Artigos, Livros

G4 Books: Empresas feitas para vencer | Good to great [Principais Insights] 


capa do livro good to great

Existem  empresas feitas para vencer? Como alguns negócios são capazes de atingir o sucesso e outros não? Seria produto e serviço os principais diferenciais ou a capacidade de inovação e um planejamento estratégico consistente é a resposta?

Perguntas são capazes de nos levar a grandes descobertas, e foi com curiosidade e método, que Jim Collins tentou responder ao longo de 5 anos a seguinte questão: por que algumas empresas alcançam a excelência e outras não?

Depois de analisar mais de 6.000 artigos de imprensa e 2.000 páginas de entrevistas com executivos, Collins e sua equipe tentaram encontrar padrões capazes de dizer o que fazem as empresas que permanecem no topo, e em contrapartida o que fazem aquelas que se mantêm sempre abaixo da média. Para entender melhor as nuances, as companhias foram divididas em três grandes grupos:

  • Empresas “boas para ótimas”: companhias que passaram a gerar retornos acumulados de pelo menos 3x o mercado de ações por 15 anos (após passar o mesmo período com um desempenho razoável);
  • Empresas de “comparação direta”: embora possuíssem as mesmas condições que as empresas do primeiro grupo, são negócios que permaneceram atuando na média ou abaixo dela; 
  • Empresas de “comparação não sustentada”: empresas que mantiveram um com desempenho mas acabaram com uma performance abaixo do esperado.

Baseado na observação dessas trajetórias empresariais, ele compilou os resultados no livro “Good To Great”, que se tornou um verdadeiro guia atemporal para empresas que esperam entender os mecanismos por trás de um bom desempenho.

A seguir, separamos os principais insights da obra que se tornou um dos principais livros de cabeceira de muitos empreendedores, gestores e líderes de diversos setores.

#1 – Aplique o conceito ouriço

O processo de tomada de decisão é fundamental para qualquer negócio – das maiores às menores decisões, todas contribuem em algum grau para os rumos da empresa, e são capazes de impulsionar ou minar seu desempenho.

Ao longo da pesquisa, Collins identificou que as empresas que passaram de boas para ótimas utilizavam uma estratégia para esclarecer seus objetivos e impulsionar decisões que ele nomeou de “conceito ouriço”. Ao ser perseguido, o animal se transforma em um bola de espinhos robusta, que o mantém seguro e focado em sua própria sobrevivência.

Com o objetivo de reproduzir essa dinâmica, os negócios devem debater e responder às seguintes perguntas:

  • Em que podemos ser os melhores do mundo? 
  • Pelo que podemos ser apaixonados ? 
  • Qual é o principal indicador econômico em que devemos nos concentrar? 

Após alguns anos pensando a respeito – uma média de quatro anos -, as empresas são capazes de conhecer seu propósito de dentro para fora, ideia similar ao método golden circle.

Esse exercício ocasiona na descoberta de seu próprio ouriço – o que a faz sobreviver? O que está no centro da redoma de espinhos? Essas respostas estarão por trás de todas as decisões da liderança.

Portanto, para decidir melhor é preciso ter clareza do propósito e simplificá-lo, entendendo o que é prioridade. Assim, o crescimento passa a ser focado na proposta de valor, acumulando resultados consistentes antes de buscar outras avenidas de crescimento.

#2 – Manter a consistência é fundamental

Uma vez que o “conceito ouriço” é aplicado, agir de maneira consistente é fundamental para atingir o sucesso.

Ao entender que poderia baratear a produção aumentando a qualidade e a eficiência utilizando mini-mills, a fabricante de aço Nucor – que em 1965 lutava contra a falência -, mirava em se tornar um dos principais players do setor  em 1975. Tudo isso, ao encontrar o seu próprio ouriço.

As chamadas mini-mills são indústrias siderúrgicas que utilizam majoritariamente sucata como principal matéria-prima, o que torna a produção mais flexível e barata. A empresa passou a construir diversas mini-mills, conquistando clientes de modo recorrente e se afastando cada vez mais de ficar no vermelho.

Duas décadas depois de 1975, tornou-se a siderúrgica mais lucrativa do país – superando o mercado de ações por um fator de cinco.

A Nucor encontrou seu objetivo e o manteve simples, contudo não menos ambicioso. O sucesso requer paciência, consistência e é formado por pequenas ações, que juntas, levam a empresa rumo ao que foi planejado.

Portanto, ao encontrar o seu ouriço é preciso mantê-lo como o principal foco, sem deixar com que a equipe seja levada em outras direções que parecem mais atrativas e rápidas mas que fogem objetivo principal.

#3 – Use a tecnologia como meio, não como fim

A adoção de novas tecnologias costuma ser um ponto delicado para as empresas. Enquanto algumas focam em aumentar o nível de inovação – aderindo a toda e qualquer possibilidade -, outras acabam tendo uma alta aversão a riscos e, por vezes, não conseguem avançar seu nível de maturidade digital

Ambos os casos não são exatamente os mais adequados. 

O uso de novas tecnologias deve ser estratégico – visto nem como ameaça nem como a salvação de todos os problemas mas sim, como uma forma de deixar a companhia mais próxima de seus objetivos de negócio.

Portanto, o ideal é estar atento à evolução da tecnologia levando em consideração como ela pode contribuir com o seu negócio naturalmente – trabalhar para a empresa e não contrário. 

Empresas ótimas são aquelas que tomam decisões baseadas em dados e respeitando sua estratégia. Por exemplo, novas tecnologias que não ajudem o negócio imediatamente não devem ser descartada para sempre, pelo contrário. O ideal é que sejam acompanhadas de perto pela empresa e em outro momento, caso faça sentido, é adotada – sempre com estratégia e respeitando o nível de maturidade da companhia.

#4 – Priorize bons líderes

A liderança é um elemento chave para o negócio porque é capaz de mover o time – motivando, engajando e orientando através de um objetivo comum. 

Empresas com alto desempenho são aquelas que possuem lideranças fortes, que implementam e sustentam transformações através de competência e habilidades interpessoais distintas.

Collins chamou de “liderança de nível 5” aquele líder que além de cumprir sua função estratégica é um excelente indivíduo, membro de equipe e gerente. Ele é considerado ambicioso, voltado para resultados e obstinado quanto ao seu próprio legado – mas a prioridade é manter tudo funcionando perfeitamente mesmo após a sua saída – e essa característica é um ponto a se destacar. 

De acordo com o livro “Good to Great”, um bom líder é aquele capaz de mostrar humildade – ele é orientado pelo que é melhor para o negócio e não para o seu ego – inclusive, são discretos e modestos, focados em deixar o time que lidera em destaque e se algo não sai como o esperado, é o primeiro a assumir a responsabilidade.

Resumidamente, os “líderes de nível 5” são aqueles que trabalham para o sucesso do negócio e o desenvolvimento de seus liderados – e ao longo do caminho são naturalmente recompensados – com conquistas e resultados que ajudam a empresa a progredir consistentemente – tornando-se excelentes no que fazem, e totalmente memoráveis.

#5 – Invista nas pessoas certas

Existem tarefas muito importantes que uma empresa precisa fazer a fim de percorrer seu caminho até o sucesso – e uma das mais importantes é a contratação de profissionais excelentes – dos operacionais aos estratégicos.

Mesmo que a empresa ainda esteja trabalhando em seu “conceito ouriço”, já é possível ter uma leve ideia do que está ou não construindo enquanto companhia e o que precisa para chegar lá. Ter essa ideia – mesmo que esteja em estágios iniciais, pode oferecer uma boa diretriz de perfil e habilidades necessárias em possíveis colaboradores.

Uma sugestão é priorizar aspectos comportamentais em detrimento de competências técnicas – a primeira dificilmente mudará, mas a segunda pode ser aprimorada. De acordo com Collins, as empresas feitas para vencer constroem um ambiente sem espaço para a procrastinação e acreditam na capacitação e no desenvolvimento de seus colaboradores como um elemento-chave de seus bons resultados.

Por isso, mesmo que haja necessidade, não contratam quem não apresenta as características buscadas. Por outro lado, quando encontram um bom profissional, tentam trazê-lo para o time mesmo que não haja uma vaga definida para ele.

Resumidamente, empresas que alcançaram o sucesso enxergam o processo de recrutamento e seleção não como uma perda de tempo, mas sim, como um investimento no futuro da companhia – cultivando uma cultura forte e com expectativas alinhadas.

#6 – Confronte a realidade, mas mantenha a confiança

Empreender não é fácil. Embora haja sucesso, há muitos erros e incerteza, portanto, mesmo que seja necessário ser positivo, é preciso dosar as boas perspectivas com a realidade do mundo dos negócios.

Analisar a concorrência, fatores externos, novas tecnologias, tendências e comportamentos é essencial para atuar de acordo com a realidade – traçando planos concretos para obter sucesso.

É preciso ser um “otimista-realista”.

Empresas que alcançam o sucesso são capazes de manter o otimismo com “um pé” na realidade, reconhecendo desafios e incertezas mas sem entregar os pontos, são aquelas que vencem.

Quando a P&G anunciou que entraria no mercado de bens de papel – que inclui higiene, papelaria, embalagens e outros, dois grandes players reagiram distintamente. 

Enquanto o líder de mercado Scott Paper tentou diversificar o portfólio a fim de diminuir a competição direta com o novo player, a Kimberly-Clark encarou a situação como uma nova oportunidade de se destacar no mercado: 20 anos depois, a Kimberly-Clark comprou a Scott Paper e batia a Procter & Gamble em seis das oito categorias de produto. 

Ou seja, mais vezes do que podemos contar é preciso calcular os riscos e inovar, mantendo uma orientação baseada em dados e melhorando seu conceito ouriço para ser reconhecido e preferido pelos consumidores.

#7 – Crie uma cultura de resiliência 

Empresas feitas para vencer são aquelas que conseguem falar sobre o que não está funcionando com honestidade. Assim como exploramos a importância de equilibrar realismo com positividade no tópico anterior, é preciso estendê-lo para o dia a dia também, de modo que todos possam falar abertamente sobre o que pode ser melhorado, mantendo a transparência.

Capacitar as lideranças para falar sobre o que deu errado e pode melhorar é um elemento fundamental para uma cultura não só voltada para resultados como também para a melhoria constante – afinal, é só através do diálogo real que é possível construir o “como melhorar”.

Portanto, construir um ambiente em que erros e preocupações podem ser compartilhados (sem apontar culpados), é a base para empresas que funcionam de modo mais orgânico e alinhando.

Um dos maiores insights descobertos em “Goot To Great” é que empresas de sucesso não acessavam informações privilegiadas ou tinham sorte, na verdade, eram capazes de lidar com seu funcionamento de maneira direta – confrontando a realidade e encontrando maneiras de trabalhar a seu próprio favor, cultivando a resiliência. 

#8 – Promova a autodisciplina

É comum que disciplina passe a ideia de rigidez e obrigação, e embora algumas empresas tornem essa percepção verdadeira, companhias de sucesso operam sobre a ótica de uma cultura organizacional centrada no objetivo (o ouriço) e por isso, trabalham com um conceito de autodisciplina distinto do que pode parecer para o senso comum.

Uma empresa com autodisciplina é diferente de uma empresa que possui um líder disciplinar. Enquanto o segundo não é capaz de manter resultados sustentáveis a médio e longo prazo (ou até depois que deixa a companhia), o primeiro é responsável por reunir colaboradores com altos níveis de diligência e intensidade, que trabalham por conta própria para contribuir com o objetivo.

Portanto, uma cultura organizacional de autodisciplina faz com que a companhia opere sob uma lógica de grandeza comum, promovendo o passo a passo para chegar ao conceito ouriço em conjunto, em centralizá-lo em uma única figura. 

Considerações finais: a grandeza demanda consistência 

Do uso da tecnologia à liderança, da definição de foco à capacidade de contratar as pessoas certas, “Good to great” se transformou em uma das principais referências quando o assunto é transformar empresas medianas em excelentes.

A grandeza não deve ser relacionada a um momento de sorte, um único acontecimento ou decisão que culminou no sucesso e sim, como resultado de ações cumulativas, que através de foco e consistência levaram a empresa a progredir. 

O modelo que descreve essa dinâmica é o “flywheel”. A analogia apresentada por Collins trabalha com a ideia de que para uma roda enorme e pesada se colocar em movimento, é necessário vários empurrões até que as leis da física trabalhem ao seu favor – contribuindo com impulso e atrito para dar velocidade.

De acordo com Collins, os negócios funcionam a partir da mesma lógica – é preciso uma série de ganhos cumulativos para a operação ganhar tração.

“Cada volta do volante se baseia no trabalho feito anteriormente, aumentando seu investimento de esforço. O enorme disco pesado voa para a frente, com um impulso quase imparável.”

Jim Collins no livro Good to Great

Lembre-se, a habilidade de fazer as perguntas certas é uma habilidade fundamental das grandes empresas, que se mostram sempre dispostas a aprender e melhorar, acumulando conhecimentos e abordagens que com disciplina e foco, a farão se tornar maior e mais relevante seja qual for o segmento.

Se você deseja aprender como explorar novos canais, práticas, frameworks e ferramentas de gestão, conheça o G4 Imersão e Mentoria do G4 Educação, e torne o seu negócio ainda mais relevante em um mundo que está em constante mudança. 

New call-to-action

Glossário do Empreendedor

A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W Y X Z
Banner G4 for Business 01