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Cenário de polarização nacional, com Marcos do Val [Insights do Talk #2]


Polarização Nacional

A perspectiva é de um cenário extremamente incerto e desafiador para o empreendedorismo brasileiro. Por isso, gestores e empresários precisam estar atentos para entender as oportunidades e os desafios gerados pela polarização nacional nas eleições de 2022.

Foram quase 3 mil pessoas conectadas no primeiro dia da série de Talks Gestão em Tempos Turbulentos. Abordando temas relacionados ao cenário macroeconômico global e nacional, Tallis Gomes (cofundador e chairman do G4 Educação), Florian Bartunek (sócio-fundador da Constellation Asset Management) e André Portilho (sócio e diretor de Ativos Digitais do Banco BTG Pactual e Head da Exame Academy) conversaram sobre como empresários, gestores e empreendedores podem tomar decisões mesmo em tempos de incerteza.

No segundo dia da série, Tallis Gomes recebeu Tay Dantas (Sócia, Diretora de Marca e Marketing de Produto do G4 Educação) e Marcos Do Val (senador da República pelo Estado do Espírito Santo, eleito o 2º melhor parlamentar do Brasil e melhor senador pelo ranking dos políticos, ex-instrutor da SWAT nos EUA e empreendedor) para falar dos desdobramentos políticos das eleições que podem influenciar nos negócios e na vida do empreendedor brasileiro.

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Vejamos os principais insights desse segundo bate-papo e como o contexto político e polarizado do Brasil pode se tornar catalisador de mudanças na economia do país, tornando-se decisivo para levar o seu negócio para o próximo nível.

Imposto sobre grandes fortunas e seu impacto no Congresso

A taxação sobre as grandes fortunas funciona como um imposto sobre a propriedade. Mas, ao invés de se tributar apenas imóveis, abrange todas as formas de riqueza – dinheiro, ações, joias, cavalos, automóveis, iates, jatos etc. que uma pessoa possui.

A principal justificativa para essa taxação é a de que essa ferramenta poderia limitar o aumento da desigualdade econômica. No entanto, em muitos locais do mundo essa experiência foi testada e os resultados foram negativos, gerando evasão de capital e aumentando drasticamente os custos de oportunidade no mercado.

Vale lembrar que em 1990, haviam 12 países na Europa tributando as grandes riquezas. Em 2019, eram apenas três. Entre os principais motivos para essa diminuição, podemos citar o fato dessa medida impelir os grandes empresários para fora do seu país e, com isso, além de não gerarem receita, esses tributos acabam gerando instabilidade para a classe trabalhadora.

Na opinião do senador Marcos do Val, esse é um projeto populista e que não encontra espaço para uma eventual aprovação no Senado de hoje.

Além disso, quando se fala de isenção de impostos no escopo empresarial, o intuito não é tornar o empresário mais rico, mas possibilitar que mais empregos sejam gerados – o que é, atualmente, o melhor projeto social que existe para o desenvolvimento de uma nação, na visão do parlamentar.

Assim, as nações mais produtivas do mundo são, por consequência, aquelas com maior flexibilidade do ponto de vista tributário. Afinal, quanto maiores os juros e os tributos, menor o apetite do investidor ao risco e à inovação.

Como serão as políticas de estatização e privatização nos próximos anos

Privatizações são desejadas por muitos empresários, especialmente os liberais. Será que existe a possiblidade de uma privatização da Petrobras ir adiante no Congresso assim como aconteceu com a Eletrobrás?

Tallis relembra que a Eletrobrás foi um dos maiores cases de privatização da história. Uma operação extremamente bem conduzida que criou valor para o país ao vender uma companhia que estava fragilizada e recolocando-a como uma das maiores empresas do seu setor do mundo, supercapitalizada e com possibilidade de gerar ainda mais valor para o Brasil.

Nesse sentido, do Val pontua que no Senado, após a Covid-19, muitos políticos começaram a entender que o país estava atrasado em relação ao incentivo às empresas e em uma posição de total dependência da China quando viram as fronteiras serem fechadas.

Assim, instaurou-se um debate sobre como diminuir e acabar com essa subordinação para não deixar o país desassistido. Essa é uma discussão que ainda não está madura, mas:

“(…) já se entende a necessidade de fazer projetos que incentivem o desenvolvimento de empresas tecnológicas aqui no Brasil”.

Senador Marcos do Val

Portanto, o tema de privatizações sempre será avaliado com cautela, já que, apesar de pertinente, algumas empresas são estratégicas e devem se manter no controle do governo para proteção e abastecimento do país caso o Brasil entre, eventualmente, em uma guerra.

Como uma possível gestão presidencial dos dois candidatos à frente da pesquisa eleitoral poderá impactar o empreendedor brasileiro

Sem dúvidas, alguns dos elementos que mais preocupam o empresário e o empreendedor são os desequilíbrios entre os poderes e a insegurança política.

Países que adotaram governos mais à esquerda, como a Argentina, por exemplo, estão avaliados com riscos de investimento e calote maior que a Ucrânia, um país que sofre com a guerra.

Já o Brasil, por outro lado, possui a 6ª menor inflação do G20 em 2022 e aumentou de 2,5% para 3,25% a projeção para o crescimento do seu PIB (Produto Interno Bruto), segundo o BofA (Bank of America).

Gráfico mostrando o mostrando em 6º lugar no ranking de países com menor inflação do G20.
(Na imagem: inflação dos países do G20 em 2022)
(Créditos: Poder 360)

Enquanto isso, no resto do mundo, o cenário é desolador: os EUA vive uma recessão técnica, conforme dados divulgados pela Forbes, a Inglaterra sofre com a queda da libra em seu menor valor em relação ao dólar, a Alemanha se aproxima de uma crise energética pela ausência de abastecimento russo e assim sucessivamente.

Por isso, uma eventual continuidade do Presidente Bolsonaro, que conseguiu passar pela turbulência do isolamento social e da guerra entre Rússia e Ucrânia sem tantos efeitos negativos, tende a aumentar o apetite do empresário pelo risco, produzindo maiores investimento, expandindo operações e contratando mais.

Já em um novo governo Lula, acredita-se que o natural seja ver um movimento de retração do capital até a normalização desse cenário, já que o empreendedor não sabe como ele irá se comportar de fato. Tallis pondera que, no fim do dia, a grande questão a se fazer é:

“Se não está no meu controle Bolsonaro ou Lula ganhar, o que eu, como empreendedor, posso fazer nesse momento?”

Para liderar em tempos de incerteza, duas coisas são fundamentais: primeiro, preparar-se, estudar constantemente, manter-se atualizado, fazer cursos… e, claro, antecipar-se para entender o quão bem você está atendendo e como está a sua gestão de relacionamento com o cliente – já que ele é o único que realmente detém o poder de promover ou desmantelar as suas iniciativas.

Finalmente, é crucial compreender que, independente da polarização nacional, o que te trouxe até aqui não vai levar, necessariamente, a sua companhia para o próximo patamar. Afinal, em um mundo onde a mudança é a única constante, a regra do jogo é sua capacidade de se adaptar.

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