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Elon Musk compra Twitter por US$ 44 bilhões


Elon Musk compra Twitter

Se existe um nome que passou a ser presença constante nas manchetes mundiais nos últimos anos, seja por suas postagens polêmicas que movimentaram milhões em ações ou por feitos históricos alcançados pelas companhias que fundou, esse é Elon Musk. Dito isso, no dia 25 de abril de 2022, todos os veículos de comunicação se renderam mais uma vez ao anunciarem: “Elon Musk compra o Twitter”.

O valor acordado, de US$ 44 bilhões para tornar a empresa privada, foi aceito 12 dias após ser feita a oferta por Musk ao conselho administrativo da empresa. Vale lembrar que a expectativa é que o negócio seja aprovado ainda este ano. Antes disso, tanto acionistas como reguladores nos EUA e nos países onde o Twitter faz negócios ainda precisam pesar antes que o acordo seja concluído.

Algo curioso sobre essa aquisição é a comparação que vem sendo feita entre Musk e Jeff Bezos –ironicamente os dois homens mais ricos do planeta–, pois o fundador da Amazon, em 2013, também adquiriu um grande e prestigioso veículo de comunicação, o The Washington Post

Ainda não se sabe ao certo quais serão os primeiros passos/ajustes feitos ao Twitter sob o olhar de seu novo e único dono. Será que se manterá a estratégia e o planejamento sobre como a rede social conquistará seus próximos 100 milhões de usuários, divulgado na mídia semanas antes da compra?

Apesar de utilizar bastante a rede social para se promover e gerar discussões independente do objetivo final, algo que ficou claro para quem acompanha seus tweets é que Musk sempre criticou o Twitter por suas políticas de moderação de conteúdo e prometeu transformá-la em uma “plataforma de liberdade de expressão em todo o mundo”.

Além disso, coincidência ou não, dias após a aquisição o Twitter apresentou seu possivelmente último relatório fiscal por um bom tempo, reportando um aumento de 16% em sua receita (US$ 1,2 bilhão), lucro líquido de US$ 513 milhões e crescimento de 14 milhões em seu número de usuários ativos mensais (229 milhões no total), segundo reportado pela Associated Press.

“Acredito que não há nada melhor para o Twitter do que Elon Musk comprá-lo e, idealmente, substituir o conselho, e também dobrar os investimentos em produtos e novas fontes de geração de receita”

John Meyer
Fundador e CEO da Ghost Financial

E, como era de se esperar, Musk continuou bastante ativo na rede, respondendo tweets de pessoas de diferentes setores e de diferentes posicionamentos políticos. E este foi seu primeiro tweet como o mais novo dono da organização (abaixo): “espero que até meus maiores críticos permaneçam no Twitter, pois é isso que significa liberdade expressão”.

(Na imagem: primeiro tweet de Elon Musk como mais novo dono do Twitter)
(Crédito: Twitter)

Por que Elon Musk quis comprar o Twitter?

Qual o interesse de Musk em adquirir uma empresa com um valuation quase 25 vezes menor do que o da Tesla? Uma empresa que batalhou constantemente para publicar lucros de forma consistente como uma empresa pública e que gera um crescimento de receita de baixa expressão se comparado com as duas principais forças no segmento de publicidade digital, Google e Facebook?

Dito isso, assim como observaremos no gráfico abaixo, apesar de muitas oscilações, o Twitter vem aumentando sua receita desde 2011.

Receita trimestral –primeiro e terceiro– do Twitter desde 2011.
(Na imagem: receita trimestral –primeiro e terceiro– do Twitter desde 2011)
(Crédito: Statista / Twitter)

Contudo, grande parte dessa receita é gerada via publicidade, seguido de licenciamento de dados e outros, o que gerou críticas constante as últimas gestões, especialmente a liderada pelo seu co-fundador Jack Dorsey. 

E essa falta de opções mais lucrativas, e ao mesmo tempo escaláveis, se refletiram repetidamente no reportes anuais do Twitter, que só conseguiu reportar um lucro líquido positivo em 2018 e 2019, revelando uma luta para rentabilizar seus usuários.

Lucro/perda líquida do Twitter entre 2010 e 2021
(Na imagem: lucro/perda líquida do Twitter desde 2010)
(Crédito: Statista / Twitter)

Ainda assim, apesar de ter menos usuários ativos mensais (MAUs) do que outras plataformas digitais, o Twitter ainda é um dos maiores e mais populares meios de comunicação, com propostas diferentes a, por exemplo, YouTube e TikTok, voltadas muito mais a disseminação de informação. 

Logo, embora o próprio Musk não tenha revelado todos as reais intenções que o motivaram a investir bilhões de dólares na empresa, muito se atribui a sua contestação em relação à liberdade de expressão dentro da plataforma –Musk também disse que a empresa precisaria se tornar privada para ter mudanças efetivas.

De fato, além de se manifestar sobre o tema, Musk realizou até uma votação em seu perfil (abaixo) onde perguntou se as pessoas acreditavam que a rede social aderia rigorosamente à liberdade de expressão. 

No entanto, talvez uma das melhores respostas/análises sobre a motivação do CEO da Tesla e SpaceX tenha sido a que Matt Levine, colunista da Bloomberg, deu ao The New Yorker:

“Suponho que seja porque ele tem um conjunto genuíno de crenças políticas e sociais sobre como o Twitter deve ser gerido, e ele sente que isso não está sendo feito da maneira correta. E acho que isso provavelmente é verdade para a maioria de seus empreendimentos, onde ele gosta de desafios pessoais, como resolver quebra-cabeças, e gosta de ser um empresário rico e bem-sucedido e gosta de pensar que está fazendo algo de bom para a humanidade. E acho que o Twitter se encaixa em todas essas coisas também”

Matt Levine
Colunista de negócios e finanças da Bloomberg

Linha do tempo: como ocorreu a compra do Twitter?

Embora muitas notícias sobre aquisições e fusões possam gerar uma sensação maior de surpresa quando divulgadas, esse não foi o caso entre Musk e o Twitter. 

De fato, pode-se dizer que o bilionário começava a dar indícios de um possível interesse em comprar a plataforma social quando decidiu adquirir 9,2% da empresa por US$ 2,89 bilhões, anunciado pelos meios no dia 4 de abril. Com esse percentual, Musk passou a ser maior acionista da empresa, concedendo-lhe uma “cadeira” no conselho administrativa da empresa.

Contudo, no dia 10 de abril, o CEO Agrawal tweetou” a seguinte mensagem (abaixo): “Elon decidiu não se juntar ao conselho”, seguido de uma nota completa contendo mais detalhes.

Logo, apenas 4 dias depois do anúncio, Musk ofereceu para comprar a organização em um acordo que avaliou a empresa em US$ 43 bilhões. Em uma mensagem enviada ao chairman da empresa, Bret Taylor, Musk disse que “o Twitter tem um potencial extraordinário” e que ele iria desbloqueá-lo. 

Proposta divulgada –a qual Musk se referiu como “sua melhor e última oferta”– e todas a partes sabendo da posição do empresario, incluindo sobre a vontade do CEO da Testa em tornar o Twitter uma empresa privada, as ações da rede social subiram 12%.

No dia seguinte (15/04), o conselho administrativo do Twitter, em uma documentação apresentada ao U.S. Securities and Exchange Comission (em português, Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos), adotou uma defesa chamada “poison pill”, formalmente conhecida como “acordo de direitos dos acionistas”.

Este conceito é utilizado por empresas públicas para evitar a aquisição contra sua vontade e funciona ao tornar a empresa-alvo mais cara. A empresa em questão emite novas ações que estão disponíveis para os atuais acionistas, com exceção de, neste caso, Musk, valendo o dobro do preço que custam, inundando o mercado financeiro e diluindo a participação original de um adquirente.

No entanto, a ação tomada pelo Twitter marcou o fim oficial do processo de aquisição “amigável” e, no dia 23 de abril, foi divulgado que Musk trataria de fazer uma “aquisição hostil”, que ocorre quando as negociações fracassam entre um adquirente (Musk) e o conselho de administração de uma empresa de capital aberto.

Dia 25 de abril de 2022 – Elon Musk compra Twitter

Após semana de negociações, o Twitter, Inc. finalmente anunciou que “concretizou um acordo definitivo para ser adquirido por Elon Musk, por US$ 54,20 por ação em dinheiro em uma transação avaliada em aproximadamente US$ 44 bilhões.”

(No imagem: tweet realizado pelo CEO do Twitter, Parag Agrawal, no dia do anúncio de compra da plataforma por Elon Musk)

O que Musk pode mudar no Twitter?

Existem diversos assuntos nos quais Musk se destaca, porém, no caso do Twitter, além de sua expertise em gestão, o experiente empreendedor trará uma ampla bagagem de conhecimento em inovação, algo que a rede social realmente necessita para poder evoluir e poder competir com os principais players do mercado. 

Dito isso, antes de anunciar sua oferta de compra do Twitter, Musk já havia falado sobre aspectos que ele gostaria de mudar na plataforma de mídia social, desde adicionar um botão de edição até limitar a moderação do conteúdo.

Logo, aqui estão alguns os pontos que o mais novo dono do Twitter quer modificar:

Algoritmo de código aberto

Musk disse estar preocupado com o fato de o preconceito ser inerente ao algoritmo do Twitter, talvez deixando passar mensagens mais tendenciosas, algo que ele disse que resolveria com um algoritmo de código aberto. 

No final de março de 2022, o bilionário também conduziu uma pesquisa com seus seguidores para saber se eles dariam suporte a um algoritmo de código aberto. Cerca de 83% dos mais de 1,1 milhão de entrevistados disseram que sim.

Botão de edição

O Twitter é uma das únicas (quiçá a única) rede social que não oferece essa função e Musk, em 2019, “tweetou” a seguinte pergunta: “onde está a função de editar quando você realmente a necessita”. Ou seja, caso você erre, você tem que deletar o que postou e escrever novamente da maneira correta. 

Em abril deste ano, Musk conduziu uma enquete em seu perfil –respondida por mais de 4,4 milhões de pessoas– perguntando a seus seguidores se eles gostariam ou não dessa função. 

Como curiosidade, visto o resultado da enquete, o próprio Twitter, ainda sem estar sob o comando de Musk, confirmou que estavam trabalhando no botão de edição, porém afirmando que isso não foi em base ao resultado da pesquisa. 

Moderação de conteúdo

Musk delineou sua visão para o Twitter sobre a liberdade de expressão. Na conferência TED2022, ele disse que acha que o Twitter não deve regular o conteúdo além do que é exigido pelas leis dos países em que opera.

No entanto, pode-se dizer que é mais fácil defender uma ampla mudança de política de fora de uma empresa como o Twitter do que promulgá-la de dentro. Logo, por esse ser talvez um dos principais motivadores da compra da plataforma, veremos como será feita esse moderação, especialmente no combate a disseminação de notícias falsas e “discursos de ódio”. 

Tweets mais longos

No mesmo mês de abril, o mais novo dono do Twitter comentou em uma postagem na plataforma que a mesma deveria permitir tweets com um maior número de caracteres, evitando assim threads muito longas.

Para explicar, as threads são postagens feitas por uma mesma pessoa para elaborar um tema, ou seja, é feito um post inicial e o mesmo usuário responde a esse tweet quantas vezes for necessário para dissecar o assunto em questão. 

Pode-se dizer que as threads se popularizaram, em parte, pelo fato que o Twitter permite que uma postagem tenha no máximo 280 caracteres. Dito isso, vale lembrar que o número inicial era de 140 caracteres, sendo alterado em 2017. 

Considerações finais

Se um dos principais objetivos do Twitter prévia a venda para Musk era desenvolver uma estratégia para conquistar mais seguidores, talvez ela seja repensada ou substituída por outras metas também focadas em growth

Além do que já foi mencionado, Musk indicou que quer repensar partes substanciais do modelo de negócios do Twitter, incluindo sua unidade principal de anúncios, que impulsiona a maioria das vendas. 

De fato, analistas de tecnologia como, por exemplo, Ben Thompson, da Stratechery, disse que Musk poderia desbloquear o potencial da plataforma monetizando melhor a base de usuários influentes do Twitter, composta por líderes em tecnologia, mídia e finanças. O co-fundador e ex-CEO Jack Dorsey também parece confiar em Musk para mudar o futuro do Twitter.

Dito isso, considerando seu histórico de negócios, a aquisição do Twitter deve ser vista mais como uma diversificação do que uma distração, e Musk pode estar juntando as peças para o que vem a seguir. Além disso, se sabe que a conta do Twitter de Musk transforma as unit economics da Tesla, permitindo zero despesas em marketing/branding convencional e relações públicas.

Logo, se a rede social é essencial para seus interesses gerais de negócios, US$ 46 bilhões pelo Twitter é uma pechincha para manter e aumentar seu patrimônio líquido de US$ 270 bilhões.

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