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Amazon compra iRobot e tem aspirações muito maiores que a limpeza


aspirador de pó do irobot

A iRobot fabrica produtos de limpeza inteligentes focados na vida doméstica e se junta aos outros gadgets da Amazon rumo a construção de um espaço de convivência mais tecnológico, conectado e funcional, enfim, uma casa inteligente.

Em 2017, a consultoria de gestão global McKinsey estudava o mercado de “smart homes” quando escreveu um artigo onde afirmou: uma casa inteligente é onde o “bot” está. Cinco anos mais tarde, assistimos players como a Amazon, pioneira neste mercado, lutando para conquistar cada cômodo, criando e adquirindo tecnologias mais inteligentes e intuitivas.

  • Ivona Software: em 2013 adquiriu a startup de reconhecimento de voz;
  • Echo: lançou em 2014 o smart speaker com a assistente de voz Alexa, baseado no Ivona Software;
  • Blink: adquiriu a startup de câmera de segurança inteligente em 2017;
  • Ring: em 2018 adquiriu a startup de campainha inteligente;
  • Astro: lançou em 2021 o primeiro robô doméstico da empresa.
dispositivos de smart home da amazon
(Na imagem: produtos da Amazon voltados para smart homes)
(Créditos: The Hustle)

A empresa fundada por Jeff Bezos parece estar comprometida em construir as “casas do futuro” há quase uma década, e em agosto de 2022, adicionou mais um produto ao seu portfólio. Por US$1.7 bilhões comprou a iRobot fabricante do aspirador inteligente Roomba, a última aquisição até então.

Embora pareça um acréscimo pertinente aos seus dispositivos domésticos smart, o grande valor do aspirador de pó vai além da praticidade, indo de encontro com o que a Amazon prioriza desde que foi fundada nos anos 90: dados. 

“Os seres humanos são incrivelmente eficientes em dados. Você não precisa dirigir 1 km para dirigir um carro, mas a maneira como ensinamos um carro autônomo é fazer com que ele dirija 1 km.”

Jeff Bezos – Fundador da Amazon

Smart Home: uma breve história da casa do futuro

Com o avanço da tecnologia, o incremento de big data e o surgimento da Inteligência Artificial, por exemplo, muitas ideias passaram a se mostrar mais tangíveis, inclusive a construção de uma casa inteligente.

O conceito das smart homes é relativamente simples. A partir de um ecossistema inteligente e coordenado de software e dispositivos, é possível transferir o gerenciamento de tarefas domésticas para homebots. Nesta perspectiva, a “casa do futuro” é coordenada por diferentes dispositivos que colaboram entre si, realizando tarefas específicas e sendo coordenados a partir de variadas plataformas. 

Em 2010, somente 4% das casas dos Estados Unidos possuíam algum hardware inteligente, em 2017 esse número subiu para 20% e em 2019 foi para 69%, o que equivale a 83 milhões de casas. Destas, 18% (22 milhões de residências), possuíam mais de um produto considerado inteligente, de acordo com a Consumer Technology Association (CTA).

Embora os números sejam animadores, o setor ainda apresenta um nível de maturidade baixo para se concretizar inteiramente, que provém tanto do mercado quanto dos consumidores, principalmente no que diz respeito à evolução do conceito para um ecossistema de produtos. 

Isso porque, o maior desafio de quem está desenvolvendo esse conceito de moradia, incluindo grandes nomes como Apple, Google, Samsung e principalmente, Amazon é diminuir o cenário ainda muito fragmentado, isso é, a falta de conectividade entre os bots, o que diminui a  percepção de valor geral. 

Essa evolução integrativa, além de gerar novas relações de consumo, implica em mais tecnologia e oportunidades de nicho. Contudo, esse progresso não pode ocorrer sem dados.

Sem dados, não há inteligência

Uma vez que essa automação exige níveis de confiança mais altos, as empresas devem focar em entender interações, expectativas, além dos principais obstáculos e oportunidades para acelerar a aderência das casas inteligentes, assim como aprofundar o conhecimento sobre comportamento de consumo geral.

A expectativa é que a partir do avanço da ciência de dados, o conhecimento deixe de ser somente insights estáticos e passe a ser mais orientado por IA. Essa mudança é tida como chave para evoluir os softwares constantemente, levando em consideração as necessidades do consumidor.  

Uma vez que essa abordagem multidisciplinar de uso de dados for alcançada, a tendência é que as empresas aumentem o engajamento e o apelo emocional dos dispositivos, tornando-os mais intuitivos, ganhando vantagem competitiva e como consequência, maior penetração de mercado.

Amazon e Roomba: aspirando e coletando dados

Como vimos, a Amazon vem se esforçando para estar à frente da concorrência quando o assunto são casas inteligentes, e desde que lançou o Echo, vem tentando colocá-lo no centro dos dispositivos smart, o que parece estar funcionando. Os alto-falantes superam os da Apple e do Google, e venderam em média 9,9 milhões de unidades nos três primeiros meses do ano (2022).

Por outro lado, enquanto a Alexa já pode controlar fornos e lâmpadas e parece ter ganhando a preferência do público, o primeiro robô doméstico da Amazon, Astro, não conseguiu fazer o mesmo, pelo menos não ainda. 

robô doméstico da Amazon, chamado Astro
(Na imagem: robô doméstico Astro, lançado em 2021)
(Créditos: Amazon/Divulgação)

Ideal para monitoramento, é capaz de verificar remotamente “salas, pessoas ou coisas específicas”. Além disso, disponibiliza alertas caso detecte uma pessoa ou sons desconhecidos “quando você estiver ausente”. 

A expectativa do preço de venda estava em US$1.450 mas com a pouca recepção, o lançamento ainda está limitado e a aquisição pode ser feita somente através de convite. Contudo, o que chama a atenção no Astro é seu funcionamento: ele utiliza tecnologia de navegação avançada para se orientar.

Dada a receptividade abaixo das expectativas do robô, a recente aquisição da Amazon faz ainda mais sentido, uma vez que a iRobot inclui em seus produtos uma tecnologia chamada “Smart Maps”, o que de certa forma, pode reviver as aspirações do Astro. 

aspirador de pó roomba e a tecnologia smart maps, que mapeia as casas
(Na imagem: ilustração de como funciona a tecnologia dos aspiradores Roomba, da iRobot chamada de smart maps)
(Céditos: The Verge)

A tecnologia cria mapas baseados em dados de odometria (técnica que mede a distância percorrida), junto a imagens de câmeras de baixa resolução. Segundo a iRobot, os produtos “podem mapear o chão de uma casa, detectar mudanças no tipo de piso, limpar localmente, evitar objetos e quedas de escadas”, além de ir a uma base para recarregar de maneira inteligente. 

Com essa perspectiva, a limpeza assume um papel secundário e a Amazon na verdade, adquiriu uma empresa de mapeamento. Afinal, uma casa não é inteligente a menos que tenha acesso a informações úteis. Embora coletar dados seja essencial para integrar os bots entre si, conhecer a planta de uma casa pode significar muito mais.

Ao aspirar, o Roomba pode saber o tamanho da casa, esbarrar em legos ou ainda, nunca “bater” em móvel nenhum, o que significa saber sobre renda familiar, a presença de crianças ou não e até, se falta móveis.

Neste ponto, estamos falando de um conhecimento personalizado mais eficiente e assertivo por parte da empresa, e que tende a impactar segmentação, anúncios, comportamento de compra e mais. 

“Os modelos mais recentes [de aspiradores Roomba] são equipados com câmeras e mapeiam as casas de forma muito sofisticada, sabendo o tamanho dos cômodos e idade dos móveis. A Amazon vive de construir um grande banco de dados sobre comportamento humano.’

Pedro Doria – jornalista

Assim como dispositivos inteligentes conhecem um espaço e interagem perfeitamente para atender determinadas necessidades, as empresas podem fazer o mesmo com outros produtos, ofertando itens relevantes e que se encaixem no estilo de vida daquele perfil, como previu a McKinsey:

“A maior fonte de valor pode vir dos dados. Os bots irão adquirir e gerar informações, e esses pontos de dados serão críticos para projetos e serviços cada vez mais orientados por dados. Os dados serão fontes de insights e até produtos por si só. Exigirá uma equipe dedicada para analisar os dados, desenvolver estratégias, gerenciar parcerias e conduzir experimentos que se tornarão essenciais para a criação de valor.”

Artigo da McKinsey, “a smart home is where the bot is” 2017

A iRobot é a quarta maior aquisição da Amazon, atrás da Whole Foods (US$ 13,7 bilhões), do estúdio de cinema MGM (US$ 8,5 bilhões), e da rede de saúde Life Healthcare. Tanto a Whole Foods quanto a Life Healthcare (US$ 3,49 bilhões), fornecem informações úteis para a Amazon sobre seus respectivos setores (supermercado e saúde). 

Ao que tudo indica, agora chegou a vez das residências. Os aspiradores Roomba possuem conectividade com a Alexa, além da iRobot conseguir executar alguns softwares da Amazon Web Services.

A Amazon não está sozinha

Outros grandes players estão interessados no potencial do mapeamento. A Apple divulgou que o iOS 16 contará com tecnologias melhores, uma delas, o RoomPlan, que cria plantas baixas em 3D. 

tecnologia do iOS 16 “RoomPlan", desenvolvida pela Apple
(Na imagem: tecnologia do iOS 16 “RoomPlan”, desenvolvida pela Apple)
(Créditos: Apple/Divulgação)

O futuro do uso de dados

Uma casa inteligente consegue transformar dados em conhecimento, otimizando os espaços de convivência a partir da tecnologia, e mesmo que os clientes não sejam obrigados a compartilhar os dados, o pressuposto é que sem dados, exista uma carência de inteligência.

Então, mesmo que haja uma preocupação com a segurança, a tendência é que as pessoas estejam mais dispostas a compartilhar seus dados, obtendo mais facilidade e praticidade no dia a dia. Desse modo, mesmo para os negócios que não estão no mercado de casas inteligentes, entender o conceito por trás do uso de dados pode ajudar a evoluir a proposta de valor. 

A seguir, listamos alguns fatores importantes que tendem a se tornar temas centrais nos próximos anos, pelo menos no que diz respeito ao uso de dados:

#1 – Privacidade

Com um maior uso de dados, a responsabilidade por eles naturalmente aumenta, portanto, prezar pela segurança das informações coletadas é fundamental. Mesmo empresas como a Amazon reforçam publicamente seus esforços de proteção de dados continuamente, e estar atento aos órgãos reguladores é imprescindível.

Muitos consumidores estão mais conscientes sobre sua privacidade e pensam antes de adquirir qualquer produto ou serviço que os deixe desconfortáveis ou com muitas dúvidas. Esclarecer de maneira recorrente como ocorre a coleta de dados e seus devidos fins, além de contribuir para uma experiência melhor, favorece a transparência do negócio, aumentando a satisfação e a retenção de clientes.

#2 – Confiança

O avanço da tecnologia pode causar desconforto e ceticismo por parte do público. A falta de aderência do robô Astro, por exemplo, além de demonstrar que o mercado ainda precisa alcançar uma maior maturidade, evidencia que ainda existem dúvidas sobre o conceito geral de dispositivos smart, e como podemos usufruir desses avanços no dia a dia. 

Para estabelecer essa confiança, além de provar que os homebots podem executar as tarefas propostas, criar uma relação mais emocional pode ser um caminho promissor. Nesse sentido, utilizar o conceito de “Emotion AI” um subconjunto da Inteligência Artificial que foca em “medir, entender, simular e reagir às emoções humanas”.

Muitos consumidores que investiram em uma Alexa se referem a ela como uma amiga. Essa sensação não se dá somente por sua utilidade, mas sim pela sensação de apoio que ela foi projetada para proporcionar, envolvendo e utilizando um tom de voz sensível.

Ao investir em canais digitais como sms e chat, pensar em um tom mais sentimental nos dispositivos, pode ajudar a construir uma conexão emocional valiosa. Pesquise como o seu cliente gostaria de se sentir no momento do atendimento, isso ajudará a definir o melhor caminho para se relacionar com ele no meio digital.

#3 – Ecossistema

Assim como a casa inteligente precisará de diferentes dispositivos se relacionando, o que pressupõe um ecossistema de soluções integradas, cada vez mais, os negócios devem focar em criar seu próprio ecossistema de produtos e serviços.

Ao invés de pensar no mercado levando em consideração somente a competitividade, a tendência é que as empresas ampliem o olhar, mostrando-se atentos a serviços complementares, criando ou adquirindo empresas que potencializem a proposta de valor. Desse modo, é possível buscar outras avenidas de crescimento, juntando forças e criando uma oferta irrecusável para o consumidor.

#4 – Personalização

O potencial de personalização proveniente do uso de dados, além de atrair o Ideal Customer Profile mais facilmente, também pode aumentar o LTV, uma vez que as empresas poderão ofertar produtos e serviços personalizados.

No caso das smart homes,  o desafio parece ainda maior: como posicionar produtos e serviços que serão encontrados por bots? O ambiente competitivo se tornaria ainda mais acirrado, com comentários e pontuações online ocupando um lugar ainda mais importante para a escolha automatizada dos homebots.

O poder dos dados: propostas de valor únicas

A Amazon vem investindo em tecnologia e inovação há muito tempo e suas operações são a maior prova. Além de ter sido pioneira na entrega feita por drones, recentemente, lançou o robô móvel Proteus que ajuda levantar e mover carrinhos nos armazéns de maneira totalmente autônoma.

Na outra ponta, a iRobot inova constantemente em produtos de limpeza. Neste sentido, a aquisição da Amazon se relaciona diretamente com uma visão de mercado complementar. O primeiro aspirador Roomba foi lançado em 2002, em 2020, detinha o maior market share do mercado (46%).

O Astro ainda não decolou, mas a Amazon encontrou outra maneira de mapear casas. Resumidamente, desenvolver uma abordagem estratégica tem a ver com a capacidade de se adequar às mais variadas situações (mesmo aquelas que não são as mais favoráveis), pensando: o que podemos fazer para diminuir os danos e priorizar os objetivos? 

Afinal, o crescimento de um negócio depende da capacidade de encontrar os gargalos e as potenciais alavancas para diminuí-los. Obcecada pelo cliente, a Amazon possui um forte senso de excelência operacional, e de dentro para fora, estabelece novos parâmetros para as demais, inovando continuamente. Mas ela não é a única.

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