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As 15 habilidades do trabalho do futuro de acordo com o Fórum Econômico Mundial — e o que deve ficar para trás


silhueta masculina em frente a uma luz azul, simbolizando um cenário futurista

Estudos e pesquisas recentes tentam mapear como será o trabalho no futuro, assim como as habilidades necessárias para um bom desempenho. Automatização e uma nova divisão do trabalho são temas em ascensão, e tendem a moldar as discussões nos próximos anos.

Um report do Fórum Econômico Mundial, apontou que 96% das empresas brasileiras estão buscando automatizar o trabalho, o que significa uma mudança significativa das habilidades atuais. Outro relatório recente da McKinsey sobre o tema, adaptabilidade será um dos principais fatores que irão moldar o futuro do trabalho em todo o mundo, o que aponta para uma tendência global.

A expectativa é que as empresas continuem adotando tecnologias como big data, cloud computing (comunicação em nuvem), e e-commerce, e intensifiquem o crescente interesse em adotar  criptografia,  robôs humanoides e inteligência artificial em suas operações até 2025.

Sendo assim,  a capacidade de agregar valor frente a inovação dos sistemas automatizados, será um diferencial fundamental e deve ser levado em consideração nos planos de carreira, afinal, a estimativa é que cerca de 400 e 800 milhões podem perder seus empregos em um futuro cada vez mais próximo. 

Os dados citados até aqui, reforçam que ao pensarmos no futuro do trabalho, o ideal é expandir a discussão para além de como seria o líder do futuro, levando em consideração a força de trabalho como um todo. Aqueles que se mostrarem mais atentos à digitalização, entendendo como operar frente às transformações impulsionadas pela tecnologia, tendem a ganhar destaque.

As habilidades do futuro

Além de uma perspectiva micro, analisada de acordo com país e região, o relatório trouxe insights mundiais sobre trabalho e as habilidades do futuro. Espera-se que até 2025, muitas funções chamadas de “redundantes” deixem de existir, uma diminuição de 15,4% para 9%, enquanto as profissões emergentes devem aumentar de 7,8% para 13,5%

Isso significa que 85 milhões de empregos podem ser substituídos e 97 milhões podem começar a existir. Estamos falando de uma divisão do trabalho reconfigurada, agora, entre humanos e máquinas. 

Pensando nisso, separamos uma lista com as 15 principais habilidades do trabalho do futuro que provavelmente construirão as organizações de agora em diante, e que já estão presentes em muitas empresas, são elas: 

  1. Pensamento analítico e inovação
  2. Aprendizado ativo e estratégias de aprendizado
  3. Resolução de problemas complexos
  4. Análise e pensamento crítico
  5. Criatividade, originalidade e iniciativa
  6. Liderança e influência social
  7. Uso, monitoramento e controle de tecnologia
  8. Programação e design de tecnologia
  9. Resiliência, tolerância ao estresse e flexibilidade
  10. Raciocínio, resolução de problema e ideação
  11. Inteligência emocional
  12. Solução de problema e experiência do usuário
  13. Orientação de serviço
  14. Análise e avaliação de sistemas
  15. Persuasão e Negociação

Embora o viés tecnológico pareça ser determinante nos próximos anos, mais do que nunca, o foco no desenvolvimento de habilidades interpessoais, conhecidas também como people skills ou ainda soft skills deve ser a prioridade.

#1 – Pensamento analítico e inovação

A capacidade analítica é essencial para profissionais que desejam aprimorar a argumentação e o pensamento autônomo. Responsável por promover uma perspectiva mais detalhada, possibilita outras conexões e principalmente, ajuda a encontrar lacunas. 

Também ajuda a mapear as nuances de algum plano, projeto ou até área, que podem não ser muito aparentes para a grande maioria, potencializando a eficiência, podendo ser essencial para alcançar os resultados esperados.  3Ao exercitar o pensamento crítico, a inovação é naturalmente cultivada, pois os gaps podem ser utilizados como matéria-prima para novas iniciativas. 

#2 – Aprendizado ativo e estratégias de aprendizado

Uma das habilidades-chave para conquistar as demais, o aprendizado ativo proporciona maior independência e melhor absorção do conhecimento, principalmente por sair do campo da teoria.

Em 2018, empresas americanas gastaram cerca de US$ 87 bilhões de dólares em treinamentos, sem um norte claro de sua eficácia, já que a maioria das capacitações são compostas por videoaulas com pouca aplicação no dia a dia. A aprendizagem ativa permite maior envolvimento, aplicabilidade e reflexão imediata, isso é, impacta diretamente na execução de tarefas.

Com essa competência, conseguimos tomar decisões melhores e direcionar estratégias que tendem a ser mais assertivas, já que o aprendizado ativo é recorrente, isto é, está mais próximo de um hábito cotidiano do que de um objetivo distante.

#3 – Resolução de problemas complexos

Aprender onde concentrar a energia é uma dúvida recorrente em níveis mais estratégicos. Sendo assim, aprender a alocar o tempo é crucial, além de definir prioridades. Essa habilidade tentar direcionar essas questões, desenvolvendo mecanismos que tentam esclarecer de maneira prática: qual problema vem primeiro? Afinal, enquanto gestor ou empreendedor, seu tempo é o seu recurso mais precioso.

Por isso, aprender a resolver problemas complexos está diretamente relacionado à capacidade de fazer as perguntas certas, que irão te direcionar para uma resolução mais eficiente e rápida, realocando o tempo disponível para continuar melhorando o negócio, a performance do time e o seu próprio desenvolvimento.

#4 – Análise e pensamento crítico

Desenvolver o pensamento crítico é tão fundamental quanto o pensamento analítico, e se for para criar um diferencial entre ambos, o primeiro é capaz de analisar mais objetivamente as circunstâncias, utilizando uma abordagem mais científica e diminuindo a influência de emoções.

Ao analisar eventos, informações e argumentos de maneira concisa, direta e imparcial, essa competência ajuda a formar conclusões embasadas em fatos, direcionando a tomada de decisão a partir desse processo. Com transformações acontecendo todos os dias, analisar e pensar criticamente, permite avaliar situações de maneira mais coerente, priorizando uma situação de “ganha-ganha”. 

“Desenvolver o pensamento crítico é relevante não apenas para o trabalho, mas também para a vida. Hoje somos inundados com enormes quantidades de informações todos os dias e, para poder analisar essas informações e determinar nossa posição com base em fatos equilibrados, é importante olhar para as situações criticamente.”

Tatiana Melnichuk, fundadora e head da empresa internacional de recrutamento de TI Lucky Hunter.

#5 – Criatividade, originalidade e iniciativa

Empresas mais criativas tendem a se desenvolverem melhor. De acordo com um relatório da McKinsey existe uma ligação direta entre desempenho financeiro e criatividade. Empresas consideradas mais criativas apresentam um crescimento de 67% maior em comparação com as demais e para os acionistas, retornos 70% acima da média.

A mesma ideia de desenvolvimento acontece com os profissionais criativos. Quando essa habilidade é priorizada no desenvolvimento de carreira, ajuda a solucionar problemas de maneira inovadora, obtendo insights através de perspectivas distintas.

Além disso, ao impulsionar ideias “contra intuitivas”, o desempenho individual aumenta e o trabalho colaborativo é estimulado, fazendo com que todos aprimorem esse senso de criatividade, criando uma cultura de inovação e senso de dono.

#6 – Liderança e influência social

Grande protagonista atualmente, a liderança ainda será fundamental no futuro. Levando em consideração os diversos tipos de liderança, a abordagem nos próximos anos tende a ser mais parecida com a liderança transformacional, que lidera pelo exemplo, e que utiliza o poder da influência com a maestria. 

Essa abordagem é comum em líderes carismáticos e que transmitem confiança para toda a equipe. Esse componente é importante pois é capaz de alinhar uma visão compartilhada. Para isso, escutar a equipe ativamente, se concentrando no presente, e disponibilizando feedbacks constantes é fundamental.

#7 – Uso, monitoramento e controle de tecnologia

Uma rede de restaurantes precisa garantir o monitoramento eficaz para que os sistemas de vendas não fiquem offline, por exemplo. Essa habilidade é capaz de gerenciar tecnologias distribuídas em diferentes locações de maneira remota, garantindo que tudo funcione corretamente.

Em um mundo em que a tecnologia ocupa um lugar cada vez mais central na vida de todos, é natural que manter tudo funcionando seja essencial e com alta demanda.

#8 – Programação e design de tecnologia

Com o avanço da tecnologia, é natural que habilidades que contemplem essa evolução sejam amplamente desejadas pelas empresas. Neste cenário, saber programar vem ocupando um espaço cada vez maior no mercado de trabalho, e segundo o LinkedIn, já é uma das 10 competências mais procuradas atualmente. 

Além disso, a interface desses projetos também é fundamental, pois garante que o usuário irá utilizar. Por isso, o design é essencial para construir uma boa jornada e garantir uma experiência agradável. Essas habilidades tendem a estar em alta, ajudando a desenvolver tecnologias emergentes como é o caso da realidade aumentada. 

#9 – Resiliência, tolerância ao estresse e flexibilidade

A pandemia reconfigurou o trabalho de maneira inédita na história recente. Trabalho híbrido e um ambiente macroeconômico incerto foram alguns dos cenários que adicionaram preocupações profundas, impactando o potencial de desempenho de muitos profissionais. 

O cenário fortaleceu a importância de determinadas habilidades, incluindo resiliência, tolerância ao estresse e flexibilidade, demonstrando que saber como lidar com incertezas e frustrações pode ser um grande diferencial. 

Desenvolver esses e outros aspectos emocionais tendem a ser essenciais também para o futuro. Além de melhorar o desempenho e a alta performance, fortalece a inteligência emocional, principalmente no caso de cargos gerenciais e estratégicos, que são responsáveis por decisões cruciais no dia a dia, e que podem ser mais suscetíveis a altos níveis de ansiedade e burnout.

#10 – Raciocínio, resolução de problema e ideação

Uma das qualidades mais importantes de um líder ou gestor é a capacidade de execução. Por isso, desenvolver habilidades como raciocínio lógico e ideação são fundamentais para resolver problemas estrategicamente, priorizando os melhores resultados e o alinhamento entre as equipes. 

A capacidade de ideação permite que as iniciativas saiam do mundo das ideias para uma esfera mais tangível, transformando informações em insights e posteriormente, em ações. Profissionais que desenvolvem essas capacidades são mais propensos a serem inovadores, pois olham para os dados e os transformam em conhecimento útil, usado para tomar decisões mais embasadas e táticas.

#11 – Inteligência emocional

Uma pesquisa citada pela Harvard Business School apontou que 90% dos líderes com excelente performance demonstram um alto nível de inteligência emocional, e ao que tudo indica, essa habilidade continuará importante em um futuro próximo. 

A capacidade de entender e gerenciar as emoções (suas e dos demais), mostra-se essencial, e continuará em um futuro na qual a divisão do trabalho será reformulada, com tecnologias emergentes e diversas inovações. Por ser uma habilidade que demanda autoconhecimento, impacta ainda na autoconfiança e na motivação, importante em todo desenvolvimento de carreira.

“Os líderes mais eficazes são todos iguais em um aspecto crucial: todos eles têm um alto grau do que veio a ser conhecido como inteligência emocional. Não é que o QI e as habilidades técnicas sejam irrelevantes. Eles importam, mas… São os requisitos básicos para cargos executivos.”

Daniel Goleman, pesquisador da inteligência emocional responsável por popularizar o termo 

#12 – Troubleshooting e experiência do usuário

Troubleshooting é um know-how atrelado majoritariamente a funções da área de tecnologia, e é responsável pela resolução de falhas que afetam a infraestrutura de computadores e sistemas. 

Levando em consideração que a transformação tecnológica está avançando até nos setores considerados mais tradicionais, manter tudo funcionando deve ser uma prioridade. Além disso, a importância da experiência do usuário faz toda a diferença para o sucesso de um produto ou serviço, e quando digital, uma boa interação é ainda mais determinante.

Nesse sentido, grande parte das decisões mais importantes priorizam uma interação com menos atritos, simples e intuitiva. Assim, o “troubleshooting”, “resolução de problemas” em tradução livre, também diz respeito a solucionar falhas em produtos e serviços da rede.

#13 – Orientação de serviço

Essa habilidade está relacionada ao desenvolvimento de uma percepção mais aguçada sobre disponibilidade, focando em ser mais prestativo. Ser orientado ao serviço aprimora a capacidade de antecipar necessidades, focando na satisfação e no suporte, seja esse esforço direcionado aos clientes ou a equipe.

Mesmo que pareça uma habilidade mais simbólica e menos objetiva do que as descritas até aqui, agrega um diferencial importante, levando em consideração a automação e as máquinas inteligentes, o que faz com que ganhe  ainda mais destaque a médio e longo prazo. 

#14 – Análise e avaliação de sistemas

Essa é outra competência que prioriza a capacidade de resolver problemas objetivamente, analisando sistemas e utilizando técnicas de design. A análise e avaliação de sistemas consiste em uma habilidade que pode ser considerada “metódica”, que vai do micro para o macro: através da análise de cada componente de um sistema geral busca resolver gargalos específicos. 

Ademais, a análise de sistemas pode ser considerada a tecnologia da informação aplicada. Com um processo ordenado, é possível acessar conhecimentos que embasam a tomada de decisão, otimizando recursos.

Em suma, o profissional que desenvolve essa competência está constantemente atualizando seus conhecimentos, focando em melhorar a produtividade e em resolver problemas.

#15 – Persuasão e Negociação

Fortalecendo a ideia do que diferencia o trabalho humano do trabalho de robôs humanoides, por exemplo, habilidades que não podem ser exatamente replicadas pelas novas tecnologias tendem a se destacar, sendo negociação uma delas.

Além de auxiliar na capacidade de persuasão, confiabilidade e resolução de conflitos, exercita o pensamento estratégico de maneira holística, aprimorando a busca por conhecimentos, e criando relações de “ganha-ganha”.

Habilidades que estão em declínio

Em contrapartida, as habilidades que estão em queda estão mais distantes da tecnologia, como é o caso das “habilidades físicas” e as chamadas “core literacies”, formações consideradas mais tradicionais e centrais. 

gráfico que demonstra as habilidades em queda
(Na imagem: nível de importância de diferentes grupos de habilidades)
(Créditos: Fórum Econômico Mundial)

É importante ressaltar que as habilidades em queda não deixam de ser importantes, e a ideia do gráfico é demonstrar que em relação às competências emergentes elas estão sendo menos buscadas. Esse movimento reforça a importância do impacto da tecnologia no mundo, que transforma e ressignifica diversas experiências, inclusive, profissões. 

People Skills: as habilidades interpessoais são o futuro

Em suma, as habilidades do futuro são em sua maioria consideradas people skills, àquelas habilidades mais comportamentais do que técnicas. Nesse sentido, desenvolver uma abordagem de aprendizado constante pode se tornar um diferencial competitivo, além de prevenir o efeito dunning-kruguer

Já as empresas que saírem na frente, isso é, se voltarem a entender como será o futuro do trabalho, tendem a desenvolver processos de recrutamento e seleção de maneira mais assertiva, adicionar outra perspectiva ao planejamento estratégico, além de aumentar a retenção de talentos.  

Sair da zona de conforto pode ser difícil, ainda mais se for alguém mais avesso a correr riscos, contudo, as profissões estão sendo ressignificadas, e a obsolescência profissional tende a ser mais comum do que em qualquer outro período da história. Para evitá-la, um dos caminhos a seguir é se desenvolver de maneira contínua.

“Para alguém ser bem-sucedido em 10 anos, precisa ser resiliente e capaz de se reinventar em diferentes ambientes de aprendizado.”

Alexandra Levit, futurista, consultora e autora do livro “Humanity Works: Merging Technologies and People for the Workforce of the Future

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