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Layoffs: demissões em massa impulsionam crescimento do LinkedIn


Demissões em massa

Apesar das demissões em massa serem um processo difícil tanto para os negócios envolvidos, quanto para os funcionários afetados, o LinkedIn tem explorado o “outro lado da moeda” para aproveitar o momento como uma alavanca de crescimento para a sua plataforma.

Da queda de investimentos em startups à demissão em massa, o mundo dos negócios tem sido atingido nos últimos anos por turbulências econômicas, geopolíticas e de insumos que estão desacelerando o crescimento e estimulando cortes e layoffs generalizados.

Em linhas gerais, um layoff ocorre quando uma organização dispensa um grande número de colaboradores de uma só vez, geralmente devido a dificuldades financeiras ou mudanças estratégicas.

De acordo com o TrueUp’s – rastreador de demissões em tech startups – em 2022, foram 237.874 pessoas impactadas pelas demissões realizadas por mais de 1.517 companhias. Já este ano, até o momento, 100 empresas precisaram dispensar cerca de 26.731 funcionários.

Gráfico com o número de funcionários de tech demitidos de fev/22 a jan/23.
(Na imagem: número de funcionários de tecnologia dispensados de fev/22 a jan/23)
(Créditos: trueup.io)

Nesse sentido, assim como outras big techs já fizeram, recentemente a Amazon anunciou que planeja realizar a maior demissão em massa de sua história. Através de um memorando interno datado de 4 de janeiro de 2023, o CEO da companhia, Andy Jassy, ​​anunciou que planeja cortar 18.000 pessoas em decorrência de um futuro econômico incerto.

Neste mesmo período, por outro lado, o LinkedIn tem utilizado uma mentalidade de growth hacking para aproveitar a efervescência de uma parte significativa da sua base de usuários para alavancar o seu faturamento.

Isso porque, de repente, a rede profissional se tornou uma plataforma social surpreendentemente animada como canal de comunicação vital para trabalhadores recém-demitidos se expressarem.

Conforme último relatório divulgado, a empresa registrou um crescimento de receita de 17% em relação ao ano anterior. Afinal, conforme veremos abaixo, o caos também se traduz em momento de novas oportunidades para quem está atento ao mercado.

Por que tivemos tantos layoffs recentemente?

Em sua essência, demissões são uma estratégia de emergência quando uma empresa precisa cortar custos, especialmente quando a demanda por seus produtos e serviços diminui.

Infelizmente, a série de layoffs experimentada se deve em grande parte à pressão dos investidores, já que após um boom tecnológico em 2021, os VC’s (venture capitalists) estão preocupados com o fato de as empresas serem menos lucrativas em decorrência das consequências econômicas da pandemia de COVID-19 e da Guerra da Ucrânia.

Assim, para se manterem financeiramente viáveis em um ambiente macroeconômico incomum, inúmeros negócios tiveram que adaptar suas operações para sobreviverem às mudanças no comportamento de compra do consumidor e do ecossistema em que estão inseridos.

Patrick Collison, CEO da Stripe, uma das startups de capital fechado mais valiosas dos Estados Unidos, afirmou ao demitir mais de 1.000 profissionais que:

“Estamos enfrentando uma inflação teimosa, choques de energia, taxas de juros mais altas, budget de investimentos reduzidos e financiamento inicial mais escasso. (…) Hoje, isso significa construir de forma diferente para tempos mais enxutos... por isso, precisamos reduzir nossos custos.”

Por que o LinkedIn cresceu neste período (além do óbvio)?

O LinkedIn é uma rede social online que conecta profissionais com pessoas que procuram emprego, estágio ou parceiro de negócios. Segundo a Microsoft, dona da plataforma, grande parte da sua receita está ligada a um aumento da demanda por suas ofertas de soluções de talentos. De acordo com informações da própria organização,

8 pessoas são contratadas a cada minuto no LinkedIn.

Hoje, além de possuir uma grande base de usuários de mais de 875 milhões de membros e cerca de 21.000 funcionários em seus mais de 36 escritórios, oferece recursos valiosos, como recomendações de perfil profissional e ajuda na localização de vagas com base em aspectos territoriais.

Imagem do mapa mundi com dados geográficos sobre os membros do LinkedIn.
(Na imagem: usuários do LinkedIn – dados geográficos)
(Créditos: LinkedIn)

Além disso, o LinkedIn também monetiza seu site com soluções de publicidade e assinatura premium para torná-lo autossustentável. Entre os seus principais usuários estão profissionais dos setores de tecnologia e mídia – os mais atingidos pelas recentes ondas de demissão.

Não é por menos que os afetados por layoffs recentes formaram grupos no site com o objetivo de prestar assistência mútua e facilitar a realocação no mercado de trabalho.

De fato, há uma grande oportunidade dentro dessa nova perspectiva. Garantindo um fluxo constante de conteúdo exclusivo e retroalimentando esse crescimento no engajamento, a companhia tem aproveitado de maneira única esse maior envolvimento. Segundo estatísticas trazidas pela CNN Business:

  • o LinkedIn foi baixado cerca de 58,4 milhões de vezes no mundo em 2022 (um aumento de 10% em relação ao ano anterior);
  • esse crescimento acelerado está acontecendo especialmente nos mercados internacionais;
  • o número de postagens no LinkedIn mencionando a hashtag #opentowork (em tradução livre, aberto ao trabalho) aumentou 22% em novembro passado, em comparação com o mesmo período do ano anterior;
  • vem elevando, de maneira constante, a taxa de usuários que adicionam novas conexões (um sinal significativo de que os usuários estão mais ativos na plataforma).

As estatísticas falam por si e o que está claramente funcionando é que, com mais usuários, maior vem sendo o interesse dos anunciantes, gerando um círculo virtuoso e lucrativo que ajuda a impulsionar ainda mais o crescimento de receita da companhia.

Vale ressaltar que todo esse movimento só aconteceu e o LinkedIn estava preparado para entender e aproveitar esse momento, porque construiu o seu branding e autoridade de maneira contínua ao longo de anos.

LinkedIn não é caso isolado de crescimento em meio a crises e momentos desfavoráveis

O crescimento de negócios em meio a crises e momentos desfavoráveis não é tarefa fácil, mas é possível quando se desenvolve a adaptabilidade rapidamente para sobreviver.

Isso porque, sem dúvidas, uma das principais estratégias para crescer em meio ao caos é a inovação. Por exemplo, durante a pandemia, muitas empresas de tecnologia aproveitaram a oportunidade para desenvolver novas soluções para ajudar as pessoas a se adaptarem às novas realidades.

De acordo com uma pesquisa realizada pela Deloitte, cerca de 70% das empresas que adotaram estratégias de inovação durante o isolamento social relataram um crescimento significativo. Além disso, cerca de 60% das empresas que investiram em tecnologia para melhorar seus processos relataram um aumento na produtividade.

De igual modo, é importante que as organizações se mantenham atentas às tendências do mercado. Entre grandes companhias que souberam aproveitar cenários de instabilidade, estão:

  1. Shopify: durante a pandemia de COVID-19, muitas empresas foram forçadas a fechar suas portas físicas e migrar para o comércio eletrônico. Nesse sentido, a plataforma de comércio eletrônico viu um aumento significativo na sua demanda.
  2. Zoom: o isolamento social provocado pela crise sanitária também levou a um aumento na necessidade de comunicação remota e reuniões virtuais, impulsionando o crescimento do Zoom.
  3. Airbnb: durante a Grande Recessão, muitas pessoas estavam procurando maneiras de economizar dinheiro em viagens e o Airbnb ofereceu uma maneira mais barata de se hospedar ao permitir que as pessoas alugassem quartos ou casas de outras pessoas.
  4. Nike: no primeiro trimestre do ano fiscal de 2022, a Nike perdeu três meses de produção devido a paralisações de fábricas no Vietnã, que produzem mais da metade dos calçados da empresa e 30% de suas roupas. Para superar as adversidades e crescer, realizou parcerias estratégias com transportadores locais e aproveitou a automação para superar os desafios das cadeias de suprimentos (implementando 1.000 robôs colaborativos).
  5. LEGO: em 2004, a LEGO registrou seu maior prejuízo de todos os tempos, assim, o então CEO da companhia implementou ações salvadoras de curto prazo e melhoria de processos para reduzir custos operacionais e, mesmo durante a recessão de 2007 a 2011, seus lucros quadruplicaram.

Em resumo, as crises econômicas são momentos desafiadores para a maioria das empresas, mas negócios que possuem estratégias e modelos ágeis e flexíveis são capazes de explorar novas nuances e horizontes.

O que empresários e gestores podem aprender com este movimento?

Embora não seja possível prever onde estará a próxima janela de oportunidades ou quando ela virá, é fundamental buscar orientação e se desenvolver frequentemente para estar pronto quando ela chegar.

Dessa maneira, elencamos cinco pontos em comum de companhias que alcançaram a alta performance em tempos desafiadores:

#1 – Esteja sempre em busca de novas ideias e tecnologias para se manter competitivo e se destacar em momentos de crise

A competitividade é uma característica fundamental para o sucesso em qualquer área. Uma das principais vantagens de buscar novas ideias e tecnologias é a possibilidade de identificar gaps no seu negócio e melhorar a eficiência dos processos.

Isso inclui, também, acompanhar as tendências do mercado, investir em capacitação, treinamento e networking. Lembre-se que ser competitivo é uma jornada contínua e que requer dedicação e esforço constantes.

#2 – Desenvolva uma forte compreensão da sua base de clientes para ser capaz de se adaptar às suas necessidades e desejos

Ser customer centric é uma das principais estratégia da contemporaneidade. Isso significa colocar os clientes no centro de tudo o que você faz e desenvolver uma forte compreensão de seus anseios e vontades.

É importante se comunicar efetivamente com seus clientes, ouvir suas opiniões e sugestões e implementar as mudanças necessárias. Isso pode incluir desenvolver canais de comunicação abertos, tais como e-mails, redes sociais e chats, para que os consumidores possam entrar em contato facilmente, bem como coletar e analisar dados sobre o seu comportamento, realizando pesquisas de mercado, entrevistas e monitorando as tendências de consumo.

#3 – É necessário uma liderança eficaz para guiar sua empresa através da incerteza

Durante momentos desafiadores, líderes precisam tomar decisões difíceis e garantir que a empresa continue se movendo na direção certa.

Uma das principais características de uma liderança eficaz é a capacidade de comunicar de forma clara, sendo transparente sobre a situação atual e as ações que estão sendo tomadas para lidar com a crise. Além disso, consegue inspirar e motivar sua equipe, mesmo durante a instabilidade extrema.

#4 – Adote boas práticas de gestão de pessoas e implemente uma cultura de adaptabilidade

Durante um cenário caótico, é crucial poder contar com uma equipe engajada e motivada para enfrentar os desafios e aproveitar as oportunidades do momento.

Por isso, é essencial criar um ambiente de trabalho colaborativo, incentivar a experimentação e dar espaço para as ideias e sentimentos dos seus colaboradores. Isso ajudará a encontrar soluções criativas para as interpéries.

Valorizando e encorajando a diversidade de pensamento e experiência, é possível garantir que todos os pontos de vista estejam sendo considerados e que todos estejam em sintonia para avançar.

#5 – Esteja atento e permita-se explorar novos mercados

Além disso, é importante estar aberto a novas parcerias e alianças estratégicas, como processos de M&A com outras empresas, startups e até mesmo concorrentes.

Uma das principais vantagens de se explorar novos mercados é expandir a sua base de clientes e aumentar sua receita. Outra vantagem é a diversificação dos riscos. Dessa maneira, um negócio que deseja ser referência na sua área de atuação deve espalhar continuamente suas raízes, já que a globalização transformou o mundo em um mercado massivo de consumidores em potencial.


De fato, construir um negócio orientado para o sucesso requer impulso para o futuro. Naturalmente, muitas companhias que ainda estão se recuperando de layoffs e precisam entender qual a maneira mais humanizada de se recuperar desse processo.

Por outro lado, a sua empresa também deve ser capaz de destruir a si mesma para se reerguer mais forte e alcançar a economia de escala.

Seja qual for o seu caso, a Imersão G4 Gestão de Pessoas e a G4 Imersão e Mentoria estão aqui para te ajudar, focando em aspectos estratégicos e práticos que capacitam os maiores gestores e líderes do país a estarem preparados para a tomada de decisões assertiva em qualquer momento.

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