Artigos, Liderança

Como liderar em tempos de incerteza


Gestor em tempos de incerteza

Tempos de incerteza e turbulência podem legitimar ou destituir lideranças. Crises oferecem a oportunidade perfeita para gestores encontrarem a sua verdadeira grandeza.

A liderança está sendo testada de maneiras que o mundo não vê há gerações. Embora os últimos acontecimentos no cenário macroeconômico sejam fruto de consequências sem precedentes do lockdown e da guerra na Ucrânia, para os negócios isso não significa que as empresas devam simplesmente reagir defensivamente a cada episódio à medida que ele se desenrola. 

Pelo contrário, é fundamental saber como fazer a diferença e tomar as melhores decisões no timing certo para se posicionar assertivamente e aproveitar a próxima onda de recuperação.

Linha do tempo mostrando os eventos de maior impacto na economia global de janeiro de 2020 a junho de 2022.
(Na imagem: tempos incertos desde o surto de coronavírus e a guerra Rússia vs. Ucrânia)
(Créditos: Statista)

Segundo report da Statista, nenhum surto de doença jamais alcançou uma influência tão severa nos mercados de ações globais como agora. Pior, a ascensão do conflito na Europa já custou centenas de vidas e trouxe uma nova onda de desaceleração.

No Brasil, um levantamento realizado pelo Ministério da Economia aponta que mais de 1,410 milhão de empresas fecharam as portas no ano passado.

Portanto, o que os gestores mais precisam durante esse momento não são guidelines e frameworks predefinidos de como se comportar, mas de um mindset versátil que os impeçam de agir impulsivamente aos eventos que já se sucederam e os ajudem a olhar para o amanhã de maneira clara e sustentável. 

“O que eu descobri é que fazer a equipe passar pelos dias difíceis não é tanto sobre o que você faz nesses dias específicos, mas sobre o que você fez todos os dias até isso”.

Eli Israel, founder da Meshfire e principal lead (cloud delivery) da McKinsey & Company

Perguntas importantes em momentos de crise

John F. Kennedy, 35º presidente dos EUA, costumava dizer que, de acordo com o dicionário chinês, a vocábulo “crise” consiste em dois caracteres que significam, respectivamente, “perigo” e “oportunidade”. Então, como o gestor pode aproveitar a oportunidade de crescimento que esse momento representa? 

Em primeiro lugar, vale lembrar que a incerteza faz parte da rotina de um fundador de startup ou de um empresário de uma grande multinacional. Por isso, em um cenário que exige uma postura ainda mais disruptiva da gestão, fazer as perguntas certas pode ser decisivo para se manter competitivo no seu business.

Lembre-se que, com ou sem adversidades externas, a parte difícil de empreender é 90% do tempo e as questões que se seguem foram cruciais para pivotar ou alavancar os meus negócios e, sem dúvidas, diferenciam um bom gestor de um gestor triple A.

“Em uma crise, não se esconda atrás de nada nem de ninguém. Eles vão encontrá-lo de qualquer maneira”.

Bear Bryant, ex-treinador de futebol do Alabama

#1 – O que eu estou fazendo neste momento é exatamente o que eu deveria estar fazendo?

Nada acontece da forma como planejamos e é preciso se adaptar a novos cenários – uma soft skill essencial para empreendedores e para qualquer espécie, já dizia Darwin em “A origem das espécies”.

Por isso, um dos maiores desafios em momentos de incerteza é saber como e onde alocar os melhores recursos, como o seu tempo. Afinal, todos eles são escassos.

Em outras palavras, uma decisão mal tomada pode comprometer o foco nos próximos passos e ceifar o seu negócio. Portanto, tenho o hábito de sempre se questionar se o que você está fazendo é realmente o que deveria estar fazendo em determinada situação.

Por exemplo, será que você não deveria estar acompanhando mais de perto as dificuldades e desafios do seu time de vendas? Ou talvez participando mais ativamente dos seus processos de contratação para garantir o fit dos novos colaboradores com a companhia? Construindo ownership em seus liderados? Ou quem sabe se relacionando com os seus melhores clientes para garantir a manutenção de seus contratos e a perpetuidade da empresa? Desenvolvendo a sua ambidestria organizacional?

Esqueça todas as coisas que os gurus da internet dizem que você deve fazer e problematize as especificidades da sua realidade e da sua companhia. No fim do dia, você verá que é possível construir o seu caminho para o sucesso de milhares de maneiras diferentes se não cair na armadilha de querer abraçar várias coisas ao mesmo tempo. Foque sempre na abordagem que realmente importa.

#2 – Como tomar boas decisões em um cenário de alto grau de incerteza?

Em tempos mais sombrios, acostume-se a ouvir notícias ruins. Os melhores gestores que conheço concentram-se no que podem fazer e não no que poderiam ter feito. Afinal, com ou sem crise, cada decisão em uma organização é feita sob um certo grau de incerteza.

O mundo dos negócios é dinâmico e competitivo e, como o ambiente externo geralmente impulsiona a necessidade de mudança, as organizações precisam aprimorar suas habilidades para mitigar os riscos na tomada de decisão.

Nesse sentido, a análise de cenários – método surgido do planejamento militar durante a 2ª Guerra Mundial – ajuda a criar respostas para vários eventos futuros com o objetivo de reduzir a incerteza e maximizar as chances de alcançar um resultado desejado.

Esse exercício pode fornecer uma compreensão mais clara do que é plausível e deve ser levado a sério e o que não é. O propósito de criar o cenário é capturar projeções de condições futuras dentro das quais uma organização pode ter que operar. 

Importante dizer que a análise de cenários não revela um caminho exato para a tomada de decisões bem-sucedida, nem assume que os padrões históricos se replicarão no futuro. Lembre-se que não existe bala de prata.

Mas, trata-se de descrever vários futuros ou resultados diferentes, avaliando as capacidades internas, como os pontos fortes e fracos da operação e os fatores externos, como as oportunidades e ameaças existentes no mercado.

Geralmente, um conjunto comum de cenários envolve um melhor caso, um pior caso e um ou dois intermediários para oferecer uma liderança de alta performance e dar ao gestor a capacidade de produzir insights estratégicos que podem conduzir a organização no enfrentamento das dúvidas e no atingimento de seus objetivos.

“A crise com a qual você mais precisa se preocupar é aquela que você não vê chegando”.

Mike Mansfield, diplomata americano

#3 – Como manter meu negócio vivo?

Mais uma vez, preciso jogar luz em uma dura realidade: como gestor, você tem a obrigação de manter suas habilidades de liderança sempre atualizadas. Para isso, leia muito e leia sempre.

Ser um lifelong learner e estar por dentro das últimas notícias e movimentos do mercado foi o que me permitiu antecipar à chegada da Covid-19 no país e construir o playbook da Singu e do G4 Educação para que dobrássemos de tamanho durante a maior crise sanitária e hospitalar que o Brasil já enfrentou.

Faça-se essa pergunta diariamente e use as diretrizes estratégicas e o propósito da sua companhia para refletir as possíveis respostas.

Gráfico mostrando o ciclo de vida do aprendizado contínuo: aprender, fazer, desaprender e assim sucessivamente.
(Na imagem: o ciclo do lifelong learning)
(Créditos: Keith Keating e Greg Cira Designs)

Estratégias para lidar com momentos de crise

A crise não pode ser empecilho para os empreendedores coloquem as ideias em prática e busquem dinheiro. Portanto, prepare-se para os dias chuvosos e estruture um plano para proteger o seu negócio e o seu time diante de situações adversas. Listo algumas coisas que funcionam bastante comigo e que podem te ajudar também:

  • Avalie a situação atual e apure os fatos: esteja atento para ir adaptando a sua estratégia de acordo com o desenrolar dos fatos e apure as notícias para saber diferenciar o que é relevante de mero ruído. Depois de um plano estabelecido, revisite-o diariamente quantas vezes forem necessárias. Reveja, inclusive, todos os seus contratos e esteja sempre de olho no fluxo de caixa da sua empresa.
  • Ligue o modo sobrevivência: quem já passou pelo caminho das pedras como eu, sabe que crises podem durar meses e que a receita do seu negócio pode chegar a zero. Assuma que, nesse momento, é melhor investir no seu negócio do que trocar de carro, por exemplo.
  • Crie um war room com as lideranças da sua companhia: sem alinhamento de objetivos não há objetivo que prospere. Por isso, repasse semanalmente com os seus líderes o cenário e as ações do momento.
  • Comunique-se com clareza e eficiência: ser transparente gera confiança e essa confiança cria um ambiente no qual as pessoas (colaboradores, sócios, fornecedores e clientes) são mais propensas a serem honestas, compartilhar ideias e colaborar.
  • Proteja seu caixa: Defina um valor mínimo que você precisa ter para manter a saúde financeira da companhia e não permita nunca ter menos do que isso no banco.

Sempre é possível administrar os danos e aprender com eles

“O risco é mensurável, controlável e não algo a ser temido”.

Rob Ceravolo, founder e CEO da Tropic Ocean Airways

No livro “Antifragile: Things that Gain from Disorder”, o autor Nassim Nicholas Taleb sugere que as organizações não devem ter como objetivo desenvolver a resiliência à crise. Isso porque a resiliência nada mais é do que voltar ao ponto em que você estava antes. 

Ao invés disso, as empresas deveriam se esforçar para serem “antifrágeis”, ou seja, administrar os danos para saírem do período de dificuldades ainda melhor do que quando entraram.

De fato, se existe algo que diferencia uma empresa antifrágil das que morrem durante a crise, é a capacidade dos seus gestores de atravessarem e responderem a esse momento. Disney, Microsoft, GM, LinkedIn e P&G são todos exemplos de companhias que cresceram durante os períodos de adversidade graças às suas lideranças.

De acordo com pesquisa da PwC, a capacidade de responder eficazmente a uma crise se reflete, ainda, no preço das ações de uma companhia, tendendo a uma alta de 22%.

Assim, é hora de encarar a realidade e direcionar as possibilidades porventura existentes para o seu negócio. Como? A regra do jogo está em entender rapidamente como tomar decisões capazes de transformar os momentos de incerteza em oportunidades. Para isso, participe da nossa série de talks “Gestão em tempos turbulentos” e não fique para trás.

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