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5 lições de cultura empresarial com David Vélez, fundador do Nubank

Em um papo enriquecedor, Vélez conta sobre a cultura do Nubank, pilar fundamental para que a empresa, fundada em 2013, já tenha sido avaliada em US$ 30 bilhões.

E a 2ª Temporada do nosso podcast Papo de Gestão chegou mesmo com tudo! No primeiro episódio dessa temporada, Tallis Gomes recebeu David Vélez, CEO e Fundador do Nubank, em um papo sobre como o Nubank se tornou uma das 10 maiores startups do mundo, avaliado em US$ 30 bilhões. Segundo Vélez, a grande responsável por esse resultado foi a cultura empresarial.

Por isso, revelamos 5 valiosas lições sobre cultura que David falou no podcast e você pode aplicar no seu negócio!

Lição 1 – Não venda produto, venda cultura

Quando a sua empresa tem uma cultura forte, este se torna o seu maior diferencial competitivo.

Provavelmente você tem concorrentes que vendem a mesma coisa ou algo muito parecido que seu produto ou serviço. Ainda que você esteja em um “oceano azul”, se sua empresa começar a dar certo, mais cedo ou mais tarde alguém vai copiar você.

Mas a cultura empresarial é uma coisa única, impossível de ser 100% copiada.

No caso do Nubank, por exemplo, vimos dezenas de outros bancos digitais surgindo, com todo o tipo de feature possível.

Ainda assim, nenhum deles conseguiu reproduzir o “efeito Nubank”, porque os clientes do roxinho são completamente apaixonados pela cultura da marca.

Lição 2 – A cultura é criada pelas 10 primeiras pessoas da empresa

Segundo Vélez, a cultura de uma empresa é criada logo no seu início, nos primeiros 6 meses e pelos 10 primeiros colaboradores.

Essas pessoas serão o exemplo dos próximos que virão. Elas serão responsáveis por passar, direta ou indiretamente, os valores da empresa para os novatos, quando estiverem contratando gente nova toda semana.

Lembre-se: a palavra convence, mas só o exemplo arrasta.

A grande prova disso é que Vélez comentou que, mesmo sendo o CEO de uma empresa gigante, responde individualmente todos os e-mails de reclamações que chegam na sua caixa de entrada.

Por mais que isso não seja escalável, é um grande exemplo do maior valor do Nubank: o foco fanático na satisfação de seus clientes.

Lição 3 – Faça um documento com a sua cultura

Lá no início do Nubank, quando eles ainda eram aquela pequena empresa de 10 pessoas, Vélez, seus sócios e colaboradores dedicaram um dia inteiro para a construção da cultura empresarial.

Para isso, eles fizeram um offsite, isso é, saíram do ambiente de trabalho, e foram conversar de forma descontraída, enquanto tomavam uma caipirinha ou uma cerveja, para debater com calma como seria a cultura da empresa.

Desde então, esse documento é apresentado para todos que ingressam na empresa e serve de guia para a forma como as coisas devem ser feitas. Dá uma olhada no que eles escreveram como os pilares de valor do Nubank:

  • We want customers to love us fanatically: queremos que os clientes nos amem fanaticamente;
  • We are hungry and challenge the status quo: somos famintos e desafiamos o “sistema”, o status quo;
  • We think and act like owners: temos mentalidade de dono;
  • We build strong diverse teams: construímos times fortes e diversos;
  • We pursue smart efficiency: buscamos a eficiência inteligente.

Leia também: Cultura organizacional: o que é, importância e como aplicar

Lição 4 – Capriche no Onboarding

Há 8 anos, todos os meses, David apresenta a cultura Nubank para todos os novos colaboradores que entram na companhia.

Por mais corrida que seja a agenda de um CEO de uma empresa bilionária, Vélez vê a sua presença nesse processo de onboarding como indispensável. É uma oportunidade para todos que entram de ouvir diretamente do fundador da empresa quais os valores e o que se espera deles por lá.

Mas não para por aí, o onboarding do Nubank pode durar até 4 semanas.

Na primeira semana, a ideia é entregar para os novos colaboradores uma visão geral da empresa, onde, além de Vélez, os gestores de cada área também apresentam um pouco do que eles fazem e de como veem a empresa.

Depois de finalizado esse onboarding geral, as semanas seguintes são de um onboarding mais específico na área do colaborador, onde são apresentadas suas funções, as ferramentas e como eles trabalham.

Nessa segunda etapa, que dura em média 3 semanas, o novo membro do time já está trabalhando normalmente, mas parte do seu tempo é dedicada para que ele aprenda com calma tudo o que precisa para se tornar um profissional de excelência.

Lição 5 – Só a cultura sobrevive ao longo prazo

No podcast, Vélez conta que um dos grandes motivos de ele valorizar tanto a cultura é porque antes de trabalhar no Nubank, ele esteve na Sequoia Capital, um grande fundo de venture capital que tem uma cultura muito forte.

Lá, ele percebeu que a Sequoia tinha uma grande diferença em relação a outros fundos: eles já estão na 3ª geração e só crescem.

Segundo David, isso é raríssimo no mundo de investimentos de risco e só foi possível graças a uma boa cultura empresarial.

É exatamente por isso que David garante que a cultura é o grande pilar do crescimento do Nubank até aqui, e por mais que a empresa já esteja avaliada em 30 bilhões de dólares, ainda é o começo.

A expectativa é que a cultura do Nubank leve a empresa muito além nos próximos anos.

Quer saber um pouco mais de como eles vão fazer isso? Clique aqui e ouça o podcast na íntegra!