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Ações do Nubank: por que a empresa perdeu quase 65% de seu valor de mercado?


Nubank

Sem dúvidas, o Nubank é hoje um dos principais bancos digitais por usuários do mundo. No entanto, após o seu IPO na bolsa de Nova York, quando se tornou o mais valioso da América Latina, o seu valor de mercado caiu vertiginosamente. Descubra o que aconteceu com as ações do Nubank e o que outras instituições podem aprender através da sua impressionante narrativa.

Desde seu lançamento, em 6 de maio de 2013, o colombiano David Vélez, o americano Edward Wible e a brasileira Cristina Junqueira, a fintech brasileira Nubank criou soluções tecnológicas inovadoras para uma área tradicionalmente burocrática e onerosa – o sistema bancário do Brasil.

Através de pagamentos online e móveis, big data, finanças alternativas e gestão financeira, o Nubank explorou o gap de um tecido arcaico para proporcionar o acesso de milhões de pessoas às ferramentas financeiras de forma simplificada, alcançando o status de startup unicórnio e se tornando, pouco tempo depois, a primeira startup do país a atingir a marca de US$10 bilhões.

Em uma rápida ascensão, seu IPO, realizado em 09 de dezembro de 2021, foi uma das ofertas públicas iniciais mais esperadas de uma empresa estrangeira de tecnologia financeira nos EUA, com grandes nomes investindo na companhia, incluindo Tencent Holdings, Sequoia Capital e Berkshire Hathaway, de Warren Buffett.

Mais que isso, a Nu Holdings (holding do Nubank) conquistou números ainda mais notáveis: consolidou-se como a 3ª empresa privada mais valiosa do país (atrás apenas de Vale e Petrobrás), tornou-se o banco digital mais valioso da América Latina e conquistou 60 milhões de usuários em 2022 (excedendo o total do Bank of America).

Entre os motivos do seu sucesso, 8 lições de experiência do cliente compartilhadas por Cris Junqueira se destacam para garantir uma percepção de marca positiva diante do público e construir uma cultura organizacional forte dentro de um companhia.

Hoje, no entanto, o que parecia improvável aconteceu. Pouco mais de seis meses da sua estreia na bolsa norte-americana, o valor de suas ações caiu cerca de 65% e seu valor de mercado se deteriorou – passando de US$ 41,5 bilhões para US$ 16 bilhões. Entenda a seguir como e por que isso aconteceu.

Por que as ações do Nubank caíram tanto?

O Nubank, que em dezembro de 2021 valia mais que o Itaú, hoje vale cerca de um terço desse valor. E pior, no mesmo período, seus principais concorrentes não sofreram a mesma volatilidade. Itaú Unibanco permaneceu com um valutation de US$ 42,15 bilhões e o Bradesco de US$ 36,04 bilhões, respectivamente (até a data de publicação deste artigo).

Todo banco (digital ou não) é uma instituição financeira que oferece aos consumidores uma maneira de administrar seu dinheiro, ter acesso a crédito e depositar seu dinheiro de forma segura. Com o Nubank, isso aconteceu por meio de serviços mais eficientes e menos burocráticos (muitos até gratuitos) no universo digital.

Aumentando a sua base de clientes de modo exponencial, o banco continua, segundo nota oficial, totalmente confiante e comprometido com a criação de valor no longo prazo. Vejamos os fatores que, segundo analistas ouvidos pela BBC News Brasil, explicam essa assustadora queda de ações.

(Na imagem: trajetória do valor das ações do Nubank)
(Crédito: NYSE)

Os desafios do cenário macroeconômico internacional

Desde a crise sanitária provocado pelo COVID-19 e a eclosão da guerra entre Rússia x Ucrânia, a conjuntura econômica internacional tem se alterado diariamente: perspectivas voláteis de crescimento econômico, inflação, oscilações em políticas monetária e fiscal, dentre outros, têm sido alguns dos desafios enfrentados pelo cenário macroeconômico.

Segundo João Bragança, diretor de serviços financeiros da Roland Berger, a pressão nas avaliações de mercado das fintechs é uma tendência crescente não só na América Latina, mas em todo mundo. Como consequência, a avaliação de risco dos investidores em uma situação de menor liquidez fica comprometida.

“Isso fez com que bancos centrais aumentassem as taxas de juros, reduzindo a liquidez no mercado, ou seja, os recursos que estão disponíveis para os investidores aplicarem em novos negócios ou em negócios pré-existentes. As fintechs são, por natureza, negócios que estão em fase de maturação, num caminho de fortalecimento de seu modelo de negócio.”

João Bragança, diretor de serviços financeiros da Roland Berger.

No cenário externo, em um mês, a Nasdaq alcançou uma queda de 13%. Se considerarmos desde o início deste ano, o acumulado já chega a cerca de 30%. Portanto, esse é um desafio presente até mesmo nos mercados mais desenvolvidos.

A preocupação com o contexto econômico brasileiro

No Brasil, os riscos geopolíticos, a alta dos juros e da inflação são fatores que preocupam sobremaneira os investidores. Afinal, como o Nubank conseguirá “monetizar sua base de clientes” com uma forte desaceleração econômica e a perda de renda cada vez mais acentuada da população?

Como se não fosse o bastante, os resultados divulgados pelo banco para o primeiro trimestre mostraram ações abaixo de US$ 4, gerando um prejuízo líquido de US$ 45 milhões. Dito isso, a inadimplência (tanto no pagamento da fatura dos cartões quanto nos empréstimos pessoais) é um fantasma que assombra a instituição. Afinal, a concessão de crédito segue sendo o seu principal produto.

“Sempre que os juros sobem, o crédito fica mais caro. Desestimulam-se o consumo e a tomada de crédito. E o Nubank é uma instituição de crédito. A maior base de receitas deles vem de cartão de crédito, principalmente no rotativo (ou seja, que parcelam), e de empréstimos. (…) As pessoas que se tornaram clientes do Nubank foram atraídas pela promessa de que o banco não cobraria taxas. Ou seja, como monetizar seu negócio se os juros estão muito altos e seus clientes não estão tomando crédito? Isso é um enorme problema”.

Danielle Lopes, sócia e analista de ações da Nord Research.

Esse foi um importante sinal de alerta para a instituição, pois apesar de uma alta de 60,64% na sua base anual de clientes, a inadimplência subiu para 4,2% – acima da média dos bancos tradicionais. À título exemplificativo, os atrasos entre 15 e 90 dias foram de 2,6% para 3,7%, entre o quarto trimestre de 2021 e o primeiro trimestre de 2022.

Questões internas da companhia

Enquanto bancos tradicionais, como Itaú Unibanco e Bradesco, movimentam-se com moderação na linha de concessão de crédito sem garantia (como as operações com cartão), buscando uma maior fidelização de clientes antigos em comparação à captação de novos, o Nubank divulgou um pacote de remuneração agressivo à sua diretoria, acima de R$ 800 milhões, e anunciou que investirá 1% de seu caixa em criptomoedas, mais especificamente o bitcoin.

Tudo o que os investidores não queriam, nesse momento, eram mais incertezas quanto a investimentos voláteis demais.

Por fim, o mercado se acirrou e está mais competitivo. Hoje, existem várias outras soluções para obter crédito e conta grátis. Até mesmo os bancos tradicionais estão simplificando e digitalizando os seus principais produtos.

O que a queda das ações do Nubank ensina ao mercado?

Seja como for, é fato que o Nubank continua, mesmo em meio a tamanhas adversidades, posicionado para se consolidar como fintech líder da América Latina nos próximos anos.

A baixa no valor de suas ações é algo muito semelhante à queda de investimentos em startups de tech do Vale do Silício. Sinais de que o momento exige ainda mais cuidados, sabedoria e planejamento das grandes corporações. Em nota oficial, o fundador e CEO do Nubank, David Vélez, afirmou que:

“Apesar da recente volatilidade do mercado no curto prazo, continuamos com total confiança e comprometimento com a criação de valor de longo prazo, como foi reiterado por nossos principais acionistas”.

Para a companhia, apesar dos desafios e das condições macroeconômicas atuais, esse foi o trimestre mais forte na história do Nu, extrapolando a incrível marca de 60 milhões de usuários e uma taxa de atividade recorde de 78%.

Para conseguir esse resultado apresentado no relatório trimestral, a geração de receita da empresa alcançou o recorde de US$ 877 milhões (+226% FXN na comparação com o 1T21), com um custo de aquisição de clientes relativamente baixo – uma vantagem competitiva crucial para permitir que a fintech se mantenha lucrativa apesar de um ticket mais baixo.

Vale ressaltar ainda a cultura empresarial implementada por David Vélez na companhia para sobreviver de maneira saudável no longo prazo. Ora, o Nubank não deixou de ser um unicórnio, mas agora a lógica é a da perenidade, não apenas a busca por um pico de valuation, mas de sustentabilidade para se manter firme durante períodos de crise.

Para startups acostumadas a um crescimento rápido, um longo período de condições extremamente desafiadoras no mercado global exige que se adote uma mentalidade diferente, como a de um camelo, por exemplo – animais capazes de sobreviver por longos períodos sem sustento, com o calor escaldante do deserto e ainda se adaptarem às variações extremas do clima. 

Segundo Alex Lazarow, em artigo publicado pela Harvard Business Review, as startups camelos oferecem lições valiosas sobre como sobreviver à crise, sustentar e crescer em condições adversas através de 3 estratégias básicas:

  1. Execução de um crescimento equilibrado;
  2. visão de longo prazo;
  3. diversificação no modelo de negócios.

Algo bem próximo ao que o Nubank vem apresentando, especialmente após anunciar a ampliação do seu portfólio de produtos com investimentos, linhas de crédito, cartão, conta corrente e transferências internacionais.

Em suma, para o mercado essa é a hora para transformar a adversidade em vantagem. Por isso, se você quer aprender mais sobre como aplicar as estratégias de crescimento usadas pelo Nubank e pelos maiores players mundiais, participe da Imersão de Growth do G4 Educação e tenha segurança para atravessar este momento com muito mais vendas, parcerias e negócios na sua empresa.

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Crédito da imagem em destaque: Divulgação/Nubank

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