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Crescimento do Twitter: como a rede social planeja conquistar seus próximos 100 milhões de usuários

Crescimento do Twitter: como a rede social planeja conquistar seus próximos 100 milhões de usuários

A empresa estabeleceu uma meta ambiciosa até o final de 2023, e para isso, algumas estratégias para o crescimento do Twitter estão sendo implementadas, que vão desde ajustes internos, até uma orientação mais custumer centric. A rede social possui uma história cheia de marcos e recentemente, com os novos planos, vem se comprometendo a fazer ainda mais. 

Tudo começou com cinco palavras simples: “just setting up my twttr“, que em tradução livre seria algo como “apenas configurando meu twttr”. Esse foi o primeiro tweet da história do Twitter, há 16 anos atrás, e que foi vendido por $2.9 milhões como NFT. O perfil é de Jack Dorsey, um dos criadores da rede social.

crescimento do twitter - como a rede social pretende alcançar 100 milhões de usuários
(Na imagem: o primeiro tweet da rede social, feito por Jack Dorsey)
(Crédito: Twitter)

Fundada em 2006, a rede tinha o conceito inicial de “status”. A ideia era basicamente que as pessoas compartilhassem uma mensagem do que estavam fazendo. 

Na primeira rodada de investimento, em 2007, levantou $5 milhões, recebendo um valuation de $20 milhões. Em 2011 atingiu a marca de 100 milhões de usuários, um ano depois, em 2012, eram 200 milhões. 

De lá para cá, os 140 caracteres estenderam-se e a rede social é uma coleção de um pouco do que acontece em cada canto do mundo. Mas não só isso. Além de iniciar o uso de hashtags,  o Twitter impactou a forma como recebemos e compartilhamos informações em tempo real. 

E se você ainda não está convencido da potência da plataforma, 54% de todos os negócios B2B a utilizam como ferramenta de marketing, e no geral, 164 milhões de ads são mostrados no Twitter todos os dias. Dados do Statista demonstram que mais de 400 milhões de usuários acessam o Twitter mensalmente em todo o mundo.

crescimento do twitter - como a rede social pretende atingir 100 milhões de usuários
(Na imagem: redes sociais globais classificadas por número de usuários 2022)
(Crédito: Statista)

Embora possua uma história relevante, a empresa quer continuar expandindo e adicionando mais alguns marcos à sua linha histórica. 

O objetivo da vez é ambicioso: conquistar 100 milhões de usuários ativos até o final de 2023, o que equivale a um crescimento de 50% em relação a hoje, ou seja, o objetivo é atingir 315 milhões de usuários ativos diários monetizáveis. 

Contudo, a corrida promete ser intensa, isso porque o crescimento não está sendo exatamente como o esperado. A média de usuários ativos diários monetizáveis ​​(mDAU) da plataforma, subiu para  $217 milhões, um aumento de 13%, porém abaixo do que alguns especialistas previam:  $218,6 milhões. 

Além disso, a empresa adicionou apenas seis milhões de novos mDAUs desde o último trimestre: um milhão nos EUA e cinco milhões internacionalmente. Contudo, a receita geral de 2021 foi de US$ 5,08 bilhões, um aumento de 37%.

Quais são os planos do twitter para atingir esse crescimento? 

Focando em alguns pontos-chave, a estratégia de crescimento do Twitter perpassa alguns gargalos, além de contemplar algumas tendências do consumidor, cada vez mais relevantes para a sobrevivência de um negócio.

Uma das metas é aumentar o envolvimento dos usuários, e consequentemente, sua retenção, uma vez que muitos possuem um comportamento mais passivo ao utilizar a plataforma, e não postam. 

Além disso, uma reestruturação interna com o objetivo de facilitar e agilizar os processos também foi estabelecida. 

Ademais, a empresa pretende se tornar cada vez mais voltada para dados, sendo orientada por análises consistentes. Em suma, acompanhar métricas, gerar hipóteses e elaborar experimentos é algo que está sendo implementado na cultura da organização, principalmente sob a direção do novo CEO, Agrawal Parag.

Reestruturando para entregas mais rápidas

A fim de diminuir transtornos internos, a nova reorganização estabelece três pilares: Consumidor, Receita e Core Tech, com um gerente geral para cada divisão, e cada uma dessas áreas terão seus próprios times, como design e engenharia. 

Anteriormente, muitos processos eram disfuncionais por conta da execução conturbada e com uma estrutura que deixava os processos menos otimizados. Isso porque a empresa era regida por comitês de executivos, e muitas vezes o objetivo se perdia dentro de cada grupo, o que ocasionava lentidão referente a entregas e tomadas de decisão.

Com a reconfiguração mais “enxuta”, a expectativa é que seja possível obter uma visão mais clara dos processos, propósito e missão da empresa.

Criação de funcionalidades mais relevantes

A meta não é só obter mais usuários, e sim, usuários ativos diários. Para tal, uma das principais prioridades do novo direcionamento, é tornar a experiência mais relevante para o usuário. E para isso, a empresa está atenta e ouvindo o que o consumidor tem a dizer. 

Muitas mudanças ocorreram na rede social desde 2006, e a tendência é que continuem cada vez mais refinadas, de acordo com o comportamento das pessoas e o avanço de novas tecnologias. Uma série de recursos foram adicionados, como é o caso do Spaces, que consiste em um bate-papo por áudio. 

Ademais, o Twitter está testando uma nova funcionalidade chamada Comunidades, visando aumentar o engajamento. Isso se deu, ao receber o feedback de que os usuários não sabiam o que ou quando postar, e se sentiriam mais encorajados a fazê-lo para uma comunidade menor da qual façam parte do que com o modelo atual.

Outro recurso que pode auxiliar muito durante esse processo de crescimento é o Topics, que mostra tweets relacionados a temas que possam interessar os usuários. Essa funcionalidade é ancorada pelo investimento em machine learning, já que por muito tempo, a rede social acompanhou o que os usuários seguiam manualmente.

“Acho que uma parte fundamental do problema é que temos esse conteúdo incrível no Twitter, que geralmente é em tempo real e muito envolvente, e precisamos encontrar maneiras de mostrar esse conteúdo a esses novos usuários assim que entendermos com o que eles se importam.” 

Arnaud Weber – VP de Engenharia de Produtos de Consumo do Twitter

Além disso, agora os usuários que utilizam dispositivo iOS podem autenticar fotos de perfil NFT – ou em tradução livre, tokens não fungíveis -, pagando por uma assinatura do Twitter Blue de US$ 2,99.

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(Na imagem: versão do Twitter Blue, com fotos de perfil NFT)
(Crédito: twitter.com)

Outro ponto que está sendo contemplado na estratégia é como acompanhar a ascensão do TikTok. Apesar do compartilhamento de vídeos e imagens ser possível na plataforma, o core é essencialmente conteúdos escritos. Para isso, estão sendo feitos testes em que o recurso Explore é transformado em um feed de vídeo.

“Nós definitivamente sabemos que o compartilhamento e a comunicação estão se tornando mais visuais, sejam imagens, vídeos ou outras formas.”

Anita Butler – Head de Consumer Design do Twitter

Oportunidades de descentralização

Um dos projetos mais ousados do plano é o investimento no Bluesky, uma ideia de rede social descentralizada, isto é, que permite que usuários de diferentes redes sociais interajam entre si, o que hoje não é possível. 

A ideia é baseada na mesma abordagem do e-mail, por exemplo, em que podemos enviar mensagens para diferentes domínios. A premissa por trás do protocolo aberto, é colocar o “poder” na mão dos usuários. A iniciativa se reforça com a popularidade da Web3, que caracteriza-se como uma internet mais autônoma, inteligente e também aberta, e do blockchain.

Além disso, a empresa está experimentando recursos de criptografia, permitindo que os usuários incentivem os criadores. Para isso, um recurso de “jarra de gorjetas” para perfis aceitarem Bitcoin e Ethereum foi adicionado a rede social. 

“Para todas as pessoas que sentem que estão agregando valor, elas devem poder se conectar diretamente com as pessoas que recebem valor, e são pagas. Pode ser por meio de criptomoedas, mas pode ser por outros mecanismos.”

Jay Sullivan – VP de Consumer Product do Twitter

Saiba mais: Super-apps: a evolução dos aplicativos

O que nós podemos aprender com isso? 

Uma das maiores táticas para manter um negócio vivo, é utilizar a inovação a seu favor constantemente. Através de uma cultura voltada para dados e análise, é possível obter as informações necessárias para se reinventar, acompanhando as transformações que ocorrem no mundo e principalmente, com o consumidor. 

Em um episódio da coluna em vídeo “Gestão 4.0: Empreendedorismo com Tallis Gomes”, o co-fundador do G4 Educação, da Easy Taxi e da Singu compartilhou três lições que aprendeu ao longo de sua jornada para ser um CEO capaz de renovar constantemente o seu negócio:

“A função mais importante do CEO é pensar em como criar a empresa que vai destruir o seu negócio atual.”

Tallis Gomes – co-fundador do G4 Educação, da Easy Taxi e da Singu

Você pode conferir o conteúdo completo abaixo:

(Gestão 4.0: Empreendedorismo com Tallis Gomes)

Portanto, inovar é preciso. Um dos maiores exemplos é a crescente popularidade dos chamados NTFs, do inglês non-fungible token(s), e do Metaverso. Se antes eram temas distantes de uma realidade mais palpável, é preciso que as empresas fiquem atentas, e sobretudo, dispostas a aprender maneiras de se estabelecerem em contextos cada vez mais phygitais. (físico e digital).

Ao estabelecer o objetivo focado em growth, o Twitter elaborou um plano estratégico que foca em três grandes aspectos essenciais:

  • Alinhar propósito e otimizar processos internamente
  • Produtos cada vez mais custumer centric 
  • Olhar voltado para o futuro, a fim de mapear e antecipar comportamentos

Diante disso, podemos aprender algumas lições valiosas e que podem ser levadas em consideração na sua empresa.

#1 – Times otimizados

Muitas vezes a estratégia está correta, mas a execução, ou seja, a forma como chegar ao resultados, não funciona. 

No caso do Twitter, o modelo interno da organização não estava otimizado, o que impactava diretamente o processo de decisão, a produtividade e o alcance das metas. 

Investir tempo em uma gestão estratégica, ou seja, achar um processo funcional, voltado para objetivos e que mantenha o time alinhado com o propósito, é fundamental.

O ideal é que uma vez que não haja alinhamento, identifique o problema e encontre maneiras de solucioná-lo sempre baseando-se em testes. 

No caso da rede social, o processo estava lento, e diante da meta, o crescimento precisava acima de tudo, de velocidade para se concretizar. O CEO, Parag, optou pelo simples: uma estrutura mais funcional e geral, focando nas principais vertentes da organização, ou seja, fazendo com o que é vital para a sobrevivência do negócio, melhorar constantemente. 

Uma lição valiosa é que muitas vezes, podemos focar na utilização de muitos processos tentando sistematizar e atingir metas, contudo, muitas vezes, o ideal é simplificar, e focar no que realmente importa, mantendo os colaboradores alinhados e atento às alavancas que podem ser aproveitadas.

Um bom exemplo, é o caso do Slack. Durante o desenvolvimento do software, os fundadores resolveram focar nas funcionalidades centrais do serviço, isso é, a ideia principal era fazer um produto bem feito, e não perfeito.

Essa abordagem permite focar no essencial, aperfeiçoando constantemente e sempre focando na excelência a médio e longo prazo.

“Ela [a nova estrutura] vai nos ajudar a melhorar nosso rigor operacional nesta nova estrutur, para realmente nos levar a tomadas de decisões mais rápidas, propriedade mais clara, maior responsabilidade, operações aprimoradas, o que resultará em uma execução geral mais rápida e melhores resultados”

Agrawal Parag – CEO do Twitter

#2 – Uso de tecnologias

A inteligência artificial vem galgando um caminho promissor em diversas indústrias, e no mundo dos negócios também tem ganhado cada vez mais espaço. 85% dos executivos acreditam que ela permitirá obter e manter uma maior vantagem competitiva diante de uma concorrência cada vez mais acirrada. 

Há inúmeras aplicações do machine learning para ajudar a otimizar e impulsionar resultados. Se o objetivo é alcançar mais clientes, como é o caso do Twitter, por exemplo, a ferramenta entrega experiências personalizadas, relevantes e assertivas, ao rotular e analisar grandes volumes de dados rapidamente. 

Utilizar o desenvolvimento tecnológico a favor da empresa pode ser fundamental para um crescimento rápido e sustentável. Mesmo que possa ser feito manualmente, a aplicação dessa ferramenta otimiza todo o processo. 

Lembre-se: para gerar crescimento, é fundamental entender todo  o processo, olhando para como ele pode ser melhorado e potencializado, acompanhando os objetivos de negócios. 

#3 – Fomentar a utilização de dados e voltar o olhar para tendências futuras

Cerca de 500 milhões de tweets são postados todos os dias, o que reforça a potência e a popularidade do Twitter. Contudo, o seu crescimento vem sendo mais lento do que o esperado nos últimos anos. 

Focando cada vez mais em dados, o novo direcionamento para crescer 100 milhões de usuários até o fim de 2023 está seguindo um dos caminhos mais bem sucedidos dos últimos anos: focar nas necessidades do consumidor.

O seu produto ou serviço é para os consumidores, e nada melhor do que ouvi-los. Um dos maiores exemplos é a gigante do streaming Netflix, uma das maiores referências quando o assunto é CX, com a sua chamada “ciência do consumidor”.

Ao entender as demandas dos usuários, o Twitter vem tentando implementar funcionalidades que sejam relevantes, transformando a plataforma para que propicie mais engajamento, além de entender a importância do feedback.

Embora tenha seu destaque, a plataforma entende que o futuro está se mostrando muito propício para conteúdos em vídeos e vem se preparando para competir com outros gigantes. Ou seja, o ideal é sempre estar atento: o que está acontecendo no mundo hoje que pode matar o seu negócio amanhã?

Com um valuation atual de $30 bilhões, podemos afirmar que a estratégia para o crescimento parece abarcar uma série de tópicos fundamentais para manter os colaboradores na “mesma página”, e questões atuais, que consistem em melhorar a experiência do usuário.

A empresa começou com breves status e foi se transformando em uma ferramenta potente para usuários compartilharem acontecimentos em tempo real, organizar movimentos, posicionar grandes empresas e até personalidades como Ashton Kutcher, uma das primeiras pessoas a atingir a marca de 1 milhão de seguidores.

Como no livro de Marshall Goldsmith “What Got You Here Won’t Get You There: How Successful People Become Even More Successful” é preciso se reinventar, afinal, o que te leva ao sucesso, não se manterá para sempre. 

Assim como a plataforma foi mudando desde 2006, a tendência é que continue procurando por maneiras de se tornar relevante em um mundo cada vez mais conectado e com novas necessidades, afinal, uma mentalidade voltada para crescimento não é somente interna, mas é capaz de acompanhar e perceber o que acontece em volta, transformando em oportunidades.

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