundamental fazer as perguntas certas. Esse entendimento estratégico significa assumir a responsabilidade, entendendo o porquê e por fim, como implementar um plano tático.  

Em suma, mesmo quando uma orientação parece questionável, um bom líder deve apoiar os objetivos da equipe integralmente, alinhando-os aos objetivos de negócio, e exercitando uma visão estratégica. 

#3 – Trate os aliados como rede de apoio, não como competidores

Focar no problema é uma prática muito comum, principalmente no mundo dos negócios, e encontrar soluções que possam resolvê-lo passa a ser o foco principal. Embora essa dinâmica aparente funcionar, é comum que uma visão micro seja naturalmente empregada, reduzindo as possibilidades de resolução mais amplas.

Ao realizar uma missão, a unidade liderada por Leif Babin estava sem apoio algum e para se deslocar de volta a base, era preciso passar pela cidade em plena luz do dia, um risco considerável, já que as chances de ataque eram altas. No fim, a equipe voltou a base em segurança, mas Babin percebeu ter cometido um erro. 

Uma outra equipe estava por perto e poderia ter ajudado em uma das lições fundamentais do treinamento dos Navy Seals, chamada de “cover and move”, ou em tradução literal, cobrir e mover, ou seja, essa outra equipe conseguiria dar cobertura. Contudo, o comandante estava tão focado no problema da própria equipe que não considerou um pedido de ajuda.

Navy seals em treinamento no mar
(Na imagem: Navy Seals em treinamento no mar)
(Créditos: Navy Seals Museum)

Pensando no meio empresarial, é comum que diferentes equipes foquem em diferentes objetivos, deixando de cooperar, fomentando um ambiente de culpa e competição, normalmente, destrutivos. 

Sendo assim, enquanto líder, é preciso exercitar o  olhar, levar em consideração o objetivo que precisa ser alcançado e como cada área pode contribuir para atingi-lo, promovendo um trabalho mais colaborativo, sabendo que o inimigo não são os colegas e sim, a concorrência. 

#4 – Estabeleça prioridades claras e aja de acordo com elas para permanecer eficaz sob pressão

Agir sob pressão, ser responsável por diferentes demandas, lidar com uma série de prioridades. Esse pode ser um cenário comum para a maioria dos líderes, e ao liderar uma equipe Seal, todos esses fatores podem ser potencializados, com situações de extrema incerteza e risco de vida. O que estabelecer como prioridade?

Para esse contexto, o treinamento Seal determina um princípio: priorizar e executar. Isso significa que por mais extrema e delicada que uma situação seja, não é possível resolver tudo de uma vez, e neste momento, o ideal é manter a calma, analisar e decidir a melhor ação possível. Para isso, os Navy Seals estabeleceram um mantra: “relaxe, olhe ao redor, faça uma ligação.”

Mesmo que os líderes possuam uma alta competência, mitigar a sobrecarga e decidir qual é a prioridade máxima e então encontrar uma solução para a mesma, é uma das opções mais eficazes diante de situações críticas.  Afinal, se tudo é visto como prioridade, geralmente, nada é. 

Priorizar e executar pode ser fundamental para o sucesso de um negócio. Ao entender a potência dessa abordagem, é possível estabelecer uma comunicação clara e assertiva sobre o que precisa ser feito, solicitar ideias e a colaboração de outras lideranças, e concentrar os esforços da equipe para execução do planejamento.

O processo é cíclico, e conforme as prioridades deixam de ser pendências, a equipe deve ser comunicada, focando então, no próximo passo. 

#5 – Se planejar para o sucesso significa identificar e mitigar os riscos com antecedência e de maneira abrangente

No contexto militar, é comum que ocorram operações de resgate perigosas e com riscos fatais. O que faz com que seu planejamento seja abrangente e ao mesmo tempo minucioso, devendo abarcar todos os perigos possíveis, até os menos improváveis. 

Ao resgatar um refém iraquiano, por exemplo, de acordo com Babin, a operação era considerada delicada: o mesmo estava cercado por explosivos, o que já era esperado, mas junto a isso, estaria guardado por metralhadoras, o que aumentou o risco consideravelmente. Contudo, o oficial já havia levado essa possibilidade em consideração, o que fez com que o plano seguisse em frente.

Nesta situação, aprendemos que ao elaborar iniciativas amplas e que mitigam o risco, o líder entende a responsabilidade que possui, além de  utilizar o tempo que seria gasto desenvolvendo outro plano de maneira inteligente, refinando a estratégia.

No caso da elite da marinha americana, esse planejamento prévio pode determinar viver ou morrer, e mesmo que dificilmente um empreendedor passe por uma situação tão extrema, elaborar um planejamento detalhado e consistente, é imprescindível.

Ao desenhar um plano preciso, uma boa liderança deve levar em consideração diversos fatores, cenários e riscos em potencial, mitigando eventuais falhas e adquirindo conhecimento útil, que certamente, auxiliará futuras decisões, além de proporcionar um direcionamento claro à equipe.

Mesmo que existam riscos, os bons líderes conseguem focar naquilo que podem efetivamente controlar. Isso torna o sucesso mais palpável, preparando a equipe para o desconhecido.

No treinamento, Babin costuma sempre perguntar para os recrutas: você ainda teria executado esta missão depois de descobrir os riscos? A resposta deve ser sempre sim.

#6 – Ao invés de ressentir a interferência dos superiores, certifique-se de oferecer a eles a informação de que precisam

É comum que muitos líderes não entendam a importância de manter um bom relacionamento com seus supervisores, e para isso, é essencial que as informações sejam transmitidas com clareza, coesão e de maneira recorrente, otimizando a tomada de decisões.

Neste sentido, o livro relata uma situação vivida por vários líderes. Babin se queixava de receber e-mails constantes de seu comandante fazendo perguntas que o mesmo considerava supérfluas, levando em consideração todo o trabalho que ele realizava. 

Até que o Wllink o fez ver a situação sob uma nova perspectiva, argumentando que se o seu comandante estava perguntando tanto, ele não estava assumindo a responsabilidade de informá-lo de maneira eficiente, ou seja, Babin precisava comunicar suas ações devidamente. 

Jocko Willink e Leif Babin
(Na imagem Jocko Willink e Leif Babin, comandantes de unidades Navy Seal e autores do livro extreme ownership)
(Créditos: Divulgação / Jocko Willink e Leif Babin)

Portanto, o ideal é que antes de questionar atitudes de algum superior, um líder responsável, pensa primeiramente em sua própria atitude e o que a mesma está acarretando. 

Em suma, um bom líder se certifica de distribuir as informações na cadeira de comando de maneira eficaz, facilitando o acesso e disponibilizando insumos suficientes para que os superiores sejam capazes de  apoiar, interferir e tomar as devidas decisões. 

Extreme ownership: considerações finais

Embora existam muitos livros sobre liderança bons e aplicáveis, as lições contidas em responsabilidade extrema: como os navy seals lideram e vencem, reúne situações intensas, adicionando uma camada de urgência e levando a importância da liderança a outro nível.

Uma série de fatores complexos são responsáveis por uma boa liderança, e dentre os principais conceitos abordados no livro, podemos destacar uma abordagem que entende que a figura de um líder é carregada de influência, autoridade e estratégia. 

Neste sentido, entender a importância de realizar um planejamento estratégico minucioso, levando em consideração os riscos e sempre prezando pelo bem estar dos liderados, é essencial.

Outro insight relevante para uma liderança eficaz, segundo o extreme ownership é focar em uma gestão descentralizada, chamada também de gestão libertária. Com equipes cada vez maiores para liderar, dificilmente será possível que uma pessoa acompanhe o que precisa ser feito com qualidade e atenção.

Para evitar a perda da eficiência, o ideal é dividir a equipe em no máximo cinco pessoas, e designar para cada grupo, um líder. Essa estrutura garante o alinhamento e acompanhamento do que precisa ser feito, além de evitar a sobrecarga de trabalho. 

De maneira geral, uma liderança de sucesso consiste em conhecer profundamente sua equipe, assumindo a responsabilidade por seus sucessos e fracassos. Além de cultivar um bom relacionamento em toda a cadeia de comando, para que seja possível efetivamente, liderar: estabelecendo prioridades e comunicando-as apropriadamente. 

Sendo assim, a partir de relatos em primeira mão, os Navy Seals ensinam que cultivar a liderança em todos os níveis é fundamental para o sucesso.

Se você quer saber mais e aplicar todo o poder de uma liderança eficaz, participe da Imersão em Liderança, do G4 Educação em que Fábio Gurgel e Maurílio Nunes, dois grandes líderes, ensinam as melhores práticas.

O General Fábio Gurgel campeão brasileiro, europeu e 4 vezes campeão mundial de Jiu-Jitsu, está no Hall da fama da IBJJF e é um dos nomes mais respeitados da arte no país. Fundador da maior e mais vitoriosa  equipe de todos os tempos no esporte, a Alliance Jiu-Jitsu, com mais de 300 filiais espalhadas por 29 países. 

Já Maurilio Nunes atua como líder de equipes especiais e estrategistas em eventos de elevada importância Nacional e impacto mundial, como os processos de Pacificação no Estado do Rio de Janeiro e Copa do Mundo, e vai entregar as ferramentas e métodos de liderança que funcionam até mesmo sobre pressões inacreditáveis.

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