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Espaço de coworking: como incentivar os funcionários remotos a utilizá-lo?


coworking - como incentivar funcionários a usar

O trabalho remoto ascendeu desde o começo da pandemia. Apesar das vantagens, trabalhar 100% dentro desse modelo pode ser um desafio a médio e longo prazo. Nesse sentido, o espaço de coworking surge como uma alternativa sustentável e viável para empresas e ao mesmo tempo, pode promover mais bem-estar para os colaboradores.

A pandemia global de COVID-19 mudou radicalmente a forma como muitas coisas eram feitas. Em praticamente dois anos, tudo foi remodelado e adequado para diminuir a disseminação do vírus, e o mundo passou da convivência contínua ao isolamento, transformando bruscamente o cotidiano.

Uma das várias esferas afetadas foi o trabalho. Não só o ambiente mas também, a forma como trabalhamos. Tudo aconteceu em um curto período de tempo, fazendo tanto empresas como funcionários se adaptarem rapidamente à nova realidade.

Nessa nova dinâmica, um espaço fundamental foi a casa, que se adaptou para comportar diferentes eventos vividos ao longo do dia: escola, academia, atividades de lazer e também, o escritório. 

Das incertezas de um trabalho à distância aos desafios de encaixá-lo no novo ambiente, a mudança causou impactos, mas ao longo dos meses, foi sendo cada vez mais aceita pelos funcionários, com a maioria concordando que essa era uma tendência que perduraria depois da pandemia. 

De acordo com pesquisas citadas pelo Google, 7 em cada 10 entrevistados gostariam de continuar trabalhando de casa mesmo com a normalização da situação. No mesmo ano, a busca por vídeos no Youtube com o termo home office cresceu 173%.

Alguns fatores determinantes para a adesão do trabalho remoto perpassa desde maior praticidade até a redução de custos com o transporte, por exemplo, como mostra uma pesquisa da Flexjobs

Espaço de coworking: como incentivar os funcionários remotos a utilizá-lo
(Na imagem: pesquisa entre trabalhadores que trabalharam remotamente durante a pandemia)
(Créditos: Flexjobs/Statista)

A realidade é que o trabalho realizado longe dos escritórios já é fato, mostrando que as tendências eram consistentes. 

Ademais, a força desse “novo” jeito de trabalhar é tão potente que há modalidades de contratação 100% remotas e muito procuradas em comparação com vagas totalmente presenciais ou até, híbridas.

Apesar dos benefícios, as vagas à distância mostram-se passíveis de alguns desafios, principalmente no que tange aspectos culturais e aumento dos silos dentro da organização. Sendo assim, mesmo que o funcionário trabalhe nesse modelo de contratação, é muito importante encontrar um ponto de equilíbrio.

O que fazer então, para se adaptar à nova realidade e ainda manter os funcionários remotos satisfeitos? O uso do coworking mostra-se uma alternativa atraente para manter um núcleo coeso e apesar da eventual distância, próximo. 

De que forma os coworkings podem ajudar os trabalhadores remotos?

Apesar de um relatório da McKinsey apontar que cerca de 20 a 25% dos colaboradores poderiam trabalhar de casa sem perda de produtividade, o que representa cerca de quatro a cinco vezes mais trabalho à distância do que antes da pandemia, a longo prazo, o home office pode afetar a produtividades e até, o senso de pertencimento.

Isso porque, ao trabalhar remotamente e em casa, há mais chances de se sentir solitário do que parte do propósito da organização, junto com outros times e colegas de trabalho.

Um estudo da Universidade de Warwick apontou que o espaço de trabalho possui um impacto considerável para a satisfação e felicidade dos colaboradores, o que por sua vez, afeta diretamente a produtividade.

Sendo assim, proporcionar um ambiente de trabalho adequado faz parte de um processo de contratação bem-sucedido. Contudo, não está somente nas mãos das empresas. Uma tendência pós-covid aponta que os funcionários mais satisfeitos e engajados querem mais autonomia para escolherem de onde trabalhar, incluindo espaços de coworking, por exemplo.

Diante disso, é preciso estar atento às novas relações entre empresa e colaborador, afinal, as decisões tendem a ser cada vez mais conjuntas. Por isso, separamos algumas vantagens que impactam diretamente a produtividade, bem-estar e até redução de custos ao utilizar um espaço de coworking contemplando essa questão de maneira mais holística.

6 benefícios ao utilizar o coworking 

Com um conceito relativamente novo, os espaços de coworking começaram a surgir em meados de 2010, mas ainda sem muita consistência. Embora sua ascensão tenha sido pouco agressiva, sua maneira de operar, de um jeito ou de outro, parece ter acompanhado as transformações do mundo e de comportamento.

A prova disso é que cerca de 21 mil pessoas utilizavam esses escritórios compartilhados em 2010, 10 anos depois, em 2020, esse número saltou para 2,26 milhões. 

Mas afinal, de que modo esse espaço compartilhado que por um tempo nem sabíamos que precisávamos, pode ajudar funcionários que trabalham remotamente? Por que sua empresa deveria adotar e utilizá-lo como uma decisão estratégica?

Neste artigo, reunimos uma série de vantagens em manter os funcionários que trabalham a distância utilizando um coworking, mantendo-os assim, por dentro da cultura organizacional, sentindo-se parte de um grupo e relacionando-se com outros colegas.

Espaço de coworking: como incentivar os funcionários remotos a utilizá-lo
(Na imagem: Sandeep Mathrani, CEO do WeWork)
(Créditos: Reprodução WeWork, Época Negócios / Foto: Tony Favarula/Andrew Collings Photography)

“Agora, mais do que nunca, esses resultados da pesquisa reforçam o que a pandemia deixou claro: o Covid-19 alterou fundamentalmente a maneira como pensamos sobre o escritório. No futuro, funcionários e empresas precisarão adotar soluções flexíveis que suportem estilos de trabalho híbridos para manter os funcionários engajados e satisfeitos.”

Sandeep Mathrani – CEO da WeWork

#1 – Equilíbrio saudável entre vida profissional e pessoal

Uma pesquisa feita pelo Semrush apontou que o termo burnout” aumentou 122% durante a pandemia, assim como as pesquisas por “depressão” e “estresse”.

Em 2020, 70% dos profissionais brasileiros disseram estar com altas cargas de trabalho, com dificuldade em estabelecer horários e sentindo-se sobrecarregados.

Diante da linha tênue entre manter o equilíbrio entre espaço para trabalho e espaço para a vida pessoal, a tendência é que as pessoas acabem trabalhando mais horas, fiquem mais ansiosas e ainda, aumentem as chances de ter momentos de exaustão.

O coworking pode ser uma oportunidade de ter uma vida mais saudável, mantendo uma maior harmonia no dia a dia, afinal, além do funcionário remoto possuir um “núcleo”, consegue encontrar uma rotina de horários mais adequados. 

“As conexões estão todas à mão e, ao mesmo tempo, é preciso lidar com tarefas domésticas. Não há um consenso do que é trabalho profissional e afazeres de casa. Tudo acontece ao mesmo tempo, em um período em que a nossa saúde mental está sendo colocada à prova o tempo todo.”

Jorge Martins – CEO da Bullseye Executive e Search, empresa de recrutamento especializado em gestão empresarial

#2 – Proporciona mais flexibilidade

Se adequar às novas mudanças no comportamento parece ser não só uma oportunidade de gerar maior satisfação entre os funcionários, mas uma decisão estratégica focada na retenção de talentos. 

70% dos funcionários acreditam fortemente que trabalhos mais flexíveis mostram-se como oportunidades mais atrativas, isso porque muitos querem ter autonomia, principalmente quanto a horários de trabalho ajustáveis. 

Desse modo, uma boa oportunidade para incentivar a ida ao coworking é proporcionar mais independência quanto à jornada trabalhada, permitindo mais poder de escolha.

#3 – Funcionários mais inovadores e bem conectados

Além de criar uma pequena comunidade de funcionários, o coworking possibilita a troca de experiências entre diversas pessoas, agregando conhecimentos e contribuindo com um time mais aberto à inovação e multidisciplinar.

Ainda em 2016 a Microsoft ofereceu para cerca de 30% de seus colaboradores a possibilidade de ir a um WeWork em Nova Iorque, o que demonstra que esses espaços que antes pareciam destinados a empreendedores e profissionais freelancers.

Grandes empresas, incluindo a própria Microsoft, IBM e Ford enviaram grandes grupos de seus funcionários para trabalhar nesses espaços, ganhando notoriedade antes mesmo da pandemia.

Além disso, o ambiente proporciona a chance de networking, já que muitas organizações estão seguindo rumo ao escritório compartilhado, 73% de quem utiliza coworkings diz que já aprendeu algo novo com alguém que conheceu lá.

#4 –  Maior engajamento e fit cultural

Mesmo que esses funcionários remotos estejam longe do restante da empresa, ao proporcionar um espaço para que eles possam ir todos os dias, é possível criar esse “núcleo”, ou seja, conseguem ainda assim, se conectar com outros funcionários através do coworking.

Além de ajudar no engajamento, outra vantagem de criar esse “grupo remoto”, é o fortalecimento da cultura organizacional. Ao conseguirem ter um lugar aonde se dirigir, é mais fácil construir vínculos, estar por dentro das práticas da empresa e ainda, promover um senso de comunidade, sempre tendo em mente os valores da organização. 

#5 – Maior produtividade 

Não é regra, mas um dos maiores desafios ao trabalhar de casa podem ser as distrações. Uma vez que os funcionários estão trabalhando completamente sozinhos, muitas vezes é difícil manter a concentração. 

De acordo com uma pesquisa realizada pelo Senso Coworking Brasil, 42% dos entrevistados afirmam uma melhora significativa na produtividade.

Ao estar com outros colegas, tende a ser mais fácil “driblar” a inquietação ou até o tédio, já que o trabalho fica menos solitário e o próprio ambiente fomenta o compartilhamento de informações, com uma dinâmica mais colaborativa e enérgica. 

#6 – Melhor gestão do tempo 

Deixar de ir presencialmente ao escritório pode fazer com que os colaboradores encontrem um ritmo de trabalho próprio, o que pode ser uma linha tênue entre autonomia e satisfação como também, gerar mais estresse e ansiedade por não haver uma rotina de horários mais definida.

Esse desalinhamento pode ser prejudicial tanto para a saúde mental, quanto para a produtividade, afinal, arrastar uma atividade por horas pode ser muito exaustivo, além de desnecessário. 

Ir a um coworking pode ajudar a delimitar e controlar de maneira mais eficiente o período trabalhado, uma vez que é preciso mais organização e disciplina com horários de entrada e saída e até mesmo, o tempo estipulado para realizar cada atividade é acompanhado com mais empenho.

O que as empresas ganham com isso?

Além de consolidar a cultura organizacional, ao incentivar funcionários remotos a utilizarem espaços de coworking, a empresa consegue reduzir custos consideráveis. 

Com um modelo home office, por exemplo, a empresa deve proporcionar estruturas básicas e necessárias para seus funcionários atuarem, como, notebook/computador, mesa, cadeira, ajuda de custos com internet e outros. 

Apesar de custos com o ambiente, ao utilizar um espaço compartilhado, esse investimento pode ser considerado mais estratégico e poupar recursos, já que muitos coworkings cobram por mesa/espaço utilizado, proporcionando um ambiente mais aconchegante e de acordo com a necessidade dos times.

Ainda assim, se a ideia de instaurar essa abordagem parece distante da realidade do seu negócio, é importante destacar que ao que tudo indica, essa tendência continuará forte e deve ser estudada.

Mesmo que haja certa resistência dos funcionários em um primeiro momento, o ideal é destacar os aspectos levantados até aqui, que englobam uma melhor gestão de tempo e até, mais saúde.

Se for o caso, implementar um trabalho híbrido pode ser uma estratégia benéfica para começar a transição de maneira menos brusca e ajustável para todos e certamente, sua empresa não estará sozinha. 79% dos executivos planejam que os colaboradores dividam o tempo em uma abordagem de trabalho híbrida.

Ademais, essa opção que promete ser um meio termo entre o presencial e o home office, está ligada a melhores resultados. Ao que parece, a adoção desse estilo de trabalho é popular entre funcionários mais satisfeitos, engajados e propensos a recomendar a empresa. 

A palavra da vez é adaptação, tanto para empresas quanto para colaboradores

A transformação brusca no cotidiano acarretou em uma série de mudanças comportamentais sem precedentes na história recente, não só nas relações pessoais, mas na forma como trabalhamos, e também, na relação entre funcionários e empresas, fazendo com que um espaço de coworking se tornasse uma opção relevante para pequenas e grandes empresas.

Da alta popularidade e benefícios trazidos pelo home office, é preciso se atentar aos seus efeitos a médio e longo prazo, afinal, tende a ser mais difícil ter um controle sobre quando o trabalho termina se ele é realizado dentro de casa.

Mesmo com uma opção híbrida, elaborar uma reestruturação formal das diretrizes de trabalho é necessário, trazendo segurança e bem-estar não somente para os funcionários mas para as próprias empresas, que garantem mais satisfação além de regulamentação, acompanhando os novos tempos. 

Diante desse novo contexto, as contratações continuam e é muito comum que o trabalho remoto seja a única opção para alguns funcionários, seja por morar em outra cidade ou até país. 

Ao proporcionar e incentivar o uso do coworking com times remotos, é possível fortalecer a cultura organizacional ao viabilizar esses encontros regulares, mantendo a conexão, o engajamento e aumentando a produtividade.

Como acompanhamos durante todo o artigo, adaptar-se a novas realidades é imprescindível para um negócio, e se você deseja entender mais sobre como sua empresa pode atuar estrategicamente, participe da Gestão 4.0 Imersão e Mentoria, do G4 Educação.

Além de contemplar aspectos relevantes para a sua empresa, você aprenderá uma série de ferramentas práticas que irão promover mudanças significativas na sua organização. 

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