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Apple Inc. Q1 2022 Earnings Call: Insights dos resultados da gigante da tecnologia


Os resultados do primeiro trimestre de 2021 da Apple Inc. demonstram que a empresa segue sofrendo com problemas de fornecimento de peças para seus dispositivos, mas vem trazendo melhorias interessantes para suas soluções financeiras.

Trimestralmente, as maiores empresas do mundo, como Google, Microsoft e Apple, praticamente te dizem o que fazer para ter sucesso em suas plataformas.

Isso ocorre porque essas empresas são listadas publicamente no mercado de ações, o que significa que as mesmas devem demonstrar seus resultados financeiros ao público.

No caso da Apple, este processo é feito através de algo chamado de “conference call”, onde seus acionistas e sócios discutem com analistas do mercado com um retrospecto dos últimos meses, apresentando suas estratégias e explicando seus resultados, erros, acertos e próximos passos.

Apesar de alguns problemas e dificuldades que as Big Techs vem passando neste ano, a Apple Inc. conseguiu obter resultados que superaram as expectativas neste segundo trimestre fiscal dos EUA, surpreendendo os investidores e as previsões do mercado em geral.

Resultados e Métricas do Q2 da Apple Inc.

O desempenho da companhia acabou sendo satisfatório se comparado ao cenário de outras empresas de tecnologia, que vem sendo afetadas pelas crises de cadeias de suprimentos, altas nos juros e efeitos da inflação.

A empresa registrou uma receita de US$ 97,28 bilhões em 2022, com cerca de US$ 25 bilhões de lucro e US$ 1,52 por dividendo de ação diluída, superior ao esperado pelos analistas, que previam uma receita de US$ 93,89 bilhões segundo análise da Refinitiv. 

Se comparado com o mesmo período do último ano, a empresa obteve cerca de 8% a mais de receita e lucros líquidos.

gráfico que demonstra a receita trimestral e o lucro líquido da apple entre 2013 e 2022
(Na imagem: receita trimestral e o lucro líquido da apple entre 2013 e 2022)
(Crédito: Apple Insider)

O principal fator para os bons resultados que a empresa apresentou neste trimestre fiscal se deve aos bons resultados de vendas do iPhone, que representaram 52% de toda a receita da companhia e obtiveram um aumento de cerca de 5,5% em vendas. 

Para efeitos comparativos, a receita total do produto equivale a cerca de 5 vezes a receita da mineradora Vale.

Assim como o iPhone, outro setor que se destacou no trimestre para a companhia foi o de serviços, que obteve cerca de US$ 19,8 bilhões em vendas, um crescimento de cerca de 17%.

gráfico que demonstra a receita da apple por categoria de produto
(Na imagem: receita de Apple por categoria)
(Créditos: Mac Rumors)

Os destaques da Apple Inc. Q2 2022 Earnings Call

Diante de todos pontos levantados pelo relatório deste Q2 que fora disponibilizado pela empresa para seus acionistas, alguns merecem destaque:

  1. A Apple segue sofrendo, assim como o mercado de tecnologia em geral, com problemas de supply para fornecimento de componentes e peças para seus dispositivos, tanto com a crise dos semicondutores como com os efeitos da inflação e custos logísticos.
  2. A empresa não citou nada ligado à privacidade ou ao iOS, se classificando como uma boa notícia para os anunciantes.
  3. Ela segue focando em soluções financeiras e investindo em aumento da praticidade.
  4. A gigante da tecnologia vem enxergando espaço e criando estratégias para crescer no público B2B.

Tudo isso mostra uma tendência clara: a elaboração de estratégias para minar os efeitos inflacionários e crises de suprimentos a partir de foco de produção por meio da priorização de demanda e em sua persona, focando mais na exploração de meios relacionados a serviços, que possuem menor dependência destes suprimentos.

Impacto do cenário macroeconômico e de fornecimento

Em relação ao aumento da inflação nos EUA e mundial, o CFO Luca Maestri apontou que a demanda, principalmente pelos celulares e serviços, foram maiores que o esperado, entretanto, já se observam custos de componentes aumentando, afetando as despesas.

Entretanto, a empresa não apresentou uma resposta sólida em relação às estratégias que irão adotar para minimizar os efeitos deste problema. Os fatores que mais preocupam a companhia são relacionados à cadeia de suprimentos, tanto em relação à disponibilidade quanto ao preço e logística.

A crise na oferta de semicondutores e escassez de chips vem afetando as empresas de tecnologia, não sendo diferente com a Apple, que além de ter um impacto de US$ 4 bilhões a US$ 8 bilhões em seus negócios neste trimestre, teve que priorizar a produção de iPhones para atender a demanda deste produto.

Para isso, foi necessário frear a fabricação do iPad. Esse fator ainda é agravado se aliado com a meta da empresa em se tornarem neutros em carbono até 2030 em toda a sua cadeia de suprimentos.

“Mas olhando para o futuro, vemos 2 causas de restrições de oferta: as interrupções relacionadas ao COVID, e a escassez de silício em todo o setor, o que continuará. Estimamos que as restrições estejam na faixa de US$ 4 billhões a US$ 8 bilhões. Essas restrições estão principalmente centradas no corredor de Xangai”.

Tim Cook, CEO da Apple Inc

Os executivos da companhia afirmam que estão mais focados na análise destes componentes e como a inflação os impacta, justamente pelo fato de isso afetar diretamente os custos finais do produto, até mesmo pela empresa ter uma cadeia de suprimentos espalhada pelo globo. 

iOS e Privacidade

Uma preocupação recorrente do mercado com os últimos “earning calls” da Apple era em relação às alterações das configurações de privacidade dentro do sistema operacional iOS.

Recentemente, a empresa adotou recursos que geram restrições na privacidade dentro do iOS, através de tornar a coleta de dados mais transparente por parte das empresas, inclusive causando intrigas públicas com a Meta. 

Essa estratégia impactou o mercado de anúncios através de uma ferramenta chamada de “App Tracking Transparency”, que faz com que os aplicativos tenham que pedir permissão antes de coletar e rastrear seus dados, afetando a publicidade através de dados em anúncios personalizados. 

Entretanto, pela primeira vez em três trimestres, a empresa não bateu no ponto de publicidade, sinalizando que talvez o iOS já tenha feito a maior parte das restrições que estão impactando o mercado de anúncios, pelo menos por hora.

Expansão das soluções financeiras e investimentos na área de serviços

Conforme analisado anteriormente, a Apple possui grande parte de sua receita baseada em serviços oferecidos a seus clientes, com cerca de 20,4%. A empresa obtém quase 825 milhões de assinaturas pagas em todos os serviços de sua plataforma, com um crescimento de mais de 20% nos últimos 12 meses.

Destes serviços, podemos citar como exemplo o streaming Apple TV, o armazenamento em nuvem iCloud e as suas soluções financeiras, que vêm ganhando cada vez mais espaço dentro do escopo de atuação da companhia.

“Em primeiro lugar, nossa base instalada continuou a crescer, atingindo um recorde histórico em cada segmento geográfico e categoria de produto principal. Em seguida, continuamos a ver um maior envolvimento do cliente com nossos serviços. Nossas contas de transações, contas pagas e contas com assinaturas pagas atingiram recordes históricos durante o trimestre de março em todos os segmentos geográficos.

Luca Maestri, CFO da Apple Inc.

As soluções financeiras da companhia incluem desde a carteira digital Apple Wallet até o Apple Financial Services, que oferece financiamento para escolas e negócios para que utilizem as tecnologias, serviços e produtos da big tech.

A Apple vem se posicionando bem dentro dos serviços financeiros. Recentemente, a empresa adquiriu a fintech britânica Kudos, por US$ 150 milhões, que possui enfoque em crédito. Isso  demonstra uma movimentação para o ecossistema de Open Banking, oferecendo produtos e serviços financeiros personalizados e orientados a valor, comparando-se à estratégia de empresas como Mastercard e Visa.

Através de APIs, o open banking permite que as empresas de serviços financeiros acessem e compartilhem dados financeiros pessoais para engajamentos mais contextualizados que são incorporados à vida diária do consumidor.

Isso pode se caracterizar como uma ótima oportunidade para a Apple, que emerge neste mercado com vantagens competitivas. Isso pelo fato de que ter uma maneira mais ampla de avaliar o valor do crédito além dos critérios tradicionais poderia expandir o universo de perspectivas disponíveis para produtos de crédito.

“A primeira é o fato de que nossa base instalada de dispositivos ativos continua crescendo muito bem. E isso é obviamente um grande motor para o nosso negócio de Serviços. A segunda coisa é que o nível de engajamento que vemos em nossa plataforma continua crescendo. Temos mais contas de transações, mais contas de pagamento, mais contas com assinaturas. A quantidade absoluta de assinaturas pagas em nossa plataforma é bastante impressioante, 854 milhões.

Luca Maestri, CFO da Apple Inc.

Foco no B2B

A big tech vem cada vez mais focando em diferentes tipos e nichos de persona. Dentro do B2B, a Apple vem buscando soluções não somente para clientes grandes, as chamadas “enterprises”, mas também para PMEs. 

Seu produto mais conhecido nessa nova área de expansão de persona e público alvo da empresa é o serviço de assinatura baseado em suporte a pequenas e médias empresas dentro do escopo de gerenciamento de dispositivos, chamado de “business essentials”.

Além disso, a Apple vem investindo em soluções baseadas em treinamentos acerca de construção em software Apple para outras companhias, os já apresentados serviços financeiros, e gestão de equipes em Apple ID.

Considerações Finais

Os destaques do “Earnings Call” da Apple Inc. neste Q2 2022 nos reservam insights relacionados à estratégia. Observamos que a empresa está se esforçando para contornar os ventos contrários do cenário macroeconômico e da cadeia de suprimentos atual.

Além disso, vemos que a empresa vem adotando uma estratégia voltada para serviços financeiros e foco no B2B, aumentando o escopo de sua persona e também o alcance da empresa.

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