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10 exemplos de MVP bem-sucedidos


exemplos de MVP bem-sucedidos

Os exemplos de MVP giram sempre em torno de disponibilizar uma versão simplificada de um novo produto, desde que esta mantenha sua função original de solucionar uma dor.

Até o boom da Internet, o contexto com o qual o mercado crescia era majoritariamente linear. O que isso significa? O mercado era mais previsível, eram executados planos de negócio a longo prazo e não existia tanta volatilidade oriunda da tecnologia.

Vivemos hoje em um momento exponencial, abastecido principalmente pela Indústria 4.0 e as novas tecnologias. Se na 1ª Revolução Industrial tivemos a máquina como uma extensão do braço humano, agora temos a tecnologia como uma extensão do cérebro humano.

E o que antes levava bons anos para acontecer, hoje é acelerado por processos que se retroalimentam. A tecnologia facilita a geração de valor de novas tecnologias. Se você contar com uma estratégia empresarial que planeja seus próximos 3 anos, é bem capaz que você será inundado por alguma nova tendência que dominará o mercado.

Esse planejamento estratégico de 3 anos vai por água abaixo, porque o contexto é volátil, pois estamos passando pela transformação digital. Enquanto ainda engatinha, é impensável o quanto já atingimos.

Mas essa história começa lá para meados de 1990, com as primeiras empresas de software validando seus modelos de negócio. A interface web era outra – e o cenário de trabalho funcionava sob constante incerteza.

Esses elementos abriram espaço para negócios altamente escaláveis, essa que talvez seja uma palavra de ordem para a exponencialidade. 

Essas empresas de tecnologia começaram a perceber que não fazia muito sentido gastar todo um orçamento em um projeto, se quando ia ao mercado, ele poderia desempenhar diferente do previsto. 

Essas empresas entenderam que era preciso validar toda etapa do processo, inclusive seu lançamento. Foi assim que surgiu o MVP, ou Mínimo Produto Viável

João Vitor, sócio e COO do G4 Educação, fala mais no no canal do YouTube do G4 Educação sobre o que é MVP. Confira:

Nesse texto, separamos exemplos de grandes empresas que começaram seus modelos de negócio a partir da validação de um MVP. Iremos elucidar o conceito e trazer na prática como a metodologia pode fazer com que sua empresa ande por caminhos mais confiáveis.

O que é um MVP?

Alcunhado pela primeira vez por Eric Ries, autor do livro “Lean Startup”, o Mínimo Produto Viável veio justamente para acelerar processos de validação. Junto ao Product-Market Fit, são conceitos que ajudam a entender se você está no mercado certo, com a solução certa.

“O MVP é a versão de um novo produto que permite que uma equipe colete a quantidade máxima de aprendizado validado sobre os clientes com o mínimo de esforço”.

Eric Ries, autor do livro “Lean Startup”. (Crédito: Betsy Weber via Wikimedia Commons)

Você monta um protótipo da solução ideal que imagina, contendo suas principais funcionalidades. Antes de se lançar ao mercado, você quer entender se suas premissas são válidas ao mesmo. 

Essa é a ideia básica do MVP: construir algo simples, com funcionalidades-chaves, para validar premissas e depois aprimorar o modelo de negócios.

O produto ou serviço ainda não está pronto, mas ele já é capaz de ser comercializado. Você conseguirá milhões de clientes com um MVP? É provável que não, mas você terá uma amostragem significativa para entender se ali existe um caminho ou não.

Com pouco investimento e esforço, você tem um retorno enorme antes de ir para a rua de fato. É o mínimo produto viável: se ele está em condições de mostrar o seu valor, teste-o.

Só dessa maneira você terá a troca com seu potencial cliente e entenderá os erros e acertos do que está sendo ofertado. À medida que você ganha esse termômetro, suas decisões sobre novas funcionalidades ou aprimoramento das já existentes são mais assertivas.

O MVP é um guia para tomada de decisões em qualquer projeto que se inicia. Metodologia mais ágil, com um custo inferior, que evita desperdícios e é focada totalmente nas dores do cliente.

Com um MVP na rua, podem surgir cinco consequências:

  1. A validação pode resolver a dor do usuário, cumprindo a sua função;
  2. O teste pode revelar o que falta para resolver a dor do cliente;
  3. O MVP pode revelar um novo uso para o produto, diferente do originalmente pensado;
  4. O conceito pode revelar um novo público, diferente do originalmente pensado;
  5. Ou o Mínimo Produto Viável pode mostrar que o produto é irrelevante para resolver a dor do usuário, mas revelar o porquê. Validações também servem ao que não funciona.

É aprender com o cliente sobre sua ideia e ter ou não dele sua validação. É uma investigação rápida sobre a criação de uma solução.

Leia mais: Modelo de Growth: os 4 elementos do Growth Hacking

10 exemplos de MVPs bem-sucedidos

Vamos direto aos exemplos de MVP. O início de qualquer projeto é a validação da ideia de negócio – e é por isso que você não pode pular a etapa de prototipação. Juntamos 10 cases bem-sucedidos, que utilizaram o MVP como instrumento para testar suas premissas de mercado. Confira:

1 – Easy Taxi

Tallis Gomes conta que a ideia para desenvolver a Easy Taxi surgiu em um dia que precisava de um táxi no Rio de Janeiro, sob chuva forte. O carro não conseguiu, mas o insight para a empresa veio. 

Em 2011, apenas 4% da população brasileira tinha smartphone e só a classe média pra cima tinha acesso à internet. Modelos digitais suavam para encontrarem seus espaços e vivíamos em um contexto cuja ideia de carona compartilhada ainda não existia.

Tallis montou então um formulário em um blog, que coletava o nome, e-mail, endereço de partida e o de destino, além da cor da camisa da pessoa que estava pedindo pelo carro, para o táxi poder identificá-la. 

Assim, quem estava buscando por táxis, bastava acessar a página do formulário.

MVP da Easy Taxi (Crédito: Divulgação | Easy Taxi)

“Ao aplicar a informação na página, eu as recebia imediatamente por e-mail, eu jogava a localização dele no Google Maps, selecionava a (extinta) opção “Pontos de Táxi ao redor”, ligava para o ponto mais próximo, solicitava o Táxi para o passageiro e ligava para o passageiro avisando o carro, a placa e a estimativa de espera”.

Tallis Gomes, fundador da Easy Taxi

Após toda essa jornada, o empreendedor pedia um feedback para o novo cliente. Analisava se funcionava. O foco era validar a solução do negócio. Fez isso através de um formulário de e-mail, o suficiente para Easy Taxi crescer, ampliar sua atuação para mais de trinta países e ser adquirida, posteriormente, pela Cabify, com um valuation de R$ 1 bilhão.

2 – Amazon

A Amazon é um dos exemplos de MVP mais bem-sucedidos. Jeff Bezos começou a trajetória da gigante do varejo, no início dos anos 1990, apenas como uma livraria online. 

Bezos começou a fazer um brainstorming de uma lista de ideias que ele poderia vender com sucesso na internet. De 20 opções diferentes, ele desceu para cinco produtos, que incluíam vídeos, livros, softwares, computadores e até discos compactos.

Eventualmente, Bezos decidiu que os livros eram o produto online que mais tinha demanda e oportunidade de lucro.

MVP da Amazon (Crédito: Divulgação | Amazon)

Hoje, essa pequena loja online de livros tornou-se a maior referência de logística e varejo digital, com um portfólio com milhões de produtos, de diversos segmentos.

3 – Airbnb

Em 2007, dois amigos de San Francisco decidiram “ganhar uns trocados” durante a Conferência IDSA, que traria muitos visitantes à cidade. 

Prevendo o problema do overbooking do hotel, eles decidiram alugar quartos para quem chegava à cidade e procurava por uma alternativa.

O MVP da Airbnb era uma simples plataforma que oferecia quartos vagos como uma alternativa de hospedagem. 

Exemplos de MVP: Airbnb
MVP do Airbnb (Crédito: Divulgação | Airbnb)

Sem mapas interativos, sem opções de escolha, sem pagamentos online, apenas algumas fotos do local, contatos e endereço. No entanto, foi o suficiente para obter 3 clientes pagantes, arrecadar US$ 240 e ter o insight de ouro. 

2009 foi o ano de mudança para a empresa. Os responsáveis foram notados por Paul Graham, co-fundador da VC e da Y Combinator, que os convidou para se juntar à aceleradora de startups.

A partir desse momento, eles redesenharam seu site, mudaram o nome de Air Bed & Breakfast para o icônico Airbnb e adotaram uma nova abordagem para adicionar propriedades de outros proprietários. Mudou todo o rumo da hotelaria. 

4 – Dropbox

O Dropbox surgiu com um dos conceitos mais simples que temos atualmente: criar um espaço de armazenamento online para arquivos. Mas foram eles que puxaram a fila.

Seu MVP, feito em um vídeo bem didático, mostrava o quão simples era o conceito de nuvem – e como ele poderia substituir aquelas soluções malucas de arquitetura de servidor.

MVP do Dropbox. (Crédito: Dropbox via YouTube)

O vídeo, de aproximadamente 3 minutos, mostrava como o Dropbox funcionava e quais funções ele tinha. Em vez de falar sobre alguns aspectos técnicos do produto ou traçar um paralelo com os concorrentes, eles demonstraram alguns casos de uso reais.

Sua estratégia de MVP foi eficaz e o número de inscrições aumentou 5 vezes da noite para o dia, sem um produto real ainda. 

Apenas a experiência de ver um vídeo sobre o produto foi suficiente para vender a ideia. A ideia do Dropbox nasceu da experiência pessoal de Drew Houston, cofundador e CEO da empresa, que estava cansado de carregar constantemente seu HD externo de canto em canto.

O dia em que ele esqueceu seu equipamento em casa foi o dia em que as primeiras linhas do código do Dropbox foram escritas. 

5 – Facebook

Mark Zuckerberg, inicialmente, queria criar um ambiente para conectar todos no campus de Harvard, a qual atendia.

O Thefacebook, foi o verdadeiro MVP das redes sociais – e tinha esse visual. Em um primeiro momento distribuído para outras universidades, como Stanford, Columbia e Yale, Zuckerberg validou suas premissas em um ambiente controlado.

Era a rede social entre os amigos da faculdade.  

Exemplos de MVP: Meta
MVP da Meta (Crédito: Divulgação | Meta)

Após um ano de testes nessa segmentação de público, o empreendedor decidiu abrir o acesso da plataforma para todos – e o resto está na história.

6 – Groupon

O Groupon é um exemplo de MVP sobre como uma ideia pode ser alterada em curso. 

O aplicativo, chamado The Point, começou como uma plataforma cujo objetivo era reunir as pessoas em grupos para que pudessem fazer juntos algo grande demais para uma pessoa resolver sozinha. 

Poderia ser qualquer coisa, desde uma campanha política ou um boicote até uma marca. Uma das maneiras pelas quais as pessoas usavam o The Point era a compra coletiva, onde os cupons começavam a dar as caras.

O The Point, convenhamos, era uma ideia megalomaníaca, mas surgiu o MVP do Groupon daí – e tinha essa aparência.

Exemplos de MVP: Groupon
MVP do Groupon (Crédito: Divulgação | Groupon)

O serviço começou como um blog WordPress. Para gerar cupons, eles usavam o FileMaker, e então executavam um script para enviar o PDF do cupom por e-mail para as pessoas na lista de inscrição.

Naquele momento, o objetivo deles era validar a ideia dos cupons, que havia funcionado em partes no The Point, e coletar feedback. 

O serviço se tornou popular, permitindo que eles construíssem o sistema de vouchers e desenvolvessem o back-end da operação.

7 – Twitter

A ideia para o Twitter surgiu em uma hackathon produzida pela plataforma de podcasts Odeo, que até então estava perdendo clientes para o recém-lançado iTunes. 

Durante a hackathon, surgiu a ideia de criar um mensageiro interno por SMS para que funcionários conversassem entre si. No entanto, ficou claro que os usuários tinham de gastar muito dinheiro para postar cada SMS.

Foi aí que os executivos viram que isso poderia se tornar o grande projeto da empresa e criaram o inicialmente chamado “twttr”, MVP da empresa. 

Exemplos de MVP: Twitter (Crédito: Divulgação | Twitter)
MVP do Twitter (Crédito: Divulgação | Twitter)

Depois de alguns testes, o Twitter foi lançado, em 15 de julho de 2006. No primeiro trimestre de 2022, foram registrados 189,4 milhões de usuários na rede social. Case de MVP bem-sucedido.

Não deixe de conferir: Crescimento do Twitter: como a rede social planeja conquistar seus próximos 100 milhões de usuários

E leia também: Elon Musk compra Twitter por US$ 44 bilhões

8 – Spotify

O Spotify nasceu com uma missão: construir o melhor serviço de streaming de música. Para seu MVP, concentrou-se no recurso mais importante: como disponibilizar as músicas. 

O Spotify desenvolveu um aplicativo de desktop e executou um beta fechado para testar o mercado. Enquanto o MVP e o modelo freemium provavam ser exatamente o que as pessoas queriam, a equipe do Spotify gastou tempo contratando ainda mais artistas, desenvolvendo simultaneamente seu aplicativo e experiência do usuário.

Veja como era a interface inicial do case Spotify:

Exemplos de MVP: Spotify (Crédito: Divulgação | Spotify)
MVP do Spotify (Crédito: Divulgação | Spotify)

Veja mais: Spotify Camp Nou: streaming fecha acordo multimilionário com o FC Barcelona

9 – Uber 

A Uber começou como UberCab e seu MVP é a premissa de como o aplicativo de ride-sharing funciona hoje. 

Em um primeiro momento, o serviço operava apenas em San Francisco, funcionava em um modelo de lista de passageiros de um pequeno grupo selecionado e era operacional apenas em IOS. Além disso, o conceito girava em torno de caronas em carros de luxo, com pagamento no cartão de crédito.

Parecido, não? Mas olhe como era a interface de seu MVP:

Exemplos de MVP: Uber (Crédito: Divulgação | Uber)
MVP da Uber (Crédito: Divulgação | Uber)

Seus fundadores entenderam o potencial do aplicativo já no MVP, expandiu para outras cidades e introduziu o UberX, que conectava qualquer passageiro a qualquer motorista que estava atrás de uma renda extra.

Esta adição ao sistema revolucionou o mercado de transportes. A Uber funciona com a mesma premissa do seu MVP, mas de forma mais sofisticada e com outras funcionalidades.

10 – iPhone

Quando a Apple lançou sua primeira versão do iPhone, faltavam muitas funcionalidades básicas, como por exemplo, copiar e colar caixas de texto ou imagens. Também não era possível fazer pesquisas. 

Estávamos inseridos em um contexto cuja banda larga era 2G e o iPhone não suportava MMS, a evolução de caracteres do SMS. O smartphone que marca a era dos smartphones tampouco possuía bluetooth.

A Apple não construiu todos os recursos quando prototipou seu principal produto. Testou um MVP com seu núcleo, o suficiente para mudar o comportamento humano e toda a indústria.

Exemplos de MVP: iPhone (Crédito: Divulgação | Apple)
MVP do iPhone (Crédito: Divulgação | Apple)

O gráfico “How Do Big Tech Giants Make Their Billions? A Revenue Breakdown Of Tech’s Largest Companies”, divulgado pelo Visual Capitalist, dá uma boa ideia da origem de receita das maiores empresas de tecnologia do mundo. 

Hoje, 52% da receita da Apple é por conta do iPhone, que se tornou equipamento indispensável para qualquer rotina, com diversas funcionalidades que vão além de um mero telefone.

Qual a importância de validar seu negócio com um MVP?

Em linhas gerais, o Mínimo Produto Viável ajuda a mostrar, com maior clareza, se o produto que está indo ao mercado tende a ter uma boa aceitação pelo público ou não. Ainda mais: com a grande vantagem de ser algo mais simples e barato do que desenvolver toda a operação antes mesmo de validá-la.

Quando comentamos sobre os possíveis resultados de um MVP, entendemos que a validação pode resolver a dor do usuário, cumprindo a sua função; pode revelar o que falta para resolver a dor do cliente; e pode revelar um novo uso para o produto, diferente do originalmente pensado.

Ou o MVP pode mostrar que o produto é irrelevante para resolver a dor do usuário, mas revelar o porquê. Validações também servem ao que não funciona. É exatamente por isso que é importante usar do Mínimo Produto Viável para se lançar no mercado.

No poker, idealmente, não se dá você não dá all-in logo na primeira mão. O melhor a se fazer não é ir com tudo e esperar que dê certo. Você vai entendendo etapa por etapa, validando premissa por premissa. É por isso que o MVP é tão importante. Serve como uma luz-guia para o que pode ser aprimorado e para o que pode ser esquecido.

Por fim, se você quer aprender mais sobre estratégias, técnicas e ferramentas práticas para transformar uma ideia em um negócio em apenas 8 semanas, acesse a formação G4 Startups do G4 Educação, uma oportunidade direta de entrar em contato com quem botou a mão na massa e construiu empresas líderes em seus segmentos.

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