Finanças

Entrevista com Luiz Nunes, Gestor e CEO do Fundo Forpus

Com uma trajetória relevante no mercado financeiro, Luiz Nunes já passou por instituições como Banco Citibank, Banco Safra, RB Capital, Claritas Wealth Management e Banco Modal, até se juntar com seus sócios e fundar o Fundo Forpus, gestora de recursos independente focada no mercado de ações e previdência.

Atualmente, gestor e CEO do Fundo Forpus, Luiz revelou  em entrevista concedida a Revista G4 Club, os maiores desafios e aprendizados que teve durante toda sua carreira, até se tornar um gestor de sucesso.

Índice:

Quem era o Luiz antes do mercado financeiro?

Eu nasci em 1981, Itajaí-SC, filho de uma mãe de família de imigrantes italianos e um pai gaúcho. Logo em 1983, devido a uma das maiores enchentes já vistas no Brasil, minha família mudou-se para Votorantim, interior de São Paulo, cidade berço do grupo Votorantim, onde meu avô trabalhava.

Crescendo em uma família de classe média-baixa onde nada faltava, mas também não sobrava muito, estudei em escola estadual uma boa parte da minha vida. Graças à minha mãe acabei conseguindo bolsa de estudos e terminei minha educação em um colégio mais forte.

Esse foco na educação fez com que eu conseguisse passar muito bem na faculdade e me formei com bolsa de estudos. Fora essa história, eu sempre fui um jovem normal com bastante amigos, que gostava de sair e praticar esportes.

Já entrou em Administração na FGV com o intuito de focar na área financeira? Como iniciou no mercado de trabalho?

Logo que entrei na FGV, eu consegui um trabalho como professor de matemática num cursinho pré-vestibular que me ajudou muito a pagar as contas nos primeiros anos da faculdade, quando teoricamente não daria para fazer estágio ainda.

Já no início da faculdade eu desenvolvi um grande interesse pelo mercado financeiro e logo consegui um estágio no banco Citibank por volta dos anos 2000. Por um bom tempo minha rotina dividia-se entre: faculdade, estágio no banco, aulas de matemática e treino de jiu-jitsu – com o tempo que o pessoal gasta em redes sociais hoje em dia, isso seria impossível.

“Eu acho muito importante começar cedo a trabalhar para que, no momento da formatura, você já tenha tempo de voo suficiente para enfrentar o mundo.”

Você trabalhou em instituições como Banco Citibank, Banco Safra, RB Capital, Claritas Wealth Management e Banco Modal. Qual foi a experiência mais impactante para sua carreira? Pode contar uma situação que foi “game-changing”?

Ter trabalhado em grandes empresas, pelas quais tenho a mais profunda admiração, me ensinou demais e me mostrou que a única empresa que realmente seria do meu jeito seria uma que eu fundasse.

Eu acredito que há um benefício muito grande em trabalhar em empresas estabelecidas antes de empreender, pois você aprende muito sobre processos, relações, produtos etc., como você deve (ou não deve) fazer em sua empresa.

Em 2014, eu estava liderando o time de gestão de patrimônio em um grande banco quando em uma reestruturação interna a área deixou de existir; naquele momento eu disse para mim mesmo que não queria mais estar à mercê dos rumos que terceiros decidiam e, assim, surgiu a real vontade de fundar uma empresa com a minha cara.

No final das contas, esse infortúnio acabou sendo meu maior aliado para ter a empresa que sempre sonhei.

Você passou um tempo longe do mercado financeiro. Como foi a experiência de ser CFO da Tomorrowland? Quais foram os maiores desafios durante essa jornada? E os maiores aprendizados? 

Essa foi uma fase incrível com bastante aprendizado e, acima de tudo, quando fiz grandes amigos. Eu tive que ficar fora do mercado por um ano (por razões contratuais) e acabei agarrando a oportunidade de fazer algo totalmente diferente. 

O Tomorrowland Brasil era um JV (Joint Venture) entre americanos, brasileiros, belgas e holandeses. É uma marca com mais de 10 anos e, portanto, com muitas tradições, histórias e um legado que deveria ser mais do que respeitado na criação do evento aqui no Brasil.

Eu fui para Bélgica e para os USA nos eventos deles para aprender como fazer e percebi a grandiosidade e seriedade que aquelas pessoas tocavam essa empresa e, ao contrário do que muitos pensam, não é apenas uma “festa”.

O grande desafio é a execução. No mercado financeiro ficamos acostumados a ter um processo de execução praticamente inexistente; após todo estudo e análise você aperta um botão e comprou ou vendeu aquele ativo, enquanto que, no Tomorrowland, após o estudo e análise se haverá o palco XYZ aí que começa a execução, a gestão dos recursos, logística, pessoas etc. 

Dali em diante eu passei a respeitar ainda mais o pessoal da economia real, são heróis. O maior aprendizado que eu tirei depois de entender o tamanho do problema e da dificuldade que é criar um festival, indubitavelmente, é: no mercado de entretenimento eu sou apenas consumidor. 

Logo após a Tomorrowland, você fundou a Forpus. Como se deu o start da ideia sobre a criação da Forpus?

Tudo começou com a decepção do fechamento da área no banco, mais uma vez um problema que, na verdade, serviu de empurrão para o passo mais importante na minha carreira.

(Na imagem: Luiz Nunes)
(Crédito: Divulgação G4 Educação)

Eu já era amigo dos meus atuais sócios (Francisco e Michel) que tinham acabado de sair da empresa anterior e estavam pensando em abrir uma gestora com as características sobre as quais concordávamos serem ideais para o mercado e, acima de tudo, para o nosso momento. Daí em diante foi só unir forças e começar o trabalho. 

Qual a estratégia de investimento da Forpus e como vocês se protegem das oscilações do mercado?

Na Forpus a gestão é top down, setorial, 130/3. Mas que raios isso tudo quer dizer?

O insumo principal é o cenário político-macroeconômico, ou seja, começamos a análise de cima para baixo (top down). Assim, é determinado quais os vetores de força e fraqueza que devem mexer nos setores da economia (setorial), começa aí a compra de 130% do patrimônio nos setores que acreditamos que irão subir e venda de 30% dos setores que apresentam mais fraquezas (130/30).

“Acreditamos que, para fazer gestão de ações no Brasil, o cenário que uma empresa está inserida é tão, ou, às vezes, até mais importante que os pontos internos e de gestão.”

Afinal, como dizia Pedro Malan (economista que foi Ministro da Fazenda nos dois mandatos do presidente Fernando Henrique Cardoso): No Brasil, até o passado é incerto.

Todos os fundos da Forpus possuem um perfil de risco alto, como lidam com as oscilações de curto prazo? Qual a dica para o investidor não sofrer com a aversão à perda, natural do ser humano?

O curto prazo realmente é o grande desafio do investidor. Na minha opinião, o segredo está em estudar e buscar informar-se ao máximo antes de fazer o investimento (parece meio óbvio isso, mas é muito normal as pessoas investirem, tanto em fundos, ações ou qualquer ativo por “dicas” sem saberem exatamente o que é). 

As oscilações são normais e mais que esperadas e se você pesquisou e se informou bastante fica mais fácil entender que o caminho não é uma linha reta e que é normal uns “chacoalhões” para buscar um resultado vitorioso no final.

“Investimentos devem ser vistos mais como uma plantação de um jardim na qual as evoluções devem ser analisadas de um ano para o outro e não no dia-a-dia.”

Certa vez Jeff Bezos perguntou a Warren Buffett por que nem todo mundo copiava sua filosofia de investimentos, que era tão simples e tinha o tornado um dos homens mais ricos do mundo.

Buffett respondeu: “porque ninguém quer ficar rico devagar.” 

Qual foi o maior acerto na sua jornada no mercado financeiro? E qual foi o seu maior erro? O que você aprendeu com ambas as situações? 

Sem sombra de dúvidas meus maiores acertos e erros não estão relacionados a investimentos ou ações, mas sim a pessoas. O meu desempenho e o do time sempre foi superior quando tínhamos confiança uns nos outros e ótima comunicação.

O destaque positivo fica para a Forpus, onde encontrei dois sócios que, além de serem muito melhores do que eu, têm características muito complementares às minhas. Hoje temos um ambiente de total confiança e harmonia para trabalhar, o que se traduz em ótimos resultados e também em um ótimo clima para todos os demais integrantes da equipe.

Qual foi o momento mais difícil da sua carreira?

O momento mais difícil da minha carreira foi logo antes de iniciar a Forpus. Nesse momento de extrema incerteza político-econômica no Brasil, durante o segundo mandato do Governo Dilma, eu estava pensando qual seria meu próximo passo na carreira, o mercado ia muito mal e as perspectivas estavam ficando cada vez piores.

Eu já tinha uma carreira estabelecida, mas ainda era jovem para ter total convicção de que uma recolocação seria bem feita. Com todos esses elementos, decidi empreender e, assim, iniciar novamente uma jornada do zero não foi nada fácil. 

“Há tantas incertezas e as coisas acontecem muito devagar e é preciso manter a motivação e continuar trabalhando por anos sem ter resultados no início e sem nenhuma garantia de que esses resultados virão em algum momento.”

Foi um período muito engrandecedor para o autoconhecimento e para conhecer bem quem estava por perto, então valeu cada segundo.

Como você enxerga o cenário brasileiro no curto, médio e longo prazos?

Essa resposta daria uma coletânea de livros. Vou dizer apenas que acredito muito que estamos num caminho de melhorias e que o trabalho duro e consistente do dia-a-dia gera muito mais frutos que qualquer esperança em um salvador ou em uma ”porrada” que vai resolver tudo.

“Prefiro ser otimista, não conheço muitos pessimistas bem-sucedidos.” 

Jorge Paulo Lemann

Indique dois livros de cabeceira (um sobre o mercado financeiro e outro não). E como você os utilizou na sua vida pessoal ou profissional? 

“Como fazer amigos e influenciar pessoas” de Dale Carnegie. Esse livro, que tem título muito pouco convidativo, foi um dos mais importantes da minha vida. Como gestor/trader desde o início da carreira eu acabei por negligenciar o trato humano e fazia péssima gestão das pessoas que estavam ao meu redor.

Posso dizer que, após esse “manual de comportamento”, as coisas melhoraram muito, recomendo demais a leitura.

“Market Wizards” de Jack D. Schwager. Essa coleção de livros relata histórias dos principais gestores do mundo. Aprender como as mentes mais iluminadas trabalham e as infinitas estratégias que usam é algo extremamente enriquecedor e me ajudou bastante.

Você é lutador de jiu-jitsu. Como o esporte foi importante para a sua construção, pessoal e profissional?

O jiu-jitsu é a moldura da história da minha vida, sempre esteve ali. Eu treino há mais de 20 anos, já participei de inúmeros campeonatos (sou campeão paulista, brasileiro e sul-americano) e convivi com campeões. 

O jiu-Jitsu me dá a oportunidade de sentir o desconforto físico de maneira recorrente e, assim, me ajuda a lidar com o desconforto psicológico.

No jiu-jitsu é corriqueiro estar em uma posição extremamente desconfortável, mas que não te oferece o perigo final. Dói, incomoda, mas não está perto de uma torção articular ou um estrangulamento, então o mais indicado é acalmar-se e buscar sair dali. 

É muito comum também estar muito cansado, mas se parar naquele momento para descansar, seu adversário irá avançar a um ponto que não haverá mais volta, então deve-se, mesmo cansado, continuar resistindo até achar uma posição de conforto e aí sim descansar.

O que eu descrevi acima até parece a rotina no mercado financeiro, mas é apenas o jiu-jitsu te treinando para vida, te ensinando a “ficar confortável no desconforto”.

No G4 temos uma missão: “Gerar 1 milhão de empregos até 2030”. Qual a missão da Forpus? E do Luiz Nunes?

As pessoas gastam um pedaço muito relevante da vida delas trabalhando para conseguir viver bem e ter uma boa aposentadoria.

Nesse processo, praticamente todos nós deixamos de passar tempo com os familiares, amigos e até mesmo de fazer coisas que gostamos. Entendemos que o patrimônio de cada um é gerado através de muito suor, esforço e ao custo de abrir mão de muitas coisas.

(Na imagem: Luiz Nunes)
(Crédito: Divulgação G4 Educação)

Na Forpus, buscamos trazer rentabilidade consistente e de longo prazo para ajudar os cotistas a realizarem seus sonhos.

Eu, Luiz Nunes, de família humilde, gostaria apenas de mostrar para os demais que, com muito esforço, dedicação, fé e, obviamente, um pouquinho de sorte, dá para fazer acontecer.

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