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COP27 e o alerta para o impacto das mudanças climáticas na economia


mapa ilustrando mudanças climáticas

Iniciada em 6 de novembro em Sharm el-Sheikh, no Egito, a COP27 tem o objetivo de discutir com diversos países planos mais palpáveis para enfrentar a crise climática, ocasionada tanto por mudanças naturais como por ações humanas. Como consequência, o planeta está aquecendo e as perspectivas da ciência não são nada apaziguadoras.

Até 2050, espera-se que as temperaturas médias globais aumentem entre 1,5-5,0 graus celsius, o que ocasionará em uma série de eventos climáticos que podem ser catastróficos.

aquecimento do planeta até 2050
(Na imagem: temperatura do planeta até 2050)
(Créditos: Mckinsey)

Antes que possamos apresentar descrenças, o cenário não é pessimista mas sim, científico. Temperaturas mais altas envolvem uma série de riscos sociais, ambientais e econômicos que demandam ações imediatas – não só de instituições e governos, como também do setor empresarial, que se optar por não agir pode pagar uma conta alta.

De acordo com um relatório divulgado pela seguradora Aon Plc, secas que aconteceram no Brasil e na África Oriental durante este ano custaram cerca de US$ 6 bilhões e inundações no sul da Ásia mais de US$ 8 bilhões. 

Em países mais vulneráveis os danos são ainda maiores.

Um estudo de 2015 descobriu que caso o mundo aqueça cerca de 2,7 graus celsius até o final do século, os danos aos países mais pobres aumentaria de US$ 426 bilhões em 2030 para US$ 1,55 trilhão em 2050 – o que representaria uma taxa anual de 6,7%. Atualmente as maiores economias do mundo crescem em um ritmo de 1,7%.

Com ondas de calor e inundações cada vez mais frequentes, a implementação de práticas ESG à estratégia de negócio deve ser a prioridade nos próximos anos, incluindo não só acionistas e colaboradores na formulação de soluções, mas também fornecedores, clientes e comunidade.

Dado a urgência de atitudes práticas, a edição deste ano da COP tem o objetivo de entender como os países pretendem tornar realidade os compromissos estabelecidos, além de entender a distribuição de recursos financeiros destinados a essas iniciativas.

COP27 e a busca por financiamento 

A Conferência do Clima das Nações Unidas (COP27) é uma das principais conferências climáticas do mundo, e impulsionou uma série de avanços que resultaram em importantes acordos globais – como o Protocolo de Kyoto (1997), o Acordo de Paris (2015) e o Pacto do Clima de Glasgow (2021).

Dentre as principais contribuições da Conferência no combate à crise climática, está o compromisso de mais de 100 países em estabilizar as concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera e conter o aquecimento global a 1,5 º graus celsius.

Embora outras edições tenham tentado tornar esses compromissos mais factíveis, a COP27 visa ser ainda mais das negociações e partir para uma implementação prática, operacionalizando os acordos discutidos ao longo dos anos, principalmente no aspecto financeiro, afinal, como mencionado anteriormente os desafios são diferentes para economias fortes e fracas.

Perdas e Danos: é preciso investir na mudança

Entre os grandes destaques deste ano, o termo “perdas e danos” ascende como uma prioridade, e a expressão diz respeito ao financiamento destinado a reparações ecológicas de países em desenvolvimento – que em geral poluem menos que os desenvolvidos, contudo, são os mais afetados pelo clima.

De acordo com um artigo do The Washington Post, do US$1,5 trilhão em perdas econômicas decorrentes de desastres naturais nos últimos cinco anos, somente US$ 561 bilhões foram cobertos por seguro – pagos em geral, por países mais ricos.

A quantidade de verba necessária para ajudar os países menos favorecidos e mais vulneráveis varia, mas uma pesquisa estimou que pode chegar até US$580 bilhões por ano até 2030. Apesar disso, nenhum país chegou a contribuir com o acordado até agora – cerca de US$100 bilhões.

Embora o mundo pareça seguir um rumo cada vez mais sustentável, o caminho ainda parece ser longo.

Na cúpula passada, por exemplo, os países se comprometeram a atualizar os planos nacionais e estipular metas mais ambiciosas de emissões até 2030, no entanto, dos 193 países que concordaram, somente 23 haviam apresentado propostas até pouco tempo atrás. 

Apesar dos avanços, as lacunas a serem preenchidas ainda são inúmeras, e as empresas que conseguirem alinhar sua proposta de valor às novas necessidades tendem a descobrir novas avenidas de crescimento – atendendo as expectativas não só do planeta como também dos consumidores.

De acordo com uma pesquisa da PwC, 76% disseram que deixariam de se relacionar com empresas que não estabelecessem iniciativas palpáveis a fim de construir relações com maior impacto positivo – levando em conta funcionários, comunidades e meio ambiente.

Portanto, assim como os países, as empresas devem explorar maneiras de tornar suas operações mais sustentáveis, utilizando novas tecnologias, equipamentos e técnicas que impactem sua atuação em diferentes níveis – da gestão à solução final, e a não adoção pode impactar os negócios irreparavelmente.

Oportunidades sustentáveis para o mundo dos negócios: créditos de carbono ganham destaque

O mercado global de tecnologia verde e sustentável só tende a crescer, e espera-se que até 2030, atinja cerca de US$417 bilhões com uma taxa de crescimento anual de 21,6% de 2022 a 2030. 

gráfico do statista demonstrando mercado global de tecnologia vende e sustentável de 2021 a 2030
(Na imagem: mercado global de tecnologia verde e sustentável de 2021 a 2030)
(Créditos: Statista)

No mesmo caminho promissor temos os investimentos em ESG, que atualmente chegam a US$30 trilhões – 68% maior que 2014 e 10x maior que 2004, de acordo com dados da Mckinsey.

Contudo, um dos mercados que representa forte potencial é o de créditos de carbono, que além de atender diretamente a um dos principais objetivos da COP, tende a impactar a economia a nível global.

Impulsionado principalmente pela movimentação das indústrias, estimativas indicam que esse mercado deve crescer 31% até 2027, atingindo cerca de US$2,4 bilhões. 

Resumidamente, o crédito de carbono é uma espécie de certificado que representa a compensação de emissões de carbono ou o equivalente a outro gás de efeito estufa presentes em processos produtivos e operacionais, comum em muitos setores da indústria.

Geralmente, diminuir a emissão envolve mudanças estruturais no processo de fabricação que podem envolver altas verbas, e por essa razão, muitas empresas optam pela compra de créditos – uma outra oportunidade de atuação.

Um crédito de carbono equivale a uma tonelada métrica de carbono removida da atmosfera, e quanto mais créditos de carbono uma empresa adquire, melhor. Além de diminuir suas emissões ao longo do tempo, à medida que aumenta seus créditos de carbono, a empresa pode negociá-los com outros players.

Levando em consideração que as metas de emissões devem ser ainda mais ambiciosas até 2030, o mercado deve continuar ganhando destaque, ocasionando novas oportunidades e avenidas de crescimento sustentáveis a fim de mitigar os efeitos do aquecimento global.

Contudo, é importante destacar que o fator regulatório será chave não só para a expansão desse mercado, como também para o avanço que precisa ser feito em um curto espaço de tempo.

O Protocolo de Kyoto, por exemplo, estipulou um limite máximo de emissões de carbono para os países que o adotaram, fazendo com que as empresas e comércios não ultrapassem aquilo que estão autorizados a emitir. 

Os Estados Unidos, no entanto, é um dos países que não assinou o protocolo, e por isso, não atende a um limite oficial. 

Embora muitas empresas americanas tenham aderido a um compromisso voluntário que limita as emissões, é importante entender que a regulamentação acelera a mudança, oferecendo suporte e diretrizes mais justas para todos. 

Mudanças climáticas: um negócio complexo

Os compromissos de net-zero, proteção da fauna e da flora, e principalmente, financiamento climático devem ser as discussões prioritárias durante a cúpula e as empresas devem olhar para a conferência como uma oportunidade de estudar e entender o lugar que ocupam nesse diálogo – que, em geral, não é modesto.

Para termos uma ideia, só a indústria têxtil responde por até 5% das emissões de gases de efeito estufa, sendo assim, o terceiro setor mais poluente do mundo. 

As conferências são famosas por suas promessas, no entanto, existe uma dificuldade latente em torná-las realidade. 

Assim como os países devem apresentar planos e programas claros, as empresas devem se concentrar em fazer o mesmo: encontrando maneiras de mensurar seu impacto e chegando a soluções viáveis e sustentáveis para progredir. O plano de ação deve apresentar objetivos e prazos claros, estabelecendo uma comunicação clara e assertiva com a comunidade.

Contudo, para ter sucesso na elaboração de práticas sustentáveis é preciso entender que ela deve ser uma implementação completa e não parcial. Isso significa que mesmo que existam lideranças especializadas ou mesmo áreas, o tema não se restringe a elas, e sim a toda o negócio.

Em setembro a empresa de roupas para atividades ao ar livre Patagonia estampou as principais manchetes do mundo por seu fundador, Yvon Chouinard que decidiu destinar todos os lucros da empresa – cerca de US$ 100 milhões por ano, ao combate das mudanças climáticas e preservação do meio ambiente, ao invés de vendê-la ou torná-la pública. 

O exemplo da Patagonia, é simbólico mas cumpre seu papel para fins didáticos. 

Se adaptar às mudanças climáticas requer  uma completa mudança de mentalidade – é preciso se dispor a olhar para o futuro mais do que para o presente e isso geralmente inclui sair da zona de conforto. Demanda resiliência, novos modelos de negócios e diferentes concepções de sucesso – levando em consideração toda a cadeia de valor e seu real propósito enquanto negócio.

Não é preciso doar a empresa por uma causa, mas é preciso sim, se comprometer – formulando metas ambiciosas.

A Macy’s, por exemplo, uma das maiores lojas de departamento dos Estados Unidos, anunciou que investirá US$ 30 milhões em empréstimos para empresas pertencentes a minorias e a Danone pretende ser totalmente B Corp até 2025 – o que a tornaria a primeira empresa internacional a atingir esse padrão de responsabilidade social e ambiental.

Os desafios trazidos pelas mudanças climáticas impactam a sociedade, diferentes setores e a economia de maneira geral, por isso, devem ser acompanhados de perto por qualquer empresa que deseja operar em um futuro próximo.

Embora envolva uma série de ações governamentais e regulamentações, os negócios têm um papel fundamental para mitigar os riscos, afinal, operam em uma via de mão dupla – impactam e são impactados pelo planeta.

Mesmo que muitas empresas olhem para a redução de emissões como um gasto, é na verdade, um investimento no futuro – que provavelmente a manterá competitiva a médio e longo prazo.

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