G4 News

Como ter 2 CEOs pode ser bom para sua empresa


co-CEOs da Netflix: Ted Sarandos & Greg Peters

Tempo estimado de leitura: 11 minutos

Olá, tudo bem com você? Seja muito bem-vindo(a) à nova edição da G4 News, a newsletter informativa do G4 Educação. Fevereiro já está quase chegando e seguimos tendo novidades sobre o ChatGPT, da OpenAI. Isso até me faz lembrar de 2021, quando os NFTs pareciam não sair da “boca” dos veículos de comunicação, risos. 

A última foi que Christian Terwiesch, professor de uma das mais prestigiadas escolas de negócios do mundo, a Wharton, da Universidade da Pensilvânia, decidiu ver como seria o desempenho do ChatGPT na prova final de um dos cursos principais do MBA, “Gestão de Operações”. O resultado: o chatbot teria passado com uma nota entre B- e B.

Na newsletter de hoje:

  • Por que a Netflix optou por ter 2 CEOs ao invés de apenas 1.
  • Produção de motocicletas cresce no Brasil em 2022.

Guilherme Canineo

Entretenimento

O rei deixa o trono e um legado de 25 anos

Reed Hastings, fundador e agora ex-co-CEO da Netflix
Veja / Kwaku Alston / Netflix

Na última quinta-feira (19/01), a Netflix divulgou seus resultados do último trimestre de 2022. E o que era para ser um dia (relativamente) positivo acabou deixando um sabor agridoce para todos os que acompanham a jornada dessa empresa que se tornou uma grande referência não só do segmento de streaming, mas de empresas disruptivas.

O positivo: 7,66 milhões de assinantes adicionados, muito acima das previsões de mercado (3,5 milhões). O negativo: 2022 foi o ano com pior crescimento de assinantes da rainha do streaming desde 2011. Mas a surpresa não teve nada a ver com os resultados. Reed Hastings, fundador da empresa, deixou o cargo de CEO após 25 anos

Apesar disso, Hastings – que assumiu a presidência do conselho da empresa – fez questão de deixar um substituto para dividir as responsabilidades dessa cadeira com seu agora ex-co-CEO Ted Sarandos, na função desde 2020. O escolhido: Greg Peters, COO da empresa. 

  • Segundo o executivo, o conselho da Netflix “tem discutido o planejamento de sucessão por muitos anos”

Tá, mas qual a razão de manter dois executivos compartilhando o cargo mais alto da empresa? Para Hastings, um dos motivos é simples. A experiência compartilhada de Sarandos e Peters só traz benefícios para a empresa. Na visão mais analítica, empresas lideradas por co-CEOs “geraram um retorno médio anual para os acionistas de 9,5%”, segundo a Harvard Business Review. A mesma análise mostrou que:

  • Quase 60% de empresas com co-CEOs tiveram um desempenho superior e;
  • A duração desses “mandatos” compartilhados era similar à de mandatos com um único CEO, uma média de 5 anos.

Em sua primeira entrevista junto a seu co-CEO Peters, Sarandos disse que hoje enxerga um tremendo valor nesse tipo de liderança após tê-lo exercido nos últimos anos. “A liderança é super difícil e pode ser solitária. A liderança compartilhada pode resolver parte desse problema, principalmente à medida que o negócio cresce e as demandas se tornam mais globais”, ele acrescentou.

Mas para que isso funcione, Sarandos também acredita que a companhia deve encontrar duas pessoas que se importem muito mais com o sucesso da empresa do que o cargo que ocupam. E para quando existir uma ambiguidade significativa com perspectivas diferentes, Sarandos e Peters poderão se apoiar no conselho e na visão de Hastings. 

Duas das perguntas que ficam é: será que Hastings realmente deixará esse controle, assim como Bezos o fez até o momento? Como será que os funcionários e/ou investidores enxergam essa decisão?

Negócios

Nem só de carro anda o brasileiro

Produção de motos no Brasil
Andar de Moto Brasil

A indústria de motocicletas fechou 2022 com um crescimento de 18,2% em relação a 2021, segundo a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo) Foram 1.413.222 motocicletas produzidas no ano passado. 

  • O resultado também marca o melhor ano do segmento desde 2014, quando foram produzidas mais de 1,5 milhão de unidades.

Segundo Marcos Fermanian, presidente da Abraciclo, o crescimento na produção acompanhou a demanda do consumidor, “que passou a utilizar a motocicleta como instrumento de trabalho, evitar a aglomeração no transporte público ou ter maior agilidade e mobilidade nos centros urbanos”.

No varejo, o resultado também foi positivo. Foram mais de 1,36 milhão de motocicletas emplacadas, um aumento de 17,7% em comparação a 2021 e a melhor marca desde 2014. Entre as principais categorias, a “Street” foi a mais licenciada e finalizou o ano com uma participação de mercado de 50,4% – clique aqui para ver o ranking completo

Tá, e como foi o desempenho por regiões? A região Sudeste encerrou 2022 com 38,3% de market share (521.157 motocicletas licenciadas), seguida de Nordeste (29,8%) e Norte (12,8%). A região Norte, inclusive, “apresentou o maior crescimento percentual no volume de licenciamentos em 2022” (+35%).

Visão panorâmica. Ao que parece, a indústria seguirá aquecida em 2023. A Abraciclo estima que serão produzidas 1,55 milhão de motocicletas este ano, o que marcaria uma expansão de 6,7% em relação a 2022. No varejo, a empresa também prevê um aumento de 9,4%. 

Enquanto as motos estavam em alta, as bicicletas tiveram baixa. Foram 599.004 produzidas ano passado, uma marca 20,1% menor se comparado as 749.320 manufaturadas em 2021. Apesar disso, houve uma alta na produção de bicicletas elétricas. Segundo a Abraciclo, “o modelo está cada vez mais presente nas grandes cidades”.

Assinar G4 News →

Curiosidades

Reciclagem de vidro no Brasil
Mercado & Consumo / Shutterstock / Divulgação

Número do dia: R$ 105 milhões. Esse foi o faturamento que a brasileira Massfix teve com reciclagem de vidro em 2022. A empresa vem atuando na economia circular da matéria-prima – que é 100% reciclável – há cerca de 30 anos, atualmente atende cerca de 700 cooperativas e, só em 2021, conseguiu reciclar 200.000 toneladas de vidro.

––––––––

Frase do dia: “Hoje, se você não está disruptando a si mesmo, outra pessoa está; o seu destino é ser o perturbador ou o perturbado. Não há meio termo”

Essa é uma das muitas frases de impacto do livro “Organizações Exponenciais” (2014), escrito por Salim Ismail, Michael S. Malone e Yuri van Geest, cujo propósito é mostrar que toda organização que deseja sobreviver precisa necessariamente se adaptar. E esse conceito é especialmente importante nos dias atuais, onde atualizações, novidades e tendências surgem praticamente a cada instante. 

A frase acima, no entanto, faz referência a um dos principais insights do livro: diga adeus ao pensamento linear. Organizações Exponenciais são ágeis e flexíveis, podendo evitar falhas que eram facilmente detratoras do modelo tradicional linear. 

––––––––
Recomendação: como pequenas empresas conseguem se diferenciar dentro do e-commerce, do podcast Extremos.

Must-Reads

👨‍👩‍👧‍👦 75%. Esse é o percentual do PIB global que representa as empresas familiares, fora o fato que empregam 75% da força de trabalho, segundo dados da KPMG. Ainda assim, muitas enfrentam desafios únicos quando se trata de governança, especialmente quando as decisões ineficientes são tomadas baseadas nos interesses da família ao invés dos negócios. Para evitar isso, é fundamental saber quais são os 3 pilares de governança nas empresas familiares e qual o momento correto para implementá-los. (G4 Educação).

🧠 233%. Esse foi o percentual de crescimento que a categoria “Mente” teve no Gympass desde 2020. E esse avanço deve continuar, pois a empresa brasileira segue investindo em sua vertical de saúde mental. Na última semana, o Gympass anunciou a parceria com a Headspace Health, plataforma de saúde mental que oferece mais de 100.000 horas de conteúdo (meditações guiadas e exercícios de sono, por exemplo) e que “já impactou mais de 100 milhões de pessoas em 190 países”. (Startups)

🆕 3,6 milhões. Esse foi o número de pequenos negócios abertos em 2022, o que representa uma queda de 7% em relação a 2021, mas que supera os números do período pré-pandemia (foram abertos pouco mais de 3 milhões em 2019). Com isso, já são 4 anos consecutivos que o número de empreendimentos desse porte ultrapassam a barreira dos 3 milhões. Como curiosidade, em 2022, “os pequenos negócios responderam por 7 em cada 10 empregos gerados.” (Exame)

🔮 1,5% a 2%. Essa será a faixa do crescimento real do PIB global em 2023, com alta variação entre as nações, segundo o Visual Capitalist. Essa é uma das muitas previsões realizadas pela empresa e incluída em seu relatório “Global Forecast Series: Guide 2023”, que além de ser rico em informações é visualmente incrível. (Visual Capitalist)

Fun Fact

(Crédito: Vanity Fair / Noh Juhan / Netflix)

Aproveitando a saída de Reed Hastings da cadeira de co-CEO da Netflix, o fun fact de hoje é em homenagem a algo que ele, junto a todos sob sua gestão, ajudou (e muito) a construir: o “Efeito Netflix”. Além de escalar a carreira de inúmeros atores, cineastas e produtores, a empresa também foi responsável por catapultar a venda de inúmeros produtos presentes em suas produções.

Um dos casos mais “emblemáticos” é o da série “O Gambito da Rainha” e seu efeito no xadrez. Estreada em outubro de 2020, a produção foi assistida por 62 milhões de pessoas em suas primeiras 4 semanas, e essa popularidade também reverberou no esporte retratado nas telas. 

Dez dias após sua estreia, a pesquisa por tabuleiros de xadrez no eBay aumentou em 273%. No caso da Goliath Games, a série contribuiu para um aumento de 1.048% nas vendas de xadrez em relação a 2019. Em novembro de 2020, foram mais de 2,8 milhões de membros que o site chess.com adicionou por conta de “O Gambito da Rainha”.

Outro exemplo um pouco mais recente foi a badaladíssima série sul-coreana “Round 6”, assistida por 142 milhões de pessoas em seus primeiros 28 dias. Aqui, quem se deu bem foi a Vans. As vendas de seu clássico tênis branco, utilizado por grande parte dos personagens, aumentaram em 7.800% desde que a série estreou na Netflix. 

Além disso, inúmeros varejistas do país asiático disseram que as vendas do tradicional doce sul-coreano, o Dalgona (também conhecido como Ppopgi), aumentaram em mais de 250% por conta da série. 

E se você acompanha a G4 News desde o início, talvez se lembre quando falamos sobre o Efeito Netflix na Fórmula 1 com a série “F1: Dirigir para Viver”. Antes da produção ganhar um certo nível de popularidade nos EUA, a ESPN tinha uma média de 500.000 telespectadores estadunidenses por etapa. Em 2022, o número ficou em cerca de 1 milhão.

Em 2023, uma coisa é certa: mesmo sem Hastings dividindo a posição mais alta da Netflix, o Efeito Netflix seguirá vivo. Quem será o próximo a se beneficiar? Veremos no decorrer do ano. Qual o seu palpite? Fantasias de Halloween em homenagem a série “Wandinha”? Popularidade de esportes como tênis e golfe aumentando? Veremos.

Assinar G4 News →

Glossário do Empreendedor

A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W Y X Z