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Estudo de caso Microsoft: como a inovação a transformou em gigante da tecnologia


Estudo de caso Microsoft: como a inovação a transformou em gigante da tecnologia

O estudo de caso Microsoft mostra que uma das razões pela qual a big tech manteve sua posição de relevância, em um setor em rápida evolução, é devido ao seu recurso intelectual vanguardista, que catapultou suas capacidades financeiras para se manter no páreo a longo prazo.

De repente a vastidão branca do imaginário do paraíso ganhou cores: as colinas verdes de um longo e tranquilo descampado virou o destino dos merecedores das honrarias angelicais. 

O fundo de tela do Windows significava liberdade. Significava que, atrás daquelas colinas, existia um mundo todo de possibilidades para se conectar. Essa sempre foi a promessa, fundamental para fincar as bases do processo de Transformação Digital e democratizar o uso de computadores pessoais.

A missão da Microsoft é “capacitar cada pessoa e cada organização no planeta para alcançar mais”

Foi vanguardista ao incluir o consumidor final no jogo da tecnologia. Abocanhou um market share quase que inabalável. Computadores não eram mais apenas para uso corporativo. Computadores também poderiam estar na sua sala, te conectando com um filho do outro lado do mundo. São das pioneiras que mudam todo o comportamento de consumo.

Hoje a Microsoft é uma daquelas marcas que você reconhece de olhos vendados. Bill Gates já foi o homem mais rico do planeta e é especulado nas teorias da conspiração de mais alto nível. 

Difícil acreditar que, em 1975, uma das big techs era apenas uma pequena empresa de software, que estava desenvolvendo as primeiras linhas do interpretador da linguagem BASIC (Beginner’s All-purpose Symbolic Instruction Code), a fagulha que levaria à toda revolução tecnológica dos sistemas operacionais.

Ao término do ano fiscal de 2021, a Microsoft registrava:  

  • Receita de US$ 168 bilhões;
  • Lucro operacional de US$ 70 bilhões;
  • Força de trabalho de 181 mil funcionários;
  • Lucro por ação de US$ 8,1;
  • Investiu mais de US$ 20 bilhões em Pesquisa e Desenvolvimento;
  • Preço das ações de US$ 336;
  • Valor de mercado de US$ 2,5 trilhões;
  • 73% de participação de mercado em sistema operacional de desktop (SO) em todo o mundo;
  • 85% de participação de mercado em produtos digitais para escritório.

Há 11 anos, em 2010, a receita total era apenas de US$ 62 bilhões; seu contingente de funcionários: 89 mil; a capitalização de mercado: US$ 234 bilhões. Olhe o tamanho do salto da empresa que sempre usou a inovação para criar produtos que nunca foram oferecidos antes. Olhe o tamanho de liderar um movimento de vanguarda.

A propriedade intelectual da Microsoft – patentes e código de software proprietário –, além da capacidade da empresa de se adaptar às tendências, tecnologias e preferências do consumidor, a tornaram um estudo de caso merecido de ser destrinchado.

A jornada de quase meio século da big tech foi uma série incrível de avanços estratégicos, permitindo que a empresa redefinisse o setor de tecnologia e se transformasse ao longo dos anos para estar presente na inauguração do futuro.

Microsoft se consolida oferecendo softwares para fabricantes de hardware

Em 1975, a ânsia e curiosidade de dois amigos – Bill Gates e Paul Allen – os levaram a desenvolver um interpretador da linguagem BASIC (Beginner’s All-purpose Symbolic Instruction Code), para um dos primeiros computadores pessoais nos Estados Unidos, o MITS Altair 8800. 

BASIC é uma linguagem de programação, criada originalmente em 1964, pelos professores John George Kemeny, Thomas Eugene Kurtz e Mary Kenneth Keller. Fundamentada para fins didáticos, servira como uma alternativa de linguagem para aprender lógica, criando aplicações de forma simples e rápida. 

Espalhou os conceitos básicos sobre algoritmos e armazenamento de dados, além de ajudar a abolir a crença de que escrever um código era algo muito complicado. 

A MITS (Micro Instrumentation Telemetry Systems), por sua vez, começou em 1969 vendendo transmissores de rádios, kits para calculadoras e fazendo modelagem de foguetes.

Em 1972, com o lançamento do primeiro microprocessador de 8 bits, o Intel 8008, vários modelistas começaram a projetar kits de microcomputadores. Não foi diferente com a MITS

O Altair era um de seus modelos que tinha poder suficiente para ser realmente útil, desenhado em torno de um sistema expansível para todos os tipos de experiências. Faltava a linguagem que uniria tamanho poderio. Eis que entra o interpretador de linguagem BASIC, de Bill Gates e Paul Allen.

A união de software e hardware MITS Altair 8800 é reconhecida como a fagulha que levou à revolução dos computadores pessoais. Até então, um empreendimento de dois amigos que ansiavam pela vastidão do mundo da programação.

Hardware do Altair 8800, programado na linguagem BASIC da Microsoft.
Hardware do Altair 8800. (Crédito: Wikimedia Commons)

Fizeram um baita negócio. Gates cursava Matemática e Direito em Harvard e Allen já havia abandonado a Universidade do Estado de Washington. 

Agora se tornara um imperativo abrir um escritório e fundar oficialmente o que seria a então chamada  “Micro-Soft” – abreviação para microprocessadores e softwares. O lugar escolhido para sediar: Albuquerque, Novo México.

MS-DOS e a revolução dos computadores pessoais

O hífen vai embora em 1979, quando “Microsoft” entende que seu pedaço no mundo é conectar, não separar. Um ato de marca e cultura organizacional, que reverbera em sua incessante missão de capacitar cada pessoa e cada organização no planeta para alcançar mais.

A Microsoft começa a desenhar sua história como a empresa que constrói softwares essenciais para empresas de hardware que dominavam o mercado.

Um ano depois, em 1980, a Microsoft aliou-se com a International Business Machines (IBM), para criar o sistema operacional que alimentaria o IBM Personal Computer (PC). Embora a empresa já estivesse adaptando a linguagem de programação BASIC para o IBM PC, era preciso trabalhar todo o sistema operacional. 

Bill Gates e Paul Allen são dois empreendedores ágeis e com bom timing. Ao mesmo passo que entenderam a necessidade da MITS, fizeram um belo de um benchmarking, olharam para o mercado e observaram que a Seattle Computer Products (SCP) havia desenvolvido um sistema operacional chamado QDOS (Quick and Dirty Operating System)

Acontece que o QDOS poderia ser facilmente refinado para se adequar ao IBM PC.

Assim, em julho de 1981, a Microsoft comprou todos os direitos do QDOS. Embora o nome do sistema operacional do IBM PC tenha recebido a alcunha de IBM PC-DOS, ele foi totalmente desenvolvido pela Microsoft.

IBM PC, com sistema operacional desenvolvido pela Microsoft.
Hardware do IBM PC, com sistema operacional desenvolvido pela Microsoft. (Crédito: Wikimedia Commons)

Bill Gates não chega a se formar Advogado por Harvard, mas os anos de graduação foram valiosos para talvez uma das grandes jogadas da Microsoft.

Embora o acordo entre IBM e Microsoft permitisse que a desenvolvedora de hardware usasse e comercializasse o software, a Microsoft continuaria retendo a propriedade da linguagem. Essa determinação foi uma cláusula exigida por Gates na hora de firmar o contrato.

Um pequeno detalhe, em um contrato.

Esse é o início do efeito cascata que permite à Microsoft abocanhar um market share colossal. Uma das primeiras big techs catapulta suas alavancas de crescimento ao vender sua linguagem para todo o mercado. Uma empresa que criava para auxiliar a comunidade.

Começou a ganhar tração, naturalmente. Mudou-se para Bellevue, Washington. Ficava cada vez mais difícil recrutar os melhores programadores em Albuquerque.

Em 1983, quem fabricava um computador com especificações semelhantes às usadas como padrão pela IBM, usavam o MS-DOS como seu sistema operacional. Os PCs agora eram vistos mais do que apenas um vislumbre do futuro; eram ferramentas de negócios reais.

Ao término desse ano, a Microsoft vendeu cerca de 500 mil cópias do MS-DOS. Esses números aumentaram a receita anual da empresa para US$ 69 milhões.

Microsoft diversifica oferta e desenvolve seu pacote Office

Durante a década de 1980, a Microsoft desenvolveu seus produtos digitais mais emblemáticos.

Gates estava ciente da carência do mercado por um software de digitação que entregasse uma usabilidade acessível. Criou o Microsoft Word. O produto inicial era longe do ideal, mas a Microsoft sempre fora inflexível em inovar constantemente através de benchmarking e fortalecer os pontos fracos de sua oferta ao longo do tempo.

Em abril de 1986, foi lançado o Word 3.0, o best-seller da companhia, muito creditado à sua versão compatível com o Macintosh. Os caminhos paralelos da outra big tech você pode conferir no estudo de caso Apple.

Interface Word 3.0 para Macintosh.
Interface Word 3.0 para Macintosh. (Crédito: winworldpc.com)

As vendas desta versão totalizaram 20 mil cópias por mês e, a essa altura, a Microsoft registrava receita anual de US$ 590 milhões, além de empregar 2,8 mil pessoas.

Gates também entendeu que o mercado precisava de um software de planilhas. Criou o Microsoft Excel, já disponibilizado em versão compatível para Macintosh. No início de 1986, a ferramenta havia varrido totalmente o software da concorrência, Lotus, desenvolvido pela IBM.

Interface Excel para Macintosh.
Interface Excel para Macintosh. (Crédito: winworldpc.com)

Os resultados expressivos levaram a Microsoft, ainda naquele ano, a realizar um IPO e levantar US$ 61 milhões. Os fortes investimentos a colocaram nos caminhos definitivos de Redmond, o eterno laboratório dos computadores.

Em 1987, Bill Gates entrou pela primeira vez na lista de pessoas mais ricas do mundo, tradicionalmente elaborada pela revista Forbes. Foi o mais jovem milionário da história sem ter herdado uma fortuna. O posto de homem mais rico do mundo viria menos de uma década depois, em 1995, quando já acumulava um patrimônio de quase US$ 13 bilhões.

Na segunda metade da década de 1980, a Microsoft era a maior fornecedora de softwares da Apple. Uma dessas grandes ironias escritas pela história corporativa, que ganha tons ainda mais acentuados com o lançamento do Office, em 1989.

Word, Excel e PowerPoint. As necessidades da rotina de uma empresa empacotadas em uma suíte de produtos, que partia da acessibilidade e usabilidade como suas maiores premissas. A Microsoft passa a compreender as novas linguagens dos computadores pessoais – e dá um passo adiante. 

Complemente sua leitura com: Saiba como atrair os melhores profissionais de tecnologia

A Microsoft rumo à perenidade: uma cultura Customer Centric

A relação entre Microsoft e Apple foi se estreitando ao longo do tempo. Gates teve acesso a executivos envolvidos durante a criação do Macintosh, dos quais tirara um aprendizado que iria guiar toda sua trajetória a partir dali: a facilidade de uso. 

Enquanto o IBM PC usava letras e números para se comunicar, o Macintosh usava uma Graphical User Interface (GUI). Isso significa que a Apple possuía uma interface de ícones, a qual os usuários clicavam em arquivos com um cursor e executavam as tarefas. 

Soa familiar? Gates acreditava firmemente que o futuro da computação estava nas GUIs. Talvez se você olhar para qualquer canto do seu computador agora, você verá a ideia lançada por esse conceito de interface em sistemas operacionais.

O crédito é da Apple – e esse foi justamente um motivo de processo judicial. Mas fato é que Gates sabia que o foco estava na Experiência do Usuário, ou como diz o conceito, Customer Experience (CX). Em 1990, lançou o Windows 3.0, seu mais novo S.O, equipado com uma Graphical User Interface totalmente simplificada.

Mostrou uma tacada certeira: a empresa vendeu mais de 100 mil cópias em duas semanas.

Interface do Windows 3.0, o pontapé inicial da família de sistema operacional.
Interface do Windows 3.0, o pontapé inicial da família de sistema operacional. (Crédito: Wikimedia Commons)

O sucesso estrondoso fez com que a Microsoft mudasse seu foco inteiramente para a nova galinha dos ovos de ouro: o Windows. Em 1993, tornou-se o sistema operacional mais usado no mundo. 

A Microsoft pivotou sua persona. A partir daí, seu foco não era mais fornecer software apenas para desenvolvedores de hardwares; era vender seu portfólio também diretamente para o consumidor final. 

Dessa maneira, como fizera transformando o PC em um negócio corporativo real, começava a transformar os computadores em um equipamento indispensável para sua casa. A segmentação de consumidores fazia parte da estratégia da Microsoft para ampliar seus negócios e atrair públicos que à época não tinham nenhuma familiaridade com o mundo digital. 

Como tal, a empresa desenvolveu produtos exclusivos para vários segmentos de mercado: pessoas físicas, famílias e organizações. Lançou o Microsoft Encarta, em 1993, que foi a primeira enciclopédia projetada para rodar em um computador. 

Em 1994, a empresa lançou a emblemática campanha “Where Do You Want To Go Today?”, sugerindo as infinitas possibilidades oferecidas por seus sistemas e produtos.

No ano seguinte, mais uma bomba: o Windows 95. É o sistema operacional que inaugura o tão básico e essencial botão “iniciar”. Vendeu mais de um milhão de cópias nos primeiros quatro dias de seu lançamento.

Interface Windows 95, o primeiro a ter o botão Start.
Interface Windows 95, o primeiro a ter o botão Start. (Crédito: Wikimedia Commons)

A estratégia de diversificação da Microsoft para atender o CPF e o CNPJ

A Microsoft não buscou diversificar seu portfólio de maneira irrefreável e muito expansiva; alimentava negócios adjacentes ao seu principal pipeline: o Windows.

O primeiro movimento de Bill Gates foi negociar com a Spyglass para licenciar o Internet Explorer, navegador que seria empacotado gratuitamente com o Windows 95.

Interface Internet Explorer para Windows 95.
Interface Internet Explorer para Windows 95. (Crédito: royal.pingdom.com)

De 1995 a 2022, o Internet Explorer foi o navegador oficial do sistema operacional. 

Em 2003, possuía impressionantes 92 pontos percentuais de market share. A ideia de uma possível descontinuidade era quase que inimaginável. Viu sua fatia cair para 7% em 2015, enquanto seu par e concorrente direto, Google Chrome, possuía uma dominância de mais de 60% no mercado de navegadores. 

A Microsoft informou oficialmente o fim do Internet Explorer em junho de 2022. O explorador da World Wide Web bateu nas portas do paraíso com uma certa longevidade digital, onde o tempo não parece operar sob as mesmas regras.

Em 1999, com selo de ícone dos primórdios da internet, a Microsoft ainda lançou o MSN Messenger, a plataforma de mensagens instantâneas da Microsoft Network, rede de serviços digitais da companhia. O MSN foi o “pai” do WhatsApp, mas o avô desse tipo de aplicação foi o ICQ, que em 1996 revolucionou o conceito. 

Em 2001, dois anos após seu lançamento, já registrava uma base de 29,5 milhões de usuários, além de deter o título de comunicador mais utilizado do mundo. No Brasil, foi uma febre imensa.

Interface MSN Messenger
Interface MSN Messenger. (Crédito: Reprodução Microsoft)

Chamar atenção, colocar música na frase do seu perfil, sair e entrar sequencialmente, dar indiretas e uma série de outros comportamentos peculiares garantiram ao MSN um lugar cativo no coração da primeira geração digital da história. Os Millennials, especificamente, agradecem. 

Se a Microsoft conseguiu emplacar seus softwares no início de sua trajetória, a essa altura, conquistava um equity muito mais valioso: a atenção do usuário.

O lançamento que equilibrou a balança e democratizou os computadores pessoais

Em 2001, a Microsoft lançaria sua promessa idílica: o Windows XP. Lembra que a vastidão branca do imaginário do paraíso ganhou cores? O verde das colinas de um longo e tranquilo descampado angelical? Pois bem…

Plano de fundo do Windows XP.
Plano de fundo do Windows XP. (Crédito: Reprodução Microsoft)

Com o novo sistema operacional, tanto os computadores pessoais, quanto aqueles voltados para uso corporativo, chegariam ao mercado com um conjunto completo de softwares Microsoft já instalados. Além disso, o Windows XP introduziria uma nova Graphical User Interface

O novo S.O foi o primeiro na história a oferecer uma experiência de usuário equivalente tanto àqueles que estavam usando um computador em casa, quanto àqueles que estavam usando um computador no escritório.

Se lá atrás a Microsoft quebrou a barreira do vislumbre do futuro e tornou os PCs uma ferramenta de negócios real, a esse ponto passou a equilibrar a balança e transformar um computador doméstico em algo tão potente quanto um de aplicação empresarial. 

O Windows XP é uma das maiores conquistas da Microsoft e lembrado como um dos principais lançamentos de sistemas operacionais de todos os tempos. 

Bill Gates estava ciente do passo que dava, tanto que investira absurdos (para a época) US$ 250 milhões na divulgação da chegada de seu S.O ao mercado.

Tais estratégias capturaram, de forma sem precedentes ao digital, a atenção massiva de todos os tipos de público. Esse foi o lançamento que equilibrou a balança e democratizou os computadores pessoais.

O foco estratégico da Microsoft no novo milênio se alinha com as tendências tecnológicas que ainda não foram criadas

De 1975, ano de sua fundação, até o começo do novo milênio, a Microsoft fez movimentos estratégicos para consolidar sua liderança como principal desenvolvedora de softwares. Abasteceu gigantes da tecnologia com os códigos necessários para que seus hardwares operassem com eficiência.

A história da Microsoft no Século XXI muda: o jogo passa a ser de uma big tech, cuja missão é impactar a sociedade em escala global, antecipando diversas áreas de expansão da tecnologia. Teria de assumir um papel para além do “combustível da programação”. A essa altura, já não era mais apenas o sonho de Bill e Paul.

A estratégia de Desenvolvimento de Produtos da Microsoft

No início dos anos 2000, a Microsoft focou em uma estratégia de desenvolvimento de produtos para a era digital e introduziu suas próprias ofertas em novos mercados.

Em novembro de 2001, lançou o Xbox e entrou oficialmente no mercado de consoles, então dominado pela Sony e pela Nintendo. O primeiro modelo não foi um sucesso estrondoso, mas suficiente para garantir seu sucessor, o Xbox 360 – esse sim, que brigou ao longo de toda sua vida útil pela liderança de Triple A’s, contra o colosso PlayStation 3.

A Nintendo ficara para trás com a entrada da Microsoft no mercado de jogos, mas foi um recurso seu que trouxera ainda mais dinheiro para os cofres da big tech.

O Wii introduziu ao mundo o conceito de controle por movimento, tecnologia que mais tarde seria amplamente utilizada pelo Kinect, do Xbox 360. Não só um controle por movimento, mas um sensor que mapeava todo o ambiente ao seu redor e transportava as ações para o jogo.

Até 2011 era o produto eletrônico de consumo mais vendido da história, registrando em certo ponto vendas médias de 133,3 mil unidades por dia.

Na imagem, hardwares do Xbox 360 e Kinect, estratégia de diversificação aprofundada no estudo de caso Microsoft
Xbox 360 e Kinect. (Crédito: Divulgação Microsoft)

Em 2008, o ingresso da Microsoft para a inauguração do futuro: Windows Azure, hoje só Azure.

A plataforma tem o objetivo de oferecer diversas opções de criação, execução e gerenciamento de aplicativos na nuvem. Disponibiliza ferramentas e estruturas em data centers para que empresas e pessoas possam trabalhar e desenvolver projetos sem precisar de qualquer elemento físico.

É o início de outra fagulha, que começa a ser desenhada em 2010, em específico quando a Microsoft anuncia planos para desenvolver sua própria linha de PCs, tablets e Windows Phone. Entrava a fundo no mundo dos hardwares, para liberar todo o potencial de conectividade na nuvem entre seus softwares.

Àquela altura, o mobile já surgia como um imperativo da rotina.

Segundo gráfico elaborado pelo Statista, em 2010, apenas 504,52 milhões de pessoas tinham acesso a smartphones globalmente. Em 2012, esse número já tinha dobrado, chegando à casa de 1 bilhão. No ano seguinte, 2013, o crescimento é quase proporcional a esses dois anos analisados anteriormente.

Para uma empresa que nasceu nos primórdios do desktop, adaptar-se sempre foi um ato inegociável de sobrevivência. Em uma notável estratégia de M&A, a Microsoft adquiriu os negócios de Dispositivos e Serviços da Nokia. 

Com o movimento, a empresa compreendia uma entrega 360º: os diferentes tipos de hardware, desktop ou mobile, operando sob uma mesma linguagem de software, conectada na nuvem. De qualquer lugar, você teria os mesmos acessos, todos integrados.

A história registrada pelos anos seguintes não foi bem a desenhada pela companhia, tamanho seria o monopólio de mercado. O Windows Phone foi um fracasso retumbante, tais quais os PCs e os tablets. É preciso se esforçar muito para citar de cabeça um modelo marcante.

A ideia de conectividade entre diversos dispositivos, em contrapartida, foi bulls-eye e desenvolvida na prática com mais eficiência por outros players. Android e Google funcionam perfeitamente como sistema operacional mobile e recursos da suíte de serviços na nuvem mais eficiente dos dias atuais. Mas o hardware, essencialmente, não é do Google. 

É Samsung, é Motorola, é LG… e assim por diante.

Em 2012, a Microsoft lançou o Windows Server e o System Center, que ao lado do Azure, passaram a compor as ofertas de serviços na nuvem da empresa. Estava determinada a migrar para um mundo mais funcionalmente conectado. Se ao lado do hardware perdeu o investimento, nesse galgava um enorme espaço. 

Tanto é que, em 2014, a receita proveniente de negócios na nuvem registrava uma taxa de execução anual de US$ 4,4 bilhões, equivalente ao poderio da líder absoluta do mercado.

A estratégia de Transformação Digital da Microsoft

É de senso comum acreditar que a Transformação Digital seja sair do papel e ir para interfaces digitais. Também é de senso comum acreditar que a Transformação Digital seja otimizar tarefas repetitivas com o uso de softwares inteligentes. 

Digitização é a conversão de informações do analógico para o digital. A digitalização é o processo incipiente do uso inteligente dos dados digitais, a favor de otimizar processos e tornar tarefas mais simples e eficientes.

Com a Transformação Digital, as empresas estão se perguntando: podemos mudar nossos processos de uma maneira que nos permita uma melhor tomada de decisões? O que falta para conseguirmos entregar uma solução disruptiva? Quais pontos de contato estão falhando no compromisso de entregarmos uma experiência do cliente memorável?

Agora estamos firmemente entrincheirados na era digital – e empresas de todos os tipos estão criando maneiras inteligentes, eficazes e disruptivas de alavancar seus negócios. 

À medida que a Microsoft atingiu o ciclo virtuoso de crescimento, passou a investir em inovação a longo prazo. Começou a ser provocada por todo o contexto da Transformação Digital. 

No início do processo de digitalização, a Microsoft adotou uma estratégia de alianças, ajudando empresas a desenvolver sua capacidade digital através de seus softwares e sistemas operacionais. 

Quando tentou controlar todo o processo, o monstro corporativo mostrou ter cabeças demais. 

Agora, passou a compreender a computação em nuvem e suas tecnologias adjacentes como elementos-chave para a verdadeira Transformação Digital. O Azure, mais um de seus softwares, repete a fórmula de sucesso como o maquinário para ajudar empresas a desenvolver sua capacidade em mais essa evolução da era digital. 

Ao término de 2019, a Microsoft passou a colaborar ativamente com a OpenAI, em uma plataforma de supercomputação, para treinar e executar modelos de Inteligência Artificial em larga escala.

Além: trouxe novos recursos para seus serviços de banco de dados relacional e desenvolveu ainda mais suas análises de interpretação de dados na nuvem, através do Azure Data Factory, Azure SQL Data Warehouse e Power BI.

Hoje, a visão da Microsoft é construir serviços e experiências capazes de ajudar pessoas e empresas a obterem novas oportunidades para crescerem no digital. Utilizar métodos naturais de comunicação, tecnologia na nuvem e Inteligência Artificial, para entender e interpretar as demandas do cliente, são o caminho para executar sua visão.

A Microsoft planeja continuar utilizando o Windows como campo gravitacional de todas suas outras ofertas: o sistema operacional será a interface de seus negócios em nuvem, o responsável por aumentar ainda mais sua participação no mercado de computadores e o que irá promover o uso de sua extensa lista de softwares disponíveis.

Hoje não é mais só o Office. É Microsoft 365. Mais do que os 360º imaginados. Consumer, Teams, Edge, Bing, Xbox Game Pass e também os clássicos e atemporais Word, Excel e PowerPoint.

Na imagem, representação das marcas do portfólio 365, para compor o estudo de caso Microsoft
Microsoft 365 e o novo conceito de suite office. (Crédito: Divulgação Microsoft)

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O que podemos aprender com o estudo de caso Microsoft

A Microsoft se tornou uma big tech com valor de mercado trilionário. Está estrategicamente posicionada para liderar a Transformação Digital e reforçar ainda mais seu status de vanguardista.

Dentre as principais tendências da tecnologia, a Microsoft já desenvolveu um respeitável portfólio de recursos. Além: está se antecipando àquelas que ainda nem surgiram, à medida que o mundo transita em direção a uma nova era. 

Vejamos o que podemos aprender com o estudo de caso Microsoft:

#1 – Localize a fonte fundamental de valor e conquiste-a

No processo de digitalização, a Microsoft entendeu que controlar o sistema operacional era o segredo, já que o hardware subjacente se tornaria irrelevante, pois poderia ser replicado facilmente. As linhas de código eram o mais importante.

A empresa reconheceu o verdadeiro potencial de seu produto e, assim, introduziu a cláusula no contrato com a IBM que permitia vender o MS-DOS para outras empresas. 

Ao fazer isso, forneceu o poderio financeiro para desenvolver outros softwares essenciais e, finalmente, se tornar uma das principais desenvolvedoras do mundo.

#2 – Deixe as necessidades do consumidor guiarem o desenvolvimento de seus produtos

Grande parte do crescimento da Microsoft na década de 1990 foi impulsionado por seu compromisso de atender às necessidades do consumidor final.

O desenvolvimento de recursos fáceis de usar, como GUIs exclusivas e softwares que já vinham instalados com o sistema operacional, contribuíram para o apelo da Microsoft ao mercado em geral.

Assim como quebrou a barreira do vislumbre do futuro e tornou os PCs uma ferramenta de negócios real, a esse ponto a big tech passou a equilibrar a balança e transformar um computador doméstico em algo tão potente quanto um de aplicação empresarial. 

Democratizou o desktop.

A Microsoft expandiu estrategicamente seus negócios para acessar o público em geral e projetar suas ofertas de acordo. Essa é uma visão orientada por Customer Experience (CX).

O conceito é definido pela cultura que coloca o consumidor no centro de todas ações estratégicas de crescimento do negócio. A ideia é otimizar, facilitar e melhorar todas as interações entre cliente e marca, no momento pré, durante e pós vendas. Todo empreendedor possui hipóteses, mas quem as concretiza é o comportamento do seu cliente. 

#3 – Antecipe tendências para obter uma vantagem de vanguarda

A Microsoft acelerou seu crescimento antecipando novos caminhos tecnológicos e desenvolvendo seus produtos e serviços de acordo.

Reorganizou sua estratégia para se concentrar em conectividade e tecnologia na nuvem e construiu sua capacidade nessas avenidas, desenvolvendo assim um portfólio exclusivo.

Com o Azure, tornou-se uma parceira estratégica para a Transformação Digital, a qual organizações poderiam contar para alcançar o máximo de potencial, em um contexto de negócios cada vez mais volátil e exponencial. 

A estratégia também valeu a pena: ao término do ano fiscal de 2022, segundo o Statista, a Microsoft registrou um total de US$ 198 bilhões em receitas. Somente o segmento de nuvem gerou US$ 75,3 bilhões, o equivalente a 38% da quantia total.

#4 – Atinja o ciclo virtuoso de crescimento e inove a longo prazo

A Microsoft é um exemplo claro de empresa que atingiu o ciclo virtuoso de crescimento. 

Quando você consegue montar uma engrenagem funcional, para planejar estrategicamente “o seu negócio de amanhã que irá desbancar o de hoje”. A Microsoft rompeu diversas vezes com qualquer noção prévia sobre onde os computadores pessoais poderiam chegar. 

O crescimento consistente, tanto no apoio estratégico ao mercado, quanto no capital intelectual, serviu de combustível para forte apoio de investidores, que recompensaram a Microsoft com capital de sobra para bancar inovação e investimentos de longo prazo. 

Esse é o conceito de ciclo virtuoso de crescimento.

Inovação perene fazem gigantes como a Microsoft andarem pela Terra

A Microsoft é uma gigante na história. Bill Gates e Paul Allen possuem cadeira cativa nos livros didáticos. Foram seus códigos os responsáveis pela fagulha e também pela revolução dos computadores pessoais. Se você está lendo isso e gostou desse conteúdo, agradeça em parte a esses caras.

Revolução essa que permitiu inúmeras outras revoluções. Na efervescência de contextos da era digital, a Microsoft aprendeu, sobretudo, a se adaptar e reafirmar sua entrega, sempre vanguardista. 

A visão, essencialmente, continua a mesma: promover inovação que gere novos ecossistemas de inventores, parceiros, desenvolvedores, criadores e agentes de mudança, para impulsionar os motores de crescimento da sociedade.

Os arautos da humanidade levarão os contos dos primórdios da Internet e a Microsoft estará por todos os lados. Essa é a verdade. O dia de amanhã ninguém sabe, mas parece que a empresa pioneira do digital compreende os mecanismos de funcionamento do terreno que ajudou a programar. 

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